Categoria: Brasil

  • Três é demais: médicos alertam para dor de cabeça recorrente

    Três é demais: médicos alertam para dor de cabeça recorrente

    Três é demais: médicos alertam para dor de cabeça recorrente

    Neste Dia Nacional de Combate à Cefaleia (dor de cabeça), médicos chamam a atenção para a sétima dor mais incapacitante do mundo e fazem um alerta àquelas pessoas que costumam ter três ou mais episódios de dor de cabeça por mês, durante pelo menos três meses, para que procurem um especialista.

    Embora muitas vezes a cefaleia esteja associada a fatores comuns, como estresse, desidratação ou uma noite mal dormida, ela também pode ter origem em condições mais graves, como sinusite, enxaqueca crônica ou até mesmo aneurisma.

    Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) os transtornos de dor de cabeça estão entre as condições neurológicas mais comuns no mundo, afetando milhões de pessoas e impactando diretamente na qualidade de vida de quem sofre com o problema.

    Ainda de acordo com a OMS as cefaleias estão entre as três principais condições neurológicas para a faixa etária dos 5 anos aos 80 anos. A organização estima que cerca de 40% da população mundial (3,1 bilhões de pessoas) sofra com dor de cabeça regularmente. Por isso, quando os episódios se tornam frequentes ou prolongados é fundamental redobrar a atenção.

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    A enxaqueca, especificamente, é considerada a segunda maior causa de incapacidade no mundo e afeta aproximadamente 15% da população global, sendo que mulheres são significativamente mais afetadas devido a fatores hormonais. No Brasil, mais de 30 milhões de brasileiros sofrem de enxaqueca crônica.

    “Pode se tratar de enxaqueca crônica, caracterizada por crises que ocorrem 15 dias ou mais por mês, frequentemente acompanhadas de náuseas e sensibilidade à luz e ao som. A dor de cabeça é um sintoma comum no dia a dia, mas quando deixa de ser episódica e passa a ser constante, precisa ser investigada”, explica o neurocirurgião Orlando Maia.

    Ele ressalta que a maioria das cefaleias tem origem benigna, como nos casos de tensão. Ainda assim, existe uma linha clara entre o que é habitual e o que exige investigação. Segundo ele, dores de cabeça constantes podem ser um quadro primário, mas podem estar relacionadas a outras condições.

    “Podem ser condições neurológicas, infecções ou alterações estruturais que demandam avaliação especializada. Essa diferença nem sempre é percebida. Em muitos casos, a dor persistente é tratada apenas com analgésicos, ignorada ou incorporada à rotina, o que pode atrasar diagnósticos importantes”, alerta.

    Alerta

    Os sinais de alerta são dores frequentes e até diárias, mudança no padrão habitual da dor, início súbito e muito intenso, intensidade fora do comum, associação com alterações visuais, na fala ou na força, episódios acompanhados de confusão mental, perda de consciência ou desequilíbrio.

    “Esses sinais não devem ser normalizados, pois indicam a necessidade de investigação. A maioria das dores de cabeça não está relacionada ao AVC, por exemplo, mas o problema surge quando o sintoma foge do padrão habitual”, afirma o neurologista.

    De acordo com a Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBC), alguns hábitos e comportamentos podem contribuir para o desenvolvimento das dores de cabeça: má alimentação, jejum prolongado, excesso de gordura e álcool e, atualmente, principalmente o estresse.

    “A enxaqueca tem uma relação muito grande com o estilo de vida, com o sedentarismo, tabagismo, obesidade, alimentação inadequada, transtornos do humor (depressão e ansiedade) e alterações orofaciais, que são as disfunções temporomandibulares. Por isso, geralmente o tratamento dos pacientes é realizado de maneira multidisciplinar, ou seja, com a atuação não apenas do neurologista, mas também do odontólogo, nutricionista, psicólogo, enfermeira e fisioterapeuta”, explica a SBC.

    Automedicação

    A entidade aponta como um dos principais erros para tratar essas dores, a automedicação, já que no Brasil o acesso a analgésicos e anti-inflamatórios é muito fácil, permitindo que a população se automedique.

    “Quando a frequência da cefaleia é baixa, dois ou menos episódios por mês, isto não acarreta maiores problemas. Porém, quando as dores de cabeça aparecem em uma frequência superior, o paciente possui indicação de tratamento preventivo e a automedicação pode até piorar tanto a frequência quanto a intensidade dos seus sintomas”, diz a SBC.

    A SBC informa ainda que cerca de 90% de quem sofre com a cefaleia tem algum prejuízo no trabalho, estudos, atividade de lazer e vida sexual.

    “Por isso entre as diversas formas de tratamento existentes como medicamentos, fitoterápicos, neuroestimuladores periféricos, bloqueios anestésicos, acupuntura, toxina botulínica, entre outros, é preciso estudar cada caso para personalizar o tratamento, fazendo um planejamento terapêutico a cada consulta”.

    Maio bordô

    O Maio Bordô foi instituído pela Sociedade Brasileira de Cefaleia como o mês de conscientização sobre o assunto e esta terça-feira (19) marca o Dia Nacional de Combate à Cefaleia.

    Com a campanha 3 é Demais, a entidade reforça que quem sofre três episódios mensais de dor de cabeça, por três meses seguidos, deve buscar ajuda profissional.

  • Diarreia e dor abdominal acendem alerta para doenças intestinais

    Diarreia e dor abdominal acendem alerta para doenças intestinais

    Diarreia e dor abdominal acendem alerta para doenças intestinais

    Para conscientizar a população e dar visibilidade a doenças inflamatórias intestinais (DIIs), o mês de maio recebe a campanha Maio Roxo, promovida pela Sociedade Brasileira de Coloproctologia e outras instituições. No Brasil, cerca de 0,1% da população tem a doença. A iniciativa chama atenção para a importância do diagnóstico precoce e da busca por tratamento adequado. 

    A inflamação intestinal, a princípio sem causa definida, pode ser ocasionada pelo organismo do próprio paciente. É o caso, por exemplo, da doença de Crohn e a retocolite ulcerativa, que podem surgir a qualquer momento, porém com maior prevalência em adultos na faixa dos 20 a 30 anos, e emidosos por volta de 60 e 70 anos.

    Em entrevista ao programa Tarde Nacional, da Rádio Nacional Amazônia, a médica e integrante da Sociedade Brasileira de Coloproctologia, Mariane Savio, destacou sobre a necessidade de  identificar e diferenciar os sintomas com a ajuda de um especialista.

    “É muito importante procurar um especialista. Às vezes os sintomas podem passar batidos, e a doença progredir. Então, diarreia persistente, principalmente por mais de quatro semanas, mais de um mês, merece investigação, dor abdominal que esteja incomodando também merece uma visita ao médico, emagrecimento, anemia, tudo isso tem que ser investigado”, explica.

    Diagnóstico

    Identificados os sintomas de alerta, a médica explica que é necessário buscar um especialista para realizar exames complementares antes de ter certeza do diagnóstico. Na maioria dos casos esse exame é a colonoscopia, mas também são utilizados exames de imagem, que auxiliam principalmente quando a doença está no intestino delgado ou no intestino fino, tomografia, ressonância, até o ultrassom.

    Mariane​ indica que o paciente procure por um coloproctologista ou um gastroenterologista e explica a diferença de como cada doença age no corpo.

    “A doença de Crohn pode acometer qualquer parte do trato gastrointestinal, da boca ao ânus. Então, pode causar desde aftas orais, acometimento do intestino fino, do intestino grosso e, no ânus, fístulas e fissuras. A retocolite ulcerativa pega apenas o reto e o cólon e acomete mais a mucosa, enquanto a doença de Crohn pega toda a parede do intestino.”

    Muitos tratamentos servem para as duas doenças, no entanto alguns medicamentos são específicos só para uma delas. A médica acredita que o acesso ao especialista ainda é a maior barreira para um diagnóstico precoce.

    “A gente sabe que tem muitos locais com filas de mais de um ano para fazer colonoscopia, um exame que poderia dar o diagnóstico a um paciente, e que às vezes acaba perdendo o que a gente chama de ‘janela de oportunidade’. Nesse momento é que o tratamento vai ser mais eficaz, na fase inicial da doença”, disse.

    Tratamento

    O Sistema Único de Saúde (SUS) possui os chamados protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas voltadas para o tratamento de DIIs, com fornecimento de remédios. Em casos mais graves pode ser necessário o uso de uma bolsa de colostomia — um dispositivo médico externo usado para coletar fezes e gases. 

    Com o aumento de casos ao redor do mundo, alguns fatores de risco estão sendo analisados no desencadeamento dessas doenças, entre eles: estresse, dieta com aumento de alimentos ultraprocessados e tabagismo. É possível que, controlando esses fatores, uma pessoa possa diminuir o risco de ter uma doença inflamatória.

    Na falta de um especialista, Mariane Savio indica que se busque um médico da atenção primária para garantir o diagnóstico e o início do tratamento o mais rápido possível, evitando complicações do quadro.

  • Internado em UTI, cacique Raoni tem melhora do estado de saúde

    Internado em UTI, cacique Raoni tem melhora do estado de saúde

    Internado em UTI, cacique Raoni tem melhora do estado de saúde

    O cacique Raoni Metuktire, de 93 anos, continua internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Dois Pinheiros, em Sinop (MT), mas apresentou melhora clínica nas últimas horas. As informações são do Patxon Metuktire, sobrinho-neto do líder indígena, que conversou com a Agência Brasil.

    De acordo com Patxon, Raoni vem respondendo positivamente ao tratamento médico para pneumonia e complicações relacionadas à Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC).

    “Meu avô sofre de DPOC e esta semana estava muito mal, por isso resolvemos interná-lo. Ainda está na UTI, mas desde ontem teve uma melhora na saturação, que estava entre 93 e 95 e agora subiu para 97. Os médicos estão confiantes”, disse Patxon.

    Segundo ele, Raoni está sendo assistido pela equipe de cardiologistas e pneumologistas. “Hoje ele até tomou café e está se sentindo bem melhor”. Raoni deverá passar por novos exames nos próximos dias para acompanhamento da evolução clínica.

    Na última terça-feira (12), o cacique apresentou um quadro de indisposição e foi inicialmente atendido na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Peixoto de Azevedo. Em seguida, foi encaminhado ao Hospital Regional do município, onde recebeu atendimento médico. A pedido da família, foi transferido posteriormente para o Hospital Dois Pinheiros, em Sinop.

    Uma das mais importantes lideranças indígenas do planeta, Raoni foi recentemente condecorado com a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito, maior honraria do Estado brasileiro, em reconhecimento ao trabalho em favor dos povos originários e da proteção do meio ambiente.

  • Aplicativo do Bolsa Família tem novas funcionalidades a partir de hoje

    Aplicativo do Bolsa Família tem novas funcionalidades a partir de hoje

    Aplicativo do Bolsa Família tem novas funcionalidades a partir de hoje

    A partir desta segunda-feira (18), o aplicativo do Bolsa Família contará com novas funcionalidades e serviços que tornarão a utilização mais intuitiva e simples. Com a atualização da ferramenta o usuário terá mais informações, acessibilidade em uma plataforma modernizada.

    A versão atualizada estará disponível para download em dispositivos Android, por meio da loja Google Play para as mais de 19 milhões de famílias beneficiárias.

    Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), que desenvolveu as melhorias do aplicativo em parceria com a Caixa Econômica Federal, a reformulação foi feita com foco na experiência do usuário e na inclusão digital. A modernização promoverá mais acessibilidade, transparência e autonomia aos beneficiários.

    “As novas funções do aplicativo do Bolsa Família vão na linha do que faz o governo, ao facilitar o serviço para o usuário. No dia a dia, as famílias poderão acessar informações importantes e saber, por exemplo, o motivo do bloqueio do benefício. Elas também poderão identificar medidas que precisam ser adotadas para regularizar a situação”, disse o ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias.

    A nova versão do aplicativo permitirá que o responsável familiar consulte informações detalhadas sobre a situação do benefício, a composição dos pagamentos e eventuais ocorrências relacionadas ao cadastro, identificando possíveis pendências que precisam ser regularizadas para garantir a continuidade do recebimento. O resultado deve ser a agilidade no atendimento nos centros de Referência de Assistência Social (CRAS) ou em outros serviços públicos.

    Entre os aprimoramentos de acessibilidade estão a compatibilidade com leitores de tela, como o TalkBack, além da otimização de funcionalidades como o extrato de pagamento, as mensagens do programa e o calendário de repasses. O cidadão também poderá conhecer outros programas do governo, com acesso direcionado às páginas de cada iniciativa.

    As principais funções do aplicativo são a consulta dos tipos de benefício; verificação de situações e pendências que possam interromper o pagamento; acompanhamento das parcelas mensais do benefício; consulta de datas de pagamento; acesso às informações atualizadas do programa; conhecer outros programas do governo; navegação em interface mais simples e intuitiva; obtenção de informações sobre o programa; e um canal direto com a Caixa Econômica Federal.

    A apresentação das atualizações do funcionamento das ferramentas disponíveis no aplicativo será feita no próximo dia 27, em Brasília. No mesmo dia será lançado um site exclusivo do Bolsa Família. O portal terá conteúdos como calendário de pagamentos, acesso ao benefício, regras do programa, canais de atendimento, perguntas frequentes e orientações às famílias atendidas.

  • Pessoas 50+ vão representar metade do consumo com saúde em 2044

    Pessoas 50+ vão representar metade do consumo com saúde em 2044

    Pessoas 50+ vão representar metade do consumo com saúde em 2044

    Em cerca de 20 anos, metade do consumo das famílias brasileiras com produtos e serviços relacionados a saúde será de pessoas com 50 anos ou mais. A chamada geração prateada ─ referência aos cabelos grisalhos ─ responderá por R$ 559 bilhões de um total de R$ 1,1 trilhão consumido com saúde em 2044.

    Essa projeção representa um avanço em relação a 2024, quando a geração 50+ representava 35% desse gasto com medicamentos, planos de saúde e suplementos, entre outros produtos.

    Os dados fazem parte do estudo Mercado Prateado: consumo dos brasileiros 50+ e projeções, feito pela data8, empresa especializada em pesquisas relacionadas a envelhecimento e longevidade.

    Uma das coordenadoras da pesquisa, Lívia Hollerbach conta que não é surpresa as pessoas gastarem mais com saúde à medida que envelhecem, mas, mesmo assim, as constatações são preocupantes.

    “Nos surpreendeu essa projeção de que muito rapidamente, em menos de 20 anos, essa população já vai ser responsável por movimentar metade do consumo no país em todo o setor de saúde”, disse ela à Agência Brasil.

    >> Leia aqui: Expectativa de vida no país sobe para 76,6 anos, a maior já registrada

    Peso no bolso

    O levantamento aponta que a relação entre faixa etária e consumo com saúde cresce de forma desproporcional quando se observa a população que forma a geração prateada.

    Em 2024, o Brasil tinha 59 milhões de pessoas 50+, o que representava 27% da população, mas 35% do consumo com saúde.

    Em 2044, a projeção é que o país tenha 92 milhões de pessoas nessa faixa etária. Esse contingente representará 40% da população e 50% do consumo.

    “A saúde realmente vai tomar parte grande do bolso do brasileiro”, afirma Lívia Hollerbach.

    De acordo com o estudo, planos de saúde, medicamentos e suplementos representam 79% da cesta mensal de consumo de saúde das pessoas com mais de 50 anos.

    Os pesquisadores estimaram o peso do consumo com saúde no orçamento pessoal. Na população com menos de 50 anos, 8% da renda vão para produtos e serviços relacionados à saúde. Para a geração prateada, o impacto no bolso é de 14%.

    O levantamento detalha mais por faixa etária. Pessoas de 50 a 54 anos direcionam 11% do consumo mensal para a saúde. Na faixa de 70 a 74 anos, o patamar passa para 18%. Entre as pessoas com 80 anos ou mais, o peso chega a 21%.

    Os demais gastos são com consultas médicas, exames, materiais de tratamento entre outros.

    Estrutura de saúde

    A coordenadora do estudo chama a atenção para a necessidade de o país se preparar para o envelhecimento da população, tanto na esfera pública quanto privada.

    “A população brasileira apresenta uma demanda por cuidado e atenção à saúde que, em territórios mais vulneráveis, supera a capacidade de resposta disponível, seja pelo Poder Público, seja pela iniciativa privada”, diz Lívia.

    Para a especialista, o “congestionamento recorrente” dos serviços públicos e privados é um indicativo de que a oferta existente já opera sob forte pressão, em um cenário em que a demanda tende a crescer de forma contínua nas próximas décadas.

    Caminhos

    Entre os caminhos para lidar com os desafios presentes e futuros, ela cita o desenvolvimento de cadeia de cuidados de longa duração. “É uma das maiores prioridades quando olhamos para a transição demográfica”.

    Ressalta ainda a necessidade de a medicina preventiva ganhar cada vez mais importância e espaço na sociedade. “É extremamente importante essa cultura”, enfatiza, acrescentando que enxerga avanços, como a redução do tabagismo e do consumo de álcool.

    A coordenadora assinala que o foco da sociedade deve ser relacionar aumento de expectativa com qualidade de vida.

    “Isso só vai acontecer quando a gente tiver não só conscientização, mas realmente programas, produtos e serviços focados para uma saúde preventiva”, conclui.

  • Proteção digital ganha reforço com novas regras, IA e fiscalização de plataformas

    Proteção digital ganha reforço com novas regras, IA e fiscalização de plataformas

    Proteção digital ganha reforço com novas regras, IA e fiscalização de plataformas

    O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) consolidou, no primeiro quadrimestre de 2026, uma série de ações estratégicas no campo dos direitos digitais e da proteção de crianças, adolescentes e mulheres no ambiente on-line.

    As ações integram o eixo 3 do Relatório de Gestão Quadrimestral e abrangem desde a regulamentação do Estatuto da Criança e do Adolescente Digital (ECA Digital) até ações de fiscalização contra plataformas que descumprem a legislação vigente.

    Regulamentação

    Em 18 de março de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou um pacote de três decretos que operacionalizam a Lei nº 15.211/2025, conhecida como ECA Digital. As medidas criam uma estrutura integrada de proteção no ambiente virtual.

    O Decreto nº 12.880/2026 regulamenta a lei de forma substantiva, estruturando três frentes de operacionalização: verificação de idade com preservação de privacidade, regras para coibir a adoção de design manipulativo em aplicativos digitais e criação da Política Nacional de Promoção e Proteção dos Direitos da Criança e do Adolescente na Polícia Federal. O instrumento reforça que verificação de idade não se confunde com verificação de identidade e combate práticas de design manipulativo em plataformas digitais.

    O Decreto nº 12.881/2026 reestrutura a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), consolidando sua autonomia funcional, técnica, decisória, administrativa e financeira. A medida amplia a capacidade da agência de regulamentar, fiscalizar e aplicar sanções previstas no ECA Digital.

    Já o Decreto nº 12.882/2026 institui, na estrutura da Polícia Federal (PF), o Centro Nacional de Proteção à Criança e ao Adolescente, responsável por receber e triar denúncias, coordenar respostas operacionais com órgãos competentes e produzir inteligência sobre padrões de violação de direitos digitais.

    É a primeira vez que plataformas serão obrigadas a reportar crimes diretamente às autoridades policiais brasileiras, o que reforça a soberania nacional sobre o tema da proteção da infância.

    Influenciadores mirins

    Em paralelo à regulamentação, o MJSP constituiu, em 1º de abril de 2026, o Comitê Interinstitucional sobre Trabalho Artístico de Crianças e Adolescentes em Plataformas Digitais, por meio da Portaria Sedigi/MJSP nº 1/2026. O órgão reúne entidades do sistema de Justiça, do Poder Executivo e da sociedade civil para tratar da proteção de criadores mirins — tema que ganhou relevância após acordo firmado entre o Ministério Público do Trabalho (MPT), Ministério Público Estadual (MPE) e a Meta, em março deste ano.

    O Comitê trabalha na elaboração de diretrizes para alvarás judiciais de atividade artística de crianças e adolescentes em ambiente digital e de mecanismos de monitoramento do trabalho infantil digital.

    Também foi concluído, em 29 de abril de 2026, um ciclo de reuniões bilaterais com YouTube, TikTok, Instagram, Twitch e Kwai.

    Classificação Indicativa

    O primeiro ciclo completo da política de Classificação Indicativa sob o novo eixo de interatividade, introduzido pela Portaria MJSP nº 1.048/2025 e pelo Decreto nº 12.880/2026, registrou 2.204 atos de classificação entre 17 de março e 28 de abril de 2026, com média de 22 atos por dia.

    A análise técnica para classificação das redes sociais, de jogos e de aplicativos passa a levar em conta, além do conteúdo, fatores de risco associados à interatividade, o que resultou em alguns casos na reclassificação para faixas etárias mais elevadas.

    Jogos digitais com mecanismos de recompensa aleatória (loot boxes) passam a ser não recomendados para menores de 18 anos por conta dessa funcionalidade. Conteúdos televisivos com publicidade de apostas também tiveram restrição de horário.

    Guia do Usuário Brasileiro de Inteligência Artificial

    O MJSP elaborou o Guia do Usuário Brasileiro de Inteligência Artificial — Definições, Direitos e Governança de IA no Brasil, documento elaborado em linguagem acessível. O instrumento foi submetido à consulta pública na plataforma Brasil Participativo entre 20 de março e 4 de maio de 2026, com lançamento oficial previsto para junho deste ano.

    Estruturado em três eixos — fundamentos conceituais, explicação de sistemas algorítmicos e direitos e governança —, o guia representa a primeira iniciativa voltada diretamente ao cidadão no eixo regulatório do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA 2024–2028).

    Fiscalização ativa

    O Ministério promoveu atuação direta de fiscalização sobre plataformas digitais em três frentes. Em março de 2026, o MJSP notificou o TikTok Brasil diante da disseminação de conteúdos misóginos associados à trend “caso ela diga não”, que simulavam agressões físicas contra mulheres, resultando na instauração de inquérito pela Polícia Federal.

    Em abril, ofícios foram encaminhados ao Google Brasil e à Apple requisitando esclarecimentos sobre a disponibilização de aplicativos de apostas sem a verificação de idade exigida no ECA Digital, de modo a coibir o acesso por crianças e adolescentes a esses aplicativos.

    Impacto estruturante

    As ações do eixo 3 representam mudança estrutural na atuação do Estado brasileiro no ambiente digital, com regulação baseada em evidências, proteção estruturada de crianças e adolescentes, fiscalização ativa de grandes plataformas e fortalecimento dos direitos dos cidadãos diante de sistemas algorítmicos.

    O MJSP reforça que a construção de um ambiente virtual mais seguro passa por garantir que a legislação brasileira também seja corretamente aplicada na Internet.

  • Anvisa mantém suspensão de fabricação e venda de produtos Ypê

    Anvisa mantém suspensão de fabricação e venda de produtos Ypê

    Anvisa mantém suspensão de fabricação e venda de produtos Ypê

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu manter a suspensão da fabricação, distribuição e a venda de lotes de produtos da marca Ypê, com final 1. 

    A decisão foi tomada nesta sexta-feira (15), em Reunião Extraordinária Pública da Diretoria Colegiada.

    A fabricação e a comercialização de produtos da marca haviam sido suspensas pela Anvisa, no início do mês, por “descumprimentos relevantes em etapas críticas do processo produtivo, o que inclui falhas nos sistemas de garantia da qualidade, produção e controle de qualidade”, como informou a agência.

    Como a empresa recorreu, a decisão da Anvisa ficou suspensa. A empresa poderia, inclusive, ter voltado a comercializar os lotes contaminados, o que não ocorreu. 

    Segundo a Anvisa, a suspensão de decisões como esta ocorre automaticamente, sempre que uma empresa recorre.

    Reunião extraordinária

    Nesta sexta, com a votação da Anvisa, parte da Resolução 1834 volta a valer. Assim, produtos da Ypê com lotes que terminam em 1, elencados na resolução voltam a ter fabricação, venda e uso proibidos.

    A Anvisa ainda precisará votar o mérito do recurso da empresa, com análise dos argumentos.

    Recolhimento

    A resolução também previa que a Ypê deveria recolher os produtos. Na reunião de hoje, no entanto, a questão do recolhimento não foi mantida.

    “O recolhimento do produto foi suspenso até avaliação de proposta apresentada pela empresa”, informou a Anvisa em nota.

    Entenda o caso

    No último dia 7, a Anvisa suspendeu fabricação, comercialização e distribuição de lotes de produtos da marca Ypê com numeração final 1. A lista inclui detergente, sabão líquido para roupas e desinfetantes.

    Um dos principais problemas é a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa, que é resistente a antibióticos e pode causar uma série de problemas em pessoas imunocomprometidas, desde infecção urinária até infecção respiratória em pessoas que têm problemas de pulmão crônicos, como enfisema, ou em pessoas submetidas a tratamento com cateter na veia.

    >> Confira a lista de produtos contaminados com lotes que terminam em 1:

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  • Lava Roupas Líquido Tixan Ypê Antibac
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  • Hantavírus: infectologista da HU Brasil explica transmissão, sintomas e prevenção

    Hantavírus: infectologista da HU Brasil explica transmissão, sintomas e prevenção

    Hantavírus: infectologista da HU Brasil explica transmissão, sintomas e prevenção

    Casos confirmados de hantavírus em um navio no Atlântico colocaram a doença no centro das atenções internacionais. Até o momento, a Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou sete infecções entre passageiros do cruzeiro MV Hondius , incluindo três mortes. Apesar do alerta sanitário e do monitoramento de pessoas em diferentes países, a própria entidade avalia que o risco de disseminação em larga escala é baixo.

    Os hantavírus circulam entre roedores silvestres e podem infectar seres humanos em situações de exposição ambiental, sobretudo em áreas rurais ou de manejo florestal e agrícola. Dados do Ministério da Saúde apontam que, entre 2007 e 2024, foram confirmados 1.386 casos da doença no Brasil, com 540 óbitos registrados no período. A doença é considerada rara, mas pode evoluir rapidamente para quadros graves, especialmente quando afeta pulmões e coração.

    No Pará, o tratamento de doenças infectocontagiosas faz parte da expertise do Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUJBB), integrante do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Pará (CHU-UFPA) e vinculado à Rede HU Brasil.

    Segundo a infectologista Rita Medeiros, gerente de Atenção à Saúde do HUJBB, a transmissão ocorre a partir da exposição às secreções de roedores infectados. “É uma doença viral transmitida através de vírus presentes nas excretas desses animais, como fezes, urina e saliva. A partir desse contato, pode haver formação de aerossóis que ficam suspensos no ar, especialmente em ambientes fechados por muito tempo, e podem ser inalados pelas pessoas”, explica.

    Baixa circulação entre humanos

    Os sintomas iniciais costumam incluir febre, dores no corpo, mal-estar, dor de cabeça, náuseas e cansaço. Nas Américas, incluindo o Brasil, a doença pode evoluir rapidamente para comprometimento pulmonar e cardíaco, com falta de ar intensa e insuficiência respiratória. Já em países da Europa e da Ásia, são mais frequentes manifestações hemorrágicas e renais, com alterações na pressão arterial, sangramentos e comprometimento dos rins.

    Apesar da repercussão internacional do surto no cruzeiro, Rita Medeiros reforça que não há motivo para pânico. De acordo com a especialista, a transmissão entre pessoas é considerada extremamente rara e está associada apenas à variante andina do vírus, identificada em alguns países da América do Sul e confirmada em passageiros do navio. “A contagiosidade é muito baixa porque é necessário contato muito próximo e prolongado com a pessoa doente”, ressalta a médica.

    A OMS também reforçou que o cenário atual não apresenta características de pandemia. O órgão internacional informou que os casos permanecem restritos e que não há indícios de transmissão em cadeia semelhante ao observado em doenças respiratórias altamente contagiosas, como a Covid-19.

    Embora o hantavírus apresente taxas de letalidade consideradas elevadas, a especialista ressalta que a maioria dos pacientes evolui para recuperação quando recebe assistência adequada. “A cura é a regra. A doença é aguda e produz resposta imunológica duradoura”, destaca Rita Medeiros.

    Prevenção e atendimento especializado

    Atualmente, não existe tratamento antiviral específico nem vacina contra os hantavírus. Por isso, o diagnóstico precoce e o suporte médico são fundamentais para reduzir complicações e aumentar as chances de recuperação.

    No HUJBB, o atendimento de doenças infecciosas integra uma das áreas de referência da instituição, que atua na assistência, ensino, pesquisa e inovação voltados a agravos infecciosos e tropicais na região amazônica.

    Entre as principais medidas de prevenção estão o controle de roedores e os cuidados na limpeza de ambientes fechados ou com sinais de infestação. A recomendação é evitar levantar poeira em locais sem ventilação e utilizar equipamentos de proteção.

    “Ao chegar em uma casa de campo ou sítio fechado por muito tempo, o ideal é primeiro deixar o ambiente arejado antes da limpeza. O uso de máscara é recomendado, especialmente em locais com poeira ou presença de excretas de animais”, orienta Medeiros.

    Sobre a HU Brasil

    O CHU-UFPA faz parte da Rede HU Brasil desde 2015. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a HU Brasil nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – Ebserh . É responsável pela administração de 45 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Em 2026, em um reposicionamento junto à sociedade, ao mercado e instituições parceiras, passou a ter um novo nome, que carrega sua essência: HU Brasil.

  • Trabalhadores por conta própria têm as maiores jornadas no país

    Trabalhadores por conta própria têm as maiores jornadas no país

    Trabalhadores por conta própria têm as maiores jornadas no país

    Os trabalhadores por conta própria são os que têm as maiores jornadas no país, com média de 45 horas por semana. Esse tempo supera em mais de cinco horas a carga de trabalho dos empregados do setor público e da iniciativa privada.

    Enquanto a média dos ocupados ficou em 39,2 horas, a dos empregados alcançou 39,6 horas. Já os empregadores tinham jornada média de 37,6 horas.

    A constatação faz parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Trimestral, divulgada nesta quinta-feira (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ao dados são referentes ao primeiro trimestre de 2026.

    A Pnad apura o comportamento no mercado de trabalho para pessoas com 14 anos ou mais e leva em conta todas as formas de ocupação, seja com ou sem carteira assinada, temporário e por conta própria, por exemplo.

    Conta própria

    O IBGE classifica como conta própria “a pessoa que trabalha explorando o seu próprio empreendimento, sozinha ou com sócio, sem ter empregado e contando, ou não, com ajuda de trabalhador não remunerado de membro da unidade domiciliar em que reside”.

    De acordo com o instituto, o Brasil tem 25,9 milhões de trabalhadores por conta própria, o que representa 25,5% da população ocupada no primeiro trimestre de 2026. Exemplos bem comuns são motoristas e entregadores por aplicativo.

    O levantamento traz informações também da categoria “trabalhador auxiliar familiar”, aquela pessoa que trabalha ajudando alguém da família em um negócio, atividade agrícola, comércio ou outro trabalho, sem receber pagamento em dinheiro. Essa classe apresentou jornada média de 28,8 horas por semana no primeiro trimestre de 2026.

    Limites trabalhistas

    O analista da pesquisa, William Kratochwill, assinala que os trabalhadores classificados como empregados não ultrapassam, na média, os limites máximos de jornada por causa de proteções trabalhistas.

    A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) estabelece que a jornada máxima de trabalho semanal é de 44 horas, limitadas a oito horas por dia, sendo permitidas até duas horas extras diárias.

    Há exceções como a escala de 12 horas de trabalho por 36 de descanso, comum em categorias como a dos profissionais da saúde.

    “Mesmo que o trabalhador não seja formalizado, há uma tendência do mercado de seguir o padrão da lei”, diz Kratochwill.

    No entanto, ele destaca que esse padrão não se estende para trabalhadores por conta própria e empregadores.

    “Se quiser trabalhar 24 horas por dia, ele pode, não tem nada que o impeça, a não ser a sua própria limitação.”

    O analista ressalta que os empregadores conseguem delegar funções.

    “Tem pessoas que trabalham para ele. Talvez seja isso que estabeleça uma média de horas trabalhadas inferior à do empregado”, sugere.

    Mas para o conta própria, não há a chance de delegar trabalho, lembra o analista.

    “Como não tem a quem delegar, provavelmente tem que trabalhar muito mais horas por semana para alcançar seus objetivos”, conclui.

    Debate nacional

    As informações do IBGE são divulgadas trimestralmente e chegam no momento em que o país acompanha debates sobre a redução da jornada de trabalho (de 44 para 40 horas semanais) e o fim da escala de apenas uma folga na semana, a chamada de 6×1, sem redução salarial.

    Tramitam no Congresso Nacional duas propostas de emenda à Constituição (PEC) que abordam o tema e um projeto de lei (PL), este de iniciativa do governo.

    Na última quarta-feira (13), representantes do governo e da Câmara dos Deputados fecharam um acordo para aprovação das propostas que tramitam na Casa e estabelecem a escala 5×2.

  • STF julga validade de lei da igualdade salarial entre homem e mulher

    STF julga validade de lei da igualdade salarial entre homem e mulher

    STF julga validade de lei da igualdade salarial entre homem e mulher

    O Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou nesta quinta-feira (13) o julgamento sobre a constitucionalidade da lei que garantiu igualdade salarial entre homens e mulheres.

    O plenário analisa três ações: uma ação declaratória de constitucionalidade (ADC), protocolada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) para garantir a aplicação da lei, e duas ações diretas de inconstitucionalidade (ADI), impetradas pela Confederação Nacional de Indústria (CNI) e o Partido Novo contra a norma.

    A sessão de hoje foi dedicada às sustentações das partes envolvidas nos processos. Os votos dos ministros serão proferidos na sessão desta quinta-feira (14).

    Em julho de 2023, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei 14.611 para obrigar as empresas a garantir a igualdade salarial entre homens e mulheres que exercem a mesma função.

    A norma alterou a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para definir que as empresas deverão pagar multa de dez vezes o valor do salário em caso de discriminação por motivo de sexo, raça, etnia, origem ou idade.

    Além disso, a lei determina a divulgação semestral de relatórios de transparência salarial por empresas com mais de 100 empregados.

    Sustentações

    A advogada Camila Dias Lopes, representante do Instituto Nós por Elas, argumentou que as ações contra a lei são equivocadas.

    Segundo Camila, a obrigatoriedade de divulgação de relatórios de transparência salarial e a possibilidade de punição das empresas são ferramentas necessárias para concretizar os direitos fundamentais de igualdade e de não discriminação entre homens e mulheres.

    “É inconcebível que mulheres recebam 20% em média a menos que homens exercendo a mesma função. É inconcebível que esta Suprema Corte, em pleno 2026, seja provocada a afirmar o óbvio”, afirmou.

    Mádila Barros de Lima, advogada da Central Única dos Trabalhadores (CUT), disse que a desigualdade não é acidental e se perpetua pela história. Ela ressaltou que as desigualdades enfrentadas pelas mulheres produzem efeitos no mercado de trabalho.

    “Assim como as mulheres negras, outras mulheres enfrentam diariamente os atravessamentos do machismo, do etarismo, do capacitismo. Esses problemas refletem diretamente sobre as remunerações, oportunidades e sobre os sonhos”, completou.

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