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  • Movimento Vovó Vota defende consciência cidadã contra abstenção

    Movimento Vovó Vota defende consciência cidadã contra abstenção

    Na paisagem rural da comunidade maranhense de Ludovico, cidade de Lago do Junco a 300 quilômetros de São Luís, a quebradeira de coco babaçu Maria Alaídes Alves de Souza, de 71 anos, caminhou 600 metros para votar no primeiro turno das eleições, em 4 de outubro. 

    Para conscientizar outras idosas sobre a importância de votar, no entanto, ela percorre distâncias bem maiores. Na prática, ela faz uma busca ativa para que outras trabalhadoras e avós, como ela, não deixem de exercer o direito ao voto. 

    O Brasil tem hoje cerca de 16 milhões de idosos com mais de 70 anos, o que corresponde a 10,6% dos eleitores. Essa população tem voto facultativo desde a promulgação da Constituição de 1988 e histórico de alta abstenção.

    Na comunidade em que Maria Alaídes vive, são 150 famílias, mas ela se preocupa com outras cinco comunidades da região: São José, Mata dos Reis, Marajá Alto Alegre, Estirão e Pau Seco.

    “A gente busca motivar explicando que é muito importante a pessoa registrar o seu voto. Ninguém pode desanimar”, conta Maria, que tem sete filhos e sete netos.

    Como liderança de um movimento interestadual de quebradeiras de coco, ela defende que é pela participação popular que se conquistam direitos e políticas públicas.

    A quebradeira de coco Maria Alaídes participa do movimento Voto 70+ – Maria Alaídes Alvas de Souza/ Arquivo pessoal

    “O voto para mim é orgulho. Voto pela manutenção de direitos e pela democracia”.

    Entre as prioridades dela está o enfrentamento das mudanças climáticas, que impactam diretamente as atividades das quebradeiras.

    A estimativa é de que existam mais de 300 mil trabalhadoras nos estados do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins. 

    Participação popular

    Mulheres entusiasmadas com as eleições como Maria Alaídes, mesmo em uma faixa etária em que o voto não é obrigatório, fazem jus à histórica luta pelo sufrágio feminino.

    A abstenção de pessoas com mais de 70 anos caiu quase 10 pontos percentuais no primeiro turno das eleições, segundo levantamento do Movimento Voto 70+.

    Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o percentual de eleitores nessa faixa etária que não foram votar passou de 58,8% em 2022 para 49,1% no primeiro turno de 2026.  

    No intuito de que essa abstenção caia ainda mais no próximo domingo (25), o movimento apartidário promove a campanha Vovó Vota, que propõe aproximar netas e avós durante as eleições.

    Uma das mensagens é que, mesmo que a pessoa não tenha votado no primeiro turno, pode participar no segundo, sem nenhuma restrição.

    Agora, eu vou

    Na cidade de Orizona, a 130 quilômetros de Goiânia, Maria Albino Costa, de 85 anos, não votou no primeiro turno porque achou difícil ir às urnas com tantos números para anotar ou lembrar. No último dia 4, o eleitor escolheu deputados, senadores, governadores e presidente.

    “Mas dessa vez, é só para o cargo de presidente. Então, eu vou desta vez. Minha filha e minha neta vão me levar. Preciso garantir nossos direitos. Eu faço questão agora.”

    Maria Albino Costa não votou no primeiro turno, mas vai comparecer às urnas no próximo domingo (25) – Maria Albino Costa/ Arquivo Pessoal

    A aposentada já morou na roça, foi merendeira e empregada doméstica, e diz que não gosta de faltar na eleição porque passou muito tempo sem votar durante a ditadura (1964-1985). Ela também quer ser exemplo para os sete filhos, 22 netos, seis bisnetos e um tataraneto.

    A filha, a professora Sandra Oliveira, de 48 anos, foi a primeira da família a cursar o ensino superior, e conta que sente muito orgulho da trajetória da mãe. Tanto que costuma citá-la em suas aulas na área rural e na região urbana onde já ouviu manifestações machistas de alunos contra o voto feminino:

    “Eu conto histórias de minha mãe e de outras mulheres que não tiveram direitos. A gente precisa garantir nosso espaço”.

    Tive medo

    A professora aposentada Maria José Cantarelli já baixou o e-título – Maria José/ Arquivo Pessoal

    A professora aposentada Maria José Cantarelli, de 80 anos, que mora em Olinda (PE), também não votou no primeiro turno. Aliás, há 12 anos deixou de participar das eleições.

    No entanto, ela conversou em casa com os filhos e com a neta, e chegou à conclusão de que o momento exige abrir uma exceção. Ela se ressente do clima de acirramento emocional nas ruas.

    “Há ofensas e agressões que fazem com que a gente tenha medo. Existe muita violência nas ruas e os ânimos estão muito acirrados”, lembra.

    Ela guardou o título eleitoral no armário e não encontrou mais. No entanto, já baixou o aplicativo e-título para votar no dia 25.

    Maria José disse que guardou, durante toda a vida, os comprovantes eleitorais e que vai voltar a tê-los na carteira. A neta, que também é Maria, tem 19 anos e ficou feliz com a decisão da avó.

    Voto por direitos

    Inspirações para essas avós não faltam, como na casa de Francisca Barroso Monteiro, de 84 anos, que hoje mora na cidade maranhense de Nova Iorque (a 560 quilômetros de São Luís-MA).

    Ela diz que o direito à cidadania possibilitou que ela lutasse para que os 10 filhos frequentassem a escola.

    “Eu sempre dizia ao meu esposo que eles iam estudar. Eu não estudei porque não tive oportunidade. Mas meus filhos, sim. Por isso é muito importante votar”.

    Ela espera que a eleição garanta representantes que não deixem faltar remédio ou alimentos para crianças ou idosos.

    Dificuldades

    No Rio de Janeiro, Prazeres Maria da Silva Antunes, de 72 anos, espera que não passe pela dor de cabeça que teve no primeiro turno, quando enfrentou filas longas: “demorou um tempo para começarem a chamar os mais idosos”.

    Também não foi fácil para a aposentada paulista Beatriz Cintra Labaki, de 79 anos, em São Paulo. Ela precisou subir escadas em seu local de votação.

    Uma resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determina que pessoas idosas tenham atendimento prioritário nos locais de votação, sem necessidade de aguardar na fila comum.

    Além disso, devem ser garantidas medidas de acessibilidade que assegurem autonomia e segurança durante o processo de votação.

    Beatriz contou com a ajuda do filho para chegar à sala de aula e à urna. Para escolher seus candidatos, levou em conta a postura em relação aos temas de saúde e educação.

    “Não adianta ser eleito e ficar sentado lá. Tem de ser atuante e gostar de trabalhar com a população”.

    Memórias

    Suely Mendonça tem orgulho em participar das eleições – Fernando Frazão/Agência Brasil

    No dia 25, as pessoas idosas também levarão a memória da importância de votar. Inclusive porque não puderam escolher o presidente por mais de duas décadas.

    A aposentada carioca Suely Mendonça, de 79 anos, diz que se emociona ao caminhar até a seção de votação:

    “É o momento em que estou me sentindo mais participante da vida do país. Sempre estudei na rede pública, do ensino básico ao ensino superior. Teve o golpe militar e eu estava estudando”.

    Ela recorda que os professores não podiam mencionar as letras de música e que os filmes e as peças de teatro eram censuradas.

    “Eu participei das Diretas Já, o pontapé inicial da redemocratização. Eu nunca associei meu voto a um partido. Eu escolhia o candidato pelos compromissos assumidos com a gente e os que tinha lutado contra o regime ditatorial”.

  • Governo destina R$ 6,49 bilhões a setor de exportação

    Governo destina R$ 6,49 bilhões a setor de exportação

    O governo federal abriu crédito extraordinário no valor de R$ 6,49 bilhões para financiar pessoas físicas e empresas exportadoras de bens e serviços que fazem parte do Plano Brasil Soberano.

    A autorização faz parte da Medida Provisória nº 1.397, publicada nesta quarta-feira (21) no Diário Oficial da União.

    De acordo o texto, os recursos ficarão sob responsabilidade do Fundo de Garantia à Exportação, vinculado ao Ministério da Fazenda.

    O Plano Brasil Soberano é uma das medidas de apoio do governo brasileiro às empresas, aos exportadores e trabalhadores afetados pelas sobretaxas impostas pelos Estados Unidos.

    Vigência

    Por se tratar de crédito extraordinário, a medida tem como fundamento os artigos 62 e 167, parágrafo 3º, da Constituição Federal.

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  • Salvar o clima ainda é possível mesmo após ultrapassar 1,5 °C

    Salvar o clima ainda é possível mesmo após ultrapassar 1,5 °C

    São necessárias reduções urgentes e rigorosas das emissões de gases com efeito estufa para minimizar a ultrapassagem inevitável do limite de 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais e permitir o regresso a esse patamar.

    Esta é a principal conclusão do novo Relatório sobre a Lacuna de Emissões 2026 do Programa das Nações Unidas para o Ambiente, Pnuma. Publicado na terça-feira, o documento adverte que, caso as políticas atuais se mantenham, o aquecimento poderá atingir 2,8 °C ainda neste século.

    Políticas atuais são insuficientes

    Estes resultados são piores do que as projeções de 2025,  no que a agência atribui à retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris e à revisão das estimativas das emissões históricas.

    Mesmo no cenário mais otimista, no qual as metas climáticas dos países e as metas adicionais de emissões líquidas nulas são cumpridas, o aquecimento global seria limitado a 2,1 °C neste século.

    O Pnuma lembra que cada fração de grau adicional de aquecimento acima de 1,5 °C aumenta os riscos climáticos, incluindo alterações irreversíveis nos mantos de gelo, no carbono armazenado no solo e na circulação oceânica, com consequências graves para a saúde e a prosperidade humanas.

    Brasil prevê redução significativa de emissões

    O Brasil é o único país lusófono em destaque no documento da agência. O país prevê reduzir as suas emissões líquidas de gases com efeito estufa entre 59% e 67% até 2035, em relação aos níveis de 2005.

    O relatório destaca o plano governamental Nova Indústria Brasil, que prevê aumentar a quota conjunta dos biocombustíveis e dos veículos elétricos, promover o aproveitamento tecnológico e sustentável da biodiversidade pela indústria e reduzir a intensidade das emissões industriais.

    O Pnuma refere ainda a quinta fase do Plano de Ação para a Prevenção e o Controle do Desmatamento na Amazônia Legal 2023–2027, que pretende eliminar o desmatamento ilegal até 2030.

    Cenário de aquecimento mínimo é possível

    A publicação analisa um cenário de ultrapassagem mínima do limiar de 1,5 °C, no qual o aquecimento atinge um pico de 1,7 a 1,8 °C por volta de meados do século e a temperatura global regressa a 1,5 °C ou menos até 2100.

    O relatório estima em cerca de 50% a probabilidade de esse regresso se concretizar, num cenário que exigiria reduções das emissões de gases com efeito de estufa de 18% até 2030, 45% até 2035 e 69% até 2040, face aos níveis de 2025.

    Os planos de ação climática delineados nos Acordos de Paris são insuficientes para a realização plena deste cenário. A aplicação das Contribuições Nacionalmente Determinadas reduziria as emissões em apenas 5–8% até 2030 e 11–15% até 2035, face aos níveis de 2025.

    Países não devem abandonar a causa climática

    Em mensagem sobre o relatório, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou que a ultrapassagem do limiar de temperatura não deve traduzir-se numa rendição na luta contra as alterações climáticas.

    O chefe da ONU salienta que os países têm capacidade para limitar ao máximo a magnitude e a duração dessa ultrapassagem. Ele destaca o potencial das energias renováveis mais baratas e acessíveis, a expansão da energia solar e os sucessos verificados na adoção de políticas climáticas.

    Investimento em energias limpas

    O relatório revela que, em média, as políticas avaliadas no setor da eletricidade reduziram as emissões em 9%. Por sua vez, instrumentos econômicos como a definição de tetos e a aplicação de impostos sobre emissões de carbono permitiram reduções de 5% a 13% em vários setores.

    Um apoio adicional ao nível das políticas poderá alterar a trajetória de aquecimento atual, afirma a diretora executiva do Pnuma, Inger Andersen.

    A representante acrescenta que o aproveitamento da tendência de crescimento das energias limpas pode contribuir para o cumprimento do objetivo de triplicar a capacidade de energias renováveis até 2030.

    Já no próximo ano, os países têm de intensificar a ação para seguir a trajetória com a menor ultrapassagem possível de 1,5 °C, com uma liderança ainda maior dos países do G20, defende Andersen.

    Adoção de políticas climáticas deve ser coletiva

    O relatório assinala ainda que os principais êxitos das políticas climáticas verificados nos últimos anos se mantêm concentrados em determinados países e setores da economia.

    Dos 63 casos de grandes reduções associadas a políticas, 40 aconteceram na Europa, 48 em economias desenvolvidas e todos se concentraram nos setores dos edifícios, dos transportes, da indústria e da eletricidade.

    Seguir uma trajetória de menor ultrapassagem possível do limiar de 1,5 °C exige replicar e manter essas políticas em toda a economia e à escala mundial, através de combinações coerentes de políticas adaptadas às prioridades de desenvolvimento e às condições locais, conclui o relatório.

  • Escritor venezuelano radicado em Manaus lança livro nesta quinta

    Escritor venezuelano radicado em Manaus lança livro nesta quinta

    O escritor venezuelano Xiosmel Ramón Herrera, radicado em Manaus, lança nesta quinta-feira, dia 22 de outubro, às 18h, seu primeiro romance, Cuando murmuran las paredes, publicado em espanhol pela editora argentina Caburé Libros. O evento será realizado na Biblioteca do ICBEU, no Centro da capital amazonense, com entrada gratuita.
    A obra foi selecionada em um concurso literário promovido em 2025. O romance apresenta uma narrativa de suspense psicológico em que a mudança para uma nova casa, inicialmente vista como uma oportunidade de recomeço, transforma-se em uma experiência perturbadora.
    Entre porões úmidos, vozes que parecem atravessar as paredes e acontecimentos que desafiam a percepção do protagonista, a história explora a culpa, os traumas e os limites entre realidade e imaginação.
    “Com uma atmosfera marcada pela tensão psicológica e pelo desconforto diante do desconhecido, Cuando murmuran las paredes aborda o horror não apenas como manifestação sobrenatural, mas também como uma experiência que emerge da própria condição humana”, afirma Xiosmel.
    O lançamento em Manaus também permitirá ao público conhecer o processo de criação do livro e conversar com o escritor sobre a obra e sua trajetória literária.

    Sobre o autor
    Xiosmel Ramón Herrera nasceu em 1993, em Valencia, na Venezuela. É psicólogo, ator e escritor. Formou-se em Psicologia pela Universidade Yacambú e em Atuação pela Escola de Teatro de Belas Artes de Guanare.
    Residente no Brasil desde 2019, fundou em Manaus a Revista Rio Negro, iniciativa sociocultural dedicada à literatura e à valorização da produção literária amazônica. Atualmente, é coordenador de operações do Instituto Hermanitos, organização que desenvolve ações sociais e humanitárias.
    Em 2023, publicou o livro de contos Enfermo en Cama Ajena. Em 2026, estreia no romance com Cuando murmuran las paredes, publicado pela editora argentina Caburé Libros.

  • Governo envia ao Congresso proposta de tarifa zero no transporte

    Governo envia ao Congresso proposta de tarifa zero no transporte

    O governo federal enviou ao Congresso Nacional nesta quarta-feira (21) proposta de emenda à Constituição (PEC) que destina recursos de emendas parlamentares impositivas para o custeio da gratuidade dos serviços de transporte público coletivo urbano ou de caráter urbano, com potencial para financiar a tarifa zero aos fins de semana e feriados.

    O texto estabelece a destinação de, no mínimo, 26,8% do montante global anual das programações de execução obrigatória provenientes de emendas parlamentares individuais e de bancada para o custeio da gratuidade do transporte coletivo. A proposta preserva recursos destinados a ações e serviços públicos de saúde e prevê que os valores sejam transferidos obrigatoriamente aos entes federados responsáveis pelos serviços.

    “Como referência, o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027 prevê R$ 44,8 bilhões em emendas parlamentares de execução obrigatória. Pela regra proposta, cerca de R$ 11,2 bilhões seriam destinados ao custeio da gratuidade do transporte público coletivo, montante com potencial para financiar a tarifa zero aos fins de semana e feriados”, detalhou, em nota, a Secretaria de Comunicação Social (Secom).

    Segundo a pasta, a proposta busca ampliar o acesso da população ao trabalho, aos serviços públicos, à cultura e ao lazer, reduzindo as barreiras impostas pelo custo das tarifas. A Secom destacou ainda a importância da gratuidade para o direito de trabalhadores ao lazer, ao convívio familiar e à saúde, “especialmente no contexto da aprovação do fim da escala 6×1”.

    Durante cerimônia no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliou que a gratuidade do transporte público urbano figura como uma “obsessão” de muitos, incluindo o movimento social. “É uma obsessão de muita gente que levanta às 4h30 para trabalhar e está gastando um bom dinheiro do seu salário para a condução”.

    “Conseguimos fazer um teste. Se a coisa der certo, a gente vai procurar uma forma de estender isso mais. Na medida em que a gente aprovou o fim da escala 6×1 e está garantindo à sociedade brasileira dois dias de descanso no final de semana, é justo que a gente faça com que o transporte seja gratuito no final de semana e no feriado.”

    De acordo com a Secom, os dispositivos relativos à destinação dos recursos produzirão efeitos a partir da Lei Orçamentária Anual de 2027. Segundo a justificativa da proposta, a medida não implica aumento da despesa primária nem afeta a meta de resultado primário, pois prevê a destinação de recursos dentro do montante de emendas parlamentares impositivas já estabelecido na Constituição Federal.

  • MPF recomenda à ANP e ao governo do Amazonas a suspensão da venda de combustíveis em galões e garrafas durante emergência das queimadas

    MPF recomenda à ANP e ao governo do Amazonas a suspensão da venda de combustíveis em galões e garrafas durante emergência das queimadas

    O Ministério Público Federal (MPF) recomendou à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e ao governo do Amazonas a suspensão da venda de gasolina, etanol e óleo diesel em garrafas, galões, bombonas e outros recipientes portáteis em todo o estado, enquanto durar a situação de emergência provocada pelas queimadas. A recomendação busca dificultar o uso de combustíveis para provocar e ampliar incêndios florestais.

    De acordo com a recomendação, o abastecimento deverá ocorrer diretamente nos tanques de veículos, embarcações, máquinas e equipamentos apresentados nos postos, inclusive nos postos flutuantes.

    A recomendação prevê exceções para serviços essenciais e moradores de comunidades sem acesso por estrada ou sem postos de combustíveis, além de imóveis rurais cadastrados que necessitem de diesel para máquinas agrícolas e geradores. Nesses casos, a venda deverá ser controlada, com identificação do comprador, registro da finalidade e do volume adquirido, uso de recipientes certificados e limite diário, conforme a hipótese.

    A venda irrestrita e sem identificação de combustíveis em recipientes portáteis pode facilitar o transporte do produto até áreas de vegetação, margens de rios, várzeas e assentamentos sem acesso rodoviário, dificultando a fiscalização e favorecendo a ação de incendiários.

    “Restringir essa venda, com exceções para quem realmente precisa, é a forma mais rápida de dificultar a ação dos incendiários”, afirma o procurador da República André Luiz Porreca Ferreira Cunha, autor da recomendação. O documento ressalta que a medida não presume que todas as compras em galões tenham finalidade ilegal, mas busca reduzir os riscos durante a emergência.

    Apesar disso, a recomendação ressalta que os postos não podem, por conta própria, recusar ou limitar a venda em recipientes, porque as normas da ANP e o Código de Defesa do Consumidor proíbem a recusa de venda a quem se dispõe a pagar pelo produto. Por isso, somente um ato da agência ou do estado dá aos revendedores respaldo para a recusa e os protege de multas e reclamações.

    Avanço das queimadas e poluição do ar – Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) citados na recomendação apontam que o Amazonas registrou 3.726 focos de calor em setembro de 2026, aumento de 295,5% em comparação com o mesmo mês de 2025. Nos primeiros 13 dias de outubro, foram contabilizados 1.608 focos, número superior ao total registrado durante todo o mês de outubro do ano anterior.

    O cenário também preocupa pelos efeitos da fumaça sobre a saúde pública. Em 17 de outubro, a Defesa Civil do Amazonas emitiu alerta de risco severo para a qualidade do ar. Naquele dia, Manaus atingiu 657 pontos no índice da plataforma IQAir – ferramenta que divulga a qualidade do ar em tempo real -, classificação considerada perigosa. Os municípios de Urucurituba, Maués e Autazes registraram índices ainda piores, segundo os dados reunidos no documento.

    A fumaça também prejudicou o combate aos incêndios. Na mesma data, a baixa visibilidade impediu a decolagem de aeronaves utilizadas pelas equipes federais nos dois aeroportos de Manaus. O governo estadual já havia proibido o uso do fogo em todo o Amazonas por 120 dias e decretado situação de emergência em 36 municípios, medida que foi reconhecida pela União.

    Além disso, o documento também menciona a avaliação do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima de que os incêndios têm origem humana intencional e o reforço das investigações sobre possível atuação coordenada de incendiários.

    Em Iranduba, município localizado a 38 quilômetros de Manaus, um incêndio que atingiu 700 hectares ocorreu em área onde a vegetação havia sido cortada e deixada para secar, conforme informações do Corpo de Bombeiros.

    Prazos – A ANP e o governo do Amazonas têm cinco dias, a partir do recebimento da recomendação, para informar por escrito se vão acatar as medidas e indicar as providências adotadas. Em caso de não acatamento, deverão apresentar as respectivas justificativas técnicas e jurídicas.

    A recomendação adverte que a omissão poderá levar à adoção de medidas administrativas e judiciais cabíveis, inclusive à apuração da responsabilidade pessoal de agentes públicos que deixarem de agir quando deveriam.

    O caso é acompanhado pelo 13º Ofício da Procuradoria da República no Amazonas, com relação à prevenção e ao combate às queimadas.

  • Quedas: mais de 330 mil crianças foram internadas no Brasil em 10 anos

    Quedas: mais de 330 mil crianças foram internadas no Brasil em 10 anos

    Apenas no primeiro semestre de 2026, quase 15 mil crianças com menos de 10 anos foram internadas após acidentes envolvendo quedas. Entre 2016 e 2025, esse número soma 330 mil internações – média de 33 mil casos por ano. 

    Os dados constam de levantamento da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) a partir de registros do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SUS).

    Segundo a SBP, acidentes figuram entre as situações que mais exigem atenção de famílias e cuidadores, pois grande parte pode ser evitada por meio da adoção de medidas simples de segurança.

    Prevenção

    A orientação da entidade é investir na chamada identificação prévia de riscos que podem existir em cada ambiente onde a criança brinca, estuda e até mesmo circula. Nesse sentido, é preciso considerar as diferentes fases do desenvolvimento, com a adoção de cuidados adequados à idade e à capacidade da criança.

    Veja as recomendações de prevenção da SBP para cada idade:

  • até 1 ano: nunca deixar o bebê sozinho em locais altos, como cama, trocador, sofá ou cadeira. Preferir que brinque no chão, em ambiente protegido. Quando estiver aprendendo a sentar, manter supervisão próxima e usar proteção adequada para evitar quedas para trás. Ao carregar o bebê em escadas, apoiar-se no corrimão e evitar pisos molhados ou escorregadios. Não deixar o bebê sob os cuidados de outra criança;
  • 1 a 4 anos: instalar telas em janelas, sacadas e vãos desprotegidos e manter móveis e objetos longe desses locais. Evitar brincadeiras em superfícies molhadas ou escorregadias, principalmente em banheiros e áreas próximas a piscinas. Ao usar triciclos, patinetes ou skates, escolher equipamentos adequados à idade e ao peso, usar equipamentos de proteção e optar por locais seguros, nunca vias públicas. Redobrar a atenção com beliches e nunca deixar a criança sem supervisão de um adulto;
  • 5 a 9 anos: supervisionar brincadeiras em locais de maior risco, como árvores, muros, lajes e parques. Bicicletas, patinetes, skates e outros brinquedos de locomoção devem ser usados sempre com equipamentos de proteção, como capacete, joelheiras, cotoveleiras e tornozeleiras. Evitar o uso de celular e outras telas enquanto a criança estiver caminhando, brincando ou em movimento, especialmente em vias públicas, pois a distração aumenta o risco de acidentes.
  • Atenção redobrada

    Os dados mostram que, entre 2016 e 2025, as quedas foram mais frequentes na faixa etária de 5 a 9 anos (193,8 mil casos). Nessa fase, segundo a SBP, as crianças começam a se movimentar mais, como correr, brincar em parques, usar brinquedos e praticar esportes, apesar de ainda estarem desenvolvendo habilidades de equilíbrio e coordenação motora.

    Entre crianças de 1 a 4 anos, foram 110,1 mil hospitalizações. Entre menores de 1 ano, foram registrados 26,7 mil casos. Nessa faixa etária, a entidade destaca acidentes envolvendo quedas de leitos, que somaram 3,7 mil episódios.

    Internações por estado

    São Paulo lidera o ranking de internações por quedas entre crianças com menos de 10 anos: 71,7 mil notificações, de 2016 a 2025. Na sequência, aparece Minas Gerais, com 33,4 mil notificações. O estado da Bahia vem em seguida, com 27,2 mil episódios registrados.

    Outras unidades da Federação que também apresentaram números elevados são:

    1. Paraná (25,7 mil);
    2. Ceará (20,3 mil);
    3. Santa Catarina (16,9 mil);
    4. Rio Grande do Sul (16,6 mil);
    5. Rio de Janeiro (14,3 mil);
    6. Pará (14,2 mil).
  • Investigado por tráfico de drogas e homicídios no Amazonas é preso em Santa Catarina

    Investigado por tráfico de drogas e homicídios no Amazonas é preso em Santa Catarina

    Um homem de 24 anos, investigado por tráfico de drogas, associação para o tráfico, homicídio e financiamento ao tráfico de drogas, foi preso preventivamente na segunda-feira (19), na Praia do Rosa, em Imbituba, Santa Catarina. A prisão foi realizada pelo Departamento de Investigação sobre Narcóticos (Denarc), com apoio da Polícia Civil catarinense.

    Segundo as investigações, o suspeito teria fugido para Santa Catarina após descobrir a existência de um mandado de prisão contra ele. Ele é apontado pela polícia como integrante de um esquema de comercialização de entorpecentes na região da fronteira do Alto Rio Negro, no Amazonas, com distribuição para outros municípios e estados brasileiros.

    Ainda conforme a polícia, o investigado também seria responsável por intimidar indígenas e ordenar homicídios naquela região.

    Carga de drogas foi interceptada

    Durante as investigações, os policiais identificaram que uma carga de entorpecentes comercializada pelo suspeito seria enviada de Manaus para outros estados. Com base nas informações levantadas, equipes do Denarc, com apoio da Receita Federal, conseguiram interceptar o material ilícito.

    Diante dos elementos reunidos, a autoridade policial solicitou à Justiça a prisão preventiva do investigado. O mandado foi cumprido em frente à pousada onde ele estava hospedado, na Praia do Rosa, em Imbituba.

    A ação contou com o apoio da Delegacia de Repressão às Drogas da Diretoria Estadual de Investigações Criminais da Polícia Civil de Santa Catarina (DRD/Deic-SC).

    Suspeito já havia sido preso em Manaus

    O histórico policial do investigado inclui uma prisão em flagrante em 2021, quando ele foi detido com outro suspeito pelos crimes de tráfico de drogas e tentativa de homicídio contra policiais militares.

    A ocorrência foi registrada durante uma abordagem na Bola da Suframa, no bairro Distrito Industrial I, zona leste de Manaus.

    Em 2025, outra operação policial desarticulou um grupo criminoso do qual participavam o irmão do investigado e outros três suspeitos. Na ocasião, foram apreendidas drogas sintéticas, maconha do tipo skunk e chapéus e bonés personalizados com referências à organização criminosa.

    De acordo com as investigações, os entorpecentes apreendidos naquela operação seriam enviados para os estados do Pará, São Paulo e Espírito Santo.

    Investigado ficará à disposição da Justiça

    Após a prisão em Santa Catarina, o homem deverá ser encaminhado à unidade policial especializada para os procedimentos legais. Ele será submetido à audiência de custódia e permanecerá à disposição do Poder Judiciário.

    O investigado responde às apurações relacionadas a tráfico de drogas, associação para o tráfico, homicídio e financiamento ao tráfico de drogas.

    Com informações da assessoria.

  • Homem de 40 anos é preso suspeito de provocar incêndio em área de mata no Amazonas

    Homem de 40 anos é preso suspeito de provocar incêndio em área de mata no Amazonas

    Um homem de 40 anos foi preso em flagrante na terça-feira (20) suspeito de provocar um incêndio em uma área de vegetação no município de Careiro, a 88 quilômetros de Manaus. A prisão ocorreu durante a Operação Tamoiotatá, ação coordenada pelo Governo do Amazonas para combater crimes ambientais e reduzir as queimadas no estado.

    Durante as diligências, as equipes policiais identificaram um foco de incêndio em uma área de mata, onde vários pneus estavam sendo queimados. No local, o homem foi identificado como responsável pelo fogo e recebeu voz de prisão.

    Após a abordagem, o suspeito foi encaminhado à 34ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP) de Careiro, onde foram realizados os procedimentos legais. Ele responderá pelo crime de incêndio e ficará à disposição da Justiça.

    Operação combate queimadas no Amazonas

    A Operação Tamoiotatá realiza ações de fiscalização ambiental ao longo do ano, com mobilizações a cada 20 dias. Entre os principais objetivos da iniciativa estão o controle de queimadas, a identificação de focos de incêndio e o combate a práticas que provocam danos ao meio ambiente.

    As equipes atuam em diferentes municípios do Amazonas, incluindo Apuí, Autazes, Careiro e Humaitá, diante do aumento dos focos de incêndio.

    A operação reúne esforços para intensificar a fiscalização e responsabilizar pessoas suspeitas de envolvimento em crimes ambientais no estado.

  • Suspeito de pilotar moto roubada perde controle e bate em carro estacionado em Manaus

    Suspeito de pilotar moto roubada perde controle e bate em carro estacionado em Manaus

    Um homem suspeito de conduzir uma motocicleta roubada perdeu o controle do veículo e colidiu violentamente contra um carro estacionado na tarde de terça-feira (20), na avenida Jurunas, conjunto Boas Novas, bairro Cidade Nova, zona norte de Manaus. O acidente foi registrado por câmeras de vigilância da região.

    Segundo as imagens, o motociclista trafegava em alta velocidade enquanto era perseguido por dois homens em outro veículo. Durante a tentativa de emparelhar ou ultrapassar, ele perdeu o controle da direção, caiu na pista e atingiu a traseira de um Fiat Argo prata, que estava estacionado em frente à residência do proprietário.

    Apesar da força do impacto, o homem não sofreu ferimentos graves. Após a colisão, ele se levantou rapidamente, abandonou a motocicleta no local e fugiu a pé. Não há confirmação se os homens que o perseguiam conseguiram alcançá-lo.

    Motocicleta tinha registro de roubo

    A Polícia Militar foi acionada e uma equipe da 6ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom) atendeu à ocorrência. Durante a consulta à placa, os policiais constataram que a motocicleta, uma Yamaha 150 Factor preta, havia sido roubada no início da tarde do mesmo dia.

    O veículo foi apreendido e encaminhado ao 6º Distrito Integrado de Polícia (DIP), onde foram realizados os procedimentos cabíveis.

    Dono do carro registrou ocorrência

    O proprietário do Fiat Argo também compareceu à delegacia para registrar um Boletim de Ocorrência (BO) e solicitar o ressarcimento dos prejuízos causados pela colisão.

    O caso será investigado pela Polícia Civil do Amazonas, que deverá trabalhar para identificar o suspeito e esclarecer as circunstâncias da perseguição e do acidente.

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