Categoria: Mundo

  • Relatório da FAO alerta para segurança em embalagens de plástico reciclado

    Relatório da FAO alerta para segurança em embalagens de plástico reciclado

    Relatório da FAO alerta para segurança em embalagens de plástico reciclado

    Governos e indústrias estão apostando em reciclagem para ajudar a conter a crise global do lixo. Contudo, alternativas sustentáveis também apresentam desafios.

    Um deles é garantir que o insumo utilizado em embalagens seja seguro para o contato com produtos alimentícios e bebidas, de acordo com o novo relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, FAO.

    Epidemia de resíduos

    O texto foi lançado em meio à expansão do setor de embalagens para consumo, com projeção de movimentar U$ 815 bilhões até o fim da década.

    Esses recipientes podem ajudar a preservar a qualidade dos itens perecíveis. Porém, o uso generalizado de polímeros sintéticos contribui para uma epidemia global de resíduos plásticos.

    Embora menos de 10% do que é produzido seja reciclado, os incentivos ao reaproveitamento levantam questões sobre a segurança química de produtos de consumo humano.

    Para a diretora da Divisão de Sistemas Agroalimentares e Segurança Alimentar da FAO, Corinna Hawkes, não é viável solucionar o problema comprometendo a segurança alimentar.

    Protegendo o meio-ambiente e a saúde pública

    A procedência de materiais reciclados, que podem conter nanomateriais, pesticidas e alérgenos em suas composições, são um dos fatores de preocupação da organização.

    A ausência de métodos para identificação de compostos químicos limita a atuação de agências regulatórias e dificulta a padronização do comércio global, afirma o relatório.

    O estudo defende processos de reciclagem capazes de eliminar de forma eficiente produtos químicos presentes em plásticos usados para o acondicionamento de alimentos.

    Redução do desperdício

    Especialistas ressaltam que os plásticos reciclados aprovados para uso alimentar podem ser tão seguros quanto os plásticos virgens, desde que submetidos a rigorosos processos de limpeza, descontaminação e revisão regulatória.

    O relatório destaca que a adoção de padrões industriais facilita avaliações de risco e ajuda os países a avançar nos esforços para reduzir o desperdício de plástico.

    Os resultados desses debates contribuirão para a Comissão do Codex Alimentarius, um órgão intergovernamental criado em 1963 pela FAO e pela Organização Mundial da Saúde, OMS, para desenvolver normas, diretrizes e códigos alimentares internacionais.

  • Desigualdade econômica prejudica bem-estar de crianças até nos países mais ricos

    Desigualdade econômica prejudica bem-estar de crianças até nos países mais ricos

    Desigualdade econômica prejudica bem-estar de crianças até nos países mais ricos

    Viver num país rico não garante que todas as crianças sejam igualmente felizes, saudáveis ou tenham o mesmo nível de competências académicas e sociais, afirma o novo relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef.

    Intitulado “Boletim 20: Oportunidades Desiguais: Infância e Desigualdade Económica”, o relatório do Instituto Innocenti conclui que a desigualdade económica nos países ricos está associada a piores condições de saúde física e a resultados académicos mais fracos entre as crianças.

    Pobreza infantil continua elevada

    O boletim analisou a relação entre as desigualdades e o bem-estar das crianças em 44 países da Ocde e de elevado rendimento. Entre estes, os níveis de desigualdade de rendimento e de pobreza infantil continuam “persistentemente elevados”, segundo o Unicef.

    Em média, famílias pertencentes aos 20% com maiores rendimentos recebem mais de cinco vezes o rendimento dos 20% com menores rendimentos.

    Por sua vez, quase uma em cada cinco crianças vive em situação de pobreza monetária, “o que significa que as suas necessidades básicas podem não estar asseguradas”.

    Entre as dezenas de países incluídos no relatório, Portugal ocupa a 25.ª posição em termos de desigualdade de rendimentos. Já no quesito pobreza infantil, aparece em 18.ª posição.

    Impacto da desigualdade nas crianças

    De acordo com o diretor do Instituto Innocenti, Bo Viktor Nylund, a desigualdade de rendimentos tem um impacto profundo na aprendizagem escolar, na alimentação e na saúde mental de milhões de crianças.

    Segundo o relatório, as crianças que vivem em países mais desiguais têm uma probabilidade 1,7 vezes superior de terem excesso de peso do que aquelas que crescem em países mais igualitários.

    Já nas salas de aula, as crianças dos países mais desiguais têm uma probabilidade de 65% de abandonar a escola sem competências básicas de leitura e matemática, comparativamente com 40% entre as crianças dos países mais igualitários.

    Por sua vez, apenas 58% das crianças de famílias pertencentes ao quinto com menores rendimentos apresentam um estado de saúde muito bom, em comparação com 73% das famílias do quinto com maiores rendimentos.

    Medidas de combate à pobreza infantil 

    Com o intuito de minimizar o impacto da desigualdade no bem-estar das crianças, o relatório do Unicef apela aos governos à adoção de medidas com vista a reduzir a pobreza infantil e os seus impactos.

    Entre as medidas propostas, destaca-se o reforço das redes de proteção social, o apoio à habitação subsidiada em comunidades desfavorecidas, o combate à desigualdade e à segregação socioeconómica nas escolas, bem como o desenvolvimento de soluções que promovam o bem-estar das crianças.

  • Haiti: violência de gangues e ação policial causam 1,6 mil mortes em 3 meses

    Haiti: violência de gangues e ação policial causam 1,6 mil mortes em 3 meses

    Haiti: violência de gangues e ação policial causam 1,6 mil mortes em 3 meses

    O Haiti segue vivendo uma onda de instabilidade política e violência urbana com registros de mais de mil mortes e 745 feridos somente no primeiro trimestre deste ano. O alerta é do Escritório Integrado das Nações Unidas no Haiti, Binuh.

    Apesar de alguns avanços na segurança em áreas da capital Porto Príncipe, a população segue com forte sensação de insegurança, declarou o representante da ONU no país caribenho Carlos Ruiz Massieu. Segundo ele, a violência continua se expandindo, especialmente nas regiões centrais do país.

    Violações de direitos humanos

    O informe aponta que as operações das forças de segurança conseguiram limitar a expansão territorial das gangues em áreas de Porto Príncipe.

    Contudo, nos territórios controlados pelos criminosos, violações de direitos humanos seguem sendo cometidas: assassinatos, sequestros, extorsões e destruição de propriedades.

    Violência extrema em Artibonite

    Em Artibonite, na região central do Haiti, a violência alcançou novos patamares. No final de março, houve ataques coordenados em diferentes pontos do país, direcionados especialmente a guardas comunitários.

    De acordo com o comunicado, 27% dos mortos e feridos registrados durante os primeiros meses deste ano foram resultado de ações de gangues, que também estão envolvidas em casos de violência sexual, principalmente contra mulheres e adolescentes entre 12 e 17 anos.

    O Binuh reforça que a violência e exploração sexual têm sido utilizadas como instrumentos de controle dos moradores que vivem sob o domínio das gangues.

    Denúncias de execuções sumárias

    As operações das forças de segurança do Haiti, realizadas com apoio de empresas militares privadas e drones, foram responsáveis por mais de 60% das vítimas notificadas.

    Denúncias de execuções sumárias foram registradas com o envolvimento de agentes da polícia. Diante dessa crise, a ONU pede às autoridades haitianas e à comunidade internacional que reforcem a luta contra o tráfico de armas, acelerem as reformas judiciais e garantam que as operações de segurança respeitem os direitos humanos.

  • Ataque russo na capital da Ucrânia deixa civis soterrados em escombros

    Ataque russo na capital da Ucrânia deixa civis soterrados em escombros

    Ataque russo na capital da Ucrânia deixa civis soterrados em escombros

    Na madrugada de quinta-feira, a Rússia realizou mais um ataque massivo contra a Ucrânia, lançando 800 drones e 56 mísseis de forma contínua por cerca de 24 horas em diversas áreas do país.

    Um dos locais mais atingidos foi a capital Kyiv, onde foram confirmadas cinco mortes e pelo menos 40 pessoas ficaram feridas. Uma operação de resgate está atualmente em andamento na cidade.

    Buscas por amigos e familiares soterrados

    As equipes de socorro recuperaram o corpo de uma menina de 12 anos sob os escombros de um edifício residencial e as buscas no local continuam para encontrar 10 pessoas consideradas desaparecidas.

    Na manhã de quinta-feira, apesar do risco de novos ataques, trabalhadores humanitários e funcionários da ONU participaram dos esforços de resgate.

    Falando do local, a coordenadora humanitária da ONU na Ucrânia, Bernadette Castel-Hollingsworth, relatou danos e destruição em grande escala.

    Ela lamentou as vidas que foram interrompidas e falou do desespero de jovens que estão tentando encontrar seus colegas de classe.

    A coordenadora ressaltou que civis não devem ser um alvo e as famílias deveriam estar seguras ao invés de procurando seus entes queridos embaixo de ruínas.

    Aumento de 21% nos óbitos

    Segundo as autoridades locais, o ataque também interrompeu serviços essenciais, com o corte no abastecimento de água em partes da margem esquerda de Kyiv e restrições ao tráfego em diversas áreas.

    Foram registrados danos em 20 locais da capital, incluindo edifícios residenciais, uma escola, uma clínica veterinária e outras infraestruturas civis.

    De acordo com a atualização mais recente da Missão de Monitoramento de Direitos Humanos da ONU, Hrmmu, pelo menos 238 civis foram mortos e 1.404 ficaram feridos em abril. O total desde o inicio do ano é de 815 óbitos e mais de 4 mil feridos.

    Isso representa um aumento de 21% em comparação com o período de janeiro a abril de 2025, e de 93% em comparação com o mesmo período em 2024.

    Mísseis e drones são as principais causas de mortes

    Nos primeiros sete dias deste mês de maio, 62 civis foram mortos e 376 ficaram feridos.

    No dia 12 de maio, um drone de curto alcance atacou um caminhão do Programa Mundial de Alimentos da ONU, claramente identificado, que transportava alimentos para civis próximo à linha de frente, ferindo o motorista.

    Uma das principais razões para o aumento das vítimas civis tem sido o uso intensificado de armas de longo alcance por parte da Rússia. Em 16 de abril, por exemplo, uma ofensiva com mísseis e munições de ataque direcionado contra a cidade de Kiyiv matou quatro pessoas e feriu outros 54.

    Drones de curto alcance ao longo da linha de frente foram a segunda principal causa de mortes e ferimentos entre civis.

  • Trump visita Xi Jinping na China em meio ao atoleiro da guerra no Irã

    Trump visita Xi Jinping na China em meio ao atoleiro da guerra no Irã

    Trump visita Xi Jinping na China em meio ao atoleiro da guerra no Irã

    A visita do presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, à China, para encontro com o presidente Xi Jinping, na noite desta quarta-feira (13), no horário de Brasília, captura a atenção do planeta em meio a guerra no Irã que segue abalando as relações internacionais e a economia global.

    Vista por Washington como ameaça à liderança econômica e tecnológica que os EUA tentam preservar no mundo, a China foi alvo prioritário da guerra tarifária iniciada por Trump logo no início do 2ª mandato, em abril de 2025.

    A reação da China às tarifas, incluindo restrições à exportação de terras raras, minerais essenciais para setores da tecnologia e de defesa dos EUA, fez Trump recuar na imposição de altas tarifas aos produtos chinesas.

    Ao lançar a ofensiva contra o Irã, no final de fevereiro, Trump prejudicou também os interesses de Pequim, principal consumidora do petróleo de Teerã e que deseja ver reaberto o Estreito de Ormuz, por onde transitavam 20% do petróleo mundial antes da guerra.

    Para analistas consultados pela Agência Brasil, a disputa comercial e tecnológica entre Washington e Pequim pode ser aproveitada pelo Brasil para melhorar a posição do país no cenário global, em especial, devido ao fato de o país ter a segunda maior reserva de minerais críticos do mundo, com cerca de 22%, atrás apenas da China.

    Trump desmoralizado

    O encontro entre Trump e Xi Jinping estava marcado para o final de março, mas foi adiado devido à guerra no Oriente Médio, que teria, entre os objetivos, além de projetar Israel, barrar a expansão econômica da China na Ásia Ocidental.

    O analista geopolítico Marco Fernandes, membro do Conselho Popular do Brics, avaliou que Trump calculou errado que conseguiria derrubar o governo no Irã rapidamente, chegando em Pequim em condições de impor a Xi Jinping acordos mais favoráveis à Washington.

    “Ele achou que chegaria a Pequim com todas as cartas na mão para pressionar Xi, mas faltou combinar com os iranianos. Agora, Trump está chegando derrotado. Nunca um presidente dos EUA chegou em uma reunião com um presidente da China tão enfraquecido e desmoralizado como Trump agora”, disse.

    O também analista geopolítico da publicação Brasil de Fato destacou que, mesmo um dos principais ideólogos do imperialismo dos EUA, o neoconservador Robert Kagan, reconheceu, dias atrás, em artigo, que Trump saiu derrotado após tentar derrubar o regime político iraniano.

    Fernandes destaca, no entanto, que Xi Jinping conseguiu manter o crescimento das exportações chinesas mesmo após o tarifaço de Trump. Ainda assim, a China deve tentar pressionar Trump para pôr um fim definitivo à guerra no Oriente Médio.

    “Há, claramente, uma triangulação sendo feita, nesse momento, entre Pequim, Moscou e Teerã. Não foi à toa que Araghchi [ministro das Relações Exteriores do Irã] esteve em Pequim na semana passada, e já esteve em Moscou. Rússia e China estão intermediando, pelo Irã, para que haja uma solução pacífica e a guerra termine. Isso seria o principal ponto do encontro para Xi Jinping”, completou.

    Taiwan

    Em conversas com jornalistas no início da semana, Donald Trump informou que deve tratar com Xi Jinping sobre a venda de armas dos EUA para Taiwan, província autônoma da China com aspirações de independência política.

    Pequim não aceita o reconhecimento de Taiwan independente, o que costuma ser expressado na política de “uma só China”.

    “A firme oposição da China à venda de armas americanas para a região de Taiwan, território chinês, é consistente e clara”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, ao responder aos jornalistas nesta semana.

    O professor de Relações Internacionais do Ibmec José Luiz Niemeyer, avalia que a China vai cobrar os EUA para não incentivar, de qualquer forma, uma Taiwan independente.

    “Eles vão ficar discutindo o que cada um poderia fazer nos espaços considerados vitais de cada um. Vão discutir o limite até onde o outro pode ir. Essa vai ser a discussão principal. E os EUA definiram a América Latina como área de defesa de Washington”, explicou.

    A doutrina do governo Trump tem pregado a proeminência de Washington na América Latina, assim como o combate à influência da China no continente. Pequim é o principal parceiro comercial da maioria dos países na América do Sul, incluindo o Brasil. Até os anos 2000, eram os EUA o principal parceiro das economias sul-americanas.

    Para o especialista do Ibmec, a China está em uma posição mais confortável nas negociações, tanto que foi Trump que foi a Pequim, e não Xi Jinping que foi a Washington.

    “Tenho a impressão que essa visita mostra uma necessidade de aproximação dos EUA com a China. Me parece que o encontro tende a dar mais frutos para a agenda chinesa do que para a norte-americana”, completou José Luiz Niemeyer.

    Terras raras

    O tema das terras raras também deve estar no centro dos debates entre Trump e Xi Jinping, na avaliação do professor do Ibmec José Niemeyer. Esses minerais são essenciais para as indústrias militar, da tecnologia e da transição energética, com a China liderando a produção desses insumos.

    “Os EUA precisam muito de dois minerais de terras raras, que é o samário e o neodímio, fundamentais para indústria bélica, para construção de ímãs usados em mísseis. E os EUA não dispõem desses materiais, a China sim”, lembrou.

    O analista Marco Fernandes ressalta que a indústria dos EUA já tem acesso aos minerais críticos da China, mas pondera que Pequim pode impor novas restrições, como fez durante o tarifaço, que prejudicam os negócios norte-americanos.

    Na última semana, a China começou a aplicar a lei anti-sanções do país. Aprovada em 2021, ela proíbe que empresas no país reconheçam as sanções dos EUA. A medida foi uma reação a sanções recentes de Washington contra empresas na China que fazem negócios com os iranianos.

    “Isso é uma novidade na postura da China de ser assertiva em relação aos EUA. Cada vez que os EUA subirem o tom, apostando em sanções e outras medidas anti-chinesas, eles vão dar o troco. Isso é importante porque é um capítulo novo na relação sino-americana”, completou Marco.

    Brasil entre China e EUA

    As relações entre China e EUA são importantes para o Brasil porque, além de serem os dois principais parceiros comerciais do país, a disputa pelo controle das terras raras pode ser usada por Brasília para extrair ganhos políticos e econômicos das duas superpotências do planeta.

    O professor José Luiz Niemeyer avalia que o Brasil pode aproveitar as disputas entre Pequim e Washington por meio de uma posição “passiva estratégica”.

    “Cada vez que há mais crise do ponto de vista de fornecimento de produtos entre os EUA e China, o Brasil pode aproveitar para exportar os produtos que estão em litígio entre os dois países, como por exemplo, minerais de terras raras”, afirmou.

    Para o analista do Conselho Popular do Brics Marco Fernandes, o Brasil está no centro da disputa entre EUA e China por conta das terras raras.

    “O Brasil vai precisar saber se colocar no meio dessa disputa de uma maneira soberana e que acumule para nossos interesses”, defende.

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