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  • Casos de violência sexual em conflitos mais que duplicaram em 2025, diz ONU

    Casos de violência sexual em conflitos mais que duplicaram em 2025, diz ONU

    Casos de violência sexual em conflitos mais que duplicaram em 2025, diz ONU

    No ano passado, quase 10 mil casos de violência sexual relacionada a conflitos foram documentados pelas Nações Unidas. O número representa mais do que o dobro de casos notificados no mesmo período de 2024. Os dados constam de um relatório do secretário-geral da ONU, divulgado neste 29 de maio.

    A publicação documenta o recurso à violação, à escravidão sexual e ao casamento forçado, bem como ao tráfico e aos raptos em 21 países afetados por conflitos em África, no Oriente Médio, na Europa e no Caribe.

    Agravamento da violência sexual 

    A representante especial do secretário-geral sobre Violência Sexual em Conflito, Pramila Patten, afirmou que os números refletem uma tendência global de agravamento da violência sexual em contextos de guerra, “marcados por extrema brutalidade e visando esmagadoramente mulheres e meninas”.

    O relatório confirmou 9.788 casos de violência sexual relacionada com conflitos durante 2025. No entanto, a representante da ONU enfatizou que este número não reflete a realidade brutal.

    “Os números contidos neste relatório devem ser entendidos não como o quadro completo, mas como um indicador de um padrão muito mais amplo de violações que permanecem em grande parte invisíveis e subnotificadas”, afirmou.

    Civis como alvo 

    Apesar de as mulheres e meninas continuarem a ser os principais alvos da violência sexual, homens e meninos também foram submetidos a abusos sexuais como forma de tortura.

    Por sua vez, as pessoas Lgbtqi+ enfrentaram um risco acrescido de perseguição e assédio direcionado.

    Segundo os dados, as vítimas tinham idades entre um e 70 anos, registando-se também casos envolvendo pessoas com deficiência.

    A violência foi frequentemente acompanhada por abusos físicos extremos, incluindo homicídios após violação e casos de suicídio entre sobreviventes, sublinha Pramila Patten.

    Áreas ricas em recursos naturais 

    O relatório refere que grupos armados não-estatais continuaram a usar a violência sexual para exercer controlo sobre comunidades e territórios, incluindo áreas ricas em recursos naturais.

    Perante a documentação de padrões contínuos de violência sexual, as forças armadas e de segurança da Rússia e as forças armadas e de segurança de Israel foram incluídas pela primeira vez na publicação anual.

    A ampla disponibilidade de armas ligeiras continuou também a alimentar a violência sexual em múltiplos conflitos, segundo as conclusões.

    Ao mesmo tempo, as restrições ao acesso humanitário, a insegurança e a falta de financiamento dificultaram a documentação dos abusos e o apoio aos sobreviventes.

    Apelo à ação 

    O relatório insta o Conselho de Segurança e os respetivos Estados-Membros a reforçar a prevenção, a responsabilização e o apoio aos sobreviventes de violência sexual.

    As recomendações incluem garantir o acesso humanitário, a expansão do mecanismo de monitorização e sanções, o reforço da proteção das mulheres nas missões da ONU e o aumento do financiamento para serviços médicos, psicossociais e jurídicos.

  • Prefeitura reforça fiscalização no Centro e apreende materiais de estabelecimentos reincidentes

    Prefeitura reforça fiscalização no Centro e apreende materiais de estabelecimentos reincidentes

    Prefeitura reforça fiscalização no Centro e apreende materiais de estabelecimentos reincidentes

    A Prefeitura de Manaus realizou, na madrugada deste domingo, 31/5, a segunda operação consecutiva de fiscalização na região da praça da Saudade e rua Simão Bolívar, no Centro, zona Sul da capital. A ação integrada resultou na aplicação de cinco autos de infração pelo Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) e na apreensão de 15 materiais utilizados de forma irregular de estabelecimentos que voltaram a ocupar irregularmente calçadas e espaços públicos, mesmo após orientações e medidas administrativas anteriores.

    A fiscalização integra o trabalho de ordenamento urbano desenvolvido pela Prefeitura de Manaus e atende a demandas encaminhadas pelo Ministério Público do Amazonas (MP-AM), além de denúncias de moradores relacionadas à poluição sonora, perturbação do sossego público, ocupação irregular de áreas públicas, obstrução de vias e comércio ambulante irregular.

    A ação contou com a participação integrada de órgãos da Prefeitura de Manaus e do governo do Estado, incluindo Guarda Municipal de Manaus (GMM), Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU), Secretaria Municipal de Agricultura, Abastecimento, Centro e Comércio Informal (Semacc), Vigilância Sanitária da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa/Visa Manaus), Secretaria Executiva de Proteção e Defesa Civil Municipal (Sepdec), Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), além de órgãos estaduais e instituições parceiras.

    Segundo a chefe da Divisão de Controle do Implurb (Dicon), Maria Aparecida Froz, a operação busca garantir que os espaços públicos cumpram sua função social e permaneçam acessíveis para toda a população.

    “O que temos observado é que alguns estabelecimentos insistem em ocupar irregularmente calçadas e áreas públicas, mesmo após orientações e notificações anteriores. Nesta segunda ação, as apreensões ocorreram justamente em casos de reincidência, quando os responsáveis voltaram a descumprir as normas urbanísticas. O espaço público é de uso coletivo e sua ocupação depende de autorização do poder público, respeitando critérios que garantam a circulação segura de pedestres e a acessibilidade de toda a população”, destacou.

    Maria Aparecida também ressaltou que muitos comerciantes ainda tratam as calçadas como extensão dos próprios estabelecimentos.

    “O que percebemos é que muitos comerciantes acham que o espaço da calçada pertence a eles e entendem que podem ocupá-lo de forma irregular. Por isso contamos com a atuação permanente da fiscalização para atender às demandas da população e evitar esse tipo de abuso”, afirmou.

    De acordo com a Semacc, entre os 15 itens irregulares apreendidos estão mesas, cadeiras, bebidas, carrinhos de churrasco e mais outros itens diversos. O diretor de comércio formal da pasta, Jorge Pimentel, explica que a operação visa coibir práticas irregulares e contribuir para a organização e ordenamento dos espaços fiscalizados.

    “O nosso trabalho é coibir o ambulante que não está aqui de forma autorizada. Eles são notificados, é feito o auto de infração, seguido do recolhimento dos materiais”, completou.

    Vigilância Sanitária 

    Como parte da operação, a Visa Manaus também atuou com equipes mobilizadas para verificar a segurança sanitária dos alimentos e bebidas oferecidos ao público nos comércios da área e para oferecer orientações sobre boas práticas sanitárias.

    Os locais visitados estavam com licença sanitária válida e não apresentavam infrações significativas. Dois deles, que estavam próximos da data de renovação, foram orientados acerca de higiene e organização, além da recuperação de alguns pontos na estrutura física, como recuperação de piso, retirada de infiltração e pintura. Não foram encontrados alimentos em situação irregular.

    Amparo legal

    As apreensões realizadas durante a operação possuem respaldo na legislação urbanística municipal e no Plano Diretor de Manaus. De acordo com as normas vigentes, a utilização de passeios públicos e demais áreas comuns para atividades comerciais depende de autorização prévia do poder público e do cumprimento de requisitos relacionados à acessibilidade, mobilidade urbana e segurança dos pedestres.

    O entendimento jurídico adotado pelo município estabelece que a ocupação irregular de calçadas e logradouros públicos configura infração administrativa, sujeita à aplicação de multas e à apreensão dos materiais utilizados na irregularidade, como mesas, cadeiras e equipamentos que obstruam a circulação de pessoas.

    Antes das apreensões, os responsáveis pelos estabelecimentos foram orientados e notificados pelos órgãos de fiscalização. Entretanto, diante da reincidência das irregularidades, foram adotadas as medidas previstas na legislação municipal.

    A Prefeitura de Manaus reforça que continuará realizando ações integradas de fiscalização na área central da cidade e em outras regiões da capital, visando garantir o ordenamento urbano, a acessibilidade, a segurança da população e o cumprimento das normas municipais.

    Denúncias

    A população pode colaborar com as ações de fiscalização por meio do Disque Denúncia do Implurb, pelos telefones (92) 3673-9305 e 161, de segunda a sexta-feira, das 8h às 14h, exceto feriados e pontos facultativos, ou pelo e-mail disquedenuncia.implurb@manaus.am.gov.br.

  • Diagnóstico precoce pode estabilizar progressão da esclerose múltipla

    Diagnóstico precoce pode estabilizar progressão da esclerose múltipla

    Diagnóstico precoce pode estabilizar progressão da esclerose múltipla

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de 2,8 milhões de pessoas vivem com esclerose múltipla no mundo – no Brasil, cerca de 40 mil têm a doença. Apesar de ainda não ter cura, o diagnóstico precoce pode estabilizar a progressão da esclerose. Além disso, avanços em medicação e terapias nos últimos anos permitiram reduzir a atividade inflamatória e oferecer mais qualidade de vida aos pacientes.

    Neste sábado (30) é lembrado o Dia Mundial da Esclerose Múltipla. De acordo com a OMS, o número de pessoas afetadas tem aumentado gradativamente, sendo a maioria mulheres. A cada cinco minutos, uma pessoa recebe o diagnóstico de esclerose múltipla no mundo, de acordo com a Federação Internacional de Esclerose Múltipla (MSIF).

    O que é a esclerose múltipla?

    É considerada uma das doenças mais comuns do sistema nervoso central, afetando o cérebro e a medula espinhal. Com isso, pode comprometer funções motoras, cognitivas, visuais e sensoriais. A condição atinge majoritariamente adultos jovens e mulheres e exige diagnóstico precoce e tratamento contínuo para estabilizar a progressão da doença e garantir melhor qualidade de vida.

    O Ministério da Saúde reforça que a enfermidade acomete normalmente adultos jovens, dos 20 aos 50 anos de idade, com pico aos 30 anos, sendo mais rara quando se inicia fora dessa faixa etária. Em média, é duas vezes mais frequente em mulheres e apresenta menor incidência na população afrodescendente, oriental e indígena.

    O neurocirurgião Orlando Maia, do Hospital Quali Ipanema e membro da Federação Mundial de Neurorradiologia, explica que a esclerose múltipla ocorre quando o sistema imunológico passa a atacar estruturas do próprio organismo, especialmente a mielina, substância responsável por proteger e facilitar a condução dos impulsos nervosos no cérebro e na medula espinhal.

    Diagnóstico

    Os sintomas da esclerose múltipla podem variar de pessoa para pessoa e surgir de forma intermitente, o que costuma atrasar a procura por avaliação especializada. Fadiga intensa, alterações visuais, formigamentos, fraqueza muscular, desequilíbrio, dificuldades motoras e alterações urinárias estão entre os sinais mais comuns.

    A doença pode impactar diferentes funções neurológicas ao longo do tempo. Por esse motivo, especialistas alertam para a importância da investigação adequada de sintomas, que não devem ser normalizados.

    Segundo Maia, o reconhecimento de sintomas persistentes ou fora do padrão é condição essencial para evitar atrasos no diagnóstico.

    O médico esclareceu que muitos pacientes convivem durante meses, ou até anos, com sintomas neurológicos que são tratados como algo passageiro. Ele ressalta que “no caso de doenças como a esclerose múltipla, investigar cedo pode fazer diferença na preservação da qualidade de vida e na condução do tratamento”.

    Alto Custo

    O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde garante o diagnóstico e o fornecimento gratuito de medicamentos para pacientes com esclerose múltipla.

    Para ter acesso ao tratamento e aos medicamentos no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), a pessoa deve passar por avaliação médica, preferencialmente com um neurologista no SUS, que preencherá o Laudo de Solicitação, Avaliação e Autorização de Medicamentos (LME). Junto com exames como a ressonância magnética e documentos pessoais, o laudo deve ser entregue na Farmácia de Alto Custo mais próxima para que o paciente tenha acesso às medicações.

  • Livre brincar deve ser um compromisso coletivo com a infância

    Livre brincar deve ser um compromisso coletivo com a infância

    Livre brincar deve ser um compromisso coletivo com a infância

    Brincar é um direito humano garantido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e pela Convenção sobre os Direitos da Criança da Organização das Nações Unidas (ONU). Comemorado na última quarta-feira (28), o Dia Mundial do Brincar estimulou atividades por todo país e mais uma vez provocou reflexões sobre a importância das brincadeiras para o desenvolvimento humano, especialmente o das crianças. 

    A Agência Brasil conversou com a pesquisadora e professora universitária especialista no tema Sarah Menezes Rocha. Ela é mãe de uma bebê de 1 ano, formadora de docentes e conselheira da Aliança pela Infância, um movimento internacional em defesa da infância e que há duas décadas celebra a data no Brasil.

    Em manifesto sobre a importância do brincar publicado nas redes sociais na última semana, a Aliança disse que esta é a principal forma de a criança “existir, se expressar, elaborar sentimentos e compreender o mundo”.

    A entidade alertou para a importância de reservar tempo para as brincadeiras, em um mundo cada vez mais atravessado por telas.

    “É no brincar livre que crianças se desenvolvem, criam vínculos e se encontram com o outro, desenvolvendo a sua humanidade”, diz o texto da organização. “Brincar é a maneira da criança participar da sociedade, é expressão cidadã e democrática”.

    Neste ano, as atividades em celebração ao Dia Mundial do Brincar vão até domingo (31). A Aliança pela Infância organizou em seu site uma agenda nacional com atividades em escolas, coletivos, organizações e comunidades por todo o país, como um chamado para que a sociedade se engaje na defesa deste direito.

    Leia abaixo a entrevista

    Agência Brasil: O que é o brincar? A senhora pode definir exatamente? E qual sua importância?

    Sarah Menezes Rocha: O brincar é a linguagem da própria infância. É a forma como a criança se relaciona com o mundo, com o outro e consigo mesma. Quando a criança está brincando, ela não está apenas passando o tempo, se distraindo, ela está experimentando o mundo ao seu redor, imaginando, ela está ali tendo a oportunidade de criar hipóteses, de sentir diferentes emoções, construir vínculos e também traduzir a cultura.

    A gente tem, no Brasil, um brincar tão diverso. Em cada região, há um tipo de brincadeira peculiar. As crianças também são seres produtores de cultura, dentro do que é a grande cultura brasileira.

    Agência Brasil: Existe uma idade limite para brincar?

    Sarah Menezes Rocha: Não. O brincar nasce da infância, mas a gente carrega ele na nossa vida para sempre. Enquanto adultos, cabe a nós ter essa sensibilidade de poder acessar essa infância dentro de nós. A criança que a gente foi um dia está sempre conosco.

    Agência Brasil: O brincar é fundamental na formação humana?

    Sarah Menezes Rocha: O brincar é esse espaço privilegiado de construção do ser humano. Através da nossa brincadeira, a criança aprende a negociar, a esperar, a lidar com diferentes situações e conflitos. O brincar é a centelha da formação humana.

    Agência Brasil: A Base Nacional Comum Curricular, documento do Ministério da Educação que define o que os estudantes devem aprender, estabelece o brincar como parte do currículo da educação infantil. Como o brincar está sendo aplicado?

    Sarah Menezes Rocha: Falando como Aliança pela Infância, há trabalhos maravilhosos sendo feitos dentro de escolas, escolas públicas e em espaços não escolares. Agora, no ensino fundamental, ainda prevalece a visão de que a criança deixou de ser criança.

    No contexto escolar, as disciplinas tomam conta desse espaço que antes era tão necessário, tão valorizado, que era o espaço da brincadeira. Porém, o brincar não deve ser periférico no currículo. Ele precisa ser reconhecido.

    Existe hoje um risco muito grande de escolher escolarizar precocemente a infância, antecipando conteúdos e cobranças avaliativas, o que atrapalha. A criança precisa desse espaço da brincadeira, inclusive, no ensino fundamental.

    Agência Brasil: As escolas estão preparadas para incentivar o brincar?

    Sarah Menezes Rocha: Hoje existe uma pressão grande por desempenho dentro das escolas. E a gente precisa discutir isso com responsabilidade.

    Vivemos uma antecipação da lógica produtivista na infância, querendo que as crianças também sejam “seres produtores”. Até mesmo crianças bem pequenas, muitas já estão convivendo com excesso de atividades dirigidas, de metas, de estímulos. Em contrapartida, têm pouco tempo para uma experiência livre.

    Mas esse problema não nasce na escola, nasce da comunidade. Nós precisamos de um compromisso comunitário e social com o brincar. Estamos falando de ações no ambiente escolar e familiar, mas também de políticas públicas.

    Agência Brasil: Como podemos incentivar o brincar, por onde começar?

    Sarah Menezes Rocha: A gente pode garantir tempos menos acelerados para as crianças dentro do contexto familiar e escolar. A gente pode valorizar as experiências que as crianças têm ao ar livre; ocupar espaços seguros na cidade, praças, parques; cobrar das autoridades esses espaços com segurança; podemos promover brincadeiras coletivas em casa, no condomínio, além de incluir as crianças sempre.

    É preciso ampliar o espaço de escuta, porque as crianças precisam ser ouvidas. Elas sabem dizer como que a gente pode abrir espaço para o brincar de forma livre. O desenvolvimento humano, de forma saudável, ocorre quando a gente oportuniza os espaços para que a criança seja criança.

  • Pesquisadores querem criar índice para “traduzir” estresse ambiental

    Pesquisadores querem criar índice para “traduzir” estresse ambiental

    Pesquisadores querem criar índice para “traduzir” estresse ambiental

    Renato Lino é profeta da chuva, em Quixadá, no Ceará, e aprendeu com o pai que a natureza fala e que dá para traduzir o que ela diz.

    “É a catingueira que descasca, é a casinha da maria-de-barro, é o angico e muitas coisas que a gente observa”, explica.

    É observando os seres vivos ao redor, como árvores e passarinhos, que o profeta de 78 anos faz previsões climáticas. “Tudo isso é coisa que a gente vai ajuntando, vai anotando”. Explica o “cientista” do sertão, que só de olhar para que lado está a porta de entrada do Funarius furnus, nome científico do pássaro conhecido como maria-de-barro, ele sabe dizer se vai chover no sertão.

    É esse tipo de informação que pesquisadores querem aprender a decodificar usando tecnologia digital e inteligência artificial. A ideia vai começar a ser posta em prática em Recife.

    O projeto vai observar seres vivos que fazem parte da cena urbana da cidade para descobrir o que eles estão “falando” sobre o ambiente no qual estão inseridos. Uma espécie de tradutor digital, ou como resume Artur Maia, biólogo e pesquisador do departamento de botânica da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE): uma Babel reversa.

    O projeto vai usar equipamentos para captar os sons emitidos por morcegos, o ritmo de abertura e fechamento das conchas das ostras, a transpiração das aroeiras (árvore nativa da região) e o vôo das abelhas em Recife e comparar com os registros das mesmas espécies em áreas com menor influência humana, como Reserva Ambiental de Saltinho e na APA de Guadalupe, ambas no litoral sul de Pernambuco.

    “As respostas metabólicas são particulares de cada organismo, mas muitas vezes isso não é utilizado como informação, simplesmente porque a gente não consegue entender aquela língua”, diz Artur.

    “As ostras, por exemplo, tendem a abrir com menor frequência em condições adversas. Ela segura a onda, reduz a frequência de filtração e fica sem se alimentar para se manter naquele ambiente e evitar o acúmulo de metal pesado e outras coisas”.

    Índice de Resiliência Metabólica

    Artur explica que é a diferença entre o “ritmo de vida” dessa ostra estressada e o da que vive numa área de proteção que mostra a resiliência metabólica da espécie. “Eu quero verificar o quanto aquele organismo está se esforçando para sobreviver naquele ambiente”, afirma.

    A ideia é reunir os dados das respostas metabólicas de cada espécie monitorada para calcular o Índice de Resiliência Metabólica (IRM) do lugar. Algo como um IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), mas com parâmetros ambientais.

    “O estresse é uma informação que não pode ser fingida.  Essa resposta metabólica existiu, aconteceu. O que a gente quer é, de posse dessa informação, juntar o nervosismo da abelha, a movimentação da ostra mais tranquila, a respiração da aroeira, para ter um índice de resiliência metabólica, que a gente quer padronizar numa escala de 0 a 100”.

    Batizado como Apeiron, palavra grega que significa ilimitado, a pesquisa vai começar os primeiros testes até novembro, em Recife, e vai ser conduzido pelo Centro de Estudos e Sistemas Avançados de Recife (CESAR).

    E assim como seu Lino, o profeta da chuva que traduz o que vê em previsão, Artur Maia diz que a observação do metabolismo das espécies que convivem com os seres humanos pode se transformar em ações concretas:  “um planejamento urbano pensando na cidade como um organismo vivo, com as suas particularidades”, explica.

    “Pode ser que, por exemplo, lá na Mustardinha [bairro de Recife] a pressão térmica para aqueles habitantes não se reflita em desconforto habitacional como se reflete para o habitante da zona norte, no bairro de Casa Forte. Então essa pressão é diferente. Se tem uma coisa que você não pode fingir, é conforto metabólico”, conclui.

  • SSP-AM reforça a Operação Segurança Presente com foco em visibilidade policial

    SSP-AM reforça a Operação Segurança Presente com foco em visibilidade policial

    SSP-AM reforça a Operação Segurança Presente com foco em visibilidade policial

    A Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) realizou, na noite de sexta-feira (29/05), a operação Segurança Presente, ação de visibilidade. A iniciativa tem como objetivo acompanhar as atuações executadas pelas Forças de Segurança, nas ruas, para buscar melhorar as atividades desenvolvidas de forma integrada no estado e fortalecer a segurança da população.

    Toda a atividade foi conduzida pelo secretário interino da SSP-AM, Anézio Paiva. A operação é composta por servidores da Secretaria que, nesta primeira fase, estiveram nas zonas oeste e leste de Manaus.

    “As Forças de Segurança estão no terreno, e a Secretaria de Segurança também está presente para coordenar, fiscalizar e verificar o que precisamos melhorar aqui em Manaus. E amanhã também estaremos no interior do estado para verificar essa situação”, explicou o secretário interino da SSP-AM.

  • Amazonas intensifica Operação Segurança Presente com tropas especializadas 31 de maio de 2026 às 12:07

    Amazonas intensifica Operação Segurança Presente com tropas especializadas 31 de maio de 2026 às 12:07

    Amazonas intensifica Operação Segurança Presente com tropas especializadas 31 de maio de 2026 às 12:07

    Mais de 120 policiais das tropas especializadas da Polícia Militar do Amazonas (PMAM) iniciaram o reforço das ações da Operação Segurança Presente, em todas as zonas de Manaus, na noite de sábado (30/05). O ponto de reunião operacional foi na sede do Comando de Policiamento Especializado (CPE), localizado na rua Tiradentes, bairro Dom Pedro, zona centro-oeste da capital amazonense.

    A operação faz parte da estratégia integrada de segurança pública do Governo do Amazonas, em alinhamento com o Programa Brasil Contra o Crime Organizado, coordenado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). As ações vêm sendo realizadas em Manaus e em todos os municípios do Amazonas, fortalecendo a atuação das forças de segurança nas principais rotas utilizadas pelo crime organizado no estado.

    Segundo o comandante-geral da PMAM, coronel PM Klinger Paiva, a Operação Segurança Presente tem reforçado o policiamento ostensivo, por meio de ações estratégicas para áreas de maior circulação de pessoas e incidência criminal, ampliando a presença das forças de segurança tanto na capital quanto no interior do estado.

    “A Operação Segurança Presente é uma determinação do governador Roberto Cidade e tem como foco reforçar as ações de presença policial e as abordagens qualificadas, especialmente nas áreas de maior fluxo de pessoas e onde há maior necessidade de atuação das forças de segurança. A Polícia Militar tem se desdobrado em diversos horários do dia, empregando suas tropas especializadas, o Comando de Policiamento Metropolitano (CPM) e o Comando de Policiamento Ambiental (CPA), inclusive na orla da cidade. A operação também já foi desencadeada em todos os municípios do interior”, afirmou o comandante-geral da PMAM.

    Nesta nova fase, acrescenta o comandante-geral, o Comando de Policiamento Especializado, juntamente com o Comando de Policiamento Metropolitano, reforça as áreas de serviço com suas tropas especializadas, levando mais segurança para a população e fortalecendo o trabalho das equipes que atuam diariamente no terreno.

    Reforçando as ações de policiamento ostensivo em Manaus, a Operação Segurança Presente mobilizou efetivo e viaturas do Comando de Policiamento Especializado (CPE) em áreas consideradas prioritárias para a prevenção e combate à criminalidade.

    Segundo o comandante do CPE, coronel Alysson Lima, o emprego estratégico das equipes visa ampliar a presença policial e fortalecer a segurança da população. Ao todo, os 122 policiais militares das tropas especializadas do CPE e do CPM foram empregados em 33 viaturas e 16 motocicletas.

    “O Comando de Policiamento Especializado está presente em todas as áreas de Manaus e também no interior do estado. Neste sábado, dando continuidade à Operação Segurança Presente, este efetivo está sendo direcionado para áreas estratégicas identificadas pela mancha criminal, com o objetivo de garantir não apenas a sensação de segurança, mas uma segurança efetiva para a população amazonense”, enfatizou o comandante do CPE.

    Fazem parte do CPE as Rondas Ostensivas Cândido Mariano (Rocam), Companhia de Operações Especiais (COE), Grupamento de Manejo de Artefatos Explosivos (Marte), Batalhão de Policiameto de Choque (BPChoque), Companhia Independente de Policiamento com Cães (CIPCães) e Grupamento de Radiopatrulhamento Aéreo (Graer).

    O comandante do Comando de Policiamento Metropolitano (CPM), tenente-coronel França Filho, relata que desde a primeira fase da operação as unidades de policiamento comunitário ampliaram a presença do efetivo nas áreas de maior circulação de pessoas. Na operação iniciada sábado, fizeram parte as tropas especializadas do CPM como a Força Tática, Batalhão de Policiamento de Trânsito (BPTran) e Companhias Interativas Comunitárias (Cicoms) das áreas oeste e sul.

    “Além dos 40 pontos de visibilidade (Pontos de Relacionamento Comunitário e Visibilidade), contamos diariamente com cerca de 185 viaturas em serviço, atendendo ocorrências do 190 e realizando patrulhamento em toda cidade para proporcionar mais segurança à população”, destacou o comandante do CPM.

    Ampliação do policiamento ostensivo

    Lançada pelo governador Roberto Cidade no dia 5 de maio, a iniciativa ampliou a presença policial ostensiva em Manaus, com foco no combate à criminalidade. A segunda fase da operação foi iniciada dia 11 de maio, ampliando as ações integradas das Forças de Segurança aos 61 municípios do interior.

    Desde o seu lançamento até o dia 29 de maio, a Polícia Militar do Amazonas apreendeu 67 armas, recuperou 32 veículos, capturou 75 foragidos, realizou 215 prisões por crimes diversos, além das apreensões de 1.882 munições e 2,6 toneladas de entorpecentes.

  • Uso excessivo de telas prejudica criatividade nas brincadeiras

    Uso excessivo de telas prejudica criatividade nas brincadeiras

    Uso excessivo de telas prejudica criatividade nas brincadeiras

    Do que você mais gostava de brincar quando era criança? As lembranças da infância trazem nostalgia para a auxiliar de limpeza Hozana da Silva, que recorda nitidamente suas brincadeiras favoritas.

    “É aproveitar muitas coisas assim. Na rua brincava de pique-bandeira, pique-esconde, jogar bola, queimada. Tudo isso eu aproveitei. Eu não vejo crianças brincando mais. Eu vejo as crianças muito sentadas com a mãe, com o celular na mão”.

    O relato da Hozana revela como o ato de brincar se transformou ao longo do tempo. Celebrado em 28 de maio, o Dia Mundial do Brincar destaca a importância da conexão e do desenvolvimento na infância evidencia a metamorfose nas formas de diversão. A presença digital ganhou terreno no mundo real, e as brincadeiras ditas tradicionais tiveram que coexistir com as telas.

    A terapeuta ocupacional da Universidade de São Paulo, Amanda Sposito, comenta como as famílias administram o tempo dedicado ao brincar atualmente.

    “Hoje em dia, a gente tem crianças que estão muito presas dentro de casa, porque a gente vive uma situação de insegurança e de perigo nas ruas. E, ao mesmo tempo, dentro de casa, as famílias estão menores e os pais e mães trabalhando muito mais. Então, a gente não tem mais pessoas que desenvolvam o brincar com essas crianças na frequência que era há uma geração atrás. As famílias acabam delegando muito mesmo pras telas ocupar o tempo dessas crianças que estão ociosas e entediadas em casa”.

    Amanda é orientadora do estudo “Tecnologias digitais moldam o novo brincar infantil”. Ao avaliar as atividades de 14 crianças, foi constatado que o uso excessivo das telas provoca um ciclo vicioso de perda progressiva da criatividade para brincar ativamente.

    “As próprias crianças dizem que têm muita dificuldade de pensar em brincadeiras possíveis de serem feitas quando elas estão fora da tela. Então elas estão cada vez mais dependentes de ter um adulto conduzindo, um adulto propondo as atividades. Seja uma mãe, uma tia, um professor ou um monitor. Então, quanto mais as crianças ficam imersas em tela, menos criatividade elas têm, menos coisas elas conseguem fazer na vida real e isso joga elas de novo pras telas para ocupar o ócio e o tédio”.

    Saúde física e mental

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Sociedade Brasileira de Pediatria recomendam limites de tempo específicos de exposição das crianças às telas, que variam conforme a faixa etária.

    A orientação é baseada nos efeitos negativos que o uso excessivo provoca tanto no comportamento quanto na saúde física e mental, como interferência no desenvolvimento cognitivo, problemas emocionais, doenças oculares, auditivas e ortopédicas, cyberbullying, entre outras.

    A recomendação é que os aparelhos não ocupem o tempo de atividades básicas, como a alimentação ou o sono, para que a criança não se torne dependente dos equipamentos. Além do tempo de tela, é preciso cuidado com o conteúdo acessado pelos menores, que pode ser inapropriado e prejudicial.

    Atualmente, há aplicativos de controle parental que dão aos pais a possibilidade de observar o conteúdo consumido pelos filhos e bloquear o acesso a determinadas funções. A lojista Edilaine Ferreira adota essa prática para limitar o tempo da filha no celular.

    “Eu costumo deixar entre um hora e meia a duas horas que ela tem tempo de tela depois da escola. Brincando com as amigas, jogando. Tudo que ela quiser dentro desse tempo. Eu acompanho muito ela assim no celular, a tela para ver o que ela tá vendo. Porque a gente já passou por situações de aparecer cenas sexuais. Então assim, eu limito muito”.

    Uso responsável de telas

    Para ela, o ideal não é impedir a utilização da tecnologia, mas administrá-la de forma responsável. Um exemplo que associa o bom uso das telas ao entretenimento é o projeto social Gaming Park, que atende crianças de oito a 17 anos na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, e em Vitória, no Espírito Santo.

    Criada em 2022, a iniciativa une o ensino multidisciplinar com a narrativa e aspectos técnicos dos videogames. O projeto realiza ações solidárias nas comunidades, além de fornecer orientações profissionais e planos de carreira no mundo dos esportes eletrônicos.

    A coordenadora técnica do Gaming Park, Dara Coema, explica que é preciso orientar os pais e responsáveis sobre os cuidados com as mídias. Mas que não devemos ignorar o potencial da tecnologia para a educação.

    “Nós vemos casos no projeto em que os jogos são ponte para a sociabilidade entre jovens e também, para além dos jogos educativos, que já são ferramentas mais reconhecidas, os jogos também são objetos de cultura que podem contar histórias, podem levantar discussões, podem conscientizar. Quando a gente fala, por exemplo, no competitivo, os jogos podem ser meios para passar valores relacionados ao trabalho em equipe, comunicação. É tudo uma questão de consumo crítico e contextualizado.

    Educação midiática

    Segundo ela, para que haja equilíbrio no uso das telas e das plataformas online, é necessário letramento digital e educação midiática para a sociedade de maneira geral.

    “Para as crianças, isso significa dar o caminho das pedras desde cedo, pra gente criar cidadãos do digital que tenham consciência e poder sobre suas escolhas. Direcionar o conteúdo que eles vão consumir, mas também fazê-los entenderem por que aquele conteúdo é ou não interessante, né? Sobre entender o que é um algoritmo e as armadilhas ali. Falar sobre compartilhamento de dados, conversar sobre fake news. Então, é muito sobre conscientização de todos.

    Dara Coema afirma que a responsabilização sobre o uso das telas também deve recair sobre as empresas administradoras das plataformas, que precisam ser fiscalizadas para não estimular o uso excessivo dos aparelhos.

    *Sob supervisão de Fábio Cardoso.

  • Tela Brasil: streaming público estreia com mais de 550 obras

    Tela Brasil: streaming público estreia com mais de 550 obras

    Tela Brasil: streaming público estreia com mais de 550 obras

    O governo lançou oficialmente neste sábado (30) a plataforma Tela Brasil, o streaming público e gratuito de audiovisual brasileiro.

    A iniciativa tem o objetivo de democratizar o acesso da população à cultura brasileira, a partir da ampliação do alcance da produção nacional.

    A plataforma coordenada pelo Ministério da Cultura e desenvolvido em parceria com a Universidade Federal de Alagoas vai disponibilizar filmes brasileiros sob demanda, com acesso integrado ao site Gov.br. 

    No lançamento do streaming, na Cidade das Artes, na zona Oeste do Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou que a plataforma é uma ferramenta de soberania cultural para que os brasileiros conheçam a si mesmos.

    “[A Tela Brasil} vai contribuir para a elevação da compreensão de um país chamado Brasil. Por que nós somos assim? Por que nós fazemos assim?”

    O presidente também criticou o excesso de conteúdos estrangeiros nas telas do país, que ele considera de baixa qualidade.

    “A quantidade de enlatados de má qualidade que a gente é obrigado a assistir toda noite, porque não tem outra coisa para a gente ver. O que não permite que a juventude brasileira tenha acesso à plenitude da cultura brasileira”, lamentou Lula.

    Rio de Janeiro (RJ), 30/05/2026 – Lançamento do Tela Brasil, na Cidade das Artes, com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, e o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil – Fernando Frazão/Agência Brasil

    O presidente também chamou a atenção para o desconhecimento sobre o peso econômico e a quantidade de empregos gerados pelo setor cultural brasileiro para o desenvolvimento econômico e profissional.

    “O mais importante é a gente conhecer o nosso país por dentro, conhecer a nossa cultura, a razão das coisas que fizeram a gente chegar onde nós chegamos”, disse Lula.

    Por fim, o presidente fez a conexão com outras políticas públicas de sua gestão, como o recém-lançado MEC Livros, que já conta com o acervo de mais de 25 mil livros. Ele destacou que o acesso à cultura, agora, faz parte da política de habitação do governo. “Todo o conjunto habitacional que a gente entregar, nesse país, vai ter uma biblioteca para que a pessoa tenha acesso à cultura.”

    O projeto contou com um investimento de R$ 9 milhões entre 2024 e 2025. Segundo o governo, o valor garantiu o licenciamento de um catálogo diversificado, desenvolvimento tecnológico próprio e ferramentas completas de acessibilidade.

    Histórias ainda não contadas

    Presente no lançamento, a ministra da Cultura, Margareth Menezes disse que a motivação de criar a plataforma foi fazer com que o povo brasileiro tenha acesso ao direito cultural.

    “Na questão do audiovisual, nós temos um gargalo ainda muito grande na questão da distribuição. Como fazer o povo ter acesso a tudo o que se produz, às coisas que são importantes, que referenciam o nosso país?

    Ela destacou que o audiovisual agrega todas as outras artes como a música, o desenho. “Todo mundo trabalha e tem essa representatividade. A nossa diversidade está no que a gente produz, só que o povo não tinha acesso.”

    Rio de Janeiro (RJ), 30/05/2026 – Lançamento do Tela Brasil, na Cidade das Artes, com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, e o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil – Fernando Frazão/Agência Brasil

    Em sintonia com o discurso do presidente Lula, a ministra celebrou a soberania, a miscigenação e a necessidade de resgatar o protagonismo das figuras históricas do país.

    “O povo que se conhece, o povo que se vê, ele se fortalece, porque nossas histórias são lindas. Temos os povos originários, os povos africanos, os povos europeus, as pessoas que construíram esse país, as histórias que nunca foram contadas.”

    Acervo da nova plataforma

    O acervo inaugural une conteúdos financiados pelo Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), obras guardadas por instituições do Sistema MinC, como a Cinemateca Brasileira, o Centro Técnico Audiovisual (CTAv), a Funarte e a Fundação Cultural Palmares.

    O foco é a diversidade, englobando o cinema negro, o cinema indígena, produções dirigidas por mulheres, e temas urgentes como justiça climática e sustentabilidade.

    A Tela Brasil já chega com acervo que cobre desde clássicos históricos de 1910 até produções contemporâneas, de 2025.

    Ao todo, a plataforma inicia com 555 obras audiovisuais brasileiras, divididas em:

  • 267 curtas-metragens;
  • 139 longas-metragens;
  • 85 médias-metragens ou telefilmes;
  • 64 obras seriadas.
  • Entre elas: A Hora da Estrela, de Suzana Amaral; Xica da Silva, de Cacá Diegues; Central do Brasil, de Walter Salles; e Cidade de Deus, de Fernando Meirelles.

    Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), de Glauber Rocha; Carandiru (2003), de Hector Babenco; e Olga (2004), de Jayme Monjardim, são outras obras de destaque.

    O catálogo inicial inclui 19 títulos que já representaram o Brasil na disputa pelo Oscar ao longo da história.

    Entre as categorias listadas pelo Ministério da Cultura estão obras para a infância, juventude, de artes e de brasilidade.

    Na parte de diversidade cultural, entrou a categoria Africanidades, que reúne obras audiovisuais que narram trajetórias, memórias e experiências da população negra no Brasil, entrelaçando ancestralidade e contemporaneidade.

    Acessibilidade é outro ponto central do projeto: todos os títulos selecionados via edital público contam com audiodescrição, legendagem descritiva e interpretação em Língua Brasileira de Sinais (Libras).

    “Importante destacar que tem pesquisa no meio sobre acessibilidade. São obras com três recursos de acessibilidade, que envolvem também discussão sobre preservação e memória. Há soluções tecnológicas e soluções jurídicas sobre regulamentação. É política pública baseada em pesquisa e evidência”, disse a professora Luciana Peixoto Santa Rita, que participou do projeto pela UFAL.

    Rio de Janeiro (RJ), 30/05/2026 – Lançamento do Tela Brasil, na Cidade das Artes, com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, e o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil – Fernando Frazão/Agência Brasil

    Perfis de utilização

    Para começar a navegar, o usuário precisa de uma conta ativa no sistema de login único do governo federal, o Gov.br. A plataforma tem duas formas de navegação:

    Perfil Cidadão: qualquer pessoa pode acessar de forma individual e gratuita a filmes, séries e documentários organizados por gêneros, formatos e categorias, além de criar uma lista de favoritos.

    Perfil Direcionado: criado especialmente para exibições coletivas e sem fins comerciais em salas de aula, cineclubes, pontos de cultura, bibliotecas e museus de todo o país.

    Numa primeira fase, a plataforma funciona diretamente no navegador de computadores (com opção de transmissão para Smart TVs). Os aplicativos para celulares (Android e iOS) serão disponibilizados em um prazo de 30 dias.

    Parcerias

    Durante o evento, também foi assinado um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) entre o Ministério da Cultura (MinC) e a TV Brasil, emissora pública da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) para expandir a oferta, a circulação de conteúdos e a integração das políticas públicas para o audiovisual brasileiro.

    A Tela Brasil foi desenvolvida com tecnologia brasileira, pelo Ministério da Cultura (MinC) com o apoio da Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

  • Embrapa produz em laboratório salmão, caviar e anéis de lula veganos

    Embrapa produz em laboratório salmão, caviar e anéis de lula veganos

    Embrapa produz em laboratório salmão, caviar e anéis de lula veganos

    Depois de 30 meses de pesquisa, o Laboratório de Nanobiotecnologia (LNANO) da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, com sede em Brasília, desenvolveu amostras de alimentos impressos com base vegetal, que mimetizam filé de salmão, caviar e anéis de lula.

    Além de copiar as formas dos alimentos, os protótipos – feitos em impressoras 3D da Embrapa – têm gosto e características nutricionais semelhantes à comida original.

    “Uma das coisas que buscamos foi avaliar o teor nutricional da carne animal em sua composição total. Atentos a três grupos principais – carboidratos, lipídeos e proteínas -, buscamos nos recursos vegetais ingredientes ou insumos que nos trazem a mesma quantidade em percentual de tecido animal”, explica a bióloga Cínthia Caetano Bonatto, pesquisadora bolsista no LNANO.

    Tintas alimentícias

    As amostras foram criadas com tintas alimentícias feitas a partir de proteínas vegetais, farinhas de leguminosas, óleos vegetais e de algas, nanoingredientes, corantes naturais e espessantes – usados para aumentar a viscosidade dos alimentos.

    De acordo com Cínthia Bonatto, as tintas alimentícias são constituídas por ingredientes “que, em sua maioria, são os mesmos que utilizamos na culinária na nossa residência.”

    Arca de Noé

    Parte desses insumos foi obtida nos Bancos Ativos de Germoplasma da Embrapa, uma espécie de “arca de Noé” que coleciona em 140 acervos o material genético de milhares de plantas, microorganismos e animais.

    Com o material genético do repositório da própria Embrapa, é possível elaborar alimentos de base vegetal com composição “o mais similar possível àquela encontrada nos animais”, descreve o pesquisador Luciano Paulino da Silva, que coordena projetos de impressão de alimentos.

    Com essa tecnologia, os pesquisadores conseguem “fazer o enriquecimento nutricional dos produtos impressos”, comenta a biotecnóloga Gabriela Mendes da Rocha Vaz, também pesquisadora bolsista no LNANO.

    Essa aplicação pode ser útil para o combate à fome e subnutrição. Em tese, a impressão de alimentos também pode evitar pesca predatória ou sofrimento no abate dos animais e ainda atender segmentos de públicos com restrições alimentares, por exemplo quem não quer comer carne.

    Vitrine

    Os alimentos criados no LNANO já foram experimentados por pessoas, conforme liberação de comissão de ética. Segundo Luciano Paulino da Silva, o experimento está “na vitrine da Embrapa”, mas ainda não tem data para ser lançado no mercado.

    A pesquisa da Embrapa foi financiada pelo Good Food Institute (GFI), uma organização global sem fins lucrativos que financia a criação de alimentos à base de plantas, com microorganismos em processo de fermentação, e a produção de carne cultivada a partir de células animais em laboratório.

    A exploração comercial vai depender do modelo de negócios: alimentos criados em impressoras domésticas para preparo em restaurantes ou ainda em escala industrial.

    Alimentos impressos já são comercializados na Austrália, nos Estados Unidos, em Israel e Singapura. No Brasil, pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) desenvolvem experimentos para a impressão de alimentos em parceria com a Escola de Medicina da Universidade Harvard, e com a Universidade de Tecnologia e Design de Singapura.

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