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  • Agricultura ganha 11 milhões de hectares em 41 anos na Mata Atlântica

    Agricultura ganha 11 milhões de hectares em 41 anos na Mata Atlântica

    Em 41 anos, a Mata Atlântica perdeu quase 10 milhões de hectares, enquanto a área destinada à agricultura ganhou 11 milhões de hectares, é o que mostra levantamento do MapBiomas divulgado nesta segunda-feira (21), Dia da Árvore. O levantamento mostra ainda que um em cada quatro hectares de vegetação nativa existentes hoje na Mata Atlântica corresponde a áreas que voltaram a crescer após terem sido desmatadas desde 1985.

    Os dados fazem parte da Coleção 11,  dos mapas anuais de cobertura e uso da terra do Brasil do MapBiomas, rede colaborativa de universidades, organizações não governamentais (ONGs) e empresas de tecnologia, focadas em monitorar as transformações na cobertura e no uso da terra no Brasil, e reúne informações de 1985 a 2025.

    No total, a Mata Atlântica perdeu, desde 1985, 9,7 milhões de hectares de vegetação madura (áreas mapeadas como vegetação nativa desde 1985). Por outro lado, no mesmo período, o bioma ganhou mais de 8 milhões de hectares de vegetação secundária, áreas que voltaram a crescer depois de terem sido desmatadas.

    Apesar do crescimento, os dados evidenciam que o desmatamento passou a incidir mais sobre as áreas regeneradas, com vegetação secundária. Entre 2021 e 2025, foram suprimidos 1,2 milhão de hectares na Mata Atlântica: 700 mil hectares de vegetação secundária e 500 mil hectares de vegetação madura. Assim, 60% da supressão ocorrida nos últimos cinco anos atingiram áreas de vegetação secundária.

    Ao mesmo tempo, os números mostram que, em relação à supressão da vegetação nativa, na Mata Atlântica há uma tendência de queda ao longo da série histórica. A partir dos anos 2000, a área de vegetação nativa suprimida ficou abaixo de 2 milhões de hectares em cada período de cinco anos. Segundo o MapBiomas, os estados do Rio de Janeiro e de São Paulo foram os únicos que não apresentaram perda de vegetação nativa nos últimos 41 anos.

    A coordenadora técnica da Mata Atlântica do MapBiomas, Natália Crusco, destaca que apesar do avanço positivo registrado com a cobertura de áreas que haviam perdido a vegetação nativa, é preciso evitar o desmatamento no bioma, presente em 15 estados e considerado patrimônio nacional pela Constituição Federal.

    “A regeneração tem papel fundamental na recuperação da Mata Atlântica, seja por meio da restauração ou da recuperação natural de áreas degradadas”, disse Natália.

    Segubdo ela, ao mesmo tempo, é essencial evitar novas perdas de vegetação nativa, tanto madura quanto secundária, especialmente em um bioma tão fragmentado e historicamente pressionado pela ocupação humana.

    Com área de aproximadamente 1,3 milhão de quilômetros quadrados, a Mata Atlântica é o bioma brasileiro com a menor proporção de vegetação nativa. Em 2025, essa cobertura ocupava 32% do seu território, enquanto a agropecuária respondia por 63%. Os dados mostram ainda que a área ocupada pela agricultura corresponde a aproximadamente 20,5 milhões, o que representa 19% da área total do bioma.

    Segundo o MapBiomas grande parte da expansão ocorreu sobre pastagens, que perderam cerca de 11 milhões de hectares no período. A conversão de pastagens em agricultura respondeu por 19% das mudanças de cobertura e uso da terra registradas entre o início e o fim da série histórica, em 1985.

    “A soja ganhou 8,7 milhões de hectares em 41 anos e passou a ocupar 11,11 milhões de hectares em 2025, uma área 4,6 vezes maior do que a área registrada em 1985.  A cana-de-açúcar avançou 5 milhões de hectares e alcançou 6,15 milhões de hectares,  5,3 vezes a área de 1985″, informou o MapBiomas.

    Em 2025, a Mata Atlântica concentrava 25% da soja, 50% da cana-de-açúcar, 68% do café (833 mil hectares)  e 34% do citrus (141 mil hectares) das áreas mapeadas no Brasil.

    Outro ponto de destaque no levantamento é o avanço da silvicultura, que apresentou aumento de 3,8 milhões de hectares, chegando a 4,9 milhões de hectares em 2025. Nesse ano, metade da silvicultura mapeada no país estava na Mata Atlântica. O Paraná e Santa Catarina concentravam 46% da área de silvicultura no bioma.

    Áreas urbanizadas

    No que diz respeito às áreas urbanizadas, na Mata Atlântica elas cresceram 2,5 vezes entre 1985 e 2025. O acréscimo foi de 1,3 milhão de hectares, e a área total chegou a 2,3 milhões de hectares. Mais da metade, 52%, de toda a área urbanizada do Brasil estavam no bioma em 2025.

    “Quanto à extensão das áreas urbanizadas, mais de 80% dos municípios da Mata Atlântica apresentavam menos de mil hectares urbanizados em 2025. Apenas São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba ultrapassavam 30 mil hectares”, acrescentou o MapBiomas.

    Os estados de São Paulo, Paraná e Minas Gerais registraram os maiores aumentos absolutos de áreas urbanizadas entre 1985 e 2025.

  • Em Lábrea, Defensoria realiza atendimentos gratuitos nas áreas de Família e Registros Públicos

    Em Lábrea, Defensoria realiza atendimentos gratuitos nas áreas de Família e Registros Públicos

    A Defensoria Pública do Amazonas (DPAM) vai realizar, entre os dias 22 e 24 de setembro, uma ação de atendimentos jurídicos gratuitos no município de Lábrea, distante 702 quilômetros de Manaus. A iniciativa, do projeto ‘Defensoria Itinerante’, acontecerá no auditório da Escola Estadual Santo Agostinho, localizada na avenida 14 de Maio, no Centro da cidade.

    O atendimento será realizado das 8h às 17h, por ordem de chegada, com distribuição de fichas no local. Os moradores poderão buscar orientações e resolver demandas sobre divórcio, pensão alimentícia, guarda, reconhecimento ou dissolução de união estável, além de solicitações relacionadas à segunda via de certidões, registro tardio, restauração de registros civis, entre outras.

    Para agilizar o processo, é recomendado que os interessados compareçam ao local da ação com documentos de identificação pessoal (RG e CPF), além de comprovante de residência e de todos os documentos relacionados ao caso que desejam apresentar.

    De acordo com o coordenador da ‘Defensoria Itinerante’, defensor público Danilo Germano, a ação de atendimentos em Lábrea é fundamental para garantir que o acesso à Justiça alcance, de forma efetiva, a população mais vulnerável, sem que os moradores precisem realizar grandes deslocamentos ou agendamento prévio.

    “A ação em Lábrea é de suma importância, pois aproxima a Defensoria da população e supera desafios como barreiras geográficas e econômicas que impedem o cidadão de acessar a Justiça. No atendimento presencial, a pessoa pode ir diretamente até a equipe, conversar sobre a sua demanda e receber uma escuta especializada para, então, prosseguir com a resolução do seu caso, sem a necessidade de agendamento”, destaca o defensor Danilo Germano.

  • Equipe do PATAM resgata tartaruga na Zona Leste de Manaus

    Equipe do PATAM resgata tartaruga na Zona Leste de Manaus

    Uma equipe do PATAM resgatou uma tartaruga nesta segunda-feira (21), no bairro São José, na Zona Leste de Manaus.

    Após o resgate, o animal foi encaminhado ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), onde deverá receber os cuidados necessários para avaliação e recuperação.

    A ação teve como objetivo garantir a segurança do animal e proporcionar o atendimento adequado até que ele possa ser encaminhado para o destino apropriado.

  • Equipe do PATAM resgata ave com asa machucada em Manaus

    Equipe do PATAM resgata ave com asa machucada em Manaus

    Uma equipe do PATAM realizou o resgate nesta segunda-feira (21), de uma ave que estava com a asa machucada no bairro Dom Pedro, em Manaus.

    Após ser localizada, a ave foi retirada do local pelos agentes e encaminhada ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), onde deverá receber os cuidados veterinários necessários para sua recuperação.

    A ação teve como objetivo garantir a segurança do animal e proporcionar o atendimento adequado até que ele possa se recuperar.

  • Operação Housekeeping prende 14 suspeitos de envolvimento em homicídios em Manaus

    Operação Housekeeping prende 14 suspeitos de envolvimento em homicídios em Manaus

    Quatorze pessoas foram presas nesta segunda-feira (21), durante a terceira fase da Operação Housekeeping, deflagrada pela Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS). Os investigados são suspeitos de envolvimento em homicídios ocorridos em diferentes zonas de Manaus.

    Entre os presos estão Adriano Nogueira da Silva, de 21 anos, e Eddy Jhon Diaz Espitia, de 24 anos. Conforme as investigações, os dois são apontados como envolvidos na morte de Ygor Ramos de França, de 23 anos.

    O homicídio ocorreu no dia 22 de julho deste ano, no bairro Betânia, na Zona Sul da capital amazonense.

    Suspeitos são investigados por mortes em diferentes zonas

    Também foram presos Diego Lima da Silva, de 27 anos, e Daniel de Lima Santos, de 31. Segundo a investigação, a dupla é suspeita de participação na morte de Ernande Araújo Tanaka, de 47 anos.

    O crime aconteceu no dia 14 de maio deste ano, no bairro Compensa, na Zona Oeste de Manaus.

    Durante a operação, os policiais também prenderam Jorge Alejandro Alvarado Lopez, de 25 anos, e Sergio Javier José Castillo Carrillo, de 32 anos. Os dois são investigados pelo assassinato de Renato de Souza Rebello, de 37 anos.

    O homicídio ocorreu na noite de 31 de dezembro de 2025, na comunidade Val Paraíso, localizada no bairro Jorge Teixeira, na Zona Leste de Manaus.

    As demais prisões realizadas nesta terceira fase estão relacionadas a outros homicídios investigados pela DEHS. De acordo com a Polícia Civil, a operação tem como objetivo reunir elementos que ajudem a esclarecer a participação individual dos suspeitos nos crimes.

    Polícia deve divulgar detalhes da operação

    A Polícia Civil do Amazonas deve apresentar mais informações sobre a terceira fase da Operação Housekeeping durante uma coletiva de imprensa nesta segunda-feira (21).

    A apresentação está prevista para as 11h, na Delegacia Geral, localizada na Avenida Pedro Teixeira, nº 180, no bairro Dom Pedro, Zona Centro-Oeste de Manaus.

    Durante a coletiva, a polícia deve detalhar as investigações e as circunstâncias que levaram às prisões realizadas pela DEHS.

  • Casal é encontrado morto dentro de casa na zona Norte de Manaus

    Casal é encontrado morto dentro de casa na zona Norte de Manaus

    Um casal foi encontrado morto na madrugada desta segunda-feira (21), dentro de uma residência na rua Jacó, na Comunidade Celebridade II, bairro Colônia Terra Nova, na zona Norte de Manaus.

    As vítimas foram identificadas como Daniele Priscila dos Santos Rodrigues, de 39 anos, e Antônio Aldyofre Corrêa Lopes Filho, de 34.

    Segundo informações repassadas por policiais da 18ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom), o casal teria se envolvido em uma discussão antes da ocorrência. Moradores da região relataram às autoridades que os dois mantinham um relacionamento marcado por conflitos.

    Uma equipe policial foi acionada para atender ao caso e, ao chegar ao endereço, encontrou as duas vítimas já sem vida dentro da residência.

    Durante a ocorrência, os policiais localizaram uma faca cravada no pescoço de Antônio. O objeto foi apreendido e deve passar por perícia.

    Os corpos foram removidos e encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML), onde devem passar pelos procedimentos necessários para determinar as causas das mortes.

    A Polícia Civil do Amazonas deve investigar o caso para esclarecer a dinâmica do crime e as circunstâncias que levaram à morte do casal.

  • PF efetua prisão por tráfico internacional de drogas no Aeroporto de Manaus

    PF efetua prisão por tráfico internacional de drogas no Aeroporto de Manaus

    Na sexta-feira (18/9), a Polícia Federal prendeu em flagrante uma mulher que transportava 13,9 kg de skunk no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, em Manaus.

    Durante fiscalização de rotina, os policiais localizaram o entorpecente ocultado na bagagem da passageira. Ela tentava embarcar com destino a Montevidéu/Uruguai.

    Diante dos fatos, a suspeita foi conduzida à Superintendência Regional da Polícia Federal no Amazonas e autuada em flagrante por tráfico internacional de drogas. Após os procedimentos de polícia judiciária, ela foi encaminhada à Justiça Federal.

    A droga apreendida será submetida à perícia.

  • Manaus celebra Dia da Árvore com distribuição de mudas e balanço da arborização urbana

    Manaus celebra Dia da Árvore com distribuição de mudas e balanço da arborização urbana

    A Prefeitura de Manaus promove, nesta segunda-feira (21), uma ação em comemoração ao Dia da Árvore, com distribuição gratuita de mudas à população. A iniciativa será realizada no campus Leste do Instituto Federal do Amazonas (Ifam), localizado na avenida Cosme Ferreira, nº 8.045, no bairro São José Operário, zona Leste da capital.

    A programação terá dois horários de atendimento: das 9h30 às 11h e das 13h às 16h. Cada pessoa poderá retirar até cinco mudas, sendo duas de espécies florestais, uma frutífera e duas ornamentais ou medicinais.

    Segundo a Prefeitura, a ação ocorre em um momento de expansão da arborização urbana de Manaus. Entre janeiro e agosto de 2026, mais de 45 mil novas mudas foram plantadas em áreas urbanas da cidade pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas).

    Entre as espécies que despertam maior interesse da população estão os ipês. De acordo com a administração municipal, a procura por essas árvores é alta. Nesta edição, porém, serão distribuídas mudas de uma variedade utilizada exclusivamente nos plantios realizados pela própria Prefeitura.

    A iniciativa busca aproximar a população das ações de arborização e incentivar o cultivo de espécies vegetais em espaços urbanos.

    Serviço

    O quê: Dia da Árvore com doação de mudas
    Quando: segunda-feira, 21 de setembro
    Horários: das 9h30 às 11h e das 13h às 16h
    Onde: campus Leste do Ifam, avenida Cosme Ferreira, nº 8.045, bairro São José Operário, zona Leste de Manaus

  • Dia da pessoa com deficiência: arte e movimento desafiam capacitismo

    Dia da pessoa com deficiência: arte e movimento desafiam capacitismo

    “Quando sinto o calor do sol da manhã na pele, me dá vontade de fotografar. Gosto das frestas de luz que se formam aqui em casa”. O calor do dia ilumina o fotógrafo mineiro Luciano Ambrósio, de 57 anos, morador da Ceilândia (DF), para cada detalhe. 

    Luciano resolveu captar a rotina de forma especial em imagens e palavras depois que perdeu a visão, aos 24 anos. 

    A vida que chega com calor descortina a visibilidade que devem ter os direitos de cidadania enfatizados em datas como esta segunda-feira (21), Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência. No caso de Luciano, as imagens que ele cria revelam percepções de cenários, às vezes, hostis, com obstáculos, e outras vezes, encaradas por outros ângulos.

    Ele está perto de realizar um sonho: a publicação do primeiro livro, Meu olhar” (de 120 páginas, em edição independente), prevista para novembro. A obra reúne imagens e 100 poesias.

    Descobriu a fotografia há 10 anos e utiliza a máquina com suporte de um software de voz. 

    Luciano mapeia o ambiente pelo corpo, incluindo a textura do chão, a inclinação do terreno, os sons ao redor. Com o celular, tem o apoio das informações sobre o que está diante da câmera. Com a descrição, a tecnologia traduz a imagem que poderá surgir, e, com essas informações, decide por dar o clique na máquina que comprou com as economias que fez.

    Inclusiva

    Nascido em Lajinha (MG), o fotógrafo se mudou para Brasília em 2002 para estudar biblioteconomia e trabalhar. Já quando atuava no Senado como assessor, participou de uma oficina de fotografia inclusiva. Encantou-se mesmo quando ouviu a orientação: “busquem aquela imagem do cotidiano que ninguém presta atenção”. Ele prestava atenção em tudo.

    Folha seca, pedrinha no chão, a luz e a chuva refletidas. A máquina passou a ser uma extensão de seus braços e dos sentimentos que resolveu alcançar.

    “Eu coloco a câmera pertinho do chão e fotografo a grama. Eu adoro os degraus”. Não o obstáculo, mas a luz que se forma entre eles. Ou as pessoas andando, dançando. Pede que elas coloquem um guizo no pescoço para que ele possa buscar.

    “Eu já passei mais tempo da minha vida como um cego (desde os 24 anos) do que enxergando. Mas eu sei muito bem o que é beleza visual. Isso ainda está guardado aqui no meu cérebro”. Ele recorda e imagina as frestas.

    A esposa dele, a cerimonialista Edna Teodoro, de 54 anos, diz que ele a surpreende a cada dia com a capacidade de criação permanente. “O convívio representa um aprendizado grande pra mim. Ele é animado todos os dias”.

    Ela lamenta testemunhar episódios de capacitismo (quando alguém subestima uma pessoa com deficiência). “Recentemente, fomos fazer um lanche no shopping e a atendente me perguntou o que ele iria querer, como se ele não pudesse compreender. Eu falei que ela podia perguntar para ele direto”.

    A esposa explica que ele sente poesia em tudo. Tanto que ele vive acelerado pensando no segundo livro. “Meu sonho é viver da minha arte”.

    A estilista goiana Juliana Santos sofreu uma série de ataques na internet. Foto: Juliana Santos/Arquivo Pessoal

    Moda

    Outra artista apaixonada pelo que faz é a estilista goiana Juliana Santos, de 40 anos. Ela mora em São Paulo e vive um momento de tristeza em função de uma série de ataques na internet. Ela ingressou na Justiça com uma ação que pede reparação.

    “Eu quero ter paz novamente. E, para mim, essa paz passa necessariamente por uma resposta das autoridades e por uma investigação que finalmente esclareça o que aconteceu”, diz.

    Prints reunidos pela estilista mostram comentários direcionados diretamente à sua condição de pessoa com deficiência. O impacto da exposição passou a repercutir diretamente em sua atividade profissional, com cancelamentos e perda de contratos. Em 12 anos de trabalho, Juliana já produziu mais de 2.300 vestidos.

    Em 2024, ano em que, segundo a estilista, teve início a perseguição, foram produzidos 678 vestidos. Em 2025, o número caiu para 68 vestidos, quando a previsão inicial era de 127. Para 2026, até o momento, foram fechados 28 contratos.

    “Minha arte é meu trabalho, meu sustento e o sustento dos meus filhos. Quero que haja responsabilização por aquilo que aconteceu”, completa.

    Juliana relata ainda que há um inquérito em andamento há mais de um ano, relacionado a denúncias de calúnia, perseguição e stalking, sem desfecho até  agora.

    Protesto

    A estilista deve apresentar nesta segunda-feira (21) um vestido como manifesto contra o capacitismo nas redes sociais. Ela pretende fazer intervenção artística na roupa com 200 comentários ofensivos que ela registrou nos últimos dois anos.

    Esse é mais um dos momentos doloridos de sua vida. Na infância, ela foi vítima de um incêndio acidental em casa quando tinha quatro anos de idade e estava sozinha com uma irmã bebê. Juliana perdeu os dedos das mãos e ficou com cicatrizes em outros membros. Foi abandonada pela mãe e depois adotada por outra família.

    Desde criança, tinha fascinação por roupas. Diante das limitações, demorou um pouco mais para aprender a escrever e a segurar os objetos. Mas, quando conseguiu se adaptar, passou a fazer aulas de pintura, artesanato e costura.

    “Eu sempre gostei da moda. Eu pintava as minhas roupas, desenhava, cortava. Não era como as outras adolescentes”.

    Ela defende que o trabalho não se resume à deficiência. “A minha deficiência é só um detalhe. Não são as minhas mãos que fazem os vestidos, é o meu cérebro, é o meu olhar, é a minha criatividade”.

    “Podem perguntar!”

    A professora de educação física Carolina Belfort é cadeirante e dá aulas no Riacho Fundo (DF). Foto: Carolina Belfort/Arquivo Pessoal

    Também de criatividade é refinada a paixão da professora de educação física maranhense Carolina Belfort, de 40 anos. O estímulo ao movimento e à saúde encanta alunos de diferentes faixas etárias na escola pública em que atua, no Riacho Fundo, região periférica do Distrito Federal.

    Cadeirante, no primeiro dia de aula, ela pede que os alunos perguntem à vontade tudo o que quiserem. Abertamente, Carolina explica que perdeu o movimento das pernas ainda criança depois de um tiro acidental dentro de casa. “Com o tempo, eles nem se lembram mais desse assunto”.

    A professora está acostumada a receber abraços e beijos das crianças apaixonadas pela forma empolgada que ensina esportes e valoriza a atividade, momento tão esperado da semana. Ela explica aos pequenos e grandes que é necessário ficar longe de telas. “Para tirar do celular, tem que tirar de casa”.

    Na escola, além dos esportes, Carolina estimula a criançada para a dança. Inclusive nos intervalos. “Eles amam”. Ela mesma testemunha que, durante o seu período escolar, não se sentiu incluída nas atividades. “Eles não sabiam como orientar e eles tinham medo de eu me machucar”, lamenta.

    Obstáculos que ela sentiu tanto por causa da deficiência como por ser mulher, segundo avalia. “A chave foi virada. Foram muitas batalhas porque existe o capacitismo. Eu tenho que me provar duas vezes”. O sonho dela é futuramente trabalhar de forma especializada com outras pessoas com deficiência para estimulá-las a olhar a vida de outra forma.

    Nas águas

    Dentro da água, a vida passa em alta velocidade para a funcionária pública e arquivista brasiliense Daniela Francescutti, de 56 anos. Desde 2007, a paixão pela natação, que representava saúde e diversão, ficou ainda mais séria para ela, que é uma atleta surda. 

    Ela participa de competições masters de natação. “Gosto de nadar borboleta, medley e provas longas (800 metros e 1,5 mil metros livres)”. Ficou em sexto lugar logo no primeiro ano na prova mais longa. “O que já foi meu ouro”

    A funcionária pública Daniela Francescutti participa de competições masters de natação. Foto: Daniela Francescutti/Arquivo Pessoal

    Em 2013, arriscou-se também em águas abertas. Oito anos depois, a Federação Brasiliense Desportiva dos Surdos a convidou para competir oficialmente. “Desde 2021, represento o DF nas competições nacionais de surdos”.  Neste ano, em Guaiaquil (Equador), voltou com três medalhas do Open Panamericano. A delegação brasileira trouxe 24 medalhas.

    A prática de participar de competições mudou completamente a vida dela. Mudou a alimentação, o sono e passou a querer colaborar com a equipe.

    “Decidi cortar o açúcar e foi a melhor coisa que fiz. Eu treino em piscina coberta às 7h da manhã. O sol me aquece quando eu saio da academia a caminho do trabalho”.

    Além de ser uma atleta competidora, o esporte tem um significado que vai além das medalhas.  “Para mim, a natação é meu templo de paz. É nela que busco a paz interior”.

    Letramento

    A secretária nacional dos direitos da pessoa com deficiência, Isadora Nascimento, defende que o Brasil precisa de um letramento sobre o que é o capacitismo. 

    “Muitas vezes, as pessoas reproduzem sem se darem conta. A gente tem feito campanhas de conscientização para trazer o conceito na prática de forma simples”.

    Ela exemplifica que termos como “surdo” e “cego” são usados de forma pejorativa em xingamentos. A secretária explica que é necessário levar o assunto para a escola e também promover campanhas sistemáticas.

    Na emergência por garantia de direitos, Isadora Nascimento entende que marcadores sociais devem ser levados em conta. “Uma mulher negra com deficiência, que é o meu caso, enfrenta mais camadas de opressão do que uma mulher branca. Ou então uma pessoa LGBT com deficiência também vai enfrentar. A gente precisa entender onde estão essas pessoas”, exemplifica.

    Ela diz que é necessário melhorar esse mapeamento para ampliar políticas públicas necessárias de inclusão. Por mais direitos e oportunidades das pessoas serem o que quiserem.

  • Fragmentação de dados dificulta prevenção de feminicídios

    Fragmentação de dados dificulta prevenção de feminicídios

    Ameaças, agressões e descumprimentos de medidas protetivas frequentemente aparecem antes de um feminicídio. No entanto, especialistas avaliam que a fragmentação dos serviços de atendimento a vítimas de violência faz com que oportunidades de intervenção sejam perdidas e que sinais conhecidos pelo Estado acabem, em muitos casos, em mortes que poderiam ter sido evitadas.

    Para a promotora Silvia Chakian, do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), as diferentes instituições que trabalham no combate à violência e no atendimento às vítimas precisam atuar de forma integrada, como acontece, por exemplo, no enfrentamento à criminalidade organizada.

    “A fragmentação institucional, em que cada instituição registra apenas parte do fenômeno, faz com que o Estado tenha uma visão de fragmentos, não da trajetória de violência”, disse a promotora, durante o painel Feminicídios e violência doméstica: por que seguimos falhando?, realizado no 20º Encontro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

    “A ausência de integração de dados estratégicos e as ilhas de informação das instituições que não se conversam, somadas às falhas na fiscalização das medidas protetivas de urgência, estão transformando oportunidades de proteção em falhas que resultam nas mortes de mulheres”, acrescentou a promotora.

    O delegado Julio Guebert, professor da Academia de Polícia Civil de São Paulo, também defende que os serviços de atendimento às vítimas de violência operem em rede, conectando diferentes órgãos e profissionais, como forma de superar as ações isoladas.

    “Se não tiver uma rede, nós não vamos chegar a lugar nenhum.”

    “Você tem uma porta na delegacia, uma porta no MP, uma porta na Defensoria, na saúde, na educação. Todas essas portas têm que chegar na mesma sala. Isso é a rede. É o que a gente está tentando implantar. É complexo, é custoso, quando você fala de orçamento. Mas é a única solução.”

    Omissão do Estado

    De acordo com dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), 72,9% dos municípios com menos de 100 mil habitantes não dispõem de nenhum serviço especializado de atendimento à mulher.

    “É exatamente nesses territórios que a gente tem visto essas mortes acontecerem, porque as mulheres não têm sequer onde pedir ajuda”, afirmou a promotora Silvia Chakian.

    “Então, também é verdade que a gente colhe um legado de negligência, de leniência e omissão estatal no investimento e na destinação do orçamento público compatível com a magnitude do problema. Isso precisa ser dito”, ressaltou.

    Para a delegada titular da 1ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), Cristine Costa, é preciso criar mecanismos que facilitem o acesso da mulher vítima de violência a um registro de ocorrência. Ela cita a implementação do boletim de ocorrência eletrônico de violência doméstica em São Paulo. Pelo sistema, também é possível solicitar medidas protetivas pelo celular.

    Em uma segunda frente de trabalho da Polícia Civil, ela defende a qualificação dos policiais para que acolham a vítima sem fazer nenhum tipo de julgamento sobre a gravidade da violência que ela sofreu, incluindo denúncias de ameaça ou injúria.

    “A gente tem que acolher essa mulher no primeiro sinal de violência.”

    “Para que acolham essa mulher no primeiro sinal de violência sem pré-julgamento, sem que ela se sinta mal de estar ali para narrar um crime que [pode parecer para alguns] que não é relevante, mas a gente sabe que é o início de uma escalada criminosa que pode, sim, culminar com o feminicídio”, disse a delegada.

    Ódio e misoginia

    A escalada da brutalidade da violência contra as mulheres, segundo Silvia Chakian, tem chamado a atenção dos diferentes profissionais que trabalham com a questão.

    “São 61 golpes contra o rosto da mulher dentro do elevador, é a mulher atropelada e arrastada na via pública até perder as pernas.”

    “Esse ódio, essa manifestação de mais violência, é reflexo também desse caldo cultural que cresce nas redes, do fomento desse discurso misógino, que propaga uma ideia de desvalor, uma propaganda negativa sobre as mulheres”, relatou a promotora.

    Ela acrescenta que o discurso misógino tem cooptado jovens cada vez mais cedo.

    “Aproveitando-se das frustrações típicas da adolescência, muitas vezes, ou de vulnerabilidades sociais, para poder atrair, sob o fio condutor da misoginia, os jovens para esse discurso, que lá na frente vai justificar muita violência.”

    Embora não haja um único ponto que explique a atual violência contra as mulheres, a promotora afirma que os índices de violência contra mulheres estão diretamente relacionados aos índices de desigualdade de gênero no país, que ainda são alarmantes.

    “Se nós queremos [nos] antecipar, prevenir essas mortes, é preciso garantir um reposicionamento das mulheres na sociedade, em termos de acesso a direitos fundamentais, a direitos humanos, seja no âmbito da educação, da saúde, da habitação, do trabalho digno, do desenvolvimento social”, disse Silvia.

    Subnotificação

    Os registros de feminicídios aumentaram 4,7% em 2025, na comparação com o ano anterior. A promotora do MP-SP Juliana Tocunduva, que atua na Casa da Mulher Brasileira, na capital paulista, destaca que o resultado contrasta com os casos de homicídios dolosos, que tiveram diminuição.

    Entre as falhas do Estado no enfrentamento à violência doméstica e ao feminicídio, ela aponta a subnotificação dos casos de violência contra mulheres.

    “A gente não tem tantos dados de registros em relação às ameaças ou às violências ocorridas anteriormente. (…) São inúmeras barreiras que a mulher que sofre violência precisa enfrentar até chegar a um pedido de socorro, um registro de boletim de ocorrência.”

    Entre os fatores, Juliana cita falta de acesso à Justiça, descrença nas instituições de segurança pública, não saber os seus direitos, medo de eventual represália do agressor, medo de deixar os filhos para trás e dependência econômica.

    “Outra falha é em relação à fiscalização de cumprimento de medida protetiva de urgência. A gente teve um aumento significativo na concessão das medidas protetivas, foram mais de 621 mil medidas concedidas [em 2025]. Mas a gente tem, também, 135 mil descumprimentos de medida protetiva”, mencionou.

    Além disso, Juliana relata que, nas cidades do interior, a rede de atendimento às mulheres vítimas de violência é absolutamente deficitária. Em muitos casos, não há serviço socioassistencial, delegacia especializada funcionando 24 horas por dia, juizado nem promotoria especializados.

    “São esses gargalos e obstáculos que a gente vai encontrar no enfrentamento à violência doméstica que, muitas vezes, impedem uma ação para evitar o escalonamento da violência e, por fim, o feminicídio”, avaliou a promotora.

    Brasília (DF), 18/09/2026 – Arte violência contra as mulheres – Arte/Agência Brasil

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