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  • SUS vai oferecer medicamentos novos para doenças como o mal de Crohn e uveites

    SUS vai oferecer medicamentos novos para doenças como o mal de Crohn e uveites

    Em reunião da Comissão Intergestores Tripartite (CIT), realizada nesta quinta (27/9), em Brasília, o Ministério da Saúde e representantes de estados e municípios decidiram pela aquisição de novos medicamentos para atender públicos com doenças específicas.

    O SUS passará a adquirir, distribuir e ministrar esses nove novos medicamentos.

    • Para o cuidado de pessoas com vasculites associadas a Anca, um grupo de doenças inflamatórias nos vasos sanguíneos, a fase inicial do tratamento contará com a ciclofosfamida 50 mg, comprada e financiada diretamente pelos governos estaduais para atender cerca de 1,5 mil pessoas com orçamento de R$ 1,5 milhão.

    Na fase de manutenção da doença, que envolve cerca de 378 pessoas ao ano, o Ministério da Saúde comprará o rituximabe (100 mg e 500 mg, até R$ 29,8 milhões) e o metotrexato injetável (25 mg/mL, até R$ 4,4 milhões). Como alternativa nessa mesma etapa, os estados serão responsáveis pela compra da azatioprina 50 mg, com previsão de até R$ 6,7 milhões.

    • Na saúde ocular de crianças e adolescentes, o Ministério da Saúde fará a compra direta de dois remédios para tratar inflamações nos olhos (uveítes não infecciosas sem relação com artrite infantil). A medida prevê a oferta do metotrexato em comprimido de 2,5 mg para quase 3,3 mil jovens (R$ 35,6 mil) e do medicamento biológico adalimumabe 40 mg para 67 pacientes (R$ 54,1 mil).

    • Para a doença de Crohn, uma inflamação crônica no intestino, a pasta fará a aquisição do infliximabe 120 mg de aplicação sob a pele, apresentação que facilita a rotina do usuário e deve atender mais de 13,5 mil pessoas com quadros moderados a graves ou complicações locais. O investimento será de até R$ 59,1 milhões.

    • Para pessoas com doença renal crônica em fases mais avançadas, o Ministério da Saúde será responsável por transferir R$ 21,1 milhões para que as secretarias estaduais comprem o ciclossilicato de zircônio sódico 5 g, para controlar o excesso de potássio no sangue. Cerca de 4,8 mil pessoas deverão ser atendidas.

    Por fim, para situações de emergência por intoxicação por mercúrio, o Ministério da Saúde fará a gestão e a compra centralizada do DMSA (Succimer). O remédio atua para reduzir os efeitos do metal no corpo e poderá beneficiar aproximadamente 300 pessoas por ano, com orçamento de R$ 6 milhões.

    Saúde digital

    A Política Nacional de Informação e Saúde Digital (PNISD) foi pactuada nesta quinta-feira (27), em Brasília, durante a 8ª Reunião Ordinária da Comissão Intergestores Tripartite (CIT). A medida foi um dos principais destaques do encontro, que também definiu responsabilidades para a compra e a oferta de novos medicamentos no Sistema Único de Saúde (SUS) e avançou em pautas de vigilância e atenção especializada.

    A reunião foi conduzida pelo secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda. Na abertura dos trabalhos, ele destacou a importância dessa reunião. “Hoje vamos apresentar um conjunto de portarias que mudam a maneira como o Ministério da Saúde e o SUS vão gerenciar o atendimento à população”, afirmou.

    A PNISD é uma iniciativa do Ministério da Saúde (MS) para orientar a transformação digital do SUS, integrando informações de saúde, fortalecendo a telessaúde e ampliando o uso de tecnologias para facilitar o acesso da população às ações e aos serviços. A política também busca colocar o cidadão no centro do cuidado.

    Outro eixo é o compartilhamento de informações. A política assegura aos gestores estaduais, distrital e municipais acesso direto, contínuo, estruturado, tempestivo e rastreável às bases dos Sistemas de Informação de Base Nacional e aos dados trafegados ou disponibilizados pela Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) referentes aos respectivos territórios, observadas as normas de proteção de dados pessoais, sigilo e segurança da informação.

    Ao apresentar a política, a secretária de Informação e Saúde Digital do MS, Maria Aparecida Cina da Silva, destacou que a iniciativa chega em um momento de amadurecimento da transformação digital do SUS. “Todos esses elementos tiveram grande sucesso e colocaram o Brasil em outro patamar de reconhecimento do seu processo de transformação digital, nacional e internacionalmente. Diante de todos esses elementos, a gente considera que há maturidade para apresentar essa política”, afirmou Cida.

    A implementação da PNISD contará com recursos do Ministério da Saúde destinados aos Fundos de Saúde dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, além da possibilidade de outros instrumentos de financiamento. Serão consideradas as disparidades regionais, as desigualdades no acesso às tecnologias digitais em saúde, a maturidade digital dos entes federativos, a conectividade e a infraestrutura tecnológica. O monitoramento e a avaliação serão realizados de forma contínua, sistemática, transparente e articulada entre as três esferas de gestão do SUS.

      Eliminação da tuberculose e outras pautas

    O Programa Nacional de Eliminação da Tuberculose como Problema de Saúde Pública também foi aprovado durante a CIT. A iniciativa busca aprimorar as ações de vigilância, prevenção, diagnóstico e tratamento em todo o país, com atenção especial às populações mais vulneráveis e à redução dos impactos sociais e econômicos da doença. O programa está alinhado às diretrizes e metas do Plano Nacional pelo Fim da Tuberculose como Problema de Saúde Pública 2026-2030.

    Também estiveram em debate a Diretriz Nacional para Vigilância em Saúde de Populações Expostas a Poluentes Atmosféricos (Vigiar) e a organização e operacionalização da imunização neonatal, inclusive nos estabelecimentos privados de saúde, além da cobertura da terceira dose contra hepatite B para fins de certificação da eliminação da doença.

    A CIT também pactuou a Política Nacional de Saúde Integral da População Quilombola (PNASQ) e avançou na implementação do Componente da Assistência Farmacêutica em Oncologia (AF Onco), voltado à organização, ao financiamento e à padronização do acesso a medicamentos contra o câncer no SUS.

    Na atenção especializada, foi apresentado o Painel de Monitoramento da Radioterapia, ferramenta que reúne informações sobre capacidade instalada, equipamentos e vagas disponíveis no SUS e permitirá aproximar os dados das centrais de regulação da oferta efetivamente disponível nos serviços.

    Ministério da Saúde

  • Matas em chamas: como o calor e a seca asfixiam a Europa e a América do Norte

    Matas em chamas: como o calor e a seca asfixiam a Europa e a América do Norte

    A seca severa e as temperaturas recorde de verão nos Estados-membros da Comissão Económica das Nações Unidas para a Europa, Unece, aceleram o stress nos ecossistemas florestais europeus e norte-americanos.

    De acordo com o Observatório Europeu da Seca, EDO, 50% do território da União Europeia e do Reino Unido enfrenta défices de precipitação, o que compromete a humidade dos solos e a saúde das florestas.

    Morte florestal sem precedentes 

    A Unece sublinha que a combinação de crises de seca, stresse térmico, riscos de incêndios florestais, pragas e doenças provoca uma mortalidade florestal sem precedentes.

    Na Europa Ocidental e Central, a escassez histórica de precipitação provocou a perda de folhas e danos na copa das árvores.

    Estima-se ainda que as perturbações causadas por insetos, doenças e condições meteorológicas já afetaram até 73 milhões de hectares em toda a região, segundo o Perfil Florestal da Unece de 2025.

    Adobe Stock/Arafat Um bombeiro observa os restos fumegantes de um incêndio florestal no sul da França

    Espécies sofrem impactos de ondas de calor 

    As espécies que habitam nas árvores de áreas urbanas também têm sofrido os impactos das ilhas de calor urbanas extremas e da escassez de água.

    Estes fenómenos não só ameaçam as defesas climáticas dos municípios, como também contribuem para degradação da qualidade do ar e para o bem-estar da sua população, adverte a Unece.

    De forma a capacitar a resposta coletiva a estes riscos crescentes, os Estados-membros da comissão da ONU passam de uma gestão reativa de crises para estruturas de adaptação proativas e de longo prazo.

    Novos desafios, novas respostas 

    No âmbito da realização do Comité de Florestas e Indústria Florestal da Unece, programada para novembro deste ano, os Estados-membros têm avançado com metodologias para acompanhar os danos florestais.

    É o caso da aposta em metodologias inovadoras, capazes de rastrear danos abióticos, incluindo secas, tempestades e incêndios florestais, e agentes bióticos, como as pragas e agentes patogénicos.

    Ao mesmo tempo, vários municípios têm apostado na expansão da cobertura vegetal urbana resiliente, na mitigação do stress térmico e na integração de infraestruturas verdes no seu planeamento urbano.

    A Unece destaca ainda a promoção ativa de reformas no setor florestal, para a utilização circular da madeira e a valorização sustentável dos produtos lenhosos, garantindo assim a sua estabilidade económica.

  • Disque 100: a denúncia pode ser anônima? Tire suas dúvidas

    Disque 100: a denúncia pode ser anônima? Tire suas dúvidas

    Quem presencia, sofre ou tem conhecimento de uma possível violação de direitos humanos pode procurar o Disque Direitos Humanos – Disque 100 para fazer uma denúncia. E uma das principais dúvidas de quem utiliza o serviço é sobre a necessidade de se identificar: afinal, é possível denunciar sem informar o nome?

    A resposta é sim. No Disque 100, a denúncia pode ser feita de forma anônima, sem que o denunciante informe seus dados pessoais durante o atendimento. O serviço funciona gratuitamente, 24 horas por dia, todos os dias da semana, e pode ser procurado tanto pela própria vítima quanto por qualquer pessoa que tenha conhecimento ou suspeita de uma violação de direitos humanos.

    Além do anonimato, dúvidas sobre sigilo, acompanhamento, informações necessárias e destino das denúncias também são comuns. Confira as principais orientações sobre o funcionamento do Disque 100.

    1. As denúncias no Disque 100 podem ser anônimas?
    Sim. A pessoa que procura o Disque 100 pode fazer uma denúncia sem se identificar. Para isso, não é obrigatório fornecer nome, CPF, RG ou outro documento pessoal do denunciante.

    O anonimato diz respeito à identidade de quem faz a denúncia. Por isso, mesmo sem informar seus próprios dados, o denunciante deve, sempre que possível, fornecer informações que ajudem a identificar a situação relatada e permitam seu encaminhamento aos órgãos competentes.

    2. Anonimato e sigilo são a mesma coisa?
    Não. Embora os dois conceitos estejam relacionados à proteção de quem procura o serviço, anonimato e sigilo têm significados diferentes.

    Na denúncia anônima, a pessoa não fornece informações que permitam identificá-la como denunciante. Ou seja, seus dados pessoais não integram o registro porque não foram informados.

    Já o sigilo se aplica às situações em que o denunciante fornece seus dados pessoais, mas essas informações recebem tratamento protegido e não devem ser divulgadas indevidamente.

    Assim, quem não deseja informar a própria identidade pode optar pelo anonimato. Quem se identifica conta com a proteção das informações pessoais conforme as regras aplicáveis ao serviço. Em todos os casos, todas as informações da vítima e do denunciante são sigilosas: o Disque 100 encaminha apenas aos órgãos competentes de proteção e apuração.

    3. Se a denúncia é anônima, quais informações preciso fornecer?
    Não é necessário informar o próprio nome para explicar o que está acontecendo. Durante o atendimento, podem ser solicitadas informações sobre a violação, mas o foco está nos dados relacionados ao fato denunciado, e não nos dados pessoais de quem faz o relato.

    Não saber responder a todas as perguntas, no entanto, não impede o registro. A pessoa pode comunicar a situação com as informações de que dispõe, mas quanto mais detalhado for o relato, maiores são as possibilidades de que os órgãos responsáveis consigam identificar a situação e adotar as providências cabíveis.

    Entre as informações que podem ajudar, estão: o que aconteceu; quem é a vítima; onde e quando ocorreu a situação; quem seria o possível autor da violação; se a situação ainda está acontecendo; e outros detalhes que possam contribuir para a identificação e o encaminhamento do caso.

    4. Preciso ser a vítima para denunciar?
    Não. Qualquer pessoa pode comunicar uma possível violação de direitos humanos da qual seja vítima ou tenha conhecimento.

    Isso significa que familiares, amigos, vizinhos, profissionais ou qualquer outra pessoa que tenha conhecimento de uma situação podem procurar o serviço. A denúncia também pode ser realizada de forma anônima nesses casos.

    5. Preciso apresentar provas para fazer a denúncia?
    Não é necessário apresentar provas para entrar em contato com o Disque 100 e relatar uma possível violação de direitos humanos.

    A pessoa deve fornecer as informações que possui sobre o caso. A denúncia será analisada e encaminhada aos órgãos competentes de acordo com a natureza da situação relatada.

    Também não é recomendado que o denunciante se coloque em risco, confronte envolvidos ou tente investigar a situação por conta própria para obter informações adicionais.

    6. É possível acompanhar o encaminhamento de uma denúncia anônima?
    Sim. Ao registrar uma denúncia, é gerado um número de protocolo, que deve ser guardado pelo denunciante.

    Para acompanhar o registro posteriormente, é possível entrar em contato novamente com o Disque 100, informar o número do protocolo e confirmar os dados da denúncia.

    Por isso, o protocolo é especialmente importante para quem optou pelo anonimato: ele permite consultar o registro sem que seja necessário fornecer previamente dados pessoais para se identificar como denunciante.

    7. Para onde vai a denúncia feita ao Disque 100?
    O Disque 100 recebe, analisa e encaminha as denúncias aos órgãos de proteção, defesa e responsabilização em direitos humanos, respeitando as atribuições de cada instituição.

    O órgão acionado depende das características da violação relatada. Conforme o caso, o encaminhamento pode envolver instituições e serviços responsáveis pela proteção da vítima, apuração dos fatos ou responsabilização dos envolvidos.

    8. Quando devo procurar o Disque 100?
    O serviço recebe denúncias relacionadas a violações de direitos humanos, especialmente aquelas que atingem pessoas e grupos em situação de vulnerabilidade.

    Podem ser comunicadas situações envolvendo, entre outros públicos, crianças e adolescentes, pessoas idosas, pessoas com deficiência, população LGBTQIA+, população em situação de rua, povos indígenas, quilombolas e outras comunidades tradicionais, migrantes e refugiados.

    Também são recebidas denúncias relacionadas a temas como tráfico de pessoas, trabalho análogo à escravidão, conflitos agrários e urbanos, discriminação, violência policial e violência contra comunicadores e jornalistas.

    9. E se a situação for uma emergência?
    O Disque 100 pode receber denúncias de violações que acabaram de ocorrer ou que ainda estão em curso. No entanto, quando houver uma situação de emergência, risco imediato à vida ou crime acontecendo naquele momento, a orientação é acionar diretamente a Polícia Militar pelo telefone 190, para possibilitar uma resposta emergencial.

    A denúncia ao Disque 100 também pode ser registrada para que a violação de direitos humanos seja formalizada e encaminhada aos órgãos competentes.

    10. Quais são os canais disponíveis para fazer uma denúncia?
    O Disque 100 funciona gratuitamente, 24 horas por dia, todos os dias da semana, inclusive sábados, domingos e feriados. As denúncias podem ser realizadas pelos seguintes canais:

    Telefone: disque 100, gratuitamente, de qualquer telefone fixo ou celular;
    WhatsApp: (61) 99611-0100 ;
    Telegram: busque por “ DireitosHumanosBrasil ” no aplicativo;
    Web: atendimento por chat ;
    Atendimento em Libras: videochamada em Língua Brasileira de Sinais (Libras);
    E-mail: ouvidoria@mdh.gov.br
    Presencialmente: na Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, em Brasília (DF) .

  • Manaus abre lote exclusivo para PcDs no ‘#SouManaus Passo a Paço 2026’ neste sábado

    Manaus abre lote exclusivo para PcDs no ‘#SouManaus Passo a Paço 2026’ neste sábado

    A Prefeitura de Manaus, por meio da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (ManausCult), informa que o lote exclusivo para Pessoas com Deficiência (PcDs) do “#SouManaus Passo a Paço 2026” será aberto neste sábado, 29/8, às 19h, garantindo acessibilidade e inclusão no festival.

    Para ter acesso, no momento da inscrição, é obrigatório enviar laudo médico ou Carteira de Identificação da Pessoa com Deficiência (CIPCD) pela própria plataforma do festival: soumanauspassoapaco.com.br. A retirada da pulseira será liberada somente após a aprovação da documentação.

    Os interessados devem ficar atentos ao cronograma: as inscrições serão abertas no dia 29 de agosto, às 19h; a verificação dos laudos ocorrerá no dia 30 de agosto; a lista de contemplados será divulgada no dia 31 de agosto, às 16h; e a entrega das credenciais acontecerá nos dias 1º e 2 de setembro, das 9h às 14h, na sede da Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Cidadania (Semasc), mediante a entrega de 1 quilo de alimento não perecível.

    A ManausCult reforça que o lote é exclusivo para pessoas com deficiência e orienta o público a aguardar a abertura desta modalidade, não sendo necessário realizar inscrição nos lotes convencionais.

    Mais informações serão divulgadas nos canais oficiais da Prefeitura de Manaus e do “#SouManaus Passo a Paço 2026”.

  • Caso de violência doméstica entre irmãs deve ser analisado em Juizado Especializado no Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher

    Caso de violência doméstica entre irmãs deve ser analisado em Juizado Especializado no Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher

    A competência para analisar e julgar processo envolvendo violência doméstica entre irmãs é de Juizado Especializado no Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, e não de Vara Criminal, conforme acórdão das Câmaras Reunidas do Tribunal de Justiça do Amazonas.

    O julgamento ocorreu na sessão de 26/8, no Conflito de Jurisdição n.º 04XXXXX-XX.2024.8.04.0001, que por sua natureza tramita em segredo de Justiça. Por maioria de votos, o colegiado firmou o entendimento com base no voto divergente proferido pela desembargadora Ida Maria Costa de Andrade.

    De acordo com seu voto, a incidência da Lei n.º 11.340/2006, em caso de violência doméstica entre irmãs, dispensa a demonstração de motivação de gênero para que o processo seja julgado pelo Juizado Especializado, e isso fica claro na Lei n.º 14.550/2023 (que alterou a anterior), a qual afastou expressamente a exigência desse tipo de motivação.

    A Lei n.º 11.340/2006 traz em seu artigo 5.º, inciso II, que configura violência doméstica e familiar contra a mulher qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial, ocorrida no âmbito da família, compreendida como a comunidade formada por indivíduos que são ou se consideram aparentados, unidos por laços naturais, por afinidade ou por vontade expressa.

    O artigo 40-A da Lei n.º 11.340/2006 (acrescentado pela Lei n.º 14.550/2023), define que a lei será aplicada a todas as situações previstas no seu artigo 5.º, independentemente da causa ou da motivação dos atos de violência e da condição do ofensor ou da ofendida.

    A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que “a ‘Lei Maria da Penha’ protege a mulher em situação de vulnerabilidade em contexto de violência doméstica, independentemente de coabitação ou do gênero do agressor” (AgRg no REsp n.º 2.170.560/PR) e de que a hipossuficiência e a vulnerabilidade da mulher são presumidas em todas as relações elencadas no artigo 5.º da “Lei Maria da Penha”, sendo desnecessária a demonstração específica de subjugação feminina (AgRg na MPUMP n.º 6/DF).

    “A competência do Juizado Especializado, na espécie, decorre da conjugação de três elementos objetivos e verificáveis de plano: vítima mulher, vínculo familiar consanguíneo e violência praticada no âmbito doméstico. Nada mais reclama a lei, e nada mais pode reclamar o Estado-juiz sem incorrer em restrição que o texto normativo não comporta”, afirma a desembargadora Ida Maria Costa de Andrade em seu voto.

  • Dois réus são condenados a 196 anos por mortes em motim em Manaus

    Dois réus são condenados a 196 anos por mortes em motim em Manaus

    A 1.ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Manaus concluiu, na tarde de quinta-feira (27/8), o julgamento da Ação Penal n.º 0058630-63.2026.8.04.1000. O processo trata de crimes de homicídio cometidos por internos da antiga Cadeia Pública Desembargador Raimundo Vidal Pessoa – que funcionava na Av. Sete de Setembro, no Centro de Manaus -, durante uma motim ocorrido na madrugada do dia 8 de janeiro de 2017, na unidade prisional

    Dos quatro réus julgados, dois foram condenados, cada um, a penas que somam 196 anos de reclusão, enquanto os outros dois foram totalmente absolvidos pelo Conselho de Sentença.

    Fabrício Duarte Araújo foi condenado por quatro homicídios qualificados consumados (vítimas: Tássio Caster, Rildo Silva, Fernandes Gomes e Rubiron Cardoso) e seis homicídios qualificados tentados (vítimas: Márcio Pessoa, Anderson Gustavo, Omar Melo, Leandro da Silva, Bruno Queiroz e Fabiano Pereira). Fabrício foi absolvido da tentativa de homicídio contra Douglas Costa de Mesquita por negativa de autoria. Quanto ao crime de vilipêndio a cadáver, teve a punibilidade extinta pela prescrição.

    Rômulo Brasil da Costa foi condenado por quatro homicídios qualificados consumados (vítimas: Tássio Caster, Rildo Silva, Fernandes Gomes e Rubiron Cardoso) e seis homicídios qualificados tentados (vítimas: Márcio Pessoa, Anderson Gustavo, Omar Melo, Leandro da Silva, Bruno Queiroz e Fabiano Pereira). Rômulo foi absolvido do homicídio qualificado contra Douglas Costa de Mesquita por negativa de autoria e também teve a punibilidade extinta pelo crime de vilipêndio a cadáver devido à prescrição.

    Ambos foram condenados pelas qualificadoras de meio cruel, motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima e deverão iniciar o imediato cumprimento provisório da pena até o trânsito em julgado da sentença.

    Aílton Santos da Silva e Herrison Ilemy da Silva Lobato, réus no mesmo processo, foram absolvidos de todas as acusações pelo Conselho de Sentença. Em razão disso, tiveram revogadas todas as medidas cautelares vigentes e, caso não estejam cumprindo pena por outros crimes, serão postos em liberdade.

    A sessão de julgamento, que iníciou na manhã de segunda-feira (24), foi presidida pelo juiz de direito Rafael Rodrigo da Silva Raposo. Os promotores de justiça Fabrício Santos Almeida e Marcelo Bitarães de Souza Barros atuaram pelo Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE/AM). Os réus foram representados pela Defensoria Pública.

    Denúncia

    Na madrugada do dia 8 de janeiro de 2017, por volta das 2h30, na Cadeia Pública Desembargador Raimundo Vidal Pessoa (CPDRVP), no Centro de Manaus/AM, internos pertencentes a uma facção criminosa desencadearam um motim.

    Os detentos haviam sido transferidos do Compaj após o massacre ocorrido em 1.º de janeiro de 2017. Segundo a denúncia, o ataque na Vidal Pessoa foi promovido em retaliação à ação da facção rival, visando exterminar rivais e alvos específicos chamados “vulneráveis” ou delatores.

    Durante o motim, os rebelados arrombaram celas com barras de ferro, usaram facas, terçados, estoques e pernas-mancas, atearam fogo em colchões para sufocar presos na Cela 5 e executaram atos de extrema barbárie (decapitações, remoção de órgãos e mutilações). Na oportunidade, quatro internos morreram e sete ficaram feridos.

    Este foi o terceiro julgamento realizado pela 1.ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Manaus envolvendo processos desmembrados, devido à complexidade do caso, da Ação Penal n.º 0211549-42.2017.8.04.0001.

    Em 27 de fevereiro deste ano, os réus Janderson Rolim Matos (“Passarinho”), Ronildo Nogueira da Silva (“Canela”) e Jones dos Remédios Martins (“Bactéria”) foram condenados. Janderson recebeu a pena de 282 anos de prisão, Ronildo foi condenado a 36 anos e Jones a 50 anos de prisão.

    No primeiro julgamento, em julho de 2025, o réu João Pedro de Oliveira Rosa Rodrigues foi condenado a 168 anos de prisão.

    Há, ainda, um quarto processo a ser julgado.

  • Trabalhador morre após acidente durante montagem de alegoria em Manacapuru

    Trabalhador morre após acidente durante montagem de alegoria em Manacapuru

    O trabalhador Jhone Salgado Martins, conhecido como Nico, de 45 anos, morreu na tarde desta sexta-feira (28), após sofrer um acidente durante a montagem de uma alegoria da Ciranda Flor Matizada, em Manacapuru, no interior do Amazonas.

    O acidente aconteceu por volta das 14h, no Parque do Ingá, onde a equipe realizava os últimos preparativos para a apresentação no Festival de Cirandas.

    Nico, que era soldador e morava em Parintins, recebeu os primeiros socorros do Corpo de Bombeiros e foi levado ao Hospital Geral de Manacapuru. Ele deu entrada em estado grave, mas não resistiu aos ferimentos.

    A apresentação da Flor Matizada estava prevista para a noite desta sexta-feira, durante a abertura do festival.

    As circunstâncias do acidente serão investigadas pelos órgãos competentes. A Prefeitura de Manacapuru lamentou a morte e prestou solidariedade aos familiares, amigos e integrantes da agremiação.

  • Adolescente de 15 anos é apreendido após atacar professor com nove facadas em Manaus

    Adolescente de 15 anos é apreendido após atacar professor com nove facadas em Manaus

    Um adolescente de 15 anos foi apreendido na quinta-feira (27), em Manaus, suspeito de atacar a facadas o professor Vinicius Siqueira Figueiredo, de 23 anos. O jovem é investigado por ato infracional análogo à tentativa de homicídio.

    Segundo a defesa do professor, o ataque aconteceu na noite de quarta-feira (26) e teria sido premeditado após o adolescente receber uma nota baixa. O aluno teria levado uma faca escondida para o local e desferido nove golpes contra Vinicius.

    O professor foi socorrido pelo Samu e encaminhado a uma unidade da rede estadual de saúde. Exames não identificaram lesões internas na região abdominal e, após avaliação médica, ele recebeu alta.

    A apreensão ocorreu durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão por agentes da Delegacia Especializada em Apuração de Atos Infracionais (Deaai).

    A advogada Caroline Frota também afirmou que o pai do adolescente, apontado como professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), teria ido ao local após o ataque, visto o professor ferido e deixado a área sem prestar assistência.

    O caso segue sob investigação da Polícia Civil. A Universidade do Estado do Amazonas (UEA), onde Vinicius é estudante de Engenharia Civil, manifestou solidariedade ao professor.

  • Corpo é encontrado dentro de canoa em Tabatinga

    Corpo é encontrado dentro de canoa em Tabatinga

    O corpo de um homem ainda não identificado foi encontrado nesta quinta-feira (27) dentro de uma canoa, às margens do rio Solimões, na região da ponta da Ilha de Sacambú I, município de Tabatinga (a 1.108 quilômetros a oeste de Manaus). O corpo foi localizado por jovens pescadores da comunidade indígena de Vera Cruz, pertencente ao município de São Paulo de Olivença (a 985 quilômetros a oeste de Manaus).

    Até o momento, não há informações sobre as circunstâncias em que o homem morreu, nem sobre sua identidade, sua origem ou a comunidade à qual pertencia. Também não foi possível confirmar se a pessoa era indígena Tikuna ou não indígena.

    A causa da morte será investigada.

  • Nepal em alerta: novo risco de enxurrada suspende resgates

    Nepal em alerta: novo risco de enxurrada suspende resgates

    A dimensão do desastre que atingiu a área fronteiriça entre o Nepal e a Região Autónoma do Tibete, na China, continua a mobilizar as equipes de resgate, enquanto um novo alerta de inundação chegou a paralisar as operações em curso.

    Segundo autoridades locais, 538 corpos foram recuperados da zona arrasada. O impacto do fenômeno é classificado pelas Nações Unidas como “imenso e sem precedentes na história recente da região”.

    Comunidades inteiras e infraestruturas 

    O desastre, causado pelo colapso de uma geleira seguido por deslizamentos de terra, destruiu comunidades inteiras e infraestruturas vitais, incluindo estradas e pontes cruciais para o transporte de suprimentos.

    Segundo o Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários, Ocha, além das centenas de mortos, quase 3.750 pessoas foram salvas.

    © Unicef/Robic Upadhayay Suprimentos de emergência estão sendo preparados para serem entregues às comunidades afetadas pelas enchentes no Nepal.

    No entanto, o cenário ainda é dramático, com cerca de 1 mil desaparecidos no Nepal. Grande parte destas vítimas eram turistas. Do outro lado da fronteira, as autoridades chinesas procuram por cerca de 560 pessoas.

    A escalada do perigo forçou a interrupção repentina das missões de observação no terreno. Na quinta-feira, a coordenadora residente da ONU no Nepal, Lila Yahia, teve a sua visita à zona de desastre encurtada devido à emissão de um novo alerta de cheias.

    Riscos constantes

    Houve momentos de emoção ao testemunhar o resgate de famílias inteiras que acabavam de ser retiradas dos escombros. A responsável contou ainda que os esforços de busca e salvamento prosseguem numa corrida contra o tempo, apesar dos riscos constantes.

    As equipes de socorro trabalham sem interrupção para alcançar as comunidades isoladas nos distritos nepaleses de Rasuwa, Nuwakot e Dhading.

    © OMS Agências em ação acompanham desdobramentos de crise humanitária sem precedentes na região

    Para mitigar o sofrimento dos afetados, as Nações Unidas mobilizaram uma resposta de emergência, fornecendo alimentos, equipamentos de logística, tendas e kits médicos para uso de cerca de 10 mil pessoas durante três meses.

    O apoio inclui também a disponibilização de imagens de satélite e análises detalhadas da área atingida para orientar as operações no terreno.

    Sério risco de surtos de doenças

    Em paralelo a estes esforços, a Organização Mundial da Saúde, OMS, alertou, em Genebra, para o sério risco de surtos de doenças infeciosas, impulsionado pelo deslocamento em massa, sobrelotação dos abrigos e corte nos serviços de água e saneamento.

    Para o Fundo da ONU para a Infância, Unicef, a crise afeta diretamente o futuro das crianças, uma vez que dezenas de escolas ficaram danificadas e cerca de 10 mil estudantes estão sem apoio para continuar a sua educação perto das margens dos rios ainda sob risco.

    O chefe do Escritório das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastres, Undrr, Kamal Kishore, sublinhou que a situação atual é marcada por incerteza e risco extremamente elevado, uma vez que o próprio desastre ainda não terminou.

    O representante frisou que a tragédia evidencia a fragilidade dos ecossistemas de montanha e a complexidade de implementar sistemas de alerta precoce nestes ambientes.

    Em parceria com a ONU, a Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho manifestou profunda preocupação com a ameaça de inundações secundárias. Estima-se que pelo menos 93 mil pessoas necessitem de ajuda humanitária urgente na região.

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