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  • Como cientistas “curaram” infectados com HIV

    Como cientistas “curaram” infectados com HIV

    Nesta semana dois novos casos de remissão da infecção pelo vírus HIV após transplante de células-tronco foram anunciados durante a 26ª Conferência Internacional da Aids, no Rio de Janeiro. Com isso, chega a 13 o número de pacientes infectados com HIV que não tiveram vírus detectados no sangue após o tipo de tratamento.

    Um dos casos é o de um homem chamado de “paciente de Kansas City” (Estados Unidos), que, aos 21 anos descobriu que, além de estar infectado com o HIV, sofria de leucemia mieloide aguda, um tipo de câncer que afeta a produção de alguns tipos de células de defesa humanas.

    O outro caso é conhecido como o “paciente de Essen (Alemanha), infectado por dois tipos diferentes de HIV e pelo vírus da hepatite B (HBV).

    Ambos foram submetidos a transplantes de células-tronco hematopoiéticas, aquelas que originam nossas células sanguíneas, incluindo aquelas que defendem o corpo humano de invasores, como os leucócitos.

    Nos dois casos, os doadores das células-tronco eram indivíduos com uma mutação especial em seus genes, que os torna resistentes ao HIV.

    O HIV, como qualquer vírus, só se torna ativo quando entra em uma célula. No caso do vírus da Aids, seu alvo é o linfócito T CD4+, peça fundamental do nosso sistema imunológico que ajuda a combater infecções.

    É justamente matando nossas células de defesa que o vírus provoca tanto dano ao organismo humano. Sem uma quantidade suficiente de CD4+, nos tornamos mais suscetíveis a doenças infecciosas.

    Para entrar na célula, o HIV se conecta a moléculas localizadas na membrana externa da CD4+: o receptor CD4 e os correceptores CCR5 e CXCR4. Ao fazer essas conexões, o vírus abre uma “porta” na membrana e consegue entrar na célula, iniciando seu ciclo de replicação.

    No caso dos doadores das células-tronco, seus genes produzem uma versão modificada do correceptor CCR5, que impede a ligação do vírus com ele, chamada de CCR5 delta32. Sem conseguir entrar na CD4+, o HIV não é capaz de manter seu processo de infecção.

    Transplante

    Com o transplante, o paciente infectado ganha células hematopoiéticas munidas do gene produtor de CCR5 delta32. Como as são as células que dão origem às CD4+, as novas gerações desses linfócitos serão potencialmente resistentes ao HIV.

    Nos dois casos, na terapia com antirretrovirais, os remédios de controle das infecções por HIV foram interrompidas para avaliar a resposta ao transplante. E em ambas situações, mesmo passados vários meses desta interrupção, os pesquisadores não conseguiram detectar o vírus no organismo dos pacientes.

    “A mutação em homozigose [quando pai e mãe transferem o gene CCR5 delta 32 para o filho] está presente em cerca de 10% dos europeus do norte, sendo, infelizmente, muito rara. A questão principal é se a presença da mutação CCR5 delta 32 é realmente a chave para se alcançar uma remissão de longo prazo do HIV”, conclui a pesquisadora Carina Elsner, uma das responsáveis pelo estudo com o paciente de Essen.

    No caso do paciente de Kansas City, passaram-se 14 meses sem que fossem detectados vírus no seu organismo. No caso de Essen, foram 12 meses. No entanto, como a terapia com antirretrovirais foi interrompida, houve uma recidiva com o vírus da hepatite B.

    A partir disso, os estudos concluíram que houve remissão da infecção pelo vírus HIV. Apesar do caso estar sendo tratado como “cura”, o correto é dizer que houve remissão, uma vez que não é possível afirmar se a infecção retornará depois de algum tempo.

    “É apenas o caso de um paciente, mas que se soma à lista de pacientes que se recuperaram após o transplante de células-tronco”, afirma Wissam El Atrouni, um dos responsáveis pela pesquisa com o paciente de Kansas City. “É necessário acompanhamento contínuo. Agora, passaremos a realizar testes mensais.”

    O primeiro paciente a ser considerado curado do HIV, Timothy Ray Brown, conhecido como “paciente de Berlim”, recebeu um transplante de células-tronco em 2007. Ele viveu livre do HIV até 2020, quando morreu vítima de leucemia, justamente a doença que motivou seu transplante.

  • Anvisa registra 5 novas canetas de semaglutida para tratar diabetes

    Anvisa registra 5 novas canetas de semaglutida para tratar diabetes

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro de cinco novas canetas de semaglutida, indicadas para o tratamento de pacientes adultos com diabetes mellitus tipo 2, sem controle suficiente. Popularmente, esses medicamentos são chamados de canetas emagrecedoras porque ajudam na perda de peso.

    São eles:

  • Owozy – registro concedido para a empresa Ávita Care Importação e Distribuição de Produtos Ltda. (CNPJ nº 31.203.582/0001-37)
  • Seemasun – registro concedido para a empresa Sun Farmacêutica do Brasil Ltda. (CNPJ: 05.035.244/0001-23)
  • Zempneo – registro concedido para a empresa Brainfarma Indústria Química e Farmacêutica S.A. (CNPJ: 05.161.069/0001-10)
  • Semavy – registro concedido para a empresa Cosmed Indústria de Cosméticos e Medicamentos S.A. (CNPJ: 61.082.426/0001-26)
  • Orsema – registro concedido para a empresa Ranbaxy Farmacêutica Ltda. (CNPJ 73.663.650/0003-52)
  • Os novos produtos injetáveis foram autorizados como complemento à dieta e aos exercícios, quando o uso do medicamento metformina (para diabetes tipo 2 e pré-diabetes) é inapropriado por intolerância do paciente ou contra indicações.

    Resoluções

    As duas resoluções da Anvisa foram publicadas no Diário Oficial da União (DOU) desta quarta-feira (29). São elas:  2.941/2026 e 2.942/2026.

    Princípio ativo

    Os medicamentos injetáveis aprovados foram registrados por comparação com o produto biológico Ozempic e têm como princípio ativo a semaglutida obtida por via sintética. Ele é análogo ao GLP-1, hormônio natural que estimula a produção de insulina e atua no controle da saciedade.

    A agência reguladora destaca que este é o maior volume de aprovações, pela vigilância sanitária, de registros de medicamentos do tipo agonistas do receptor do GLP-1. O crescimento de pedidos de aprovação destes injetáveis está relacionado ao desenvolvimento, em 2022, de versões sintéticas do hormônio natural, criadas em laboratório.

    No total, 68% de todas as solicitações de registro de dispositivos injetáveis para o tratamento de obesidade e diabetes já protocoladas na Anvisa são para medicamentos sintéticos.

    Anvisa não vende medicamentos

    A Agência destaca que a sua competência é autorizar o registro de comercialização dos medicamentos sem qualquer relação com vendas.

    O registro serve para autorizar a venda legal do produto no Brasil e proteger a saúde pública contra riscos, pois garante a segurança, a eficácia e a qualidade dos remédios antes que eles sejam vendidos e usados pelas pessoas.

    Desta forma, são falsos os anúncios na internet em que golpistas dizem que a Anvisa comercializaria canetas emagrecedoras e outros produtos. A orientação das autoridades é para que o internauta denuncie o golpe à plataforma Fala.BR.

    Retatrutida

    A Anvisa reforça que o medicamento experimental Retatrutida, da farmacêutica Eli Lilly, ainda não está aprovado para uso em nenhum lugar do mundo. Atualmente, o produto está em fase de pesquisa. Os testes, já em fase final, ainda não foram concluídos.

    No Brasil, especificamente, a Agência esclarece que a empresa que desenvolve os estudos clínicos sobre a eficácia e os possíveis benefícios da Retatrutida sequer solicitou o registro do medicamento à Anvisa ou a qualquer agência reguladora internacional.

    O alerta é que o produto ainda não tem autorização para ser comercializado em nenhum país. Apesar disso, a Retatrutida tem sido vendida ilegalmente por sites e redes sociais na internet. Os produtos irregulares têm sido apreendidos nas fronteiras brasileiras como contrabando, alerta a Agência.

    A Anvisa adverte que consumir produtos de origem desconhecida representa perigo devido à exposição a riscos imprevisíveis para a saúde de quem os usa clandestinamente.

    Para orientar população, a Anvisa também publicou em seu site as explicações sobre medicamentos autorizados, importados, experimentais e falsificado.

  • Acordo entre Mercosul e Singapura garante tarifa zero para exportações

    Acordo entre Mercosul e Singapura garante tarifa zero para exportações

    Entra em vigor a partir do próximo sábado (1º) o Acordo Mercosul-Singapura, que deverá reduzir ou eliminar gradualmente as tarifas entre o país asiático e o bloco sul americano. 

    A parceria garante tarifa zero para 100% das exportações brasileiras destinadas ao país asiático. O texto também trará a definição de critérios comuns para as operações comerciais.

    Além da redução de tarifas, o acordo amplia o acesso ao mercado de serviços, incentiva investimentos e inclui um capítulo específico sobre comércio eletrônico, o primeiro negociado pelo Mercosul com um parceiro extrarregional.

    O acordo com Singapura já está valendo no Uruguai desde março e no Paraguai desde fevereiro.

    Em 2025, a corrente de comércio entre Brasil e Singapura atingiu US$ 10,7 bilhões. As exportações brasileiras somaram US$ 7,4 bilhões, com superávit comercial de US$ 4,1 bilhões. Entre os principais produtos vendidos estão óleos combustíveis, máquinas e carnes bovina, suína e de aves.

    O governo brasileiro disponibilizou manuais para serviços de orientação para exportadores, importadores e operadores de comércio exterior. As informações estão disponíveis no Portal Siscomex.

    As informações disponibilizadas trazem informações sobre as regras para aplicação das preferências tarifárias, os critérios de origem das mercadorias e os procedimentos necessários para realizar operações de comércio exterior no âmbito do acordo.

    O acordo foi assinado em 2022 e a expectativa do governo brasileiro à época era de incrementar o Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e dos serviços produzidos) em R$ 28,1 bilhões até 2041.

    Negociado desde 2018, o acordo com Singapura deverá aumentar em US$ 500 milhões por ano as exportações do Mercosul para o país asiático.

     

  • Cia Arfact leva a cultura do Boi Caprichoso ao pódio do maior festival de dança do mundo

    Cia Arfact leva a cultura do Boi Caprichoso ao pódio do maior festival de dança do mundo

    A cultura do Boi Caprichoso, campeão do Festival de Parintins 2026, alcançou o pódio do 43º Festival de Dança de Joinville por meio da Cia Arfact, de Manaus. Com a coreografia “Boi de Rua, Meu Caprichoso!”, o grupo conquistou o terceiro lugar na categoria Danças Populares Brasileiras – Conjunto Sênior, resultado divulgado nesta terça-feira (28).

    Considerado o maior festival de dança da América Latina, o evento reúne artistas de diversas regiões do Brasil e do exterior e recebe cerca de 400 mil espectadores ao longo de 13 dias de programação. A apresentação da companhia amazonense ocorreu nesta segunda-feira (27), durante a 6ª Noite Competitiva, no palco principal do Centreventos Cau Hansen, em Joinville (SC).

    Representando o Amazonas, a Cia Arfact levou para o palco a força, a musicalidade e a identidade cultural do boi-bumbá azul e branco, transformando em dança elementos que fazem do Caprichoso uma das maiores expressões artísticas da Amazônia. A direção artística do espetáculo é assinada por Brunno Athayde, que também divide a criação coreográfica com Natasha Oliveira e Eliseu Corrêa.

    Nas redes sociais, a companhia comemorou a conquista e destacou que o resultado é fruto de uma trajetória construída com dedicação, trabalho coletivo e amor à cultura popular.
    “Ganhar o 3º lugar no Conjunto Sênior de Danças Populares Brasileiras não é apenas sobre erguer um troféu no palco, é sobre a história, a entrega e a paixão pela nossa cultura que nos trouxeram até aqui”, publicou o grupo.

    A Cia Arfact também agradeceu ao Boi Caprichoso pela confiança depositada no projeto, além de reconhecer a participação do Tripa Oficial, Alexandre Azevedo, que integrou a apresentação em Joinville. O reconhecimento foi estendido aos dançarinos, equipe técnica, patrocinadores, familiares e apoiadores que contribuíram para a realização do espetáculo.

    Além da competição, Brunno Athayde e Isabely Santos ministraram workshops imersivos de boi-bumbá durante a programação do festival, apresentando aspectos da cultura de Parintins e ensinando toadas do Caprichoso para participantes de diferentes estados brasileiros.

    A presença da Cia Arfact em Joinville reforça o alcance da cultura do Boi Caprichoso para além da arena do Bumbódromo, levando a tradição do boi campeão de Parintins a um dos mais importantes eventos de dança do mundo.

  • TRE-AM mantém, por unanimidade, cassação de vereadores de Maraã por fraude à cota de gênero

    TRE-AM mantém, por unanimidade, cassação de vereadores de Maraã por fraude à cota de gênero

    O Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) manteve, por unanimidade, a sentença da 49ª Zona Eleitoral que determinou a cassação dos mandatos de quatro vereadores eleitos e seus respectivos suplentes, vinculados às legendas do União Brasil e Avante, no município de Maraã. Durante a sessão desta terça-feira (28/07), a corte acompanhou o voto do relator, o juiz eleitoral Érico Rodrigo Freitas Pinheiro, pelo desprovimento dos recursos, mantendo a nulidade dos votos obtidos pelos partidos envolvidos nas eleições de 2024 devido à prática de candidaturas femininas fictícias.

    O julgamento da Ação de Impugnação de Mandato Eletivo (AIME) foi concluído após o juiz Cássio André devolver o pedido de vista e acompanhar integralmente o voto da relatora à época, a juíza federal Mara Elisa Andrade.

    A decisão alcança os vereadores eleitos Luzenilson de Oliveira Roberto (Dicota), Sebastião Pereira Amâncio Filho (Sabá das Máquinas), e Valcinei Tavares da Silva, todos do União Brasil, além de Sherlane Vieira da Silva (Lane da Pesca), eleita pelo Avante. Também permanecem cassados os diplomas dos suplentes das respectivas chapas.

    Entre as candidatas apontadas no processo estão Dariney Pereira Dario, Jeiciane Medeiros e Alyne Gisele Pereira do Nascimento.

    Com a decisão, permanecem válidas a cassação dos diplomas dos vereadores eleitos e suplentes, a anulação dos votos recebidos pelas duas legendas e a recontagem dos quocientes eleitoral e partidário para a redistribuição das vagas na Câmara Municipal.

  • TRE-AM mantém cassação e inelegibilidade de vereador por fraude à cota de gênero em Itacoatiara

    TRE-AM mantém cassação e inelegibilidade de vereador por fraude à cota de gênero em Itacoatiara

    O Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) manteve, nesta terça-feira (28/07), a sentença da 3ª Zona Eleitoral de Itacoatiara (a 170 quilômetros de Manaus) que reconheceu a ocorrência de fraude à cota de gênero nas Eleições Municipais de 2024 e determinou a cassação do diploma do vereador eleito Aluísio Isper Netto (PV), eleito em 2024 com 869 votos pela Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV.

    A Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) foi apresentada pelo ex-vereador Dib Barbosa (Mobiliza), suplente e atualmente Secretário de Desenvolvimento Econômico e Articulação Política do município.

    Durante o julgamento do recurso, o relator, Dr. Diogo Oliveira Nogueira Franco, manteve a nulidade de todos os votos da Federação Brasil da Esperança e a inelegibilidade de quase todas as candidatas envolvidas.

    Por maioria de votos, o Pleno confirmou o entendimento de que as candidaturas femininas cumpriram papel fictício, tendo sido registradas apenas para cumprir formalmente o percentual mínimo de 30% de candidaturas de cada gênero, conforme previsto na legislação eleitoral, o que configura que a eleição de Aluísio Isper Netto (PV) pela chapa foi irregular.

    Segundo a Justiça, três candidatas não realizaram campanha eleitoral efetiva e obtiveram votação inexistente ou extremamente baixa. Ivanete de Souza Kato, conhecida como Bispa Ivanete (PV), obteve votação zerada, não apresentando atos efetivos de campanha ou movimentação financeira relevante. Aline Nicolino Pires, a Enfermeira Aline (PV), registrou apenas um voto e prestação de contas zerada. Já Luane Victoria Moraes dos Santos (PC do B) recebeu dois votos e foi flagrada em vídeo fazendo campanha para outra candidata, em vez de promover a própria candidatura.

    Apenas Ivete dos Santos Baraúna (PV) obteve cinco votos e, por conta do conjunto probatório constante dos autos, incluindo realização de atos de campanha, movimentação financeira individualizada e votação que, embora reduzida, não foi considerada suficiente, por si só, para caracterizar candidatura fictícia, não foi considerada inelegível. Ainda cabe recurso à decisão.

  • Pesquisa aponta lacuna entre conhecimento e uso de PrEP contra o HIV

    Pesquisa aponta lacuna entre conhecimento e uso de PrEP contra o HIV

    Uma pesquisa realizada com usuários do aplicativo de relacionamentos Grindr em 10 países alertou nesta segunda-feira (27) que mesmo o elevado conhecimento sobre a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) como forma de prevenção ao HIV ainda não se traduz em um uso equivalente dessa forma de proteção. Essa distância indica que o acesso à prevenção é o maior desafio, concluem os pesquisadores.

    Segundo o relatório Closing the Gap (Fechando a Lacuna, em português), no Brasil, 72% dos usuários que participaram da pesquisa declararam conhecer a PrEP, mas somente 28% utilizavam o método. Quando a referência é a PrEP sob demanda, embora 65% saibam o que é, apenas 13% já fizeram o uso.

    Os números foram divulgados pela iniciativa Grindr for Equality, mantida pelo aplicativo para ações sociais, de saúde e direitos humanos.

    Embora o Brasil seja o país com a maior distância entre o percentual que conhece e o percentual que usa a PrEP, o estudo mostrou que, independentemente do nível de conhecimento ser alto ou baixo, a disparidade entre teoria e prática é relevante.

    No Reino Unido, que registrou o maior nível de conhecimento ​(79%), o uso dessa forma de prevenção chegava a 35%. Já na Índia, onde o conhecimento sobre a PrEP de uso diário era de apenas 28%, o menor índice entre os países pesquisados, os entrevistados relataram o uso em somente 7% dos questionários.

    “Uma em cada quatro pessoas relatou não utilizar nenhuma das ferramentas de prevenção listadas. As taxas de uso da PrEP sob demanda foram consistentemente inferiores às da PrEP de uso diário em todos os países”, informou a pesquisa, que ouviu 18.287 usuários do aplicativo.

    O que é PrEP?

    A Profilaxia Pré-Exposição é uma forma de prevenção em que os antirretrovirais são ingeridos antes da relação sexual, o que permite ao organismo estar preparado para enfrentar um possível contato com o HIV.

    Para pessoas em situação de vulnerabilidade ao vírus, é indicada a PrEP diária, que consiste na ingestão dos comprimidos de forma contínua, todos os dias, o que mantém o corpo sempre preparado para um possível contato.

    Já a PrEP sob demanda somente é indicada para quando a pessoa conseguir antecipar que haverá risco de exposição ao HIV e tiver tempo de se preparar, já que devem ser utilizados comprimidos antes e depois da relação sexual.

    Apesar de eficaz, o uso da PrEP não permite dispensar a camisinha, uma vez que o preservativo também protege contra outras infecções sexualmente transmissíveis, como a sífilis e as hepatites B e C.

    Acesso à PrEP

    A conclusão do estudo do Grindr é que “o conhecimento sobre a PrEP é alto, mas ainda existe uma grande distância entre conhecer e utilizar a prevenção”.

    Os pesquisadores observaram que, atualmente, o principal desafio não é a conscientização, mas o acesso, em um cenário de redução do financiamento internacional destinado à resposta ao HIV.

    O relatório apontou ainda que fechar a lacuna na prevenção exige ações que envolvam todo o sistema, desde organizações de base comunitária e agentes de implementação até ministérios da Saúde, financiadores, prestadores de serviços, empresas farmacêuticas e pesquisadores.

    “Nenhum ator consegue alcançar esse objetivo sozinho. A criminalização, o estigma, a discriminação e o fechamento de espaços comunitários não são apenas um pano de fundo para a saúde LGBTQ+, são seus determinantes sociais e estruturais, que definem quem tem acesso à prevenção, quem busca atendimento e quem acaba totalmente excluído”, pontuou.

    No anúncio do estudo, o Grindr for Equality se comprometeu a conectar 10 milhões de pessoas LGBTQ+ à prevenção do HIV até 2028, iniciativa que será implementada em mais de 50 países.

    Conferência Internacional sobre Aids

    A divulgação do relatório inédito faz parte da programação da 26ª edição da Conferência Internacional sobre Aids, realizada neste ano no Rio de Janeiro, entre 27 e 31 de julho.

    É a primeira vez que a principal conferência sobre prevenção ao HIV e tratamento da aids ocorre no Brasil.

    O encontro reúne líderes comunitários, pesquisadores, formuladores de políticas públicas, financiadores, parceiros de saúde pública e inovadores digitais de 23 países.

  • Brasil precisa garantir contrapartidas para receber data centers

    Brasil precisa garantir contrapartidas para receber data centers

    A expansão dos data centers no Brasil exige planejamento, transparência e regras que garantam benefícios ao país e reduzam impactos socioambientais. A avaliação foi feita por pesquisadores em um debate realizado nesta segunda-feira (27), em Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, como parte da programação da 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

    Os professores Mauro Oliveira, do Instituto Federal do Ceará (IFCE), e Dan Levy, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), defenderam que a instalação de grandes centros de processamento de dados precisa ser acompanhada de políticas públicas e maior participação da comunidade científica.

    Para Mauro Oliveira, o Brasil corre o risco de repetir uma lógica histórica de exploração de recursos naturais sem garantir contrapartidas para o desenvolvimento nacional.

    “O problema não é receber data centers. O problema é receber esses investimentos sem negociação. O Brasil precisa definir o que quer exigir em troca”, disse Mauro.

    Segundo o pesquisador, a discussão sobre data centers ainda está restrita a poucos setores e deveria mobilizar universidades, governo e sociedade. Ele argumentou que esses empreendimentos trazem desafios relacionados ao consumo de energia, à soberania digital e ao controle da infraestrutura tecnológica.

    Oliveira citou o projeto de instalação de um grande data center voltado à inteligência artificial no Ceará. Segundo ele, a unidade deverá consumir cerca de 300 megawatts de potência, demanda equivalente à capacidade de abastecimento de milhões de pessoas.

    “O mundo, hoje, não consegue produzir energia suficiente para atender à demanda projetada pelos data centers de inteligência artificial”, disse.

    Além da energia, Oliveira defendeu que o país estabeleça mecanismos permanentes de monitoramento, auditoria e transparência sobre os projetos.

    “O papel das universidades é participar desse debate. Não somos contra os data centers. Somos contra a ausência da universidade na discussão sobre as condições em que eles estão sendo implantados”, disse.

    Impactos

    Sob a perspectiva do direito ambiental, Dan Levy argumentou que os impactos provocados pelos data centers vão além do consumo de água e energia. Segundo ele, também devem ser considerados efeitos como poluição sonora, pressão sobre recursos naturais, conflitos territoriais, desigualdades sociais e riscos para comunidades vulneráveis.

    “A transição digital e a transição ecológica não podem ser tratadas como processos independentes. É preciso incorporar critérios de sustentabilidade, transparência e participação social”, defendeu o pesquisador.

    Segundo Levy, as comunidades diretamente afetadas precisam participar das decisões relacionadas à implantação desses empreendimentos e não apenas arcar com seus impactos.

    O pesquisador também associou a expansão dos data centers ao conceito de colonialismo digital, segundo o qual países do Sul Global passam a fornecer recursos naturais, como energia, água e território, para sustentar a infraestrutura tecnológica das grandes empresas do Norte Global.

    “A gente não é contra o desenvolvimento. A questão é como esse desenvolvimento é realizado e quem suporta seus custos”, concluiu.

  • Manaus realiza realiza ações orientativas em consultórios odontológicos e unidades de saúde no dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais

    Manaus realiza realiza ações orientativas em consultórios odontológicos e unidades de saúde no dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais

    Para marcar o Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais, a Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), promoveu, nesta terça-feira, 28/7, mais uma ação de sensibilização nas unidades de saúde da rede municipal e em consultórios odontológicos particulares da capital. Denominada “Julho Amarelo, diagnosticar para tratar”, a ação teve o objetivo de chamar a atenção de usuários e profissionais de saúde.

    Nos consultórios odontológicos particulares visitados, as equipes enfatizaram a importância de seguir as normas de prevenção da infecção, uma vez que o contato com sangue e saliva contaminados durante os procedimentos em que materiais perfurocortantes são utilizados, favorece o risco de transmissão das infecções virais, entre elas as hepatites virais.

    A chefe do Núcleo de Controle de HIV/Aids, Infecção Sexualmente Transmissível (IST) e Hepatites Virais da Semsa, Thayná Saraiva, informa que já foram visitados 15 consultórios e mais 16 estabelecimentos particulares receberão a visita dos servidores da Semsa nos próximos dias.

    “Nosso trabalho de monitoramento epidemiológico identificou indícios sugestivos de um incremento nos casos de hepatites virais associados a consultórios odontológicos. Por isso chamamos a atenção para as normas de controle e também a importância da testagem rápida, que possibilita diagnóstico e, consequentemente, o início do tratamento nas situações em que o resultado for positivo. A testagem consegue detectar sífilis, HIV, hepatites B e C”.

    A equipe do Núcleo de Controle de HIV/Aids, Infecção Sexualmente Transmissível (IST) e Hepatites Virais em suas visitas também esclarece sobre a Prevenção Combinada que contempla uso do preservativo, PrEP, PEP, Vacina Hepatites B e A.

    Dados

    Em 2026, foram registrados 143 novos casos de hepatites virais A, B, C e D. De janeiro a julho, foram 83 casos de Hepatite B e 52 casos de Hepatite C.

    A faixa etária de usuários de 20 a 39 anos registrou 29 casos, enquanto a de 40 a 59 anos, registrou 37 casos. Na faixa de pessoas com 60 anos e mais, o número foi de 24 casos. O percentual de homens com hepatites virais é 58%, enquanto que o de mulheres é 42%.

    Ao longo da campanha foram distribuídos 1.000 kits de prevenção, preservativos interno e externo, gel lubrificantes, autoteste de HIV e folders informativos de hepatites, IST e HIV.

  • OMS lança guia salva-vidas

    OMS lança guia salva-vidas

    Neste 25 de julho, a ONU marca o Dia Mundial da Prevenção do Afogamento, uma das 10 principais causas de morte entre crianças dos 5 aos 14 anos e responsável pela morte de cerca de 300 mil pessoas, por ano.

    A Organização Mundial da Saúde, OMS, lançou um novo guia técnico para ajudar governos e comunidades a implementar medidas capazes de reduzir a mortalidade associada ao afogamento.

    A maioria dos afogamentos é evitável

    Segundo a agência, mais de 90% das mortes por afogamento ocorrem em rios, lagos, poços, reservatórios domésticos de água e piscinas, sobretudo em países de rendimentos baixos e médios. As crianças e os adolescentes das zonas rurais são os mais afetados.

    O diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, afirma que cada afogamento constitui uma tragédia e adverte que a grande maioria dos casos é evitável.

    Este ano, o tema é “Unir para inverter a maré”, reflete a necessidade de uma ação coordenada entre governos, setores e comunidades para prevenir afogamentos e salvar vidas.

    As sete estratégias traduzem a visão da primeira Estratégia Global para a Prevenção do Afogamento, lançada em 2025, em orientações sustentadas por evidência.

    Entre as medidas sugeridas, destacam-se a promoção de infraestruturas seguras, a formação de profissionais de socorro, a promoção da natação e a criação de sistemas de proteção de crianças, bem como a preparação para cheias e outras emergências semelhantes.

    Alterações climáticas aumentam o risco de afogamento

    Nos últimos anos, as alterações climáticas têm vindo a aumentar os riscos de afogamento. À medida que os fenómenos extremos, como as ondas de calor, ocorrem com maior frequência, verifica-se um aumento do risco de afogamento.

    No Reino Unido, a subida de 1°C na temperatura está associada a um aumento de 7,2% no número de afogamentos. O risco é também quase cinco vezes superior em dias em que as temperaturas ultrapassam os 25°C, em comparação com dias abaixo dos 10 °C, segundo estudos recentes.

    O Dia Mundial da Prevenção do Afogamento foi proclamado na Assembleia Geral da ONU em 2021.

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