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  • Professor é esfaqueado por estudante de 15 anos dentro de centro de reforço escolar em Manaus

    Professor é esfaqueado por estudante de 15 anos dentro de centro de reforço escolar em Manaus

    O professor Vinicius Siqueira Figueiredo foi esfaqueado nesta quarta-feira (26) por um estudante de 15 anos dentro de um centro de reforço escolar no bairro Nossa Senhora das Graças, na zona centro-sul de Manaus. O caso foi registrado pela Polícia Civil e está sendo investigado.

    O ataque aconteceu no estabelecimento “Reforço Exatas” e foi registrado por câmeras de segurança. As imagens mostram o momento em que o professor é surpreendido pelo adolescente e atingido pelos golpes de faca.

    Após o ataque, Vinicius recebeu atendimento de emergência de uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e foi encaminhado ao Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto. A polícia também solicitou a realização de exame de corpo de delito na vítima.

    A responsável pelo centro de ensino procurou a polícia para registrar a ocorrência. Segundo o relato, a motivação para o ataque ainda não foi esclarecida.

    Como o suspeito tem 15 anos, o caso foi encaminhado para a Delegacia Especializada em Apuração de Atos Infracionais (Deaai). Equipes de segurança realizam buscas para localizar o adolescente.

    As investigações continuam com o objetivo de esclarecer as circunstâncias do ataque e identificar a motivação do ato infracional.

  • Serviços ocuparam 15,9 milhões e pagaram média de 2,2 mínimos em 2024

    Serviços ocuparam 15,9 milhões e pagaram média de 2,2 mínimos em 2024

    O setor de prestação de serviços não financeiros empregou 15,9 milhões de pessoas em 2024. Esses trabalhadores receberam, em média, 2,2 salários mínimos mensais.

    Há dois anos, o cenário era composto por 1,9 milhão de empresas ativas que pagaram, ao todo, R$ 644,2 bilhões em salários e outras remunerações, como férias e comissões.

    Os dados fazem parte da Pesquisa Anual de Serviços, divulgada nesta quinta-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

    O setor de serviços não financeiros abrange áreas como educação, escritórios de advocacia, imobiliárias, restaurantes, salão de beleza, tecnologia da informação, telecomunicação, transportes, turismo e vigilância. Bancos não estão incluídos.

    As empresas pesquisadas somaram receita operacional líquida de R$ 3,5 milhões em 2024 e adicionaram R$ 2,1 trilhões ao Produto Interno Bruto (PIB), o conjunto de todos os bens e serviços produzidos no país.

    A Pesquisa Anual de Serviços já tinha sido realizada em anos anteriores. Mas por causa de mudança de metodologia e forma de obter os dados, o IBGE interrompeu a série histórica, de forma que não é possível fazer comparações com outras edições.

    Mais empregadores

    O levantamento mostra que o ramo classificado como atividades de alimentação (restaurantes, bares e bufês, por exemplo) é o maior empregador do setor, absorvendo 1,9 milhão de pessoas, o que representava 11,7% da mão de obra de todas as empresas de serviços não financeiros.

    Em seguida aparece o contingente de serviços técnico-profissionais (1,8 milhão de pessoas e 11,2% dos postos de trabalho). Entram nessa categoria empresas de consultorias em informática, de auditoria, contábeis e escritórios jurídicos, por exemplo.

    Veja as dez atividades de serviços que empregam a maior parcela de pessoas:

    Atividades de alimentação: 11,7%

    Serviços técnico-profissionais: 11,2%

    Serviços de escritório e apoio administrativo: 8,3%

    Transporte rodoviário de cargas: 8,1%

    Serviços para edifícios e atividades paisagísticas: 7,9%

    Seleção, agenciamento e locação de mão de obra: 6,3%

    Tecnologia da informação: 5,6%

    Vigilância, segurança e investigação: 4,4%

    Transporte rodoviário de passageiros: 3,7%

    Armazenamento e atividades auxiliares aos transportes: 3,4%

    As empresas de serviços não financeiros têm, em média, oito funcionários. No entanto, empresas de transporte ferroviário e metroviário (890), dutoviário (467) e aéreo (234) se destacam no ranking de porte por número de trabalhadores.

    Salário médio

    O salário médio mensal do setor de serviços em 2024 era equivalente a 2,2 salários mínimos. Naquele ano, o mínimo era de R$ 1.412.

    A liderança do ranking de atividades coube aos trabalhadores de empresas de transporte dutoviário, com média de 21,1 salários mínimos. Esse patamar é mais de três vezes superior ao da segunda atividade mais bem remunerada, transporte aquaviário, com média mensal de 6,9 salários mínimos.

    Em 2024, 6,5 mil pessoas trabalhavam em empresas de transporte dutoviário.

    O analista da pesquisa, Marcelo Miranda, aponta dois fatores que podem explicar o destaque da remuneração no setor de transporte dutoviário: “exigência de qualificação técnica muito alta e o risco para os trabalhadores da atividade”.

    A atividade campeã de vagas de trabalho, serviços de alimentação, pagou média de 1,4 mínimo. O contingente de serviços técnico-profissionais recebia 2,56 salários mínimos mensais em média.

    Veja as dez atividades com maiores remunerações em salários mínimos:

    Transporte dutoviário: 21,1

    Transporte aquaviário: 6,9

    Transporte aéreo: 6,6

    Transporte ferroviário e metroferroviário: 5,5

    Serviços de tecnologia da informação: 5,2

    Atividades auxiliares dos serviços financeiros, seguros e previdência complementar: 4,6

    Atividades cinematográficas, produção de vídeos e de programas de televisão: 3,8

    Edição e edição integrada à impressão: 3,2

    Correio e outras atividades de entrega: 3,2

    Telecomunicações: 3,1

    O analista Marcelo Miranda destaca que os mais de R$ 2 trilhões que os serviços adicionam ao PIB do país, à época em R$ 11,7 trilhões, mostram a importância das atividades.

    “Os serviços são a principal fonte de valor de PIB para dentro do país. Têm também a sua capacidade de gerar renda, R$ 644 bilhões para as pessoas que estão trabalhando”, afirma.

  • Barezão Série B Sicredi: RB do Norte vence CDC Manicoré e segue na liderança

    Barezão Série B Sicredi: RB do Norte vence CDC Manicoré e segue na liderança

    Liderança e invencibilidade. O RB do Norte venceu o CDC Manicoré por 3 a 1 nesta quarta-feira (26), pela sexta e penúltima rodada do Campeonato Amazonense Série B Sicredi. Aleilson, Paulo Galvão e Keven marcaram para o Boto, enquanto Railson Queiroz descontou para o Bacurau. O RB do Norte só depende das próprias forças para obter a melhor campanha da primeira fase.

    O jogo

    O primeiro tempo foi equilibrado, com as equipes buscando espaço no ataque. Aos 42 minutos, Aleilson abriu o placar para o RB do Norte e colocou o Boto em vantagem antes do intervalo.

    Na volta para a segunda etapa, o CDC chegou ao empate aos nove minutos, com Railson Queiroz.

    O Boto reagiu e voltou a ficar à frente aos seis minutos, com Paulo Galvão. Já nos acréscimos, aos 47, Keven marcou o terceiro e selou a vitória.

    Panorama e próxima partida

    Com o resultado, o RB chegou aos 13 pontos, manteve a liderança e segue invicto na competição. Já o time do Madeira permanece com a classificação garantida e ocupa momentaneamente a terceira colocação.

    Na última rodada da primeira fase, o Boto visita o Penarol no domingo (30), às 15h30, no estádio Floro de Mendonça, em Itacoatiara. O CDC folga na rodada.

  • Bacia-esponja pode ser uma alternativa contra inundações

    Bacia-esponja pode ser uma alternativa contra inundações

    Imagens impressionantes de uma enxurrada na região entre o Nepal e Tibet, na Ásia, atravessaram o mundo. E no Brasil, fizeram recordar as enchentes ocorridas nos últimos anos, em diferentes regiões. Com mais frequência e intensidade, os extremos climáticos têm a mesma origem, o aquecimento global.

    Segundo Cecília Herzog, paisagista urbana da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (Recn), as mudanças climáticas exigem adaptações que vão além das áreas urbanas. É preciso pensar o processo hidrológico como um todo e adaptar as bacias hídricas, avalia.

    “A água não respeita as nossas decisões políticas ou nossas convenções e fronteiras, o limite da natureza é outro, tem os seus processos e fluxos que correm na paisagem”, diz.

    A partir dessa ideia, a especialista propõe a adoção de um modelo chamado bacia-espoja, que seria uma adaptação do conceito de cidade-esponja, difundido pelo arquiteto chinês Yu Kongjian, no início dos anos 2000, de tratar os próprios cursos dos rios em vez de adaptar as cidades para absorver, reter e reutilizar a água da chuva por meio de soluções baseadas na natureza.

    “Na hora que você passa a tratar a bacia hidrográfica como uma unidade de planejamento, que é a unidade ideal, você tem que começar na cabeceira e terminar na foz, e passando por ele todo, e ao longo não apenas do curso do rio, mas de todas as áreas periféricas que vão de alguma maneira impactar o que acontece”, explica.

    Para a especialista em soluções baseadas na natureza Juliana Baladelli Ribeiro, gerente da Fundação Grupo Boticário, retardar o escoamento na própria estrutura do rio é mais eficaz do que pensar apenas nos efeitos das chuvas atingindo as cidades.

    “O excesso de chuva que causa transtornos nas cidades muitas vezes não caiu diretamente ali. A água vem sendo acumulada ao longo da bacia hidrográfica, chegando pelos rios”, explica.

    Na prática, as principais intervenções seriam proteger as nascentes nas partes mais altas das bacias hidrográficas e recuperar as florestas nas margens dos rios, para manter a conectividade natural da vegetação por meio dos fluxos de água.

    Juliana entende que a intervenção nas bacias não exclui ações nas cidades, onde também é necessário dar vazão aos fluxos acumulados e aumentados por chuvas intensas.

    Ela propõe “ter espaços como parques urbanos, jardins de chuva, praças úmidas, que ajudam a assegurar essa água e permita então que a água da chuva volte aos poucos para o seu fluxo natural”.

    De acordo com as especialistas, a gestão integrada das bacias hidrográficas a partir do conceito de bacia-esponja já demonstram resultados bem-sucedidos em vários países, mas é preciso adequar as soluções a cada lugar e aos fatores naturais de cada região.

    “Não podemos pensar em importar modelos. É necessário pensar como que a gente vai transformar essas paisagens de extremamente vulneráveis a paisagens mais resilientes, cocriando com o conhecimento local”, defende Cecília Herzog.

  • Construção irregular que ocupava calçada no Armando Mendes é demolida em Manaus

    Construção irregular que ocupava calçada no Armando Mendes é demolida em Manaus

    A Prefeitura de Manaus, via Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), realizou, nesta terça-feira, 25/8, uma demolição administrativa no bairro Armando Mendes, zona Leste de Manaus, para retirar uma construção irregular que havia ocupado completamente a calçada, com avanço da estrutura de uma residência sobre o logradouro público e instalação de portão de garagem.

    A intervenção ocorreu após sucessivas notificações ao responsável para que a irregularidade fosse corrigida, com a demolição voluntária. Como a construção não era passível de regularização e permanecia ocupando área pública, a Prefeitura de Manaus adotou a medida administrativa prevista na legislação urbanística.

    De acordo com o gerente de Fiscalização de Postura (GFP) do Implurb, Elias Dias, a situação ultrapassava uma simples obstrução da passagem de pedestres, caracterizando a ampliação irregular de uma propriedade particular sobre um espaço que pertence à coletividade.

    “Neste caso, não havia possibilidade de regularização. O responsável ocupou completamente a calçada, construindo não apenas uma obstrução, mas uma extensão da própria residência, avançando sobre o logradouro público. A calçada é um espaço destinado à circulação de todos e precisa permanecer livre, principalmente para garantir a acessibilidade e a segurança dos pedestres”, afirmou Elias.

    Calçada livre é direito coletivo

    A legislação municipal estabelece critérios para garantir a acessibilidade e a circulação segura de pessoas nas calçadas. Conforme o artigo 38 do Código de Obras e Edificações, os logradouros públicos devem atender às normas de acessibilidade, e os passeios precisam permanecer livres de entraves ou obstáculos, com faixa livre mínima de 1,50 metro para circulação.

    Ao ocupar integralmente a calçada e transformá-la em extensão da residência, a construção interfere diretamente no direito de circulação dos pedestres e na utilização adequada do espaço público.

    A demolição administrativa está prevista no artigo 40 do Código de Obras e Edificações do Município de Manaus e pode ser aplicada de forma parcial ou total quando a construção não admite regularização por incompatibilidade com a legislação vigente, oferece risco à segurança pública ou está sendo realizada em área ou logradouro público.

    Além do Implurb, a ação também contou com a participação das secretarias municipais de Infraestrutura (Seminf), de Segurança Pública e Defesa Social (Semseg), com a Guarda Municipal de Manaus, e Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU).

    Fiscalização e ordenamento

    De janeiro a julho de 2026, o Implurb registrou 19 demolições administrativas para correção de irregularidades urbanísticas. Do total, 18 foram realizadas pela Gerência de Fiscalização de Postura (GFP) e uma pela Gerência de Fiscalização de Obras (GFO).

    As medidas administrativas são adotadas após a identificação das irregularidades e o cumprimento dos procedimentos de fiscalização previstos em lei.

    O instituto reforça que construções e ocupações irregulares estão sujeitas a notificação, autuação, multas, demolição administrativa e demais sanções previstas na legislação municipal.

    A população também pode contribuir com a fiscalização, por meio do Disque Denúncia, pelos telefones (92) 3673-9305 e 161, de segunda a sexta-feira, das 8h às 14h, ou pelo e-mail disquedenuncia.implurb@manaus.am.gov.br.

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  • Manaus conclui chamamentos do concurso público da Semsa com nomeação de 371 profissionais

    Manaus conclui chamamentos do concurso público da Semsa com nomeação de 371 profissionais

    A Prefeitura de Manaus concluiu o chamamento de aprovados no concurso público da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), com a nomeação de mais 371 profissionais do cadastro reserva do certame para exercício efetivo em seus respectivos cargos. Os nomeados têm prazo até o dia 23/9 para apresentação na sede da secretaria, para entrega de documentos e demais procedimentos admissionais.

    Os decretos de nomeação, assinados pelo prefeito Renato Junior, foram publicados no Diário Oficial do Município (DOM), edição nº 6.380, de segunda-feira, 24/8, sendo referentes aos editais 002 e 003/2021 do concurso da Semsa. Estas e todas as demais publicações referentes à seleção pública estão disponíveis em www.manaus.am.gov.br/semsa, com acesso pelo menu “A Semsa”, item “Concursos”.

    Com as publicações, informa o secretário municipal de Saúde, Nagib Salem, a Semsa contabiliza 3.834 profissionais nomeados por meio do concurso público. As nomeações são as últimas referentes ao edital 002/2021 do certame, que encerra sua validade nesta terça-feira, 25/8, e ao edital 003/2021, que teve nomeados todos os 139 candidatos aprovados nos exames. O edital 001/2021 teve validade encerrada em maio passado.

    “Esse concurso público resultou do compromisso da gestão municipal com a saúde e foi essencial para conseguirmos suprir as demandas do serviço e ofertar assistência de qualidade à população. Estamos felizes em receber esses mais de 370 profissionais, para somar conosco e fazer com que a Atenção Primária em Manaus continue sendo a campeã que é hoje, com avanço em vários indicadores”, declara o secretário.

    Nagib lembra que o certame municipal da saúde ofertou 2.001 vagas, sendo 124 pelo edital 001/2021, para cargos de médico generalista e especialista de diversas áreas; 1.822 pelo edital 002, para assistentes e especialistas em saúde, de áreas diversas, do nível fundamental ao superior; e 55 pelo edital 003, voltado a condutores de ambulância e motolância.

    “Em muitos casos, superamos o total de vagas inicialmente previsto para fazer o chamamento de mais profissionais, a fim de ampliar as equipes de saúde e fortalecer os serviços prestados às famílias e comunidades na rede básica municipal”, assinala o titular da Semsa.

    Procedimentos

    Entre os nomeados no DOM estão profissionais aprovados para os cargos de agente comunitário de saúde (ACS), auxiliar em saúde bucal, enfermeiro geral, técnico em enfermagem, cirurgião-dentista, fiscal de saúde, assistente social, médico veterinário, farmacêutico geral, fisioterapeuta, nutricionista, psicólogo, técnico em patologia clínica, assistente em administração, administrador geral, comunicador social, contador, motorista de autos, entre outros.

    Os profissionais nomeados devem, primeiramente, acessar o site pssemsa.manaus.am.gov.br, para envio dos documentos exigidos para posse. A lista de itens inclui documento oficial de identificação com foto, CPF, título de eleitor, foto 3×4, comprovante de residência (água, luz ou telefone), certidões negativas de antecedentes criminais da justiça federal e estadual, comprovante de imunização contra a Covid-19 com esquema vacinal completo, entre outros.

    Em seguida, os profissionais devem comparecer na sala de posse da Semsa Manaus, munidos do documento de identidade e CPF, para orientação quanto aos procedimentos pré-admissionais e checagem de pré-requisitos.

    A sala de posse fica na sede da Semsa, situada no bairro Adrianópolis, com acesso pela avenida Maceió, 160. O atendimento aos profissionais no local ocorre de segunda a sexta-feira, em dias úteis, das 8h às 12h, no horário de Manaus.

  • Eclipse parcial da Lua nesta quinta-feira será visto em todo o Brasil

    Eclipse parcial da Lua nesta quinta-feira será visto em todo o Brasil

    A partir das 23h34, hora de Brasília, desta quinta-feira (27), um eclipse parcial da Lua poderá ser visto em todo o território brasileiro. O ponto máximo será às 01h31, já na madrugada da sexta-feira (28), quando estará na fase mais obscura.

    A astrônoma do Observatório Nacional Josina Oliveira do Nascimento disse que esse tipo de eclipse ocorre toda vez que a Lua entra na sombra da Terra, formada pela incidência do Sol.

    “Sempre existe a sombra da Terra no espaço, porque o Sol está sempre iluminando a Terra, mas a Lua nem sempre entra nessa sombra”, explicou à Agência Brasil.

    “A Lua vai entrar na sombra da Terra e tudo acontece por conta dessa questão da sombra. Todos os corpos que não são pontuais, recebendo uma fonte de iluminação, têm duas sombras. Uma mais clara, que a gente chama de penumbra, e uma mais escura, que é a umbra”.

    “No ano que vem, vamos ter dois eclipses só penumbrais. A Lua vai passar só pela penumbra e vai sair”, adiantou Josina Oliveira.

    De acordo com a astrônoma, todos os eclipses ocorrem com Lua cheia e o formato depende do quanto ela vai entrar na sombra da Terra.

    “Se o plano de órbita da Lua em torno da Terra fosse o mesmo do plano de órbita da Terra em torno do Sol, toda Lua cheia teria eclipse, mas acontece que não, porque a Lua faz um plano de órbita que é inclinado em 5 graus em relação ao outro”, explicou.

    Para ter uma boa observação do fenômeno é preciso paciência.

    Segundo Josina Oliveira, ao entrar na penumbra, que é a sombra mais clara, ainda não é possível notar qualquer diferença no brilho da Lua.

    “A gente sabe que ela está lá, porque às 22h24 vai entrar na penumbra, mas entre 22h24 e 23h34, que é a hora que ela vai começar a entrar na umbra, a gente vai olhar para a Lua e vai ver iluminada igualmente. Não dá para perceber nenhuma diferença olhando para ela. Agora, quando for 23h34, aí começa a perceber a diferença”, explicou, acrescentando que o estudo dos horários em que os eventos ocorrem se baseia unicamente nas posições do Sol, da Terra e da Lua.

    “É isso que define a luminosidade. É a mesma coisa de quando a gente sabe exatamente a hora em que a Lua entrou na Lua cheia, no quarto minguante e no quarto crescente. Cada mês tem um horário diferente. O que a gente precisa para saber disso é a posição do Sol, da Terra e da Lua, porque o que a gente está vendo é consequência desse triângulo”, explicou.

    Segundo a astrônoma, durante o eclipse, primeiro se vê um pontinho preto, que vai evoluindo até a parte preta ficar em formato de uma “mordidinha”, o que significa que a Lua está entrando cada vez mais na umbra, que é a sombra escura.

    “Quando ela estiver 96,2% tomada, vai começar a sair da umbra e tomar uma tonalidade avermelhada. Logo depois vai sair”.

    Nesse fenômeno de agosto, a fase parcial levará 3h18. Vai começar às 23h34, o máximo vai ser às 1h13, já do dia 28, e o final do eclipse parcial vai ser às 2h52.

    Mesmo quem estiver em fuso diferente do horário de Brasília, subtrai a diferença e poderá observar o fenômeno no mesmo instante.

    “Quem estiver no fuso de menos 4 horas, diminui 1 hora dos horários [previstos para os movimentos]. O instante é o mesmo, mas a hora no relógio é diferente”.

    Olho nu

    Ao contrário do eclipse solar, que para observar é preciso usar filtros, equipamentos especiais ou óculos próprios, esse parcial da Lua poderá ser visto a olho nu, e de qualquer lugar.

    “No caso desse eclipse, o Brasil todo vai ver e com a Lua bem alta. A única coisa que vai fazer com que você não veja o eclipse é se chover ou ficar nublado”, apontou.

    De acordo com o Observatório Nacional, o eclipse desta quinta-feira “pertence ao Saros 138, um ciclo de aproximadamente 18 anos que governa a recorrência de eclipses com características semelhantes”.

    Admiração

    Para a astrônoma, o fenômeno do eclipse envolve as pessoas por causa da admiração pelo céu, o que ajuda muito na divulgação e educação relacionadas a esses eventos.

    “A gente tem muita ligação com escolas, projetos de educação de professores, de observação na praça e em várias cidades do Rio e do Brasil, o Ciência Cidadã, envolvendo as pessoas com a ciência através da astronomia, porque o céu é envolvente. Não conheço, em 47 anos de profissão, e nunca ouvi ninguém dizer que não gosta de olhar para o céu”, disse.

    Transmissão

    O eclipse parcial poderá ser acompanhado também pela live que o Observatório Nacional vai fazer no seu canal do YouTube a partir das 23h pelo horário de Brasília, em uma nova edição do programa O Céu em sua Casa: observação remota.

    Segundo o Observatório, como ocorreu no eclipse solar no começo do mês, todos os veículos de comunicação poderão retransmitir gratuitamente a cobertura, mas precisam avisar antes pelo e-mail comunicacao@on.br.

    Horários:

  • 23h00: Início da transmissão ao vivo pelo YouTube do ON.
  • 23h34 (27/ago): Início do eclipse parcial. A Lua toca a umbra.
  • 01h13 (28/ago): Máximo do eclipse. Momento de maior obscurecimento (96,2%).
  • 02h52 (28/ago): Fim da fase parcial, com a Lua deixando a umbra.
  • 04h02 (28/ago): Fim do eclipse penumbral e encerramento da transmissão.
  • AGU processa Discord e pede R$ 500 milhões por dano moral coletivo

    AGU processa Discord e pede R$ 500 milhões por dano moral coletivo

    A Advocacia Geral da União (AGU) entrou com uma ação civil na Justiça Federal de Brasília contra a plataforma Discord após identificar violações envolvendo diferentes grupos vulneráveis no país. Além disso, pede a condenação da empresa por dano moral coletivo no valor de R$ 500 milhões (R$ 50 milhões para cada infração identificada e documentada). 

    “Essa plataforma tem permitido a prática de comportamentos ilegais a partir do que chamamos de proteção insuficiente a mulheres, crianças, adolescente e animais”, afirmou o ministro Jorge Messias, da AGU. 

    De acordo com informações da Polícia Federal, não há adoção de requisitos mínimos estabelecidos na legislação brasileira, incluindo o ECA Digital (lei aprovada em março deste ano).

    Ele explicou que, por duas semanas, houve diálogos e reuniões com representantes da empresa na tentativa de chegar a um termo de ajustamento de conduta. “Mas a empresa se negou a assumir perante a sociedade brasileira, perante o Estado brasileiro, o cumprimento de obrigações legais”, disse o ministro.

    “Cracolândias digitais”

    Para o governo, a plataforma tem sido utilizada para a prática de crimes. “O Estado brasileiro assumiu um compromisso de dar fim aos ‘safáris digitais’, em que animais são expostos a toda prática de violência. Nós não podemos tolerar que verdadeiras cracolândias digitais sejam criadas no ambiente virtual brasileiro”, afirmou Jorge Messias.

    O ministro da Justiça e da Segurança Pública, Wellington César, destacou que o presidente Lula sancionou a lei 15.487 que passou a autorizar a chamada “ronda virtual legalizada”, o que permite às autoridades policiais identificarem e coletarem arquivos relacionados a crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes.

    “Tantas quantas sejam as vezes que identifiquemos esse tipo de prática, nós atuaremos para coibir esse tipo de conduta inaceitável em todo o território nacional”, disse o ministro.   O secretário nacional de direitos digitais, Vitor Fernandes, lembrou que no dia 4 de agosto foi deflagrada a Operação Lívia, com o cumprimento de mandados em cinco estados do país. Na ocasião, o Discord foi notificado sobre os fatos apurados na investigação.

    Demora na reação

    O nome da operação refere-se ao nome de uma adolescente de 13 anos que morreu durante uma live. Em manifestação apresentada à Justiça, a empresa reconheceu que não identificou riscos suficientes. Fernandes explica que a live durou mais de duas horas a partir das 2h20 da madrugada.

    “Às 3h50 a empresa recebe um alerta do núcleo de observação e análise digital da Polícia Civil do Estado de São Paulo”. O secretário destacou que, apenas 25 minutos depois dessa notificação, o servidor foi derrubado. “As contas dos investigados envolvidos só foram banidas da plataforma às 15h20 do dia posterior (…) Não chegamos a receber da empresa uma proposta que fosse satisfatória no atendimento de todas as exigências do Estado brasileiro”, explicou Fernandes.

    Alto risco

    O governo avalia que esse não foi um caso isolado. Desde 2025, o sistema de monitoramento produziu mais de 115 relatórios técnicos de inteligência sobre casos de indução ao suicídio e à automutilação, além de maus-tratos e sacrifícios de animais relacionados à plataforma Discord no Brasil.

    Nos Estados Unidos, país-sede do Discord, há ações movidas em estados como o Texas, que determinou medidas imediatas de reformulação do desenho da plataforma. “O uso da criptografia ponta a ponta, nesse caso, impediu que houvesse a detecção proativa dos conteúdos (criminais)”.

    Vitor Fernandes explicou que a verificação de idade, os mecanismos de supervisão e o controle parental na plataforma também não funcionaram. “O dever que as plataformas têm sobre o mercado digital é de detectar, remover e comunicar às autoridades policiais”, pondera.

    Segundo a legislação brasileira,  as plataformas não devem esperar que o Estado notifique as plataformas para que elas tomem providência. “Elas têm que adotar medidas proativas de detecção e remoção desse conteúdo. Nada disso foi observado nesse caso”.

    O diretor de combate a crimes cibernéticos da Polícia Federal, Otávio Margonari Russo, disse que o ECA Digital tem recebido atenção de outras polícias do mundo. “Nos dá muita ferramenta para trabalhar. A polícia atua no campo preventivo e no campo repressivo”.

    Defesa

    Em nota, o Discord considerou a ação civil “desproporcional” e disse que mantém, de “forma consistente e de boa-fé”, o diálogo com a Advocacia-Geral da União. Segundo a empresa, foi apresentada uma proposta para reforçar a segurança na plataforma, com mudanças técnicas e investimento financeiro em segurança online no Brasil.

    A empresa afirmou estar comprometida em trabalhar com as autoridades competentes para chegar a uma solução que permita que “os brasileiros continuem utilizando o Discord”.

    Ainda de acordo com o Discord, a afirmação de que não há cooperação entre a empresa e as autoridades está “incorreta”. A plataforma afirmou que “não tem havido uma atuação coordenada entre os órgãos federais envolvidos” e disse não haver clareza sobre as medidas específicas solicitadas.

    Sobre a morte da adolescente de 13 anos, a empresa afirmou que o caso envolveu atividades ocorridas em múltiplas plataformas e que o Discord teria sido tratado de forma isolada no debate público. Segundo a plataforma, o governo teria compartilhado evidências de que a morte ocorreu em outra plataforma.

    O Discord afirmou ainda que investigou um servidor privado no qual, segundo a empresa, indivíduos envolvidos em atividades criminosas teriam incentivado a automutilação. De acordo com a plataforma, o servidor foi desativado antes da morte da adolescente.

    A empresa disse contar com equipes especializadas que atuam diariamente para detectar indivíduos que representam ameaças de alto risco, identificar possíveis vítimas e reduzir comportamentos de risco, com a remoção de pessoas consideradas mal-intencionadas e de seus conteúdos.

    Segundo o Discord, comunicações feitas às autoridades também contribuíram para a detenção de suspeitos.

  • Rádio Nacional apresenta transmissão especial do 12º Festival Internacional de Tribos do Alto Solimões

    Rádio Nacional apresenta transmissão especial do 12º Festival Internacional de Tribos do Alto Solimões

    A Rádio Nacional do Alto Solimões prepara uma cobertura especial para a 12ª edição do Festival Internacional de Tribos do Alto Solimões (Festisol). Realizado entre 27 e 30 de agosto, o festival celebra as manifestações artísticas, os cantos tribais, as danças rituais e a ancestralidade dos povos originários e das comunidades tradicionais da Amazônia.

    Desde segunda-feira (24), a emissora entrou no clima da festa, trazendo destaques diários em sua programação para apresentar os itens folclóricos, os cantos tribais e os bastidores da organização do festival.

    O ponto alto da cobertura acontece nas noites desta quinta-feira (27) e de sábado (29), datas oficiais de disputa das agremiações folclóricas. A Rádio Nacional fará uma transmissão especial das apresentações ao vivo direto do centro cultural, a partir das 19h (horário de Tabatinga) e das 21h (horário de Brasília), levando os ritmos, os enredos e a vibração das arquibancadas para o público.

    O Festisol acontece no Centro Cultural de Tabatinga, o tradicional “Onçódromo”, reunindo o melhor da cultura amazônica em quatro dias de programação intensa, com shows, danças, artesanato e mostras que destacam a importância da preservação das culturas e identidades amazônicas.

    Sobre a Rádio Nacional

    A marca faz parte da história do país e conta, atualmente, com oito emissoras próprias, em diferentes regiões do Brasil: Rádio Nacional do Rio de Janeiro, Rádio Nacional de São Paulo, Rádio Nacional de Brasília AM e FM, Rádio Nacional de Recife, Rádio Nacional de São Luís, Rádio Nacional da Amazônia e Rádio Nacional do Alto Solimões.

    Serviço
    Rádio Nacional Alto Solimões transmite apresentação das agremiações folclóricas do 12º Festival Internacional de Tribo nos dias 27 e 29 de agosto

    às 19h (horário de Tabatinga) e às 21h (horário de Brasília)

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  • Eleições 2026: mulheres negras divulgam manifesto para candidatos

    Eleições 2026: mulheres negras divulgam manifesto para candidatos

    “Levanta povo, cativeiro já acabou!”. O chamado é um dos versos da canção “Cangoma me Chamou”, gravado pela cantora Clementina de Jesus, e que, nesta quarta-feira (26), mobilizou ativistas e lideranças negras, em Brasília, no lançamento do Manifesto Político das Mulheres Negras do Brasil: O Pacto do Bem Viver e as Eleições 2026, coordenado pela Articulação de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB).

    O documento propõe a construção de um sistema político focado no Bem Viver, com justiça, equidade, solidariedade e vida digna no centro das decisões e da formulação de políticas públicas efetivas.

    A proposta do feminismo negro, voltada para a emancipação, a inclusão e o exercício da cidadania, coloca as mulheres pretas e pardas no centro do processo político, como cidadãs, eleitoras, lideranças em seus territórios e candidatas a cargos políticos e outros espaços de poder.

    O manifesto defende que é preciso que as mulheres negras não sejam vistas apenas como sujeitas destinatárias das ações voltadas para a diminuição das desigualdades. Elas querem ir além.

    “É fundamental que a nossa importância na vida política seja vista no âmbito da nossa capacidade de gestão e de imaginação, o que torna nossa presença nas casas legislativas e no executivo prioridade absoluta”, diz o texto do manifesto político.

    Cientes do peso decisivo das mulheres negras nas eleições deste ano, elas querem amplificar a voz coletiva em defesa das causas das pessoas pretas e pardas, como relata Isabel Faroni, diretora do Instituto Akanni. A instituição é focada em direitos humanos, gênero e raça, de Porto Alegre, que representa a coordenação da Região Sul junto à articulação.

    “Precisamos ter voz, sermos ouvidas. O manifesto é uma proposta de sociedade maravilhosa, porque a gente gosta da partilha justa e do cuidado mútuo.”

    Pacto do Bem Viver

    Na reafirmação do Pacto do Bem Viver, a coordenadora nacional da Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB), Jolúzia Batista, explica que a luta do manifesto é por igualdade, justiça e reparação, a fim de corrigir desigualdades estruturais originadas por mais de três séculos de escravidão no Brasil.

    Segundo Jolúzia, a articulação também tem construído plataformas políticas para apresentar propostas para o país e ampliar a participação das mulheres negras na agenda pública. “É um conjunto de diretrizes para os candidatos e as candidatas e para os governantes, com uma leitura da realidade para que, depois, a gente possa cobrar e também efetivá-las, já olhando para esse lugar da representação política dentro da estrutura do poder”, projetou.

    Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras lança o manifesto “Mulheres Negras na Política pelo Pacto do Bem Viver”. Foto  – Marcelo Camargo/Agência Brasil

    Candidatas negras e representatividade

    O documento enfatiza que o racismo e o sexismo ainda influenciam as disputas eleitorais e propõe medidas para enfrentar essas desigualdades estruturais.

    Em Brasília, o grupo criticou a desvalorização das mulheres pelos partidos políticos e a baixa destinação de recursos do Fundo Partidário e do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), conhecido como Fundo Eleitoral.

    As representantes divulgaram a hashtag #EuVotoEmNegra, da campanha nacional, com mesmo nome de incentivo à representatividade e à presença de mulheres negras na política brasileira.

    De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nas Eleições Gerais de 2026, do total de candidaturas (20.560), no recorte de raça e cor, as mulheres pretas somam 1.234 candidaturas, equivalentes a 6% do total e 2.485 (12,2%) são candidatas pardas.

    Os percentuais contrastam com a composição da população brasileira. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Anual (Pnad Contínua) de 2021, feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 28,2% da população brasileira, ou cerca de 58 milhões de pessoas, eram mulheres negras.

    Ao público, a coordenadora de Combate ao Racismo e Todas as Outras Formas de Discriminação do Ministério Público do Estado de Minas Gerais e promotora de Justiça Nádia Estela Ferreira Mateus lamentou que a participação de servidoras negras nos quadros do Ministério Público também seja desequilibrada.

    De acordo com Perfil Étnico-Racial do Ministério Público Federal, entre 13 mil membros do MP de todo o país, apenas 0,7% (81 mulheres) são procuradoras e promotoras pretas.

    Segundo Nádia Estela, a publicação do manifesto político é uma convocação para a transformação da sociedade.

    “Falar em reparação, em justiça racial e bem viver, é falar sobre a democracia, sobre direitos instituídos na nossa Carta Magna [Constituição Federal de 1988] e sobre quais vidas e quais sujeitos queremos colocar à frente da construção do nosso país”, disse a promotora de Justiça.

    Guerra híbrida

    Durante a apresentação da lista de compromissos, as mulheres contextualizaram o cenário político das eleições em outubro deste ano e apontaram a existência de uma guerra híbrida, em nível global e nacional, para desconstruir direitos humanos e sociais, atacando diretamente grupos historicamente marginalizados (mulheres negras, população LGBTQIA+, comunidades tradicionais e periféricas).

    A coordenadora executiva da Articulação de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB), Janira Sodré, ressaltou o direcionamento tendencioso do debate público na internet. “Chamamos essa estratégia ‘tecno autoritarismo’, porque perpassa a gestão das big techs sobre o que é entregue ou não de informações políticas.”

    Secretária-executiva da Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB), Janira Sodré. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil – Marcelo Camargo/Agência Brasil

    Segundo Janira, a guerra híbrida vende a perda de garantias históricas como se fosse um avanço social. Como exemplo, ela citou a defesa do fim do emprego formal como uma suposta vantagem para o trabalhador. Para ela, essa narrativa contribui para enfraquecer conquistas sociais.

    “É o ataque da ultradireita em relação a um projeto de bem viver, que é o bem-estar social. Essa é a construção que a gente almeja e sonha. Tem setores que são contrários, na verdade, odiosos, em relação aos direitos dessas populações diversas e múltiplas”, afirmou Janira Sodré.

    Além da promoção do discurso de ódio no ambiente virtual, a ativista negra destaca os ataques presenciais a serviços públicos (escolas, universidades, postos de saúde) e a servidores que garantem direitos sociais coletivos; e a atuação da milícia, do narcotráfico e de civis armados [paramilitares] nos territórios urbanos vulnerabilizados, onde a maior parte da comunidade é negra.

    Janira Sodré também cita a estratégia de disputa pelas comunidades pobres utilizando modelos teológicos e pastorais para construir uma base social de apoio.

    Para contrapor-se à estratégia, a coordenadora executiva da AMNB explica o que espera dos eleitos nas urnas. “Espero que o Estado chegue com uma presença de bem-estar e de oferta de bens e de serviços de cidadania para garantia de direitos, tomando decisões, inclusive orçamentárias, e de equipe que façam incidência em políticas públicas para nossa comunidade.”

    Construção coletiva de gerações

    O lançamento do manifesto promovido pela AMNB reuniu mulheres negras pioneiras, de meia-idade e jovens para firmar um pacto intergeracional com o objetivo de fortalecer a ocupação de espaços estratégicos de decisão.

    Uma das participantes foi a mestranda e engenheira ambiental e sanitarista, Caiene Reinier Freitas, bolsista do Instituto Baobá, que financia projetos e causas raciais.

    Como mulher trans, Caiene enxerga essa comunhão como um incentivo à ocupação de espaço de poder para avançar nas políticas públicas e denuncia a realidade de violência vivenciada por mulheres trans e travestis no Brasil. “É muito importante para que a gente reestruture a política institucional brasileira.”

    Essa população tem a expectativa de vida de apenas 35 anos, metade da longevidade de pessoas cis, segundo mapeamento da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra). Mesmo diante do risco, Caiene Reinier celebra o fato de que jovens mulheres trans negras e travestis ocuparem universidades, parlamentos e disputas políticas.

    “Ocupar os espaços de decisão é o que realmente materializa essas representatividades, essas ‘mulheridades’ [diferentes formas de vivenciar a experiência de ser mulher] tão potentes.”

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