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  • Prazo para empresas escolherem modelo do Simples acaba nesta sexta

    Prazo para empresas escolherem modelo do Simples acaba nesta sexta

    Os micro e pequenos empresários precisam ficar atentos. Acaba nesta sexta-feira (30) o prazo para a escolha do regime tributário que entrará em vigor em janeiro, com a reforma tributária.

    Os negócios que desejarem recolher o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) pelo regime regular terão até sexta-feira para registrar a opção. Quem não fizer a escolha continuará a recolher pelo regime simplificado, que tem uma alíquota variável por tipo e tamanho de negócio posteriormente rateada em diversos tributos.

    Também na sexta-feira acaba o prazo para as empresas regularizarem as pendências que impediram o ingresso no Simples Nacional. O prazo de opção pelo regime acabou no dia 15.

    O Simples Nacional é um regime simplificado de tributação para quem fatura até R$ 4,8 milhões por ano. Por causa do novo sistema tributário, o Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN) antecipou a escolha do regime tributário.

    As empresas que desejarem ingressar no regime em 2027 devem fazer o pedido até 30 de outubro. Até então, a opção pelo Simples era realizada em janeiro de cada ano.

    A data limite acabaria em 30 de setembro, mas, após diálogo com o Conselho Federal de Contabilidade e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o CGSN estendeu o prazo para 15 de outubro.

    O novo prazo foi regulamentado por resolução do CGSN editada no fim de setembro. As normas incorporaram ao regime simplificado o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), tributos criados pela reforma tributária sobre o consumo.

    As micro e pequenas empresas têm de 3 de novembro a 20 de dezembro para desistir das opções. O prazo vale tanto para reverter a inclusão no Simples como para cancelar o recolhimento do IBS e da CBS a partir de 2027.

    O que muda

    A nova regra vale para empresas que ainda não são optantes pelo Simples Nacional e querem utilizar o regime a partir de janeiro de 2027.

    Os novos prazos são:

  •     1º de setembro a 15 de outubro de 2026: período para solicitar a opção pelo Simples Nacional para 2027;
  •     1º de setembro a 30 de outubro de 2026: escolha do regime regular da CBS e do IBS para o primeiro semestre de 2027;
  •     30 de outubro de 2026: regularização de pendências que tenham impedido opção pelo Simples Nacional;
  •     3 de novembro a 20 de dezembro de 2026: prazo para desistir das opções.
  • As seguintes datas estão mantidas:

  •     1º de janeiro de 2027: início dos efeitos da opção;
  •     1º a 31 de março de 2027: nova oportunidade para escolher o recolhimento do IBS e da CBS pelo regime regular, com efeitos no segundo semestre.
  • Criada por causa da transição para o novo sistema tributário, a alteração busca dar mais previsibilidade às empresas antes do início do ano-calendário.

    IBS e CBS

    Outra mudança envolve a forma de recolhimento do IBS e da CBS. A empresa poderá permanecer no Simples Nacional e, simultaneamente, optar pelo recolhimento desses dois tributos pelo regime regular.

    Para o primeiro semestre de 2027, a escolha deveria ter sido feita em setembro, com validade de janeiro a junho.

    Quem não fez a opção pelo regime regular nesse período permanecerá, no primeiro semestre, com IBS e CBS dentro da sistemática do Simples.

    A decisão poderá ser revista em março de 2027, com efeitos para o segundo semestre.

    A escolha pode ter impacto especialmente para empresas que vendem para outras empresas, devido à possibilidade de geração e aproveitamento de créditos tributários.

    Por isso, a avaliação do regime não deve considerar apenas a alíquota. Também entram na análise fatores como:

  •     perfil dos clientes;
  •     cadeia de fornecedores;
  •     possibilidade de geração e aproveitamento de créditos;
  •     formação de preços;
  •     impacto dos novos tributos no fluxo financeiro.
  • Optantes

    Quem já está no Simples Nacional, em regra, não precisa solicitar novamente a permanência no regime.

    Ainda assim, é recomendado verificar a situação fiscal da empresa em setembro deste ano para identificar eventuais pendências ou exclusões para 2027.

    As empresas que permanecerem no Simples e não quiserem recolher IBS e CBS pelo regime regular não precisarão fazer uma nova opção.

    Quem quiser retirar esses dois tributos da sistemática do Simples deverá formalizar a escolha dentro do prazo estabelecido.

    Abertura

    As empresas abertas entre 1º de outubro e 31 de dezembro de 2026 terão uma regra específica.

    Nesse caso, a opção pelo Simples Nacional feita no momento da inscrição do CNPJ produzirá efeitos tanto para o período restante de 2026 quanto para todo o ano de 2027.

    A escolha relacionada ao IBS e à CBS pelo regime regular também poderá ser feita na abertura da empresa, com efeitos a partir de janeiro de 2027.

    Se o empresário não quiser permanecer no Simples em 2027, poderá solicitar a exclusão por opção até o último dia de 2026.

    Desistência

    A antecipação da opção também criou uma possibilidade de desistência.

    Quem fez o pedido até 15 de outubro poderá cancelar a solicitação até 30 de novembro de 2026.

    O cancelamento, porém, será irretratável. Isso significa que, depois de desistir, a empresa não poderá fazer uma nova opção para produzir efeitos em 2027.

    A antecipação também permite que eventuais pendências sejam identificadas antes do início do ano. Em caso de indeferimento por problemas que possam ser regularizados, a empresa terá prazo para corrigir a situação.

    Regra do MEI

    A mudança não altera o calendário de opção pelo Simei, sistema aplicável ao Microempreendedor Individual (MEI).

    Para o MEI, a opção pelo Simei continua sendo realizada em janeiro de cada ano, até o último dia útil do mês.

    Dessa forma, a antecipação para setembro não deve ser confundida com as regras específicas aplicáveis aos microempreendedores individuais.

    NFS-e nacional

    Outra mudança anunciada pelo CGSN envolve a emissão da Nota Fiscal de Serviço eletrônica (NFS-e) no emissor nacional.

    A obrigatoriedade para empresas optantes pelo Simples Nacional foi adiada de 1º de setembro para 1º de novembro de 2026.

    O adiamento busca dar mais tempo para municípios e empresas realizarem adaptações tecnológicas e operacionais.

    Entre as providências recomendadas estão:

  •     testar a emissão das notas;
  •     verificar a integração com sistemas de gestão;
  •     conferir a parametrização dos dados fiscais;
  •     preparar os procedimentos internos antes do início da obrigatoriedade.
  • A regulamentação também altera a forma de prestação de informações fiscais e socioeconômicas.

    A Declaração de Informações Socioeconômicas e Fiscais (Defis) deixará de ser apresentada como declaração separada. As informações passarão a ser incorporadas ao Programa Gerador do Documento de Arrecadação do Simples Nacional – Declaratório (PGDAS-D), com entrega anual de janeiro a março.

    A mudança faz parte da adaptação do Simples Nacional ao novo modelo tributário.

    Planejamento

    Com setembro concentrando decisões relevantes para o próximo ano, especialistas recomendam que empresas e contadores antecipem a análise tributária.

    A escolha entre manter IBS e CBS no Simples ou recolhê-los pelo regime regular pode produzir efeitos diferentes dependendo do setor, dos fornecedores e do perfil dos clientes.

    Por isso, antes de formalizar a opção, a recomendação é que a micro e pequena empresa simule os dois cenários, além de revisar os sistemas, a emissão de notas fiscais e planejar o caixa para 2027.

  • Gramática da Língua Kambeba ganha edição impressa e fortalece a preservação do patrimônio cultural indígena na Amazônia

    Gramática da Língua Kambeba ganha edição impressa e fortalece a preservação do patrimônio cultural indígena na Amazônia

    Uma língua preserva histórias, conhecimentos, modos de viver e a identidade de um povo. No dia 27 de outubro, a Gramática da Língua Kambeba ganhará uma edição impressa, ampliando o acesso a esse patrimônio cultural e fortalecendo a transmissão dos conhecimentos ancestrais às novas gerações.

    Desenvolvida pelo professor Raimundo
    Cruz da Silva Kambeba e pelo professor e doutor em Linguística Ademar dos Santos Lima, a obra registra e valoriza a língua e os conhecimentos do povo Kambeba, também conhecido como Omágua, historicamente associado aos povos das águas da Amazônia.

    A iniciativa de impressão e entrega é da jovem embaixadora de impacto social Joana Gastaldi, em parceria com a Amazônia B, o Instituto Ecoleta e a comunidade indígena Três Unidos, localizada às margens do rio Cuieiras, no Amazonas.

    A preservação das línguas indígenas é fundamental para a continuidade dos conhecimentos tradicionais e da identidade dos povos originários. Essa importância é reforçada pela Década Internacional das Línguas Indígenas (2022–2032), que alerta para o risco de desaparecimento desses idiomas e incentiva ações de documentação, revitalização e educação linguística. Nesse contexto, a edição impressa da gramática contribui para a valorização da cultura Kambeba e o acesso das novas gerações à própria história.

    Para o professor Raimundo Cruz da Silva Kambeba, a obra também representa uma ferramenta para fortalecer a educação intercultural, aproximando os conhecimentos tradicionais dos conteúdos ensinados nas escolas.

    “A educação intercultural é muito importante porque permite que os nossos conhecimentos tradicionais caminhem junto com aquilo que os jovens aprendem na escola. Quando valorizamos a nossa língua, a nossa cultura e os nossos saberes dentro da educação, enriquecemos a formação dessas crianças e desses jovens. Eles precisam conhecer o mundo e os novos conhecimentos, mas também precisam conhecer e valorizar a própria história e a identidade do seu povo”, destaca Raimundo Kambeba.

    A valorização da cultura amazônica também se relaciona à bioeconomia, à conservação ambiental e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Para Bellmond Viga, diretor executivo da Amazônia B, reconhecer os conhecimentos tradicionais é essencial para compreender o potencial da região e construir um modelo de desenvolvimento que tenha os próprios amazônidas como protagonistas.

    “A gente precisa reconhecer a nossa própria história para compreender a potência do território onde vivemos. Quando o amazonense conhece e reconhece sua cultura e os saberes que naturalmente já herdamos, ele passa a olhar de outra forma para os seus rios, sua floresta e sua terra. E é justamente a partir desse reconhecimento que conseguimos compreender melhor a bioeconomia, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e as oportunidades que estão moldando a nova economia mundial. Precisamos unir o conhecimento ancestral ao conhecimento do século 21, para que o amazônida possa ocupar esse território com mais presença, consciência e protagonismo, no aqui e agora e também no futuro”, destaca.

    A Amazônia B defende que o desenvolvimento territorial sustentável depende também do desenvolvimento humano. Iniciativas de educação intercultural e valorização cultural contribuem para que as novas gerações reconheçam suas origens e participem das transformações econômicas, ambientais e sociais da região.

    A jovem embaixadora de impacto social Joana Gastaldi participa da iniciativa para ampliar o acesso à gramática e fortalecer o reconhecimento da língua Kambeba.
    “Participar dessa iniciativa é contribuir para que a história, a língua e os conhecimentos do povo Kambeba continuem sendo transmitidos às novas gerações. Valorizar a cultura indígena é reconhecer a riqueza da Amazônia e a importância dos povos que preservam esses saberes. Acredito que iniciativas como essa ajudam a fortalecer identidades e a construir um futuro que respeite nossas origens.”

    Três Unidos: uma história de resistência, educação e conquistas

    A comunidade indígena Três Unidos começou a se formar em 19 de novembro de 1991, quando Waldemir, sua esposa Babá e os cinco filhos deixaram Manaus em direção à região do rio Cuieiras. Nos primeiros anos, a família enfrentou dificuldades de moradia e alimentação, além de preconceito relacionado à identidade indígena. Em 1993, Waldemir se identificou como Kambeba a um guia de turismo, Rubem, que ofereceu trabalho à família e orientou Babá na produção de artesanato.

    Em 1994, diante da necessidade de escolarizar as crianças, os moradores se mobilizaram para iniciar as atividades educacionais. Raimundo Kambeba, então com 14 anos, assumiu o ensino das primeiras crianças. Ao longo dos anos, a comunidade conquistou melhorias na saúde, na educação e na geração de renda, além de fortalecer o turismo de base comunitária e o artesanato indígena. Atualmente, Três Unidos reúne 42 famílias e conta com escolas, posto de saúde, energia solar e espaços dedicados ao turismo e à cultura Kambeba. A edição impressa da gramática representa mais um passo na preservação da língua e na transmissão dos conhecimentos ancestrais às novas gerações.

  • Cultivo de cacau une geração de renda e diversidade da floresta no Rio Madeira

    Cultivo de cacau une geração de renda e diversidade da floresta no Rio Madeira

    O cultivo de cacau faz parte do sustento de famílias da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Rio Madeira, no Amazonas, onde pode-se achar cacaueiros consorciados com a floresta amazônica, com espécies como andirobeiras, copaibeiras, seringueiras, mulateiro, sumauma, castanha e outras nativas. Para apoiar essa produção, o projeto Prospera na Floresta, realizado pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS), promoveu capacitações voltadas ao cuidado dos cultivos e à valorização dos conhecimentos dos produtores.
    Para Marciley Fernandes, morador da comunidade Verdum, em Manicoré, a capacitação proporcionou aprendizados que já estão sendo aplicados no dia a dia. “Para mim, foi um momento muito importante. Aprendi muito e estou colocando em prática”, destacou.
    Os encontros foram organizados a partir de visitas às comunidades do Médio e do Baixo Rio Madeira. Nas conversas com as famílias, a equipe identificou dúvidas e dificuldades relacionadas à produção, incluindo os efeitos das enchentes, das secas e do calor extremo. Esse levantamento orientou uma programação de cinco capacitações, com oito horas de duração cada e previsão de atender 80 produtores.
    “A partir do levantamento produtivo que foi feito no Médio Rio Madeira e no Baixo Rio Madeira, a gente identificou as necessidades produtivas das comunidades”, explica Adriana Gasparetti, coordenadora de projetos na FAS.
    As atividades combinaram conversas, exercícios em grupo e momentos nos próprios cacoais. Os participantes puderam experimentar formas de cuidar das árvores, esclarecer dúvidas e compartilhar práticas que já utilizam no cotidiano. A proposta foi aproximar as orientações da realidade das famílias, considerando os recursos disponíveis e as características da produção local.
    Segundo Adriana, o envolvimento dos produtores esteve ligado à oportunidade de trabalhar questões presentes em sua rotina. “Eram coisas que estavam precisando saber e praticar”, relata.

    O cacau como parte da floresta e da renda
    Na comunidade Santa Rosa I, uma das áreas visitadas abriga cacaueiros com mais de 60 anos entre árvores de diferentes espécies. A colheita integra uma rotina familiar que também inclui o cultivo de alimentos e a coleta de sementes de andiroba para comercialização.
    Essa diversidade foi uma das referências das capacitações. Os encontros destacaram a importância de cuidar do cacau local e produzir novas mudas a partir das sementes existentes nas áreas das comunidades, valorizando sua relação com o território.
    “O cacaueiro vai muito bem com a andiroba, a copaíba e a seringueira. É um consórcio que funciona muito bem”, afirma Adriana.
    O apoio à atividade também exige conhecer as condições para colher, beneficiar e comercializar o fruto. Nas etapas de campo, realizada em abril e em maio de 2026, a equipe percorreu dez comunidades nos municípios de Manicoré e Novo Aripuanã: Novos Prazeres, Sempre Viva, Verdum, Kayapé, Santa Rosa I, Livramento, José João, Prainha, São Luiz e Bom Jesus.

    Sobre o Prospera
    O Projeto Prospera na Floresta é executado pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS), com apoio do Fundo Amazônia, administrado pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Tem como objetivo contribuir para a consolidação de áreas protegidas no estado do Amazonas por meio do incentivo a atividades produtivas sustentáveis no âmbito da sociobioeconomia. O projeto abrange 22 áreas protegidas, sob gestão da Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas (Sema) e Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). Com execução prevista de quatro anos, a iniciativa atuará em uma área de mais de 20 milhões de hectares e deverá beneficiar 11.344 pessoas diretamente entre populações indígenas, ribeirinhas e quilombolas. Acompanhe a evolução do projeto: https://fas-amazonia.org/prospera-na-floresta/.

    Sobre a FAS
    A Fundação Amazônia Sustentável (FAS) é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos que atua pelo desenvolvimento sustentável da Amazônia. Sua missão é contribuir para a conservação do bioma, a melhoria da qualidade de vida das populações amazônicas e a valorização da floresta em pé e de sua biodiversidade.

  • Dengue: 3 milhões de adolescentes estão com vacinação incompleta

    Dengue: 3 milhões de adolescentes estão com vacinação incompleta

    Mais de 3 milhões de adolescentes que tomaram a primeira dose da vacina contra a dengue ainda precisam voltar aos postos de saúde para completar o esquema vacinal.

    Como a vacina é aplicada em duas doses, a proteção completa só é adquirida após a segunda, que deve ser tomada três meses depois da primeira.

    Os dados foram apresentados pelo diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Eder Gatti, em uma palestra na 28ª Jornada Nacional da Sociedade Brasileira de Imunizações, realizada no Rio de Janeiro, na semana passada.

    Gatti mostrou que mais de 11,8 milhões de doses já foram administradas em todo o país, sendo 7,6 milhões como primeira dose, e 4,2 milhões como segunda.

    Além disso, quase 4 milhões de doses distribuídas aos municípios ainda não foram aplicadas. O diretor do PNI lembrou que, no verão, os casos de dengue costumam subir no Brasil, o que pode ocorrer de forma mais intensa nesta temporada, por causa do El Niño.

    “Vacinar adolescente, sem eles terem percepção de risco, é muito difícil. No caso da dengue, o ideal é vacinar no período intersazonal [em que a incidência da doença é mais baixa], para que a pessoa entre na sazonalidade protegida”, complementou.

    Apesar de a farmacêutica japonesa Takeda, fabricante da vacina Qdenga, ter uma capacidade de produção que não atende a toda a população brasileira, o fornecimento para o público-alvo está garantido, afirmou Gatti.

    Além das vacinas entregues em 2024 e 2025, o Brasil tem um contrato vigente que prevê a entrega de 9 milhões de doses este ano, e outras 9 milhões em 2027.

    Disponível em todo o país

    A vacinação contra a dengue no Brasil foi iniciada nos municípios mais afetados pela doença, avançando progressivamente, e já é feita em todo o país. O público-alvo são as crianças e adolescentes de 10 a 14 anos.

    Eder explicou essa decisão durante a palestra. Quando a vacina foi incorporada pelo Sistema Único de Saúde, os dados que comprovavam sua segurança eram mais robustos para a faixa etária de 4 a 16 anos. Dentro desse universo, as chances de adoecer com gravidade são maiores entre 10 e 14 anos.

    “Olhando para o que o mundo e o Brasil produziram de conhecimento nos últimos anos, nós já temos mais dados de segurança e continuamos olhando para isso com muita atenção. A ampliação para faixas etárias mais velhas é uma possibilidade, até um desejo, mas a gente precisa ter cuidado com as questões operacionais, orçamentárias e de segurança”.

    Vacina do Butantan

    O diretor do PNI também esclareceu que a aplicação da vacina produzida pelo Butantan continua suspensa, após a identificação de três casos de dengue grave adquiridos após a vacinação, com dois óbitos, entre mais de 500 mil vacinados.

    Ainda não está confirmado que a vacina tenha causado a doença, mas a coincidência temporal foi considerada um sinal de segurança pelo Ministério da Saúde, que decidiu suspender a vacinação em junho.

    “Isso não cancela a vacina, mas nós temos a necessidade de avaliar com estudos complementares se, de fato, o sinal de segurança representa algo que compromete”, acrescentou Gatti.

    O diretor do PNI classificou a vacina do Butantan como “uma grande esperança para o país”.

    “É uma tecnologia nacional, e a nossa ideia era vacinar de 40 a 60 milhões de pessoas por ano, o que significa que, em três anos, nós conseguiríamos chegar a toda a população elegível do país. Mas, antes, precisamos sanar todas as lacunas geradas a partir desse sinal de segurança”, explicou o diretor do PNI.

  • Anvisa proíbe venda de picolé com melatonina e suplemento de proteína

    Anvisa proíbe venda de picolé com melatonina e suplemento de proteína

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu, nesta segunda (26), recolher e proibir a comercialização de dois produtos alimentícios, um picolé e um suplemento, por conterem ingredientes que não passaram por avaliação de segurança. 

    O Picolé Bentô Gelatos Magnésio + Inositol Relief 3.0., fabricado pela empresa ABB Gelateria Ltda, está proibido porque ingredientes do produto, a melatonina e o inositol, foram autorizados apenas para uso em suplementos alimentares e em composto líquido pronto para consumo (inositol).

    A Anvisa determinou ainda o recolhimento do produto Body Strong Proetein, sabor cacau, da marca Equaliv. fabricado pela Althaia S.A Indústria Farmacêutica.

    O suplemento alimentar contém peptistrong, que é uma proteína de fava hidrolisada, ingrediente que não passou, segundo a Anvisa, por avaliação de segurança para uso em alimentos.

    Na decisão, a Anvisa explica que houve publicidade irregular com a veiculação de alegações terapêuticas de “prevenção de sarcopenia” e “suporte nutricional para preservação da massa magra em pessoas que usam canetas emagrecedora (GLP-1)”.

    Como não houve ausência de regularização sanitária, a Anvisa suspendeu também a fabricação, a venda, a distribuição, a propaganda e o uso do produto.

  • Gol nos acréscimos assegura Flamengo na liderança do Brasileirão

    Gol nos acréscimos assegura Flamengo na liderança do Brasileirão

    A 32ª rodada do Campeonato Brasileiro chegou ao fim da forma que começou. A dramática vitória por 3 a 2 sobre o Atlético-MG na noite de segunda-feira (26), no Maracanã, manteve o Rubro-Negro na liderança da competição.

    Os cariocas foram a campo sob pressão. Além da necessidade de vencer, já que o vice-líder Palmeiras superou o Red Bull Bragantino no último sábado (24), por 2 a 0, na Arena Barueri, o time da Gávea vinha de recente eliminação nas semifinais da Libertadores, no próprio Maracanã, para o Estudiantes (Argentina), na última quinta-feira (22).

    O triunfo levou o Flamengo aos 70 pontos, um a mais que o Verdão. O Galo, com 50 pontos, na sexta colocação, perdeu a chance de figurar na zona de classificação à Libertadores, que envolve os cinco primeiros colocados (G-5).

    O Atlético-MG saiu na frente. Aos seis minutos, o lateral Ángelo Preciado disparou em contra-ataque pela direita e cruzou rasteiro para o atacante Bernard finalizar no canto esquerdo do goleiro Agustín Rossi.

    Ainda no primeiro tempo, o Flamengo conseguiu a virada. Aos 33, o atacante Gonzalo Plata cruzou pela direita e a bola foi direto para o gol, surpreendendo o goleiro Gabriel Delfim. Sete minutos depois, o meia Giorgian de Arrascaeta entrou na área pela esquerda ao receber do atacante Samuel Lino, deixou o zagueiro Vitão para trás e marcou o segundo do Rubro-Negro.

    A resposta do Galo veio aos 13 minutos da etapa final. O atacante Victor Hugo, desde a intermediária, deu um lançamento preciso para Renan Lodi, que apareceu às costas da marcação. O lateral chegou batendo de primeira e deixou tudo igual novamente.

    Já nos acréscimos, quando o duelo no Rio de Janeiro caminhava para um empate, o próprio Renan Lodi derrubou o zagueiro Léo Pereira na área. O pênalti foi marcado e o meia Jorge Carrascal não desperdiçou. Ele bateu no cantinho direito e garantiu a vitória do Flamengo.

    Grêmio respira

    Em outro jogo dessa segunda-feira, o Grêmio deu fim a um jejum de sete jogos sem vencer e derrotou o Coritiba por 1 a 0 no Estádio Couto Pereira, na capital paranaense. Foi o primeiro triunfo do Tricolor gaúcho como visitante no Brasileirão.

    O gol da vitória foi todo construído por jogadores europeus. Aos 46 minutos, o meia croata Filip Krovinovic cobrou escanteio curto pela esquerda, rolando para Francis Amuzu. O belga cruzou e o também atacante Martín Braithwaite, dinamarquês, desviou de cabeça, no canto do goleiro Pedro Morisco.

    Com 34 pontos, o Grêmio segue na zona de rebaixamento à Série B, que reúne as quatro piores campanhas do Brasileirão (Z-4). Mesmo assim, ganhou a posição do Corinthians – que acumula dez jogos, com nove derrotas na sequência negativa – e aparece na 17ª colocação, com 34 pontos.

    Agora é o Coritiba, com 39 pontos, quem chega à marca de sete partidas sem vitória. O Coxa é o 12º, ainda ameaçado pelo risco de queda à segunda divisão. São cinco pontos a menos que o próprio Grêmio.

    Resultados da rodada

    Cruzeiro 1×0 Remo

    Mirassol 1×1 São Paulo

    Internacional 3×0 Botafogo

    Vitória 1×1 Athletico-PR

    Vasco 3×2 Corinthians

    Palmeiras 2×0 Red Bull Bragantino

    Chapecoense 2×1 Fluminense

    Santos 1×1 Bahia

    Coritiba 0x1 Grêmio

    Flamengo 3×2 Atlético-MG

  • Um ano depois, mortes da Operação Contenção ainda são investigadas

    Um ano depois, mortes da Operação Contenção ainda são investigadas

    Ainda era madrugada, em 28 de outubro de 2025, quando mais de 2,5 mil policiais civis e militares começaram a se preparar para uma operação nos complexos de favelas do Alemão e da Penha. Entre as milhares de incursões em comunidades realizadas no Rio de Janeiro nos últimos 40 anos, aquela seria a mais letal.

    O que se viu ao longo do dia foram horas de confrontos armados, ônibus incendiados por criminosos nas ruas, e o avanço dos policiais pelas ruas e vielas das favelas. Em 29 de outubro, o balanço era de que 121 pessoas haviam perdido suas vidas, sendo quatro policiais. O número subiu para cinco em 22 de novembro, com a morte de um policial que estava internado.

    As imagens de corpos alinhados em uma rua na Vila Cruzeiro, no bairro da Penha, rodaram o mundo. Segundo a polícia, as 117 pessoas que não eram policiais morreram durante troca de tiros com os agentes. Moradores das comunidades e parentes de pessoas que morreram, entretanto, relataram episódios de tortura e execução.

    Passado um ano, ainda não há conclusão sobre as circunstâncias das mortes e sobre os responsáveis por elas, mesmo com investigações das polícias Civil e Federal e do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ).

    Moradores, familiares e representantes da sociedade civil se reúnem na comunidade da Vila Cruzeiro para manifestação de repúdio à Operação Contenção. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

    Operação Contenção

    Naquele dia, a Polícia Civil divulgou que se tratava de uma “megaoperação”, com o objetivo de capturar lideranças criminosas do Rio de Janeiro e de outros estados, que estariam atuando a partir daqueles complexos de favelas, na zona norte da cidade.

    A entrada das forças de segurança nos complexos era parte de uma operação iniciada meses antes, a Contenção.

    Segundo o governo do estado do Rio, a série de ações policiais buscava “ser uma ofensiva estratégica para conter e atacar o avanço territorial da facção criminosa Comando Vermelho” e “desarticular a estrutura financeira, logística e operacional da organização criminosa”.

    >> Sob facções e operações, população de favelas vive traumas e adoece

    Investigações

    Coordenador do Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública do MPRJ, o promotor de Justiça Fabio Correa preside o Procedimento Investigatório Criminal (PIC) aberto para apurar as mortes ocorridas durante a operação dos dias 28 e 29 de outubro de 2025.

    “É uma situação sui generis, como nunca aconteceu na história da segurança pública do Rio de Janeiro, tanto que é considerada a operação mais letal da história”, destaca o promotor.

     

    Dezenas de corpos são trazidos por moradores para a Praça São Lucas, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro. Operação Contenção. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

    Segundo ele, o MPRJ já colheu depoimentos de 255 policiais civis e militares que participaram da operação e de 61 pessoas que foram presas na ação. Os promotores também entraram em contato com parentes de todos os mortos e conseguiram ouvir 45 deles.

    O MPRJ também acompanhou as necropsias realizadas pelo Instituto Médico-Legal (IML) e ainda analisa laudos periciais e imagens das câmeras corporais usadas pelos policiais no dia da ação.

    Chega a 4 mil o total de horas de imagens gravadas pelas câmeras corporais obtidas. Não foi registrada, no entanto, toda a atuação de cada agente. Segundo as autoridades de segurança pública do Rio de Janeiro, as baterias se esgotaram depois de horas de realização da operação.

     

    Atendimento aos familiares durante o reconhecimento dos corpos dos mortos na Operação Contenção no Instituto Médico Legal. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

    Casos atípicos

    Inicialmente, pelo menos dois casos chamaram a atenção dos peritos do MPRJ e são considerados “atípicos”. Um deles foi uma morte por disparos efetuados a curta distância. O outro foi um caso de decapitação da vítima.

    “[Os dois casos] não são conclusivos e permanecem ainda em apuração no bojo dessa investigação, que apura a totalidade das mortes, não só dos civis, como também dos policiais”, ressalta Corrêa. “É um elemento de prova, um elemento que vai ser trazido aos autos junto com os demais, com as demais análises sobre depoimentos, câmeras corporais [usadas pelos policiais]”.

    Ele destaca, no entanto, que não foi possível realizar a perícia no local do crime, o que dificulta o entendimento do que aconteceu nesses casos.

    “Então este é mais um elemento que entra na análise, de tudo que aconteceu”, afirma. “[Mas] o Ministério Público espera e pretende dar essas respostas definitivas sobre o que de fato aconteceu naquele dia”.

     

    Raquel Rodrigues se emociona ao fazer reconhecimento do corpo do filho, Yago Ravel Rodrigues Rosário, encontrado decapitado, um dos mortos na Operação Contenção, no Instituto Médico Legal. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

    Outros crimes

    Os relatos de execuções não foram os únicos excessos que teriam sido cometidos por policiais durante a operação Contenção. Algumas investigações sobre desvios de conduta, por exemplo, já foram concluídas pelo MPRJ.

    Até junho deste ano, 27 policiais já tinham sido denunciados à Justiça pelo MPRJ por crimes como desvio de fuzis apreendidos, furtos de peças de carro e outros bens, invasões de domicílio e constrangimento de moradores. Apesar da interrupção de gravações por esgotamento das baterias, também foi constatado que várias câmeras foram intencionalmente desligadas ou obstruídas.

    Um levantamento do MPRJ, com base na análise de 51 equipamentos de gravação usados pelo Batalhão de Operações Especiais (Bope), apontou que pelo menos 17% dos equipamentos foram desligados propositalmente pelos policiais. Em 7,8%, há indícios de obstrução da lente para impedir a gravação em determinados momentos.

     

    Missa de sétimo dia em homenagem aos policiais civis e militares mortos na Operação Contenção, no Theatro Municipal. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

    Direitos Humanos

    Em março deste ano, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), da Organização dos Estados Americanos (OEA), divulgou um relatório mostrando alguns problemas na condução da operação e da investigação.

    O documento aponta, por exemplo, a tática de encurralar os criminosos em uma área da comunidade, com uma estratégia militar chamada de “martelo e bigorna”, “cujo objetivo seria confinar o oponente, restringir rotas de fuga e exercer pressão convergente em perímetro delimitado até sua ‘neutralização’”.

    O elevado número de mortos, inicialmente 121, sobrecarregou o Instituto Médico-Legal (IML). A CIDH descreveu “relatos de armazenamento inadequado dos corpos” e demora na liberação para os familiares.

    O relatório apontou ainda restrições iniciais de acesso da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro aos laudos de autópsia e relatórios periciais, “o que limitou sua capacidade de acompanhar e fiscalizar os procedimentos forenses”, em nome das famílias em situação de vulnerabilidade representadas pelo órgão. Posteriormente, a Defensoria acabou tendo acesso aos documentos e ainda não terminou de mostrá-los às famílias.

     

    Dezenas de corpos são trazidos por moradores para a Praça São Lucas, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro. Operação Contenção Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

    Dos 99 presos durante a ação, 17 tinham mandados de prisão expedidos contra eles. O relatório informa lesões em 17 detidos e outros 36 tiveram laudos inconclusivos para maus-tratos e tortura. Uma pessoa foi liberada da prisão sem sequer ter sido submetida a exames de corpo de delito.

    A retirada dos corpos da área de mata foi feita pelos próprios moradores e, segundo o relatório, houve relatos de que alguns desses cadáveres “apresentavam marcas que poderiam ser indicativas de execução extrajudicial, tortura, maus-tratos ou lesões perfurocortantes”.

    O relatório também apontou para a disparidade do número de mortos entre policiais (cinco) e não policiais (117). Para a CIDH, a desproporção acentuada suscita questionamentos quanto à finalidade dos disparos e indica a necessidade de exame rigoroso sobre se a força letal foi empregada como primeiro recurso, inclusive em situações nas quais a imobilização poderia ter sido viável.

    “Ainda que se considere a hipótese de que civis estivessem armados e vinculados à organização criminosa, o padrão observado não se coaduna com cenário típico de confronto armado regular.”

    A comissão interamericana acrescenta que havia corpos com múltiplos disparos na cabeça, na boca, nas costas, nas axilas e no tórax, em posições que não seriam compatíveis com troca de tiros.

    “Foram relatados casos de pessoas vistas vivas sob custódia policial e posteriormente encontradas mortas, além de indícios de amarras, lesões perfurocortantes e disparos à queima-roupa”, descreve o relatório.

    A CIDH também concluiu que “o modelo atual de investigação da violência policial no Brasil, particularmente no estado do Rio de Janeiro, apresenta deficiências estruturais que comprometem a independência, imparcialidade e eficácia das apurações”.

     

    Agentes da prefeitura limpam rua onde os corpos da chacina foram levados antes de saírem para o IML, Operação Contenção. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

    Um ano depois

    Pesquisadoras ouvidas pelas equipes de reportagem da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) disseram que, apesar de todas as mortes e de o governo estadual ter apresentado a operação como bem-sucedida, não houve mudança significativa no controle territorial armado dos dois complexos de favelas.

    “O que a gente percebe é o que percebemos em todas as operações violentas no Rio de Janeiro. O saldo é nulo ou negativo. A gente fala nulo porque nada mudou”,  afirma Maria Isabel Couto, do Instituto Fogo Cruzado

    “A população continua submetida às mesmas rotinas violentas do Comando Vermelho após a operação. A liderança do Comando Vermelho é a mesma, as pessoas do Comando Vermelho que morreram foram substituídas por outras pessoas”.

    Segundo ela, o saldo negativo é visto quando se analisa que essas operações geram ainda mais traumas para a população local.

    “É uma população que viu seus entes queridos e pessoas conhecidas serem exterminadas. [Viram] em praça pública, os corpos enfileirados. A troco de nada, a gente vê pessoas que lidam há um ano com esse trauma, acumulado há tantos outros, de que essas vidas são entendidas pelo poder público como dispensáveis. Por quê? Porque, em nome de mudança nenhuma, pessoas são exterminadas”.

     

    Moradores, familiares e representantes da sociedade civil se reúnem na comunidade da Vila Cruzeiro para manifestação de repúdio à Operação Contenção que deixou 121 mortos. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

    >> Tiroteios constantes afetam desenvolvimento de crianças em comunidades

    Pesquisadora do Grupo de Estudos de Novos Ilegalismos (Geni), da Universidade Federal Fluminense (UFF), Carolina Grillo concorda que essa operação, como tantas outras, não teve impacto significativo no cenário de segurança pública do Rio de Janeiro.

    “Os moradores passaram por uma cena de filme de terror para nada. No segundo em que a polícia foi embora, o Comando Vermelho continuava controlando o território. Supostamente, essa operação era para prender o Doca [liderança criminosa local]. Segundo os moradores, todo mundo já sabia que ia ter operação e que o Doca já tinha saído na véspera”, afirma.

    Carolina Grillo complementa que, além de colocar a população em risco e criar um caos na cidade, a operação foi incapaz de proteger os próprios policiais.

    “A operação foi um verdadeiro desastre, que resultou em cinco policiais mortos, ou seja, sem um planejamento adequado, que pensasse em proteger seus próprios agentes”, ressalta.

    “Foi uma operação que não teve nenhum compromisso com a vida. Cerca de 60 corpos foram largados na mata, porque era tanta gente que a polícia matou que eles não eram capazes de carregar os corpos das suas vítimas”.

    A Agência Brasil pediu para entrevistar representantes das polícias Civil, Militar, Federal e da Secretaria Estadual de Segurança Pública.

    A Polícia Militar respondeu que não seria possível realizar a entrevista. A Polícia Federal diz que não comenta investigações em andamento. A Polícia Civil e a Secretaria de Segurança não responderam ao pedido da reportagem.

  • PL, partido de Flávio, reconhece vitória de Lula nas eleições

    PL, partido de Flávio, reconhece vitória de Lula nas eleições

    O presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, publicou nota oficial, nesta segunda-feira (26), em que reconhece a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições deste ano. No entanto, ele cobrou esclarecimentos sobre o que chamou de medidas “eleitoreiras”, com “ampliação de gastos públicos”.

    ““Reconhecemos o resultado presidencial, proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas entendemos que os questionamentos levantados precisam ser devidamente esclarecidos”, afirmou a nota.

    Argumentos

    Após a divulgação da vitória do atual presidente, o candidato derrotado, o senador Flávio Bolsonaro, disse que não reconheceria o resultado. A justificativa do candidato seria a prorrogação do horário de votação eleitoral, decidida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Cristiano Zanin, que atendeu um pedido de ambas as candidaturas, incluindo a da campanha de Flávio.

    Na nota, o presidente do PL não traz o mesmo argumento. Para Costa Neto, houve ampliação dos gastos públicos com benefícios sociais “às vésperas da votação”, o que levantaria questionamentos sobre os “efeitos dessas medidas em um processo eleitoral justo”.

    Ao pedir “esclarecimentos”, o presidente da legenda disse que o partido vai acompanhar os fatos e buscar “respostas com responsabilidade, transparência e respeito à instituições”.

    Na eleição de domingo, Flávio Bolsonaro teve 59,8 milhões de votos (48,2%), enquanto que o presidente Lula chegou a 64,2 milhões (51,7%).

  • Votação de Lula é a maior já recebida por um presidenciável no país

    Votação de Lula é a maior já recebida por um presidenciável no país

    Ao terminar o segundo turno da eleição presidencial com 64.256.232 votos neste domingo (25), o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conquistou a maior votação já obtida por um presidenciável na história do país.

    Os mais de 64 milhões de votos de Lula superam o recorde que já pertencia a ele, ao vencer a eleição de 2022 no segundo turno com mais de 60 milhões de votos, impedindo a reeleição de Jair Bolsonaro.

    Veja as maiores votações dos candidatos eleitos no país desde 1989, primeira eleição direta para a Presidência na redemocratização.

    2026

    Luiz Inácio Lula da Silva (PT): 64.256.232 votos

    2022

    Luiz Inácio Lula da Silva (PT): 60.345.999 votos

    2006

    Luiz Inácio Lula da Silva (PT): 58.295.042 votos

    2018

    Jair Bolsonaro (PSL): 57.797.847 votos

    2010

    Dilma Rousseff (PT): 55.752.529 votos

    2014

    Dilma Rousseff (PT): 54.501.118 votos

    2002

    Luiz Inácio Lula da Silva (PT): 52.793.364 votos

    1998

    Fernando Henrique Cardoso (PSDB): 35.936.916 votos

    1989

    Fernando Collor (PRN): 35.090.206 votos

    1994

    Fernando Henrique Cardoso (PSDB): 34.377.829 votos

    Das dez eleições presidenciais após a redemocratização, apenas 1994 e 1998 foram decididas no primeiro turno.

    Evolução do eleitorado

    Os números resultantes das urnas mostram crescimento do eleitorado brasileiro. Em 1989, o país tinha pouco mais de 82 milhões de eleitores. O contingente cresceu ano a ano até alcançar mais de 158 milhões em 2026.

    Como houve o aumento do eleitorado, o recorde de votos recebidos por Lula nesse domingo não representa a maior vitória em termos de votos válidos. Lula conquistou 51,79% da preferência do eleitorado. O recorde pertence à primeira eleição do petista, em 2002, quando derrotou José Serra (PSDB) com 61,27% dos votos válidos.

    Veja os maiores percentuais de votos válidos recebidos pelos vencedores:

    2002

    Luiz Inácio Lula da Silva (PT): 61,27%

    2006

    Luiz Inácio Lula da Silva (PT): 60,83%

    2010

    Dilma Rousseff (PT): 56,05%

    2018

    Jair Bolsonaro (PSL): 55,13%

    1994

    Fernando Henrique Cardoso (PSDB): 54,28%

    1998

    Fernando Henrique Cardoso (PSDB): 53,06%

    1989

    Fernando Collor (PRN): 53,03%

    2026

    Luiz Inácio Lula da Silva (PT): 51,79%

    2014

    Dilma Rousseff (PT): 51,64%

    2022

    Luiz Inácio Lula da Silva (PT): 50,90%

    O próximo mandato de Lula começa em 5 de janeiro de 2027. 

     

  • Cantor Paulo Henrique é desligado da banda Rabo de Vaca após relatos de suposta agressão em Manaus

    Cantor Paulo Henrique é desligado da banda Rabo de Vaca após relatos de suposta agressão em Manaus

    O cantor Paulo Henrique foi desligado da banda Rabo de Vaca após a repercussão de relatos de uma suposta agressão contra a companheira, em Manaus. A decisão foi anunciada nesta segunda-feira (26), por meio de uma nota oficial divulgada pela direção do grupo musical.

    De acordo com o comunicado, o artista estava em período inicial de experiência e integrava a banda havia aproximadamente um mês. A direção informou que optou pelo desligamento diante das circunstâncias recentes e da repercussão pública do caso.

    Na nota, o grupo afirmou que a medida foi tomada com foco na responsabilidade institucional e na preservação do trabalho da banda. A direção também destacou que a decisão não representa uma confirmação das acusações nem um julgamento sobre os fatos relatados.

    A Rabo de Vaca declarou ainda que não cabe à banda determinar responsabilidades e reforçou que não compactua com qualquer forma de violência. O comunicado acrescenta que o esclarecimento do caso deve ocorrer pelos meios legais adequados, respeitando os procedimentos previstos em lei.

    Denúncia deve ser apurada

    Segundo informações divulgadas durante uma transmissão ao vivo nesta segunda-feira, a denúncia de suposta agressão teria sido encaminhada à Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher (DECCM), em Manaus.

    As circunstâncias do caso ainda deverão ser apuradas pelas autoridades competentes. Até o momento, não há informações confirmadas sobre eventual prisão, concessão de medidas protetivas ou manifestação de Paulo Henrique a respeito da denúncia.

    O desligamento do cantor ocorre em meio à repercussão dos relatos, mas não representa comprovação das acusações. A eventual responsabilidade criminal depende da apuração dos fatos pelas autoridades competentes.

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