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  • Profissionais de saúde orientam para prevenção e controle da hipertensão arterial

    Profissionais de saúde orientam para prevenção e controle da hipertensão arterial

    Profissionais de saúde orientam para prevenção e controle da hipertensão arterial

    A hipertensão arterial é uma condição crônica que costuma evoluir sem sintomas, podendo passar despercebida até chegar a estágio avançado ou causar complicações graves. Ao longo do último mês, as equipes da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), da Prefeitura de Manaus, vêm reforçando o alerta à população para a prevenção, diagnóstico precoce e controle da doença, em atenção aos dias nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial (26 de abril) e Mundial da Hipertensão (17 de maio).

    A iniciativa abrange ações de prevenção e promoção da saúde em toda a rede básica, com a ampliação na oferta de serviços como aferição de pressão arterial e estratificação de risco cardiovascular. As equipes de saúde orientam ainda sobre causas e fatores de risco da hipertensão, enfatizando o papel do autocuidado, da alimentação saudável e da prática de atividades físicas para prevenir e controlar a condição.

    Em torno de três em cada dez brasileiros são hipertensos, conforme estimativa do Ministério da Saúde. Em Manaus, de acordo com a chefe do Núcleo de Atenção à Saúde das Pessoas com Doenças Circulatórias e Diabetes da Semsa, Phamela Costa, dentre as pessoas com 18 anos ou mais atendidas na rede municipal, 251.081 têm diagnóstico da doença, o que reforça a importância da atenção ao agravo.

    “Se não tratada, a hipertensão arterial eleva o risco de infarto, acidente vascular cerebral, insuficiência renal e outras complicações sérias que podem comprometer a qualidade de vida e até reduzir a expectativa de vida da pessoa”, alerta a gestora.

    A hipertensão arterial sistêmica (HAS) consiste na pressão arterial sustentada em níveis elevados, de 140×90 mmHg e acima, para pessoas adultas, sendo considerados ideais níveis abaixo de 120×80 mmHg. A pressão alta pode ocasionar danos em vasos e órgãos, além de exigir maior esforço do coração para fazer o sangue circular no corpo.

    Alguns hábitos de vida, diz Phamela, são apontados como responsáveis pelo aumento da pressão arterial, entre eles o estresse, o excesso de peso, a falta de atividade física e o consumo elevado de álcool e sal. Ela aponta que tanto as estratégias para prevenir a HAS como para controlar a doença incluem adotar hábitos e estilos de vida saudáveis, com o equilíbrio na dieta e a prática de exercícios físicos ou esportes.

    “A aferição regular da pressão também é essencial para o diagnóstico precoce e para o acompanhamento do tratamento. Quando necessário, segundo avaliação médica, a pessoa hipertensa pode também fazer uso de medicação para manter níveis controlados”, pontua.

    Prevenção e combate

    A agenda da Semsa para prevenção e combate à hipertensão inclui, além da oferta de exames e consultas clínicas, atividades educativas, como rodas de conversa palestras, nos atendimentos e salas de espera, informando os usuários sobre a pressão alta e seus riscos, e orientando sobre os hábitos que ajudam a prevenir ou regular a condição. Práticas corporais e integrativas, como relaxamento, integram as ações.

    Uma das ações previstas na reta final da programação acontece na Unidade de Saúde da Família Rural (USFR) Conselheira Ada Viana, na rodovia BR-174 (Manaus-Boa Vista), quilômetro 41, na zona rural, nesta quinta-feira, 21/5. A equipe multiprofissional vai conduzir os usuários por estações nas áreas de enfermagem, nutrição, fisioterapia, psicologia e farmácia, destacando a prevenção e o autocuidado com a pressão arterial, e promover práticas corporais de alongamento.

    A proposta da ação, conforme a enfermeira da área de Atenção à Saúde das Pessoas com Doenças Circulatórias e Diabetes da Ada Viana, Keila Gisele Lima Reis, é estimular o papel ativo do usuário na prevenção e promoção da saúde.

    “O objetivo de todas as nossas ações relacionadas à hipertensão é de fazer que o usuário seja coparticipante, que seja também responsável pelo seu cuidado em saúde”, relata a enfermeira.

    Keila avalia que a mudança no estilo de vida é o maior desafio para as pessoas que recebem diagnóstico de hipertensão. “Buscamos reforçar junto aos usuários que não basta aderir à terapia medicamentosa, mas é importante também promover o controle do peso e inserir atividade física no dia a dia”, conclui.

    A intensificação nas ações de educação e de saúde na rede básica iniciou em meados de abril e segue até o final deste mês, em unidades dos cinco Distritos de Saúde (Disas) da secretaria, Norte, Leste, Oeste, Sul e rural. As atividades de prevenção da doença seguem ainda como parte da rotina da Atenção Primária ao longo de todo o ano.

  • Manaus altera itinerários de ônibus durante festejo de santa Rita de Cássia no bairro Cachoeirinha

    Manaus altera itinerários de ônibus durante festejo de santa Rita de Cássia no bairro Cachoeirinha

    Manaus altera itinerários de ônibus durante festejo de santa Rita de Cássia no bairro Cachoeirinha

    A Prefeitura de Manaus, por meio do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU), realizará alterações temporárias no itinerário de diversas linhas de ônibus em razão do tradicional festejo de santa Rita de Cássia, promovido na paróquia Santa Rita de Cássia, localizada na avenida Carvalho Leal, bairro Cachoeirinha, zona Sul da capital. As mudanças ocorrerão nesta sexta-feira e sábado, 22 e 23/5, a partir das 14h, devido à interdição de trecho da avenida Carvalho Leal, para garantir a segurança dos fiéis e a organização do evento religioso.

    O principal dia de celebração dedicado à santa das causas impossíveis acontece no dia 22/5, e deve reunir milhares de pessoas durante as procissões, missas e programações culturais realizadas no entorno da igreja. Para minimizar impactos na mobilidade urbana, agentes do IMMU atuarão no monitoramento do trânsito e na orientação de motoristas e usuários do transporte coletivo.

    O IMMU orienta que os usuários do transporte coletivo e condutores redobrem a atenção na área e programem seus deslocamentos com antecedência durante o período das festividades.

    Alterações de Itinerário

    Sentido bairro/Centro

    As linhas 460 e 624 seguirão normalmente até a avenida Silves, depois acessarão as avenidas Urucará, Itacoatiara, Borba, Ipixuna, Carvalho Leal e Terminal de Integração 2 (T2).

    As linhas 350, 542, 611, 612 e 713 operarão normalmente até a avenida Castelo Branco, seguindo pelas avenidas Ajuricaba, Carvalho Leal e T2.

    Já as linhas 329, 341, 358, 409, 446, 458, 465, 519, 550 e 605 seguirão normalmente até a avenida Carvalho Leal, passando pelas avenidas Itacoatiara, Borba, Ipixuna, retornando à Carvalho Leal e T2.

    Sentido Centro/bairro

    As linhas 350 e 610 farão desvio pela avenida Carvalho Leal, avenidas Silves, Ramos Ferreira, Duque de Caxias e Leonardo Malcher, retornando posteriormente ao itinerário normal.

    As linhas 001, 004, 010, 110, 116, 129, 212, 403, 457, 461, 502, 507, 515, 542, 604, 608, 611, 612, 616, 619, 621, 650, 651, 677, 680, 708, 713 e 715, seguirão normalmente até o T2, acessando depois as avenidas Carvalho Leal, Silves, Ramos Ferreira, Duque de Caxias e Leonardo Malcher, retornando em seguida ao itinerário habitual.

  • Manaus informa interdição temporária da plataforma de ônibus Santos Dumont para avanço das obras da nova passarela

    Manaus informa interdição temporária da plataforma de ônibus Santos Dumont para avanço das obras da nova passarela

    Manaus informa interdição temporária da plataforma de ônibus Santos Dumont para avanço das obras da nova passarela

    A Prefeitura de Manaus, por meio do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU), informa que realizará interdição temporária da plataforma da estação Santos Dumont, localizada na avenida Torquato Tapajós, zona Centro-Oeste da capital, entre os dias 22 e 25/5, em razão da operação de içamento das vigas metálicas da nova passarela que será implantada no local.

    A medida será necessária para garantir a segurança operacional durante a execução dos serviços, considerados uma das etapas mais complexas da obra.

    Transporte coletivo

    Em razão da interdição operacional da plataforma Santos Dumont, algumas linhas de ônibus terão alterações temporárias de itinerário e atendimento durante o período da obra.

    As linhas 011, 302, 305, 306, 315, 319, 320, 321, 324, 330, 340, 356, 415, 430, 443, 444, 448, 454, 455, 500, 550, 560, 640 e A316 irão operar em sistema de desvio nos dois sentidos da avenida Torquato Tapajós, utilizando o contrafluxo implantado pelo IMMU nas proximidades da estação Santos Dumont. Durante a operação, essas linhas irão atender normalmente todos os pontos de ônibus localizados no trecho entre a estação Santos Dumont e a estação Arena (E2), na avenida Constantino Nery, garantindo o embarque e desembarque de passageiros ao longo do percurso.

    Já as linhas alimentadoras A208, A307, A210, A326, A626 e A025 terão atendimento estendido temporariamente somente até a estação Arena (E2), na avenida Constantino Nery, devido à suspensão operacional da plataforma Santos Dumont durante a execução dos serviços. Essas linhas não realizarão embarque ou desembarque de passageiros em outros pontos ao longo do trajeto, efetuando parada exclusivamente na estação Arena (E2).

    O IMMU também irá disponibilizar cinco ônibus de apoio para atendimento emergencial aos usuários do transporte coletivo, caso haja necessidade de reforço operacional ou deslocamento de passageiros para outras zonas da cidade durante o período da intervenção.

    Agentes de trânsito e fiscais de transporte estarão posicionados na região para orientar motoristas, passageiros e usuários do transporte coletivo, além de monitorar a fluidez do tráfego durante toda a operação.

  • Marta volta à seleção feminina para 2 amistosos contra EUA no Brasil

    Marta volta à seleção feminina para 2 amistosos contra EUA no Brasil

    Marta volta à seleção feminina para 2 amistosos contra EUA no Brasil

    A meio-campista Marta, de 40 anos, é a principal novidade na lista de 26 convocadas da seleção brasileira feminina de futebol anunciada nesta quarta-feira (20) pelo técnico Arthur Elias, na sede da CBF, no Rio de Janeiro. A equipe fará dois amistosos contra os Estados Unidos, atuais vice-líderes no ranking da Fifa, nos dias 6 e 9 de junho, em São Paulo e Ceará, respectivamente. Os jogos visam a preparação da seleção, número 6 no ranking, para a Copa do Mundo Feminina do ano que vem no Brasil.

    A última vez que Marta vestiu a Amarelinha foi em agosto do ano passado, quando a seleção foi campeã da Copa América, em Quito (Equador), após cobrança de pênaltis (5 a 4). Na ocasião, a camisa 10 foi decisiva na final contra a Colômbia. Ela deixou o banco de reservas nos acréscimos da etapa final e mudou a história do jogo: marcou o gol do empate em 3 a 3, que levou a partida para a prorrogação. Marta voltou a balançar a rede no primeiro tempo extra, mas a partida terminou em 5 a 5 – na sequência o título foi decidido nos pênaltis.

    “É um retorno natural, [ela] jogou mais minutos pelo clube [Orlando Pride/EUA], tem sido decisiva. Ela teve um início de ano mais difícil, uma pré-temporada que não foi completa. Agora eu vejo ela pronta para nos ajudar. Tenho orgulho em poder contar com ela, e ela também poder passar a experiência dela para o grupo”, disse Elias sobre a meia-atacante do Orlando Pride (EUA).

    Em abril do ano passado, a seleção de Arthur Elias arrancou uma vitória inédita sobre os Estados Unidos, por 2 a 1, na Califórnia. Foi a primeiro triunfo da história da Amarelinha na casa das adversárias. Na ocasião, as norte-americanas lideravam o ranking

    O primeiro amistoso contra os EUA ocorrerá na Neo Química Arena, em São Paulo, no dia 6 de junho (sábado), às 18h30 (horário de Brasília). Três dias depois as brasileiras voltam a enfrenar as norte-americanas na Arena Castelão, em Fortaleza, às 21h30.

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    Convocadas

    GOLEIRAS

    Lelê – Corinthians

    Lorena – Kansas City (EUA)

    Kemelli – Fluminense

    ZAGUEIRAS

    Thais Ferreira – Corinthians

    Isa Haas – América (MEX)

    Tarciane – Lyon (FRA)

    Lauren – Atlético de Madrid (ESP)

    Mariza – Tigres (MEX)

    Rafaelle – Orlando Pride (EUA)

    LATERAIS

    Isabela – PSG (FRA)

    Aline Gomes – Pachuca (MEX)

    Raissa Bahia – Palmeiras

    MEIO-CAMPISTAS

    Duda Sampaio – Corinthians

    Angelina – Orlando Pride (EUA)

    Ary Borges – Angel City (EUA)

    Yaya – PSG (FRA)

    Kaylane – Flamengo

    ATACANTES

    Kerolin – Manchester City (ING)

    Dudinha – San Diego (USA)

    Gio – Atlético de Madrid (ESP)

    Marta – Orlando Pride (EUA)

    Bia Zaneratto – Palmeiras

    Taina Maranhão – Palmeiras

    Gabi Portilho – San Diego (EUA)

    Ludmila – San Diego (EUA)

    Amanda Gutierres – Boston (EUA)

  • Sancionada ampliação de situações de afastamento do lar na Lei Maria da Penha

    Sancionada ampliação de situações de afastamento do lar na Lei Maria da Penha

    Sancionada ampliação de situações de afastamento do lar na Lei Maria da Penha

    O agressor que colocar em risco a integridade sexual, moral ou patrimonial da mulher ou de seus dependentes será imediatamente afastado do lar. É o que prevê a Lei 15.411/26, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e publicada no Diário Oficial da União desta quinta-feira (21).

    O texto amplia as situações que preveem o afastamento do agressor na Lei Maria da Penha (Lei 11.340/06), que já contemplava os riscos à vida ou à integridade física ou psicológica da mulher e dos dependentes. Com a mudança, passam a ser contempladas todas as formas de violência previstas no artigo 7º da mesma lei.

    O afastamento do agressor deve ser determinado pelo juiz ou, quando o município não for sede de comarca, pelo delegado de polícia. Quando não houver delegado disponível no momento da denúncia, o afastamento pode ser determinado por um policial.

    A nova lei teve origem no Projeto de Lei 3257/19, apresentado pela senadora Daniella Ribeiro (PP-PB) e aprovado pelo Senado em abril de 2023. Na Câmara, a proposta foi aprovada em março deste ano.

    Fonte: Agência Câmara de Notícias

  • Em Envira, MP instaura procedimento para fiscalizar condições da rede pública de saúde

    Em Envira, MP instaura procedimento para fiscalizar condições da rede pública de saúde

    Em Envira, MP instaura procedimento para fiscalizar condições da rede pública de saúde

    Buscando assegurar a proteção do direito fundamental à saúde dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), o Ministério Público do Amazonas (MPAM), por meio da Promotoria de Justiça da Comarca de Envira, instaurou procedimento administrativo para acompanhar e fiscalizar as condições sanitárias, estruturais, documentais e assistenciais da rede pública de saúde do município ao longo de 2026.

    O Procedimento Administrativo nº 182.2026.000047 foi instaurado após inspeção realizada, em 11 de maio de 2026, na Unidade Hospitalar Evaristo Rates da Silva. A ação é resultante da mais recente edição do Estudo Temático para Atuação Resolutiva (Estar), promovido pela Corregedoria-Geral do MP, com o tema “Fiscalização sanitária em unidades de saúde”, realizado no mês de abril.

    Assinada pelo promotor de Justiça Christian Guedes da Silva, a medida aponta a necessidade de acompanhamento contínuo das providências administrativas, sanitárias e estruturais voltadas à correção das irregularidades identificadas durante a inspeção.

    Segundo a Promotoria, entre os principais problemas constatados estão a ausência de equipamentos essenciais para atendimentos de urgência e emergência.

    “Identificamos a ausência de desfibrilador, monitor cardíaco e bomba de infusão, além da situação crítica da lavanderia hospitalar, com equipamentos danificados ou sem funcionamento”, destacou o promotor.

    A portaria prevê o acompanhamento da Unidade Hospitalar Evaristo Rates da Silva e das unidades básicas de saúde (UBS) do município, além da adoção das seguintes diligências iniciais:

    – À direção da Unidade Hospitalar Evaristo Rates da Silva, para que apresente, no prazo de 15 dias, relatórios administrativos e documentos comprobatórios sobre o funcionamento da unidade;
    – À Secretaria Municipal de Saúde de Envira (Semsa), para que informe, no prazo de 20 dias, as providências administrativas, orçamentárias e operacionais adotadas ou planejadas para sanar as irregularidades identificadas;
    – À Vigilância Sanitária Municipal de Envira, para que informe, no prazo de 20 dias, a situação do alvará sanitário da unidade e a realização de inspeções sanitárias recentes;
    – Ao Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Amazonas (CBMAM), para que informe, no prazo de 20 dias, se a unidade hospitalar possui auto de vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) ou licença equivalente vigente

  • Estudo global vê contradição em política para carvão mineral no Brasil

    Estudo global vê contradição em política para carvão mineral no Brasil

    Estudo global vê contradição em política para carvão mineral no Brasil

    Pela primeira vez, o Brasil eliminou todas as propostas de novas usinas termelétricas a carvão mineral. Ao mesmo tempo, ampliou contratos e incentivos para manter em funcionamento empreendimentos já existentes até, pelo menos, 2040. 

    A contradição é apontada no relatório Boom and Bust 2026, da organização internacional Global Energy Monitor (GEM), que estuda a expansão do combustível fóssil pelo mundo.

    Segundo o relatório, a capacidade global de carvão cresceu 3,5% em 2025. O dado se refere ao volume total de energia que pode ser gerado pelas usinas. Por outro lado, a geração efetiva caiu 0,6%.

    O resultado indica distanciamento entre a capacidade de produção e a quantidade do mineral efetivamente utilizado.

    A China concentrou novos projetos e reativações, somando 161,7 gigawatt (GW) no ano passado. Já a Índia registrou 27,9 GW em novas propostas. Por outro lado, o número de países com projetos para criar usinas caiu de 38 para 32 no último ano.

    Em todo o mundo, quase 70% das unidades a carvão programadas para desativação em 2025 não foram desativadas, o que inclui 69% de desativações programadas na União Europeia e 59% nos Estados Unidos.

    Com a saída de Brasil e Honduras da lista de novos empreendimentos, a América Latina ficou sem projetos inéditos de usinas a carvão mineral em desenvolvimento.

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    Disputa em torno de usinas a carvão

    Em fevereiro de 2025, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) encerrou o licenciamento da usina Nova Seival, com potência de 726 megawatts (MW), nos municípios de Candiota e Hulha Negra, no Rio Grande do Sul.

    Em novembro, foi arquivado o processo da usina Ouro Negro, com potência prevista de 600 MW, em Pedras Altas (RS).

    Para Gregor Clark, gerente de projetos do Portal de Energia da América Latina do Global Energy Monitor, o futuro energético do país deveria ser pautado pelo abandono dos combustíveis fósseis.

    “Os impactos negativos do carvão mineral sobre o clima, a saúde e a economia são evidentes, e os custos são, em última análise, repassados aos consumidores brasileiros. Os abundantes recursos de energia renovável do Brasil oferecem um caminho muito mais seguro, acessível e sustentável”, diz Clark.

    Ainda assim, segundo o relatório, uma série de decisões recentes aponta para outra direção.

    Em 24 de novembro de 2025, um dia após o encerramento da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém, a Câmara dos Deputados aprovou a Lei nº 15.269, que prorrogou até 2040 as compras obrigatórias de energia elétrica gerada por usinas a carvão.

    Ministro de Minas e Energia, no Leilão de Reserva de Capacidade, em março – Paulo Pinto/Agência Brasil

    Em janeiro de 2026, o governo federal contratou o Complexo Termelétrico Jorge Lacerda, em Santa Catarina, até 2040, com custo anual estimado em R$ 1,8 bilhão.

    Em março, o Leilão de Reserva de Capacidade de 2026 (LRACP 2026) contratou 1,4 GW de capacidade de carvão importado para as usinas Itaqui, no Maranhão; e Pecém I e Pecém II, no Ceará.

    Em abril, o Ministério de Minas e Energia (MME) aprovou a renovação até 2040 do contrato da usina Candiota II, no Rio Grande do Sul, com custo anual estimado em R$ 859 milhões.

    A unidade enfrenta disputas judiciais e questionamentos ambientais. Segundo o relatório da GEM, a estimativa é de R$ 125 milhões em multas ambientais não pagas.

    O documento também cita decisão da Justiça Federal do Rio Grande do Sul, emitida em maio de 2026, que suspendeu a renovação da licença de operação de Candiota III em ação movida pelo Instituto Internacional Arayara.

    A decisão determinou que futuras autorizações dependam da análise dos impactos climáticos, das emissões de gases de efeito estufa e do passivo ambiental acumulado.

    O estudo afirma que a geração de energia a carvão no Brasil segue sustentada por contratos e subsídios embutidos nas tarifas de energia elétrica. Com a prorrogação aprovada em 2025, os custos acumulados podem superar R$ 100 bilhões até 2040.

    Para Juliano Bueno, diretor executivo do Instituto Arayara e fundador do Observatório do Carvão Mineral, é preciso considerar também os custos ampliados da escolha pelo combustível, que incluem danos à saúde pública e ao meio ambiente.

    “O Brasil está construindo um Mapa do Caminho rumo ao abismo climático com a inclusão do carvão mineral até 2055, conforme publicações do Plano Nacional de Transição Energética (Plante) do Ministério de Minas e Energia que está em processo de consulta pública”, diz Juliano.

    Transição energética

    Um estudo do Centre for Research on Energy and Clean Air (Crea) estima que o complexo carbonífero de Candiota possa causar até 1,3 mil mortes e gerar custos de saúde de R$ 11,7 bilhões até 2040. Os impactos atingiriam Argentina, Paraguai e Uruguai.

    O relatório também analisa a situação dos planos estaduais de transição energética justa e sustentável no Sul do país. O Paraná aparece como o único estado da região sem iniciativas concretas para áreas carboníferas, mesmo após o encerramento da Usina Termelétrica de Figueira, há três anos.

    No Rio Grande do Sul, uma consultoria foi contratada em março de 2024 para elaborar a estratégia estadual. O documento foi concluído em fevereiro deste ano, com estratégia de continuidade da mineração e da queima do carvão. Porém, até maio de 2026, o plano ainda não havia sido apresentado oficialmente.

    Santa Catarina realiza audiências públicas para discutir diretrizes do plano de transição com a comunidade e o setor produtivo.

    Posicionamento

    O Ministério de Minas e Energia tem defendido, reiteradamente, o uso do carvão mineral e de outros combustíveis fósseis (petróleo e gás natural) na matriz brasileira para garantir a segurança energética do país.

    Na realização do LRCAP 2026 em março deste ano, a contratação de potência de gás natural e carvão foi justificada como forma de trazer mais confiabilidade ao Sistema Interligado Nacional (SIN).

    Isso porque permitiria “potência adicional para atender à demanda em momentos críticos do sistema elétrico brasileiro, ampliando a flexibilidade”.

    A Agência Brasil entrou em contato com o Ministério do Minas e Energia e mantém espaço aberto para incluir um posicionamento do órgão sobre as conclusões do estudo.

  • Lula anuncia ações para fortalecer culturas tradicionais e populares

    Lula anuncia ações para fortalecer culturas tradicionais e populares

    Lula anuncia ações para fortalecer culturas tradicionais e populares

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra da Cultura, Margareth Menezes, participaram, nesta manhã de quinta-feira (21), da cerimônia da 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, no município de Aracruz, no Espírito Santo. 

    Na ocasião, foram assinados pelo governo federal o decreto de reestruturação do Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC) e a criação da Política Nacional para as Culturas Tradicionais e Populares.

    Foram assinadas também as portarias que regulamentam a Rede Nacional de Mestras e Mestres das Culturas Tradicionais e Populares e o Programa Festejos Populares do Brasil. 

    “É uma alegria imensa ver de perto a força e a resistência dessa teia tecida a tantas mãos. Essa teia tecida com tanto esmero pelos ancestrais, pelos mestres e pelas mestras da cultura popular que vieram depois, e por todas e todos vocês que acrescentam mais e mais fios a esse novelo de tantas linhas e tantas cores. Uma teia que reverencia o passado, abraça o presente e aponta para o futuro do Brasil que estamos tecendo juntos todos os dias, fio por fio”, disse o presidente, ao auditório lotado do Sesc Formosa.

    O local, que tem capacidade para mais de 2 mil pessoas, foi ocupado por representantes das culturas de todas as regiões do país. No palco, junto às autoridades de governo e de entidades culturais, estavam os grupos Guerreiros Tupinikim Aguidavi do Jeje, que participaram do início da cerimônia com manifestações artísticas.

    O hino nacional foi entoado pela cantora Luedji Luna, com acompanhamento instrumental dos grupos.

    Além disso, uma apresentação das bandas de congo da região — São Sebastião da Barra do Riacho e São Benedito de Itaparica —, na plateia superior do auditório, antecedeu a cerimônia. Parte do público, que aguardava o início do evento oficial, acompanhou com palmas e dançou ao ritmo marcado pelos instrumentos de percussão.

    Culturas indígenas

    A ministra Margareth Menezes anunciou a instauração do comitê que vai tratar do Plano Nacional de Culturas Indígenas. 

    “Uma importante entrega que faremos e que está sendo construída coletivamente com as organizações indígenas, a fim de que as políticas culturais alcancem da melhor forma aqueles que mantêm a floresta em pé, que preservam os biomas e que combatem no dia a dia o desastre climático”, anunciou.

    Na cerimônia, houve ainda a distribuição de placas de identificação aos pontos de cultura cujos representantes estavam presentes. Posteriormente, as placas serão enviadas a todos os cerca de 16 mil pontos de cultura certificados no país, no contexto da Política Nacional de Cultura Viva.

    “Dezesseis mil pontos de cultura espalhados por mais de 2,2 mil municípios, 16 mil pontos de luz pulsando nas periferias, favelas, assentamentos rurais, quilombos e territórios indígenas. São 16 mil pontos de representações culturais que vão da matriz africana ao hip hop e demais expressões contemporâneas”, destacou Lula sobre os pontos de cultura.

    Cultura Viva

    Há 22 anos, foi criado o Programa Cultura Viva, com o objetivo de apoiar e fortalecer iniciativas culturais de base comunitária, tornando-se política nacional ao ser instituído por lei em 2014. Os Pontos e Pontões de Cultura, espalhados por todo o país, fazem parte dessa política.

    Segundo o governo federal, as ações da atual gestão têm o objetivo de fortalecer as políticas públicas do setor e possibilitar a continuidade das ações culturais desenvolvidas nas comunidades. 

    “Cada centavo investido na cultura retorna em identidade, autoestima e memória. Retorna também em oportunidade de trabalho e geração de renda. O investimento em cultura movimenta uma indústria potente, estimula a economia, transforma vidas e cidades”, acrescentou Lula.

    “Mesmo com a extinção do Ministério da Cultura e o desmonte das políticas culturais no governo passado, os pontos e pontões sempre se mantiveram firmes, ativos e cheios de vida”, lembrou a ministra Margareth Menezes. “A Teia é a materialização e o nosso compromisso com o potencial social e popular como elemento estruturante das nossas políticas públicas e do país que queremos”, acrescentou.

    Após um hiato de 12 anos, a Teia Nacional dos Pontos de Cultura foi retomada, reunindo agentes culturais, coletivos, mestres e mestras das culturas populares, povos tradicionais, representantes da sociedade civil e gestores públicos.

    Além das apresentações artísticas e vivências culturais, o evento promove fóruns que discutem políticas de cultura, especialmente de base comunitária. A programação, que acontece até 24 de maio, está no site do evento.

    Outras entregas

    O presidente realizou ainda a entrega de 89 unidades do MovCeus, equipamentos culturais itinerantes, adaptados com biblioteca, estúdio audiovisual, recursos tecnológicos, oficinas e cinema ao ar livre, levando infraestrutura cultural a localidades historicamente desassistidas.

    O governo federal anunciou também, nessa passagem por Aracruz, a entrega de 12 micro-ônibus do Programa Agora Tem Especialistas – Caminhos da Saúde, e 11 vans do Programa Especial de Saúde do Rio Doce, do Ministério da Saúde.

    *A equipe de reportagem viajou a convite do Ministério da Cultura.

  • Bilhetes com ordens do PCC mostram ligação de Deolane com facção

    Bilhetes com ordens do PCC mostram ligação de Deolane com facção

    Bilhetes com ordens do PCC mostram ligação de Deolane com facção

    Bilhetes que continham ordens internas dos integrantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) apreendidos em 2019 em um presídio em Presidente Venceslau, no interior de São Paulo, levaram a polícia a abrir a investigação que culminou na Operação Vérnix, deflagrada nesta quinta-feira (21) pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e pela Polícia Civil.

    Segundo as informações da Secretaria de Segurança Pública do estado de São Paulo (SSP-SP), os bilhetes não mencionavam o nome da influenciadora e advogada Deolane Bezerra, presa hoje na operação, mas foram o pontapé inicial para as investigações mostrarem que ela recebia valores provenientes de uma transportadora criada pelo PCC, com sede em Presidente Venceslau.

    O dinheiro era repassado para outras contas para dificultar o rastreio. Duas dessas contas estão em nome de Deolane, que, segundo as investigações, fazia a lavagem do dinheiro.

    Também foram alvo da operação Marco Herbas Camacho, o Marcola, chefe do PCC, que está preso na Penitenciária Federal de Brasília; Alejandro Camacho, irmão de Marcola, também preso em Brasília e notificado sobre a nova ordem de prisão; Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha de Marcola e apontada como intermediária nos negócios da família, foragida na Espanha; e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, sobrinho de Marcola e apontado como o destinatário do dinheiro lavado da família, que estaria na Bolívia.

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    Interpol

    A Polícia Federal e o Ministério Público auxiliam nas buscas internacionais e os investigados entraram na Lista Vermelha da Interpol. Foram expedidos seis mandados de prisões preventivas, além do bloqueio de valores superiores a R$ 327 milhões e apreensão de 17 veículos de luxo e quatro imóveis.

    De acordo com o Promotor de Justiça do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e membro do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), Lincoln Gakiya, as investigações terem chegado até Marcola e seu irmão Alejandro é importante porque mostram que, apesar de presos, ambos deixaram ordens pendentes e comunicações fora da cadeia.

    Gokiya ressalta que as cartas encontradas na penitenciária em 2019 levaram as investigações até a transportadora.

    “A empresa pertencia de fato à família Camacho, onde foi lavado esse dinheiro. O Marcola tem mais de 300 anos de pena para cumprir e ele certamente responderá a um novo processo, provavelmente sofrendo condenação nesse caso”, disse.

    O promotor ressaltou que certamente haverá desdobramentos da Operação Vérnix, com o envolvimento de Deolane com outras pessoas e também com empresas ligadas a apostas – as bets.

    “Nesse período de sete anos, mas principalmente de 2022 em diante, ela teve um aumento muito grande em seu faturamento. Inclusive sem correlação com o trabalho prestado. Então, isso vai gerar sonegação fiscal, vai gerar outras lavagens”, explicou.

    Segundo o procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, com a abertura dos sigilos bancário e fiscal, a investigação descobriu que Deolane mantém relacionamento com outras vertentes do crime organizado. As investigações revelaram que a influenciadora funciona como uma espécie de caixa do crime organizado.

    Costa explica que, pelo poder econômico que a advogada adquiriu ao longo do tempo e influência, o crime organizado deposita esses valores nessa figura pública, e esse dinheiro acaba se misturando com o dinheiro de outras atividades.

    “Quando é necessário, esses recursos retornam para o crime organizado. A prisão de uma influencer como essa, com mais de 20 milhões de seguidores, tem caráter pedagógico. Esperamos que cause um efeito de inibição”, afirmou o procurador.

  • Brasil quer recuperar dinossauros e patrimônios que estão em 14 países

    Brasil quer recuperar dinossauros e patrimônios que estão em 14 países

    Brasil quer recuperar dinossauros e patrimônios que estão em 14 países

    O governo brasileiro, Ministério Público, instituições científicas e pesquisadores do Brasil vêm trabalhando para restituir fósseis de dinossauros e outros patrimônios naturais ou culturais espalhados por, pelos menos, 14 países. 

    Conhecida como colonialismo científico, prática prejudica ciência e os museus brasileiros. De acordo com o Ministério das Relações Exteriores (MRE), há pelo menos 20 negociações de restituição com esses países.

    Assim como o MRE, a Procuradoria-Geral da República no Ceará trabalha na repatriação de fósseis. De acordo com a instituição, os Estados Unidos lideram a lista de países com maior número de pedidos de devolução de patrimônios, com oito ações abertas, seguidos da Alemanha (quatro); Reino Unido (três); Itália (duas), França, Suíça, Irlanda, Portugal, Uruguai e Japão (uma cada). As duas solicitações destinadas à Espanha e as outras duas enviadas à Coreia do Sul foram rejeitadas.

    No mês passado, um acordo entre Brasil e Alemanha promete repatriar ao sertão do Araripe, no Ceará, o dinossauro Irritator challengeri, da espécie do espinossaurídeo. O animal, que podia chegar a 14 metros de altura, viveu no sertão cearense cerca de 116 milhões de anos atrás. O material foi retirado ilegalmente do Brasil e estava no Museu Estadual de História Natural de Stuttgart, na Alemanha, desde 1991.

    Outra ação do Itamaraty, em parceria com pesquisadores brasileiros, também permitiu o retorno, em 2024, do manto Tupinambá, usado por indígenas brasileiros no século 17 e que estava na Dinamarca. Também foram repatriados, em fevereiro deste ano, outros 45 fósseis originais da Bacia do Araripe (CE) que estavam na Suíça.

    Venda proibida

    O diretor do Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, em Santana do Araripe (CE), professor Allysson Pinheiro, ressaltou à Agência Brasil que se somam ao número informado pelo MRE as ações movidas pelo Ministério Público Federal (MPF).

    “Há vários outros materiais que estão sendo negociados com a Alemanha, e há patrimônios do Brasil em quase todos os continentes. Há negociações para repatriações nos Estados Unidos (EUA), França, Coreia, Japão, Itália.”

    No Brasil, os fósseis são protegidos pelo Decreto 4.146 de 1942. De acordo com a norma, o patrimônio natural não pode ser de propriedade privada por pertencer à União. 

    Há exceções para exportar fósseis que devem ter autorização expressa do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCTI), além de o receptor do material precisar ter vínculo com instituição brasileira.

    “Há vários países que permitem o comércio de fósseis com empresas especializadas nessas vendas. Mas elas não podem vender fósseis do Brasil”, acrescentou o especialista da Universidade Regional do Cariri (Urca).

    O caso do Ubirajara

    A restituição de patrimônios brasileiros ganhou força nos últimos anos, principalmente, com o retorno ao Brasil, em 2023, do pequeno dinossauro Ubirajara jubatus. Atualmente, o exemplar compõe o acervo do Museu de Santana do Araripe.

    O caso do Ubirajara

    A restituição de patrimônios brasileiros ganhou força nos últimos anos, principalmente, com o retorno ao Brasil, em 2023, do pequeno dinossauro Ubirajara jubatus. Atualmente, o exemplar compõe o acervo do Museu de Santana do Araripe.

    A paleontóloga Aline Ghilard fala sobre o colonialismo científico – Aline Ghilard/Arquivo Pessoal

    Coordenadora do Laboratório de Dinossauros (DinoLab) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), a paleontóloga Aline Ghilard conta que pessoas comuns passaram a pressionar o museu alemão, ainda em 2020, uma vez que a instituição vinha se negando a devolver o fóssil.

    “O museu lançou nota pública falando que não tinha nada de irregular e que o fóssil pertenceria à Alemanha. As redes do museu foram devastadas por comentários de brasileiros. Esse foi justamente o ponto de virada na história.”

    Colonialismo científico

    Segundo ela, o caso afetou a imagem da instituição alemã e impulsionou o acordo para devolução do material.

    “A maior parte dos museus europeus está recheada com materiais de territórios que foram colônias ou que têm sido, até hoje, explorados numa lógica de assimetria de poder. Esses países se sentem no direito de vir aos nossos territórios e coletar materiais.”

    Pelo menos 490 fósseis de espécies de macroinvertebrados foram extraídos irregularmente da Bacia do Araripe, de acordo com estudo publicado na Palaeontologia Electronica, que analisou pesquisas de 1955 a 2025. “Quase metade de todas as publicações analisadas [104 de 218; 47,7%] foram escritas exclusivamente por pesquisadores estrangeiros, sem coautores brasileiros”, destaca o texto, que teve a participação de Aline Ghilard.

    Outro estudo identificou 71 publicações, entre 1990 e 2020, que continham análise de macrofósseis da Bacia do Araripe do período Cretáceo, entre 145 e 66 milhões de anos atrás. “Uma grande proporção [88%] dos fósseis descritos nessas publicações foi levada do Brasil para serem depositados em coleções de museus estrangeiros e ainda não foram devolvidos”, destaca a publicação da Royal Society Open Sciesce.

    Há instituições que devolvem os fósseis por boa vontade, assim que descobrem que se tratou de venda ilegal, como foi o caso da aranha Cretapalpus vittari, que homenageia a cantora Pabllo Vittar. O exemplar foi devolvido pela Universidade do Kansas, nos EUA, em 2021. O animal viveu há mais de 100 milhões de anos na região do Araripe. Por outro lado, há países e instituições que apresentam resistência a devolver os materiais.

    Impacto na ciência

    A exportação ilegal desses fósseis traz consequências importantes para ciência brasileira. Na maioria das vezes, o estudo desses materiais fica inacessível ao pesquisador brasileiro.

    “Quando esses bons fósseis todos vão lá para fora, quem vai fazer as grandes descobertas que dão prestígio científico e acadêmico são os estrangeiros. Basicamente, só produzem ciência de ponta, porque eles estão num círculo de poder que se retroalimenta”, destaca.

    Para ela, a repatriação do patrimônio natural quebra o ciclo de poder que favorece os países mais ricos. “Inclusive podendo atrair investimentos estrangeiros e a gente passa a competir de igual para igual.”

    Impacto nos museus

    O diretor do Museu em Santana do Araripe, Allyson Pinheiro, contou que o retorno do fóssil do dinossauro Ubirajara aumentou bastante o número de visitantes e de investimentos.

    “[Ele] faz parte da identidade e do orgulho do território. É muito importante ver as crianças se apropriando dessas riquezas. Fósseis de dinossauros são superatrativos para esse público e tem realmente aficionado crianças e adultos”, explicou o professor do programa de diversidade biológica e recursos naturais da Urca.

    Em 2006, a Unesco designou a Bacia do Araripe como geoparque mundial – o primeiro com essa designação no Brasil. Um geoparque mundial da Unesco é um território que abriga sítios e paisagens de relevância geológica internacional.

    Em fevereiro de 2024, a Unesco incluiu a Bacia do Araripe, onde os dinossauros Irritator e Ubirajara foram encontrados, como candidata a integrar a lista de patrimônios da humanidade declaradas pela Organização das Nações Unidas (ONU).

    A região, de cerca de 972 mil quilômetros quadrados, abrange municípios do Ceará, Piauí e Pernambuco.

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