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  • Mulher encontrada morta em Coari teve cena do local alterada, aponta investigação

    Mulher encontrada morta em Coari teve cena do local alterada, aponta investigação

    A morte de Luziane Almeida, de 39 anos, conhecida popularmente como “Sammy”, está sendo investigada após seu corpo ser encontrado na manhã deste domingo (2), no município de Coari, a 363 quilômetros de Manaus.

    As primeiras informações apontavam para a possibilidade de a mulher ter tirado a própria vida. No entanto, o laudo preliminar sobre a causa da morte apresentou resultado inconclusivo, levando os investigadores a aprofundarem as apurações.

    Durante os trabalhos periciais, foram identificados indícios de que a cena onde o corpo foi encontrado teria sido alterada. A suspeita de adulteração do local do ocorrido passou a fazer parte da linha de investigação, enquanto equipes buscam esclarecer a dinâmica dos fatos.

    Ainda no decorrer da ocorrência, o marido de Luziane compareceu à delegacia de Coari acompanhado de um advogado para prestar esclarecimentos.

    As investigações seguem em andamento, com a realização de novas perícias, coleta de informações e oitiva de testemunhas. O objetivo é esclarecer as circunstâncias e a causa da morte de Luziane Almeida.

  • PC termina inquérito de morte de menino de 6 anos em Itapiranga

    PC termina inquérito de morte de menino de 6 anos em Itapiranga

    A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), por meio da 38ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP), concluiu o inquérito que investigava a morte do menino Raelyson da Silva, de 6 anos, ocorrida no município de Itapiranga, a 227 quilômetros de Manaus. Ao final da investigação, a conduta do pai da criança foi reclassificada de homicídio doloso para o crime de maus-tratos com resultado morte.

    Com o encerramento do procedimento policial, o inquérito foi encaminhado ao Ministério Público do Amazonas (MPAM) e ao Poder Judiciário, que darão continuidade aos trâmites legais.

    De acordo com o delegado Aldiney Nogueira, titular da 38ª DIP, a mudança na tipificação penal ocorreu após uma análise detalhada dos depoimentos, das imagens anexadas ao processo e das provas periciais reunidas durante a investigação. Segundo a autoridade policial, os elementos colhidos indicam que o pai não teve a intenção de matar o filho, mas agiu de forma imprudente e excessiva ao aplicar uma punição disciplinar.

    As investigações apontam que o homem arremessou uma mochila pesada contra a criança como forma de castigo. No entanto, dentro da bolsa estavam duas facas utilizadas em uma pescaria realizada no dia anterior.

    Com o impacto, uma das lâminas perfurou as costas do menino, atingindo órgãos vitais e provocando um ferimento fatal.

    Agora, caberá ao Ministério Público analisar o inquérito e decidir sobre o oferecimento da denúncia à Justiça, que dará prosseguimento ao caso.

  • PF fiscaliza segurança privada em casas noturnas

    PF fiscaliza segurança privada em casas noturnas

    Manaus/AM. A Polícia Federal realizou, nesse sábado (1º/8), fiscalização em casas noturnas de Manaus, com o objetivo de verificar a regularidade das atividades de segurança privada e o cumprimento da legislação vigente.

    Em um dos bares, foi identificada a atuação irregular da empresa de segurança, que exercia atividades relacionadas à segurança privada sem a devida autorização. A Polícia Federal determinou o encerramento das atividades não autorizadas da empresa clandestina.

  • PF apreende mais de 88 kg de drogas em Tabatinga

    PF apreende mais de 88 kg de drogas em Tabatinga

    abatinga/AM. A Polícia Federal apreendeu 88 kg de substâncias entorpecentes durante fiscalização realizada, nessa sexta-feira (31/7), em uma embarcação que transportava cargas na região de fronteira.

    Durante fiscalização de rotina, policiais federais identificaram a existência de compartimentos ocultos em tambores. Após a abertura das estruturas, foram localizados aproximadamente 54,4 kg de maconha, 32,65 kg de cocaína e 1,18 kg de substância que ainda passa por exames periciais complementares. A ação resultou ainda na prisão em flagrante de um investigado.

    As diligências permanecem em andamento, uma vez que parte dos compartimentos existentes nos equipamentos apreendidos ainda não foi integralmente aberta e inspecionada.

    O suspeito foi encaminhado à Justiça Federal.

  • Operação remove das ruas veículos que ofereciam riscos à segurança

    Operação remove das ruas veículos que ofereciam riscos à segurança

    Condutores sem habilitação, tentativas de esconder placas e passageiros sem capacete foram algumas das irregularidades encontradas pela Prefeitura de Manaus, por meio do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU), durante a operação “Mobilidade Segura”, na avenida Mário Ypiranga Monteiro, bairro Parque 10 de Novembro, zona Centro-Sul, na noite de domingo, 2/8.

    A iniciativa que atua em todas as áreas da cidade para promover um trânsito mais seguro a condutores e pedestres. A ação contou com apoio da Guarda Municipal de Manaus (GMM).

    Na ocasião, cinco veículos foram removidos e 34, retidos. Foram expedidas ainda 65 autuações e realizadas 273 abordagens a motocicletas e veículos de passeio.

    Durante a operação, um motociclista transportava dois passageiros no veículo, sendo um deles uma criança sem capacete. Em outra situação irregular, uma motocicleta estava com a placa parcialmente coberta para dificultar a identificação.

    “Esse tipo de situação deve ser combatido, porque são esses veículos que trafegam em alta velocidade e cometem outras irregularidades. E tentam esconder a placa para ludibriar a fiscalização”, explicou o diretor de Trânsito do IMMU, Stanley Ventilari.

    O diretor ainda enalteceu a importância da operação. “O nosso foco não é apenas punir, mas retirar de circulação qualquer conduta que coloque em risco a vida da população que transita diariamente pelas vias da capital”, destacou.

  • Anvisa proíbe três repelentes de insetos

    Anvisa proíbe três repelentes de insetos

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou nesta segunda-feira (3/8) a interdição cautelar de três repelentes de insetos. Laudos do Instituto Adolfo Lutz – LACEN do Estado de São Paulo comprovaram que os produtos apresentaram resultado insatisfatório no ensaio de DEET.

    O DEET é um ingrediente ativo usado em repelentes justamente para afastar mosquitos, carrapatos e outros insetos. Ele age bloqueando os sentidos dos insetos, impedindo que eles sintam o cheiro da pele humana.

    Veja quais são os produtos e lotes afetados pela medida e que não podem ser vendidos e utilizados:

  • Repelente com filtro solar FPS 30 Above Protec (Lote 189952)
  • Above Protect Repelente de Insetos (Lote 205688)
  • Repellere Repelente de Insetos Aerossol (Lote 2601001449)
  • Medida preventiva

    O objetivo da interdição cautelar, que é uma medida preventiva e temporária, é impedir temporariamente a fabricação, a comercialização, o uso ou o funcionamento de um produto ou serviço até que ele esteja adequado às normas estabelecidas e que as investigações sejam concluídas. A medida tem prazo de até 90 dias, conforme previsto em lei.

    Confira a Resolução 3.020/2026 no Diário Oficial da União (DOU).

  • Concursos públicos seguem previstos durante período eleitoral

    Concursos públicos seguem previstos durante período eleitoral

    O calendário eleitoral começou a ser cumprido no Brasil com a oficialização dos primeiros candidatos em convenções partidárias. Mesmo em ano de Eleições, a legislação do país permite a realização de concursos públicos. Até o fim de 2026, há dois certames com edital publicado e outros cinco com banca definida.

     

    O concurso da Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev) está com inscrições abertas até o dia 6 de agosto no site da Fundação Getulio Vargas.

     

    Os interessados em concorrer a uma vaga para a Agência Brasileira Gestora de Fundos Garantidores (ABGF) podem se candidatar até 6 de agosto, no site da Fundação Carlos Chagas.

     

    Também há concursos com banca definida, mas ainda sem edital publicado, para Petrobras, Indústrias Nucleares do Brasil, Conselho Federal de Enfermagem, Conselho Federal de Contabilidade e Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater).

    Legislação

    De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, é permitida a realização de concursos públicos em ano eleitoral. As restrições previstas em lei dizem respeito apenas a nomeações e provimento de cargos durante o período eleitoral.

     

    “A realização de concursos públicos em ano eleitoral é plenamente permitida, não incidindo sobre ela qualquer restrição. No entanto, a legislação criou restrições ao provimento de cargos públicos dentro do período de campanha eleitoral”, informa o TSE em seu site.

    Estudos

    Dessa forma, o ano eleitoral ou até mesmo o período das campanhas políticas não devem ser um desestímulo àqueles que pleiteiam uma vaga no serviço público.

     

    “A necessidade está demonstrada, existe previsão orçamentária, já tem uma estrutura preparada para que isso aconteça. Então, acho que não pode desanimar. É exatamente o melhor momento”, avaliou Eduardo Cambuy, coordenador do Gran Concursos.

     

    Ele recomenda iniciar os estudos pelas matérias básicas, essenciais para vários certames e com maior peso em cada área. “Por isso, essas matérias devem ser prestigiadas para que o candidato ganhe tempo.”

  • Pela 1ª vez desde março, mercado reduz expectativa para Selic em 2026

    Pela 1ª vez desde março, mercado reduz expectativa para Selic em 2026

    O mercado financeiro reduziu as expectativas para os índices de inflação e, pela primeira vez desde março, da taxa básica de juros. Segundo o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (3) pelo Banco Central (BC), a Selic deve fechar 2026 em 13,75%.

    As projeções para a economia (PIB, Produto Interno Bruto) e o câmbio (dólar) neste ano vêm se mantendo estáveis há pelo menos cinco semanas, em 1,99% e R$ 5,20, respectivamente.

    Nos dois índices, houve alteração das expectativas projetadas para 2027. Ambas para baixo, com as projeções de crescimento econômico, ao final do ano, tendo variado de 1,60% para 1,57% nesta semana; e da cotação da moeda dos Estados Unidos cotada a R$ 5,28, ante os R$ 5,29 projetados na semana passada.

    Taxa Selic

    Na semana passada, as expectativas do mercado eram de que a Selic terminaria o ano em 14%, projeção 0,25 ponto percentual acima da apresentada hoje pela autoridade monetária. A última vez em que as projeções do boletim indicaram queda foi em março de 2026, quando a mediana caiu de 12,13% para 12%.

     

    A taxa atual, estabelecida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC em 17 de junho, é 14,25%. Com isso, há expectativa de, pelo menos, uma redução na atual taxa até o final de 2026. A próxima reunião do Copom está prevista para os dias 4 e 5 de agosto.

    As previsões da Selic para 2027 e 2028 se mantiveram estáveis, em 12% e 10,5%.

    Meta

    Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa a Selic como principal instrumento.

     

    Quando o Copom aumenta a Selic, a finalidade é conter a demanda aquecida, o que causa reflexos nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia.

     

    Os bancos ainda consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.

     

    Quando a Taxa Selic é reduzida, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, diminuindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.

    Inflação

    Pela quinta semana consecutiva, o mercado financeiro reduziu as expectativas de inflação para 2026. De acordo com o documento divulgado pelo BC, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA, a inflação oficial do país, deve fechar o ano em 5,03%.

     

    Na semana passada, o mercado trabalhava com um horizonte inflacionário de 5,12% em 2026. Há quatro semanas, as expectativas eram de 5,30%. Para os anos subsequentes, as projeções para a inflação permanecem estáveis, com o IPCA em 4,22% em 2027; e em 3,80% em 2028.

  • Vendas para o “Muído & Desmanttelo”, de Zé Vaqueiro e Nattan, estão abertas

    Vendas para o “Muído & Desmanttelo”, de Zé Vaqueiro e Nattan, estão abertas

    As vendas para a estreia de “Muído & Desmanttelo” em Manaus (AM), novo evento que reúne Zé Vaqueiro e Nattan, já estão abertas! Os ingressos custam a partir de R$60 e podem ser adquiridos através do site www.ticketbolt.com/. A primeira edição acontece no dia 31 de outubro, na Universidade Nilton Lins. A festa assinada pela PUMP e Vybbe celebra o universo da vaquejada, em clima de descontração, trazendo os artistas mais perto do público.

    Pela primeira vez, os dois cantores unem suas labels em uma experiência inédita. De um lado, a essência do Muído do Original, de Zé Vaqueiro, label reconhecida pelo repertório que leva o clima e a tradição da vaquejada para cada apresentação. Do outro, a energia do Desmanttelo, projeto de Nattan que se consolidou como um dos shows mais animados do Brasil, marcado pela descontração, pela interação e pela proximidade com o público. Juntas, as duas labels prometem uma noite de repertório diferenciado, encontros, muita música e momentos de interação, unindo as características que fizeram os dois projetos se tornarem grandes sucessos.

    “Esse projeto nasceu de uma parceria que deu muito certo e da vontade de entregar uma experiência ainda melhor para o público. Sempre que eu e Nattan nos encontramos é resenha demais e o ‘Muído & Desmanttelo’ vai juntar tudo isso, tenho certeza de que quem estiver com a gente vai viver algo inesquecível”, afirma Zé Vaqueiro.

    “O Muído do Original e o Desmanttelo são dois projetos que têm a cara da nossa galera. Cada um tem sua identidade, mas quando eu e o Zé nos encontramos é resenha na certa. A gente já tem uma amizade de muito tempo e isso aparece no palco. A gente se diverte, improvisa, brinca um com o outro e o público acaba entrando junto nessa energia. Vai ser muita música, muita risada e uma festa que ninguém vai querer ir embora. E já vou avisando: o fim vai demorar, viu? Então vão preparados porque vai ter muitas horas de resenha”, comenta Nattan.

    Escolhida para receber a estreia, Manaus reforça sua importância na trajetória de Zé Vaqueiro e Nattan, artistas que sempre encontraram na capital amazonense um público apaixonado e receptivo.

    A primeira edição do Muído & Desmanttelo marca o início de um novo capítulo para as duas labels, agora reunidas em um projeto com identidade própria e vocação para percorrer diversas cidades brasileiras, levando ao público uma experiência inédita e repleta de grandes momentos.

    SERVIÇO:

    Muído & Desmanttelo em Manaus
    Data: 31 de outubro
    Local: Universidade Nilton Lins (Parque das Laranjeiras, Av. Prof. Nilton Lins, 3259 – Flores)
    Ingressos – lote promocional:
    Pista: R$ 60 (meia) | R$ 120 (inteira)
    Área VIP: R$ 150 (meia) | R$ 300 (inteira)
    Camarote Open Bar: R$ 450 (meia) | R$ 900 (inteira)
    Vendas online:
    https://www.ticketbolt.com/
    Pontos físicos:
    Loja Petite Jolie (Manauara Shopping e Sumaúma Shopping)
    Loja Nação Rubro-Negra (Amazonas Shopping e Vieiralves)

  • Sete dos dez agrotóxicos mais vendidos no Brasil são proibidos na UE

    Sete dos dez agrotóxicos mais vendidos no Brasil são proibidos na UE

    Dos dez agrotóxicos mais vendidos no Brasil, sete são proibidos na União Europeia (UE), o que não impede que esses produtos sejam exportados por empresas europeias para o país. Essa condição configura o chamado “colonialismo químico”.

    A constatação é da geógrafa Larissa Mies Bombardi, pesquisadora do Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD, na sigla em francês para Institut de Recherche pour le Développement), sediado na França.

    A pesquisadora estuda o uso de agrotóxicos e conexões com a economia global há cerca de 15 anos.

    Ela aponta que os agrotóxicos, produtos químicos usados na agricultura para defender as plantações contra pragas, doenças e plantas daninhas, têm como consequência de uso impactos nocivos ao ambiente e às saúdes humana e animal, motivo pelo qual alguns são proibidos no exterior.

    Larissa denuncia que o Brasil se submete ao colonialismo químico por aceitar em terras nacionais o uso de substâncias proibidas na UE e exportadas para cá.

    “São proibidos porque são cancerígenos ou porque provocam malformação fetal ou outros distúrbios hormonais, ou porque provocam severos impactos no ambiente”, explica.

    Veja os 10 agrotóxicos mais utilizados no Brasil em 2023 e quais são proibidos na UE:

    1. Glifosato e seus sais
    2. Mancozebe — proibido na UE
    3. 2,4-D — proibido na UE
    4. Acefato — proibido na UE
    5. Clorotalonil — proibido na UE
    6. Atrazina — proibido na UE
    7. S-metolacloro — proibido na UE
    8. Glufosinato (sal de amônio)
    9. Malationa
    10. Dibrometo de Diquate — proibido na UE

    Semana de ciência

    As declarações de Larissa Bombardi foram nesta sexta-feira (31), durante uma conferência na 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que acontece na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

    A SBPC é uma entidade civil, sem fins lucrativos, voltada para a defesa do avanço científico e tecnológico no país. A semana de seminários e debates reuniu principalmente estudantes, professores e pesquisadores.

    Impactos

    Ao apontar danos ao ambiente e à fauna, a geógrafa cita que, no intervalo de dez anos (2009-2019), houve declínio de 41% no número de insetos no mundo. No caso de borboletas, chega a 53%. Os dados citados constam no estudo Atlas dos Pesticidas 2022, da Heinrich-Böll-Stiftung, fundação ligada ao Partido Verde da Alemanha.

    “São substâncias que afetam os insetos e, afetando os insetos, afetam a biodiversidade, por isso que eles são proibidos na União Europeia”.

    Outro exemplo apresentado é do uso do herbicida atrazina, o sexto mais vendido no Brasil, que pode causar anomalias em anfíbios, como a mudança de sexo em sapos, o que pode levar à eliminação de fêmeas.

    “Imaginem o que pode significar a eliminação, por exemplo, das fêmeas em uma espécie”, provoca.

    Colonialismo

    A geógrafa contextualiza que o Brasil é o principal destino da exportação de pesticidas proibidos na UE. Foram 3 mil toneladas em 2023, apresenta ela, superando a quantidade dos três países que aparecem na sequência, Ucrânia, Estados Unidos e Rússia, que somam 2,6 mil toneladas.

    Ela critica ainda que o mercado de sementes resistentes a pragas e de agrotóxicos é dominado por apenas quatro empresas, duas delas europeias: Basf e Bayer (ambas alemãs), a americana Corteva e a chinesa Sinochem.

    As quatro detêm 51% do mercado de sementes e 62% do de agrotóxicos. Essa estrutura é resultado de um histórico de fusões e aquisições.

    “O capitalismo foi se organizando de uma forma em que essas empresas subordinam a renda da terra”, pontua.

    A pesquisadora compara esse novo tipo de colonialismo ao período da escravidão.

    “A gente tinha empresas europeias comercializando pessoas para serem escravizadas, em uma época em que, obviamente, a escravização de seres humanos era impensável no território europeu”, relaciona.

    Para Larissa Mies Bombardi, “o colonialismo não existe sem a colonialidade”. Para exemplificar, ela aponta que grandes proprietários concentram a maior parte da terra no país.

    “A gente nunca vai entender o uso de agrotóxicos no Brasil se a gente não entender a questão fundiária”, afirma. “Independentemente dos governos, essa classe que monopoliza a terra no Brasil dita as regras”, complementa.

    Vida fora do Brasil

    Atualmente, Larissa Bombardi vive na Bélgica, onde também é pesquisadora do Laboratório de Agroecologia da Universidade Livre de Bruxelas. Ela está fora do Brasil desde 2021, quando se sentiu insegura de continuar no país. Ela está licenciada do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP).

    Segundo ela, a mudança é resposta a uma série de ameaças recebidas após a publicação de um atlas, em 2019, no qual expôs a presença de resíduos agrotóxicos nos alimentos brasileiros.

    Mobilização

    A pesquisadora acredita que o Brasil, como potência na agricultura e um dos maiores consumidores de agrotóxicos no mundo, tem capacidade para ser protagonista em esforços para uma regulamentação internacional desses insumos agrícolas e para mais incentivo à agricultura familiar.

    “A gente tem que romper esse ciclo colonialista. Penso que isso se faz com o aumento da conscientização, que dá suporte à construção das políticas públicas”, sugere.

    Legislação

    Aqui no Brasil, passou a valer em 2023 a Lei 14.785, conhecida como Lei dos Agrotóxicos, que estabelece critérios para o uso dos defensores agrícolas.

    A legislação determina que os registros são feitos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). O processo conta ainda com a avaliação toxicológica, realizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), vinculada ao Ministério da Saúde.

    Há também avaliação ambiental, realizada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), ligado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.

    À Agência Brasil, a Anvisa informou que cada país possui “regramento próprio para a concessão e manutenção de registros de produtos”.

    O órgão acrescentou que, uma vez concedido o registro, o prazo de validade é indefinido. No entanto, complementa a Anvisa, a legislação prevê a reanálise (reavaliação) de produtos registrados no Brasil, quando há alguma indicação de perigo ou risco à saúde humana e ao meio ambiente ou por ineficiência agronômica, “podendo culminar na manutenção de um produto, imposição de restrições específicas ou o seu banimento”.

    A Anvisa informou que, desde 2006, finalizou 20 reavaliações. Como resultados dessas reavaliações foram proibidos 13 ingredientes ativos de agrotóxicos. São eles: carbendazim, cihexatina, carbofurano, endossilfam, forato, lindano, metamidifós, monocrotofós, paraquate, parationa metílica, pentaclorofenol, procloraz e triclorfom, os quais são insumos para centenas de produtos no mercado.

    Para seis dos ingredientes ativos reavaliados, ainda que os registros tenham sido mantidos, foram estabelecidas restrições com o objetivo de mitigar os riscos identificados (2,4-D, abamectina, acefato, forsmete, glifosato e tiram). Apenas um foi mantido sem restrições em seu registro (lactofem).

    Ainda de acordo com a agência, entre os sete ingredientes ativos priorizados para reavaliação na última lista publicada pela Anvisa, um foi banido (carbendazim), quatro encontram-se com a reavaliação em andamento (tiofanato-metílico, epoxiconazol, procimidona e clorpirifós) e dois aguardam o início da reavaliação (linurom e clorotalonil).

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