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  • PF incinera 777 kg de drogas em Manaus

    PF incinera 777 kg de drogas em Manaus

     Polícia Federal realizou, na quinta-feira (15/10), a incineração de 777 kg de drogas. A ação contou com a presença de representantes da Vigilância Sanitária de Manaus e do Ministério Público Federal.

    Entre os materiais incinerados, estavam cocaína, maconha, cocaína e heroína, apreendidos em operações e em procedimentos investigativos. A eliminação rápida dos entorpecentes visa esvaziar os depósitos policiais e representa a etapa final da cadeia de custódia da prova penal.

    A incineração foi realizada em local previamente autorizado pela Justiça, seguindo protocolos de segurança e critérios técnicos para garantir a neutralização dos entorpecentes de forma segura e ambientalmente adequada.

  • Descanso de trabalhador não quebra empresas, diz Lula após fim da 6×1

    Descanso de trabalhador não quebra empresas, diz Lula após fim da 6×1

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rebateu nesta sexta-feira (16) críticas à aprovação do fim da escala 6×1. Ao discursar durante a promulgação da Emenda Constitucional 221, que instituiu a escala 5×2 para todos os trabalhadores, ele afirmou que “ninguém quer que a empresa quebre”, mas que também “ninguém quer que um trabalhador morra por falta de descanso”.

    “É combinar a manutenção e a existência da empresa com a manutenção e a saúde das mulheres e dos homens que trabalham”, resumiu.

    Com a promulgação das novas regras trabalhistas pelo Congresso Nacional, a jornada máxima semanal cairá de 44 para 40 horas semanais, sem a redução de salários.

    >> Saiba quando entra em vigor a nova jornada de trabalho

    “Pelo amor de Deus, se a gente não garantir o direito de o ser humano descansar, de o ser humano ter o direito de visitar a família, de visitar os parentes, de levar a criança a uma praça, a algum lugar para descansar, se a gente não garante isso, que tipo de seres humanos que nós somos?”, disse Lula.

    O presidente defendeu que a redução de jornada será especialmente importante para mulheres, afirmando que “o dia do descanso é o dia que elas mais trabalham”.

    “Não é possível que as pessoas não tenham sensibilidade”, completou.

    Críticas da indústria

    A tramitação da proposta, promulgada nesta sexta-feira, foi marcada por críticas de entidades empresariais e da oposição, que alegaram que a mudança iria prejudicar as empresas e a economia do país. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) já pede a revisão da nova regra.

    Após a promulgação da emenda, o presidente Lula defendeu que o “mundo do trabalho” está cada vez mais difícil e criticou a tentativa de “jogar nas costas do povo trabalhador”, “que está reivindicando um dia de descanso a mais”, a responsabilidade por uma crise que “é mentira”.

    “A palavra correta é mentira. Até porque, a lei aprovada é tão clara e tão decente que ela fala que qualquer problema será discutido e resolvido. Ninguém está se negando a discutir”, rebateu.

    O presidente da República lembrou ainda os avanços tecnológicos nos últimos 50 anos, argumentando que possibilitaram “mais lucros para os empresários”.

    A história se repete

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou o discurso relembrando que, durante a discussão da Constituição de 1988, alguns grupos diziam que a nova Carta Magna, que acabou com 21 anos de ditadura civil-militar no Brasil, iria “quebrar o Brasil”. Naquela época, a jornada de trabalho foi reduzida de 48 para 44 horas semanais.

    “Logo que nós aprovamos a Constituição, os críticos de sempre já queriam mudar a Constituição. [Diziam] que a Constituição iria atrapalhar o crescimento do Brasil”, disse.

    O presidente Lula comentou que, toda vez que a sociedade “conquista alguma coisa”, aparece “uma turma ou um segmento” da sociedade que não concorda, dizendo “que não vai dar certo”.

    “Foi assim em todas as lutas. Não tem uma conquista do povo trabalhador que não aparece aqueles dizendo isso vai ser um atraso para o país, isso vai quebrar as empresas, isso vai quebrar a economia”, completou.

    Lula ainda lembrou da campanha pelo 13º salário, na década de 1960, quando a proposta foi atacada sob o argumento de que quebraria as empresas.

    “[Foi] a mesma coisa, vai quebrar as empresas, vai afundar as empresas, no mundo inteiro não tem isso. Não quebrou as empresas”, completou.

     

    Estudos divergem

    Estudos têm divergido sobre impactos do fim da escala 6×1 no PIB e na inflação. Enquanto algumas pesquisas ligadas a entidades empresariais projetam amplos impactos negativos, outras apontam prejuízo residual, com capacidade de absorção pelas empresas.

    Pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) avaliam que a redução da jornada terá um impacto de 1% no custo total das empresas, em setores como comércio e indústria, chegando até 6,6% nos setores da vigilância e segurança.

    Com o objetivo de também mitigar os efeitos da mudança nos micro e pequenos negócios, foi aprovado na Câmara, nesta semana, o projeto que aumenta do limite anual de faturamento dos MEIs (Micro empreendedores individuais) dos atuais R$ 80 mil para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028.

    O texto também permite a contratação de até dois funcionários por microempreendedor. Atualmente, o MEI pode ter apenas um funcionário.

    O artigo 5º da emenda promulgada nesta sexta ainda prevê que poderá ser elaborada lei complementar para estabelecer medidas transitórias, condicionadas à manutenção de níveis de emprego, para a mitigação dos impactos da mudança sobre os microempreendedores individuais, as microempresas e as empresas de pequeno porte.

     

  • Do trabalho sem limite ao fim da 6×1: veja avanço da jornada no Brasil

    Do trabalho sem limite ao fim da 6×1: veja avanço da jornada no Brasil

    A promulgação da emenda constitucional que extingue a escala de seis dias de trabalho para um de descanso marca um novo capítulo da história das relações trabalhistas no Brasil. A mudança, que garante o direito a dois dias de descanso semanal, ocorre após mais de um século de reivindicações por limites à jornada de trabalho e por condições que assegurem aos trabalhadores tempo para atividades além do emprego.

    Com base em informações históricas do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e do Tribunal Superior do Trabalho (TST), a Agência Brasil fez um levantamento dos principais marcos da evolução da jornada de trabalho no país.

    Herança escravista

    Antes das primeiras leis trabalhistas, a economia brasileira foi sustentada por séculos pelo trabalho escravizado. Segundo o TST, a história do trabalho livre e assalariado é relativamente recente no país.

    Durante 400 anos, a economia brasileira se apoiou no trabalho realizado por pessoas escravizadas. Já o período de trabalho livre e remunerado tem pouco mais de um século.

    Essa herança ajuda a explicar por que a construção dos direitos trabalhistas ocorreu de forma gradual.

    Primeiros passos

    No início do século 20, trabalhadores passaram a se organizar para reivindicar direitos e limites para a jornada de trabalho. Naquele período, a ausência de regras gerais permitia jornadas extensas em diversos setores da economia.

    Segundo o histórico do MTE, em 1912, a Confederação Brasileira do Trabalho (CBT), criada durante o 4º Congresso Operário Brasileiro, defendia uma pauta que incluía a jornada de oito horas diárias e a semana de seis dias de trabalho.

    Também estavam entre as reivindicações a indenização por acidentes de trabalho, o salário mínimo, o seguro obrigatório para doenças e a pensão para velhice.

    Ministério, Justiça e CLT

    Poucos anos depois, em 1918, o governo federal criou o Departamento Nacional do Trabalho, uma das primeiras estruturas estatais voltadas à regulamentação das relações trabalhistas.

    A institucionalização da proteção ao trabalho avançou em 1923, com a criação do Conselho Nacional do Trabalho. O órgão é apontado pelo TST como um dos marcos iniciais da estrutura que daria origem à Justiça do Trabalho brasileira.

    Na década de 1930, com a criação do Ministério do Trabalho pelo governo de Getúlio Vargas, o direito do trabalho passou por um processo de ampliação, organização e regulamentação.

    Segundo o TST, esse movimento culminou na instalação da Justiça do Trabalho, em 1941, e na consolidação da legislação trabalhista nos anos seguintes.

    Um dos principais marcos desse processo foi a criação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), em 1943, que reuniu e organizou a legislação trabalhista existente.

    Da Constituição Federal ao fim da escala 6×1

    Durante grande parte do século 20, a jornada semanal máxima prevista na legislação brasileira era de 48 horas.

    A Constituição Federal de 1988 promoveu uma das mudanças mais importantes nesse modelo ao reduzir o limite para 44 horas semanais, mantendo o teto de oito horas por dia.

    A promulgação do fim da escala 6×1 representa agora mais uma alteração relevante nessa trajetória.

    Ao assegurar dois dias de descanso por semana, a nova regra modifica uma forma de organização do trabalho que permaneceu por décadas em atividades como comércio e serviços.

    A medida amplia o período de descanso dos trabalhadores e se soma a uma série de mudanças que, ao longo da história brasileira, buscaram limitar o tempo dedicado ao trabalho e ampliar direitos dos brasileiros.

    Linha do tempo

    Até 1888 – A economia brasileira se apoia majoritariamente no trabalho escravizado, sem direitos trabalhistas

    1912 – A Confederação Brasileira do Trabalho passa a defender a jornada de oito horas diárias e a semana de seis dias de trabalho

    1918 – Criação do Departamento Nacional do Trabalho

    1923 – Criação do Conselho Nacional do Trabalho

    1930 – Criação do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio

    1941 – Instalação da Justiça do Trabalho

    1943 – Criação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT)

    1988 – A Constituição Federal reduz de 48 para 44 horas o limite semanal de trabalho

    2026 – Congresso Nacional promulga a emenda constitucional que extingue a escala 6×1 e garante dois dias de descanso semanal a todos os trabalhadores

  • Brasil deve voltar a ser 8ª maior economia do mundo em 2027, prevê FMI

    Brasil deve voltar a ser 8ª maior economia do mundo em 2027, prevê FMI

    O Brasil deve voltar ao posto de oitava maior economia do mundo em 2027, deixando para trás Rússia e Itália. 

    A projeção faz parte do documento Perspectivas da Economia Mundial, divulgado nesta semana pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

    De acordo com o estudo, o Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de todos os bens e serviços produzidos no país) brasileiro alcançará US$ 2,80 trilhões (R$ 14,65 trilhões) no ano que vem.

    Em 2026, o país termina na décima posição do ranking, com PIB de US$ 2,655 trilhões.

    Para 2027, a lista mantém os Estados Unidos como maior potência econômica, seguida pela China.

    Confira o Top 10 das economias mundiais, segundo a projeção do FMI, instituição multilateral vinculada às Nações Unidas.

    1. Estados Unidos: US$ 34,44 trilhões
    2. China: US$ 22,94 trilhões
    3. Alemanha: US$ 5,66 trilhões
    4. Índia: US$ 4,52 trilhões
    5. Reino Unido: US$ 4,49 trilhões
    6. Japão: US$ 4,47 trilhões
    7. França: US$ 3,65 trilhões
    8. Brasil: US$ 2,80 trilhões
    9. Itália: US$ 2,77 trilhões
    10. Rússia: US$ 2,68 trilhões

    A última vez em que o Brasil ficou no oitavo lugar foi em 2017. De acordo com a estimativa do FMI, o país segue na oitava posição até 2031, último ano projetado.

    A melhor posição já ocupada pelo Brasil no ranking global de PIB foi a sétima posição, alcançada em 1995 e de 2010 a 2014.

  • Trabalho e ciência: milho sagrado volta a germinar em aldeias Avá Guarani no PR

    Trabalho e ciência: milho sagrado volta a germinar em aldeias Avá Guarani no PR

    No Oeste do Paraná, uma iniciativa de pesquisa, acadêmica e comunitária, tem contribuído para recuperar parte de um patrimônio agrícola e cultural dos povos Avá Guarani: as sementes tradicionais de milho. Em áreas de retomada, onde o histórico de perda territorial também provocou impactos sobre práticas ancestrais, variedades consideradas sagradas voltam a ser cultivadas pelas comunidades de Guaíra-PR e Terra Roxa-PR.

    Entre os dias 13 e 15 de setembro de 2023, um grupo de alunos e professores, entre os quais o pesquisador da Embrapa Pantanal Alberto Feiden, que, por convênio, é professor das disciplinas de Métodos Interdisciplinares e Participativos e Seminários II do programa de doutorado de Desenvolvimento Rural Sustentável da Unioeste, fizeram um diagnóstico em nove (09) aldeias de retomada Avá Guarani no estado do Paraná. Foi a partir dali que começou a reintrodução das sementes.

    “Essa ação foi uma demanda do Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia de Marechal Cândido Rondon, instituição que atua em projetos junto às comunidades indígenas. Entre as questões levantadas paralelamente ao diagnóstico foi de que as comunidades haviam perdido muitas de suas variedades tradicionais, inclusive de variedades de milho de caráter sagrado”, explicou Feiden.

    Segundo o pesquisador, entre as sementes reintroduzidas estão o Saboró Branco e o Saboró Preto, variedades tradicionais que foram recuperadas por meio de uma parceria entre a Embrapa Pantanal e o banco de sementes da escola indígena Jaguapiru em Dourados MS. “Mais do que retomar uma cultura agrícola, o processo representa uma tentativa de reconstruir vínculos entre território, alimentação, espiritualidade e identidade. O cultivo das variedades tradicionais tem apresentado resultados positivos na produção e reforça a importância das sementes para a autonomia das comunidades”, detalha o pesquisador da Embrapa.

    A partir de uma espiga de milho da variedade saboró preto, se conseguiu produzir 60 espigas, que já foram distribuídas para mais 3 agricultores, que para a próxima safra irão reproduzi-la em duas épocas diferentes para reduzir os riscos de perda por eventos climáticos e em espaços isolados para evitar a contaminação por polem de milho transgênico e por agrotóxicos.

    A variedade é utilizada para consumo como milho assado, para fazer pamonha, rorá, cozido, canjica e chicha. Esses pratos tem um alto valor cultural e são utilizados em rituais de sua espiritualidade. Para os Avá Guarani, o milho não representa apenas uma fonte de alimento. Ele está associado a conhecimentos transmitidos entre gerações, cerimônias religiosas e formas ancestrais de preparo dos alimentos.

    ”A recuperação das sementes, ultrapassa os limites da agricultura. O retorno do Saboró Branco e do Saboró Preto às áreas de cultivo contribui para a retomada de práticas que foram fragilizadas pelo deslocamento das comunidades e pela transformação de seus territórios” destaca Alberto.

    Cultivo protegido

    Outro aspecto central da iniciativa foi a preocupação com a preservação genética das sementes: para isso, o cultivo foi realizado com estratégias de isolamento para reduzir o risco de contaminação por variedades transgênicas e por substâncias utilizadas nas monoculturas existentes nas áreas vizinhas. “Nenhuma das instituições públicas teve acesso a semente, apenas serviram de intermediários entre as comunidades. A medida busca garantir que as sementes tradicionais mantenham suas características e possam continuar sendo multiplicadas pelas próprias comunidades. Nesse processo, técnicas de cultivo e conhecimentos indígenas se combinam com a atuação acadêmica, fortalecendo uma produção voltada à sustentabilidade e à conservação da biodiversidade agrícola”, explica Feiden.

    “A proteção das sementes também está relacionada à autonomia alimentar. Ao produzir, selecionar e guardar suas próprias variedades, as comunidades ampliam a capacidade de decidir o que plantar e consumir, reduzindo a dependência de sementes comerciais e preservando conhecimentos próprios sobre o manejo da terra”, completa o pesquisador. O pesquisador explica que as sementes foram plantadas na parte mais baixa da aldeia, onde há maior umidade e maior distância das áreas vizinhas. A escolha do local buscou diminuir o risco de contato com lavouras convencionais e, principalmente, reduzir a possibilidade de exposição a agrotóxicos.

    Durante o desenvolvimento da cultura, não foram observados ataques de pragas. As plantas alcançaram entre 1,80 e 2 metros de altura. Depois da colheita, as espigas foram mantidas despalhadas e penduradas sobre o fogão, onde a fumaça contribui para sua conservação. O próximo passo será ampliar a produção e diminuir os riscos de perdas provocadas pelo clima. Para isso, pretende-se realizar dois plantios, em períodos diferentes, ambos na lua minguante: o primeiro no início de setembro e o segundo no início de outubro.

    Em cada época, serão utilizadas sementes de dez espigas, enquanto outras dez serão mantidas como reserva. Segundo o conhecimento tradicional relatado pelo agricultor, tanto o plantio quanto a colheita na lua minguante ajudam a evitar o ataque de carunchos. O milho também é cultivado em consórcio com outras espécies. Uma das combinações utilizadas é com o feijão-de-corda, cujas plantas utilizam o milho como suporte e mantêm as vagens afastadas do solo. A mandioca também pode ser plantada em conjunto com o cereal.

    Patrimônio que volta a germinar

    “Recuperar o milho tradicional significa também recuperar uma parte da história e da identidade Avá Guarani. O cultivo do Saboró Branco e do Saboró Preto transforma-se, assim, em uma prática de afirmação cultural e de fortalecimento da relação das comunidades com seus territórios. A experiência demonstra que a preservação de sementes tradicionais pode desempenhar um papel estratégico na reconstrução do modo de vida indígena. No Oeste do Paraná, o que volta a germinar nas lavouras não é apenas uma variedade de milho, mas um conjunto de saberes e práticas fundamentais para a soberania alimentar e a continuidade cultural dos povos Avá Guarani”, completa o pesquisador.

    Mais do que recuperar uma variedade de milho, a iniciativa recupera uma parte do Ñande Reko. É um processo no qual agricultura, espiritualidade, território e identidade se encontram — e no qual uma pequena semente se transforma em símbolo de continuidade e resistênciacultural.

    Soberania e partilha

    Segundo o Cacique Raúl Medina, da aldeia Tokoha YvY Raty Porã, a recuperação das sementes também resgata uma concepção de agricultura baseada na suficiência e na partilha. “O milho é cultivado prioritariamente para alimentar a comunidade e sustentar suas práticas culturais, e não como uma mercadoria destinada à acumulação. Essa perspectiva contrasta com a lógica da agricultura de larga escala que predomina no entorno das comunidades” relata a liderança. “A cultura guarani valoriza a suficiência e a partilha. O milho é cultivado para alimentar a comunidade, não para gerar lucro. Como diz o Caderno Mapa Guarani Continental: nós não vivemos para comprar terra, nós vivemos apenas para usá-la de acordo com nossos costumes”. Essa visão contrasta fortemente com a lógica ocidental de acumulação, que os Guarani rejeitam por não se alinharem à racionalidade do mercado”, detalha o cacique. ]

    “Ao recuperar uma espiga e transformá-la em dezenas de novas sementes, o agricultor não apenas aumenta a produção. Ele amplia uma rede de compartilhamento. As espigas são distribuídas a outros agricultores, que passam a reproduzir a variedade e, futuramente, poderão repassá-la a novas famílias. O movimento cria um ciclo de conservação que depende da comunidade” explica Feiden.

    O Cacique explica que as variedades agrícolas não podem ser compreendidas apenas como plantas ou alimentos. Elas carregam significados espirituais e rituais fundamentais para a reconstrução do Ñande Reko, expressão Guarani que pode ser traduzida como “nossa vida” ou “nosso modo de viver”.

  • Baile de Halloween da Sephora 2026: veja as fantasias inspiradas no folclore brasileiro e nas florestas

    Baile de Halloween da Sephora 2026: veja as fantasias inspiradas no folclore brasileiro e nas florestas

    O Baile de Halloween da Sephora 2026 agitou São Paulo na noite de quinta-feira (15), reunindo celebridades, influenciadores e personalidades do universo da moda no Hotel Unique. Em sua sétima edição, a festa teve como tema “As Sombras da Floresta” e transformou o folclore brasileiro em inspiração para fantasias marcadas pela criatividade, maquiagem artística e produções elaboradas.

    A proposta deste ano explorou a floresta como um cenário de mistério e transformação, com referências às lendas brasileiras e à tendência Brasil Core. Entre os personagens que ganharam vida durante o evento estavam o Boto-cor-de-rosa, o Curupira, a Iara e o Boitatá. As produções também abriram espaço para reflexões sobre as queimadas na Amazônia.

    Com acesso restrito a convidados e sem venda de ingressos, o baile se consolidou como uma vitrine de beleza, moda e expressão artística, na qual a maquiagem e a caracterização dos personagens ocupam lugar de destaque.

    Confira as fantasias que chamaram a atenção no baile

    Bianca Andrade — Boto-cor-de-rosa

    A influenciadora Bianca Andrade apostou em uma produção inteiramente em látex rosa para representar o Boto-cor-de-rosa, personagem conhecido das lendas amazônicas. O visual ganhou destaque com nadadeiras nas costas e um adereço na cabeça, reforçando a referência ao animal e à sua representação no imaginário popular.

    Pedro Sampaio — Boto-cor-de-rosa

    O cantor Pedro Sampaio também escolheu o boto como inspiração, explorando a lenda da transformação do animal em humano. O figurino apostou no efeito molhado, com gotas aplicadas ao chapéu e à bengala.

    A produção contou com peças de Alexandre Herchcovitch e Dolce & Gabbana, além de styling assinado por Marcell Maia.

    Vivi — Boitatá

    A influenciadora Vivi homenageou o Boitatá, figura do folclore brasileiro conhecida como uma serpente de fogo que protege as matas. O figurino em látex reproduziu a textura da pele de cobra, com nuances que remetiam às chamas e reforçavam o aspecto místico da personagem.

    Mileide Mihaile — Fada sombria

    Mileide Mihaile apostou em uma interpretação mais misteriosa das criaturas encantadas. Com figurino assinado por Natan Xirras, a influenciadora surgiu como uma fada sombria, com asas e uma produção em tons escuros.

    A proposta se afastou da imagem tradicional das fadas delicadas e investiu em uma personagem intensa, associada à força da natureza e ao universo fantástico que inspirou o evento.

    Any Gabrielly — Espírito da Floresta Queimada

    A cantora Any Gabrielly levou ao baile uma fantasia com mensagem ambiental. Seu visual representou o Espírito da Floresta Queimada, com raízes, galhos, pintura corporal e próteses que remetiam aos efeitos das queimadas na Amazônia.

    A produção transformou a caracterização em uma forma de chamar a atenção para a devastação ambiental, conectando a proposta artística do evento a uma questão urgente.

    Theulyn Reis e Theodoro — Curupira

    Presença frequente no baile, a paraense Theulyn Reis escolheu o Curupira como personagem. Conhecido no folclore brasileiro como protetor das florestas, ele foi representado por meio dos cabelos vermelhos e dos pés virados para trás, suas características mais marcantes.

    O influenciador Theodoro também apostou na figura folclórica. Sua produção contou com cabelo vermelho, maquiagem em tons avermelhados e calça verde, compondo uma versão própria do personagem.

    Thaynara OG — Iara

    Thaynara OG mergulhou nas lendas das águas ao interpretar Iara, a sereia do folclore brasileiro. O figurino reuniu cabelos longos, maquiagem com referências indígenas, saia verde de renda que remetia à cauda da personagem e uma flor vermelha no cabelo.

    O styling ficou por conta de Erick Maia, responsável pela composição do visual que combinou elementos da natureza e referências à figura lendária.

    Folclore brasileiro em destaque

    A edição de 2026 do Baile de Halloween da Sephora mostrou como as lendas brasileiras podem servir de inspiração para produções de moda e beleza. Do universo aquático do Boto-cor-de-rosa e da Iara à força protetora do Curupira e do Boitatá, as fantasias exploraram diferentes símbolos da cultura popular.

    Ao incluir também a representação das florestas atingidas pelo fogo, o evento ampliou o diálogo entre fantasia, identidade cultural e consciência ambiental, destacando a criatividade dos convidados em uma noite dedicada à transformação por meio da beleza e da moda.

  • Manaus é capital com maior poluição atmosférica do país nesta sexta

    Manaus é capital com maior poluição atmosférica do país nesta sexta

    Manaus voltou a registrar a pior qualidade do ar entre as capitais brasileiras na manhã desta sexta-feira (16) por causa da fumaça provocada por queimadas.

    Por volta das seis horas da manhã, a plataforma internacional IQAir registrou índice de qualidade do ar de 167, classificado como insalubre. Com isso, a capital amazonense voltou ao primeiro lugar no ranking de capitais com maior poluição atmosférica do país, após ter apresentado melhora nos índices no dia anterior.

    O sistema eletrônico de vigilância ambiental da Universidade do Estado do Amazonas também apontou agravamento da situação. Na maior parte da cidade, a qualidade do ar variava entre as categorias muito ruim e péssima.

    No bairro Aleixo, na zona centro-sul, a concentração de partículas chegou a 139,6 microgramas por metro cúbico, considerado péssimo. Já no bairro Tarumã, na zona oeste, o índice era de 39 microgramas por metro cúbico, considerado moderado.

    Por causa da piora da qualidade do ar, as aulas presenciais da rede municipal de ensino foram suspensas nesta sexta-feira como medida preventiva para reduzir a exposição de alunos e profissionais da educação à fumaça.

    A Universidade do Estado do Amazonas também suspendeu as aulas e as demais atividades acadêmicas presenciais em todas as unidades, na capital e no interior, durante os três turnos. Na universidade, parte das atividades administrativas passou a ser realizada remotamente.

    Saúde

    A fumaça que atinge Manaus é resultado de queimadas no interior do Amazonas e em estados vizinhos, como Rondônia, Pará e Mato Grosso. As partículas liberadas pelo fogo podem permanecer suspensas no ar por vários dias e ser transportadas pelo vento por longas distâncias. A falta de chuvas também contribui para a permanência dos poluentes na atmosfera.

    O avanço das queimadas levou o governo federal a reforçar o monitoramento dos impactos sobre a saúde da população amazonense.

    Segundo o Ministério da Saúde, 12 municípios já foram identificados como necessitados de algum tipo de apoio nos serviços de saúde. Equipes da Força Nacional do SUS, em articulação com as autoridades sanitárias do estado e dos municípios, realizam diagnóstico da situação da rede de atendimento.

    O Ministério da Saúde também avalia o consumo e a capacidade de fornecimento de oxigênio nas unidades de saúde, incluindo os distritos sanitários especiais indígenas. O objetivo é preparar a rede para eventuais emergências e garantir a disponibilidade de insumos essenciais.

    Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças pré-existentes estão entre os grupos que exigem maior atenção, já que a exposição à fumaça pode agravar problemas respiratórios e cardiovasculares.

    No combate aos incêndios, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informou que extinguiu 303 focos de incêndio no Amazonas desde o início das operações.

    Para reforçar o trabalho, 11 aeronaves foram disponibilizadas, entre aviões de combate direto ao fogo, helicópteros e uma aeronave de apoio logístico. Entre os equipamentos, estão seis aviões Air Tractor e um avião KC-390 mobilizado pelo Ministério da Defesa para o lançamento de grandes volumes de água.

    No dia 10 de outubro, o governo do estado decretou situação de emergência em cerca de 36 municípios por causa das queimadas.

  • Morre Chiaki Ishii, primeiro medalhista olímpico do judô brasileiro

    Morre Chiaki Ishii, primeiro medalhista olímpico do judô brasileiro

    Primeiro medalhista olímpico e mundial do judô brasileiro, Chiaki Ishii morreu nesta sexta-feira (16), aos 85 anos. A causa da morte não foi divulgada. Ishii entrou para a história do esporte nacional ao conquistar o bronze na Olimpíada de Munique (1972), um ano após ter garantido pódio inédito para o Brasil no Mundial de Ludwigshafen – na época Alemanha Ocidental – também com bronze. 

    “Hoje, o judô brasileiro se despede de uma de suas maiores referências. Chiaki Ishii foi um pioneiro que acreditou no potencial do Brasil e ajudou a mostrar ao mundo a força da nossa modalidade. Sua história não está apenas nas medalhas que conquistou, mas também nos atletas que formou, nos ensinamentos que compartilhou e no caminho que abriu para tantas gerações. Sua contribuição jamais será esquecida. Que sua memória permaneça viva em nosso esporte e continue inspirando todos aqueles que vestem um judogi”, disse Paulo Wanderley, presidente da Confederação Brasileira de Judô (CBJ).

    Nascido em Ashikaga (Japão), Chiaki Ishii chegou ao Brasil em 1964, aos 22 anos, em busca de novas oportunidades, após perder a seletiva de judô para os Jogos Olímpicos daquele ano. Chegou a trabalhar como agricultor em uma colônia japonesa em Presidente Prudente (SP), mas não demorou muito para voltar aos tatames. Em 1969, Chiaki Ishii optou por se naturalizar brasileiro e dois anos depois assegurou bronze no Mundial de Ludwigshafen, a primeira do Brasil na competição.

    Além do pódio mundial e olímpico, Ishii foi quatro vezes campeão em Jogos Pan-Americanos. Em nota oficial, o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) destacou a trajetória de Chiaki Ishii mesmo após a aposentadoria dos tatames como atleta.

    “Seu legado, porém, vai muito além dos resultados como atleta. Na academia que manteve na Lapa, em São Paulo, Ishii formou e influenciou judocas que levaram adiante sua contribuição para a modalidade” disse a entidade. “Neste momento de profunda tristeza, o COB expressa suas sinceras condolências aos familiares, amigos, alunos e a toda a comunidade do judô”, concluiu.

    Membro do Hall da Fama do COB, o pioneiro do judô nacional contribuiu ainda na formação da novos talentos que depois também brilharam como medalhistas olímpicos, como Walter Carmona e Rafael Silva, o Baby. Chiaki Ishii serviu de inspiração para as próprias filhas, Tânia Chie Ishii e Vânia Yukie Ishii, que seguiram no judô e representaram o país nos Jogos de Barcelona 1992, de Sidney 2000 e Atenas 2004.

    Em 2023, Chiaki Ishii foi contemplado com o Troféu Adhemar Ferreira da Silva, oferecido aos atletas brasileiros que se destacaram e construíram um legado consistente e eterno. Pela história vitoriosa, Chiaki Ishii foi reconhecido com a a graduação de Kodansha 9º Dan – condecoração de Ordem ao Mérito da CBJ -, a maior honraria do judô nacional.

  • Comissão mista aprova MP que exige exame para exercício da medicina

    Comissão mista aprova MP que exige exame para exercício da medicina

    A medida provisória que determina a aprovação no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) para o exercício da medicina foi aprovada nesta quinta-feira (15) pela comissão mista responsável por sua análise. Alterada pelo relator, a MP 1.370/2026 segue na forma de um projeto de lei de conversão para os plenários da Câmara e do Senado. A medida provisória perde a validade nesta sexta (16) e precisa ser votada com urgência. O texto aprovado, do deputado Doutor Luizinho (PP-RJ), estabelece três avaliações ao longo da graduação — no segundo, quarto e sexto anos do curso de medicina — e condiciona o registro profissional ao desempenho dos estudantes.

    Editada pelo Poder Executivo em junho, o texto original da MP determina somente duas avaliações durante a graduação, no quarto e no sexto anos, e vincula o exercício profissional à aprovação na última prova.

    De acordo com o substitutivo de Doutor Luizinho, a exigência de aprovação no Enamed para obtenção do registro profissional será aplicada aos estudantes que ingressarem nos cursos de Medicina a partir de 19 de junho de 2026, data de publicação da medida provisória. Quem já estava matriculado antes dessa data continuará submetido às regras anteriores. Médicos que já tinham diploma reconhecido nacionalmente também ficam dispensados do exame.

    O texto também prevê a criação da Comissão Nacional de Avaliação da Formação Médica, com função deliberativa, responsável por estabelecer as diretrizes do Enamed e acompanhar sua aplicação. O colegiado será composto por representantes dos ministérios da Educação e da Saúde e do Conselho Federal de Medicina (CFM).

    A versão do relator foi elogiada pelo presidente da comissão mista, senador Camilo Santana (PT-CE), e aprovada com votos contrários dos senadores Astronauta Marcos Pontes (PL-SP) e Alan Rick (Republicanos-AC) e da deputada Bia Kicis (PL-DF). Doutor Luizinho acolheu total ou parcial de 49 das 479 emendas apresentadas pelos parlamentares.

    Três etapas 

    Pelo texto aprovado, o Enamed será aplicado pelo Ministério da Educação em três momentos da graduação: ao final do quarto semestre, correspondente ao segundo ano; do oitavo semestre, no quarto ano, antes do internato; e do décimo segundo semestre, no sexto ano.

    As avaliações serão componentes curriculares obrigatórios e terão aplicação semestral e descentralizada, no Distrito Federal e nos municípios que oferecem cursos de Medicina.

    O resultado final será calculado pela média acumulada das três provas, com maior peso para a última avaliação. A Comissão Nacional de Avaliação da Formação Médica definirá o desempenho mínimo exigido, os pesos de cada etapa e os critérios de cálculo, que deverão ser previamente publicados e baseados em parâmetros objetivos.

    Quem não alcançar o nível mínimo de proficiência poderá refazer a terceira etapa do exame nas edições seguintes, com novo cálculo da média final. A primeira média acumulada das três avaliações constará do histórico escolar do estudante concluinte, e as faculdades poderão utilizar as notas em seus processos de avaliação acadêmica.

    O exame verificará conhecimentos, habilidades e competências previstos nas diretrizes curriculares nacionais, considerando os princípios e as necessidades do Sistema Único de Saúde (SUS). Também fornecerá informações para a formulação de políticas públicas e para a fiscalização dos cursos.

    O texto assegura acessibilidade, atendimento especializado e adaptações razoáveis aos participantes que necessitarem, além de reaplicação gratuita em situações de força maior, caso fortuito ou falha operacional atribuída à administração pública.

    Exercício profissional

    Com o texto, concluir a faculdade não será suficiente para trabalhar como médico. Será necessário alcançar o nível mínimo de proficiência no Enamed para obter o registro no CRM.

    A aprovação será comprovada por certificado eletrônico emitido pelo MEC ou pelo órgão responsável pela aplicação do exame. O documento ficará disponível ao interessado e poderá ser consultado pelos conselhos regionais exclusivamente para análise do pedido de registro profissional, respeitando a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD).

    O substitutivo também cria a Inscrição de Egresso de Medicina (IEM), destinada aos formados que não alcançarem o nível mínimo de proficiência exigido no Enamed. A inscrição permitirá apenas o exercício de atividades técnico-científicas, sem contato clínico com pacientes e sob supervisão de médico regularmente inscrito ou pesquisador responsável.

    Entre as atividades permitidas estão o apoio a pesquisas científicas, a elaboração de materiais científicos, a participação em projetos de inovação e políticas públicas de saúde e o desempenho de funções administrativas, educacionais e de apoio técnico.

    Os titulares da IEM não poderão atender pacientes, prescrever medicamentos, emitir atestados ou laudos, nem exercer outras atividades exclusivas dos médicos, mesmo sob supervisão. Também não poderão ocupar cargos ou funções destinados a profissionais médicos.

    O Conselho Federal de Medicina regulamentará a concessão, a renovação, a supervisão e o cancelamento da inscrição. O descumprimento das restrições levará ao cancelamento da IEM, assegurados o contraditório e a ampla defesa, sem prejuízo de outras sanções cabíveis.

    Fiscalização das faculdades

    O substitutivo estabelece regras para a avaliação e a fiscalização dos cursos de medicina. Cada instituição receberá anualmente um conceito calculado com base na proporção de estudantes que alcançarem o nível mínimo de proficiência na terceira etapa do Enamed.

    Os cursos com desempenho insatisfatório poderão ser submetidos a processos de supervisão e às medidas previstas na legislação educacional. Somente os resultados das avaliações realizadas a partir da entrada em vigor da lei poderão fundamentar a abertura desses processos e a adoção de medidas cautelares.

    O MEC deverá divulgar anualmente os resultados consolidados do exame por instituição, preservando a identidade dos estudantes. As informações deverão permanecer disponíveis em portal público por pelo menos dez anos.

    As faculdades também serão obrigadas a disponibilizar, em seus sites oficiais e materiais destinados a futuros alunos, os resultados das três últimas edições do Enamed. A medida permitirá que os estudantes consultem e comparem o desempenho das instituições antes de escolher onde cursar medicina.

    Os cursos avaliados pelo Enamed deixarão de ser submetidos às regras do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade).

    Formação prática no SUS

    O texto aprovado estabelece parâmetros nacionais para a utilização de unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) na formação dos estudantes de medicina.

    A regulamentação deverá definir limites máximos de estudantes por leito, equipe de saúde da família, ambulatório, unidade assistencial e preceptor, profissional responsável pelo acompanhamento das atividades práticas. O objetivo é adequar a quantidade de estudantes à capacidade dos serviços públicos de saúde utilizados para estágios e outras atividades de formação.

    As instituições que utilizarem hospitais e outros serviços do SUS para estágios obrigatórios e atividades práticas também deverão oferecer contrapartidas, que poderão incluir recursos financeiros, melhorias estruturais, serviços assistenciais e ações educacionais.

    Esses compromissos serão formalizados por meio do Contrato Organizativo da Ação Pública Ensino-Saúde, conforme diretrizes estabelecidas pelos ministérios da Educação e da Saúde.

    O substitutivo limita o conjunto das contrapartidas a 2% do faturamento líquido do curso de medicina, valor que deverá ser dividido proporcionalmente entre os serviços utilizados.

    Residência médica

    A proposta também permite que a nota final dos estudantes aprovados no Enamed seja utilizada nos processos seletivos para programas de residência médica de acesso direto.

    Outra mudança é a criação do Sistema Nacional de Avaliação da Residência Médica (Sinares), no âmbito da Comissão Nacional de Residência Médica. O sistema terá a finalidade de avaliar e melhorar a qualidade dos programas e orientar a oferta de vagas.

    Uma comissão permanente, de caráter deliberativo, será responsável pelo sistema, com representantes do Ministério da Educação, do Ministério da Saúde, da Associação Médica Brasileira e do Conselho Federal de Medicina.

    Diplomas estrangeiros

    Além da manutenção das duas etapas do Revalida, conforme a MP, o substitutivo estabelece regras de transição para profissionais formados no exterior. Os candidatos que fizeram a primeira etapa do Revalida até 19 de junho de 2026 e foram aprovados serão dispensados do Enamed e poderão fazer a prova de habilidades clínicas nas duas edições seguintes do exame.

    A avaliação prática será aplicada semestralmente, conforme edital. Já a cobrança pela prova teórica seguirá as diretrizes e os modelos de financiamento estabelecidos pela Comissão Nacional de Avaliação da Formação Médica.

    Qualidade da formação 

    Em seu relatório, Doutor Luizinho enfatizou a justificativa do Executivo para editar a medida provisória. Ele relacionou a necessidade de avaliar a formação médica à expansão dos cursos de medicina no país e à preocupação com a qualidade do ensino e a segurança dos pacientes.

    De acordo com dados do Ministério da Educação citados pelo relator, a oferta de cursos de Medicina cresceu 158% entre 2010 e 2024, passando de 181 para 467 cursos. Em 2024, o setor privado concentrava 73,3% das matrículas.

    — Os resultados do Enamed 2025 reforçam a necessidade de aprimoramento dos mecanismos regulatórios, uma vez que apenas 30,8% dos cursos privados autorizados por via judicial obtiveram desempenho satisfatório, percentual bastante inferior ao resultado geral de 69,4% e ao índice de 95% registrado pelas instituições públicas federais — acrescentou o deputado. 

    Para Doutor Luizinho, as avaliações distribuídas ao longo da graduação permitirão identificar dificuldades de aprendizagem mais cedo e possibilitar que as instituições adotem medidas corretivas antes da conclusão do curso.

    O relator defendeu que o Enamed seja utilizado tanto para acompanhar a qualidade da formação médica quanto para verificar se os novos profissionais possuem as competências mínimas necessárias para exercer a medicina com segurança.

    Divergência sobre o Revalida

    Antes da aprovação, o senador Alan Rick apresentou pedido de vista e defendeu mudanças nas regras de avaliação dos profissionais formados em medicina no exterior. O parlamentar questionou a manutenção da segunda etapa do Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos Expedidos por Instituição de Educação Superior Estrangeira (Revalida), destinada à avaliação das habilidades clínicas.

    Para o senador, a exigência estabelece tratamento diferente entre médicos formados no Brasil e no exterior, uma vez que os estudantes brasileiros precisarão comprovar proficiência por meio do Enamed, enquanto os formados em outros países continuarão submetidos a uma avaliação prática adicional.

    — Trata-se de regra não isonômica. […] Se da qualificação médica do profissional formado no Brasil se exige a prova de proficiência médica e se exige duas etapas para o médico formado no exterior, não se tem isonomia — disse.

    A sugestão não foi acolhida pelo relator. Assim, a prova teórica do Revalida corresponderá à terceira etapa do Enamed, aplicada no último ano da graduação. A segunda fase, destinada à avaliação das habilidades clínicas, continuará obrigatória.

    Doutor Luizinho defendeu a manutenção das duas etapas do Revalida e argumentou que a avaliação prática é necessária para verificar as habilidades dos profissionais formados fora do país.

    — A […] Frente Parlamentar de Medicina não abre mão do Revalida em duas etapas. Não dá para julgar um aluno da faculdade de medicina que fez o curso no Brasil, regulamentado pelo Ministério da Educação, com um aluno que fez um curso fora, sem realizar o teste de habilidades — afirmou.

    O presidente do Conselho Federal de Medicina, Hiran Gallo, que também acompanhou a votação, defendeu a manutenção das duas etapas. Segundo ele, a aplicação da mesma prova teórica aos estudantes formados no Brasil e no exterior assegura igualdade de critérios nessa fase da avaliação.

    — A isonomia está garantida no momento em que a mesma prova teórica que é realizada por quem concluiu o curso de medicina no Brasil é também com a participação de quem concluiu o curso de medicina em outro país — disse.

    O presidente da comissão, senador Camilo Santana (PT-CE), destacou a busca de consenso entre os envolvidos na discussão da proposta e a importância da medida provisória para a qualidade da formação médica.

    — Foi uma construção coletiva, um consenso para que a gente possa garantir a melhora da qualidade dos nossos formandos da área de medicina, que é tão essencial para a vida do cidadão e da cidadã brasileira — afirmou.

    Críticas à MP

    Os senadores Alan Rick e Astronauta Marcos Pontes e a deputada Bia Kicis votaram contra o relatório. Os parlamentares criticaram a decisão do governo de tratar o tema por meio de medida provisória, desconsiderando, para eles, debates e propostas legislativas que já estavam em andamento na Câmara e no Senado.

    Astronauta Marcos Pontes, que também apresentou projeto de lei sobre o tema (PL 2.294/2024), classificou a iniciativa do Executivo como “ilógica, inoportuna e incorreta”. Ele questionou a atribuição ao Ministério da Educação de responsabilidades na condução do exame de proficiência e disse que o Conselho Federal de Medicina deveria ser o responsável pela avaliação final da formação médica.

    Fonte: Agência Senado

  • Comissão aprova incentivo fiscal para empresas que contratarem pessoas desempregadas há mais de 12 meses

    Comissão aprova incentivo fiscal para empresas que contratarem pessoas desempregadas há mais de 12 meses

    A Comissão de Indústria, Comércio e Serviços da Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que cria a Política Nacional de Estímulo à Geração de Emprego e Renda. A medida autoriza incentivos fiscais a empresas que contratarem pessoas que estejam sem carteira assinada há pelo menos 12 meses.

    Pelo texto, caberá ao governo federal, no prazo de 120 dias a partir da aprovação da lei, apontar quais serão as isenções ou vantagens e como as empresas poderão utilizá-las na prática.

    Segurança jurídica

    Foi aprovado o substitutivo do relator, deputado Josenildo (PDT-AP), ao Projeto de Lei 5148/25, do deputado Marcos Tavares (PDT-RJ). A versão original previa benefícios fiscais de forma mais ampla para quem aumentasse o número de funcionários.

    O relator alterou o projeto para beneficiar pessoas desempregadas há mais tempo e evitar fraudes. Segundo ele, as mudanças garantem “segurança jurídica, responsabilidade fiscal e controle sobre as isenções fiscais”.

    Para receber e manter o benefício, a empresa precisa manter o funcionário contratado por pelo menos 12 meses.

    Proibições

    O texto proíbe a concessão do incentivo fiscal nos seguintes casos:

  • contratação para substituir trabalhador demitido sem justa causa nos seis meses anteriores;
  • empresas com dívidas com o governo federal ou com a Previdência Social;
  • contratação de pessoas ligadas aos sócios ou aos administradores da empresa.
  • Próximos passos

    O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado pelas comissões de Trabalho; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

    Para virar lei, precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado.

    Saiba mais sobre a tramitação de projetos de lei

    Fonte: Agência Câmara de Notícias

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