Categoria: Mundo

  • ONU perdeu 136 funcionários em serviço durante ano passado BR

    ONU perdeu 136 funcionários em serviço durante ano passado BR

    ONU perdeu 136 funcionários em serviço durante ano passado BR

    As Nações Unidas realizaram uma cerimônia, em Nova Iorque, para lembrar os funcionários da organização mortos no ano passado.

    A lista inclui 136 nomes de 32 países. Deste total, 80 serviam à Agência da ONU de Assistência a Refugiados Palestinos, Unrwa, como informou a leitura de seus nomes e funções na ONU.

    Minuto de silêncio

    Ao assumir a palavra, o secretário-geral das Nações Unidas falou do legado dos funcionários e da presença dos familiares das vítimas, na sala em Nova Iorque, e em outras partes do globo, conectados por internet.

    António Guterres pediu um minuto de silêncio e depois ressaltou que os pensamentos de todos na ONU estão com as famílias enlutadas, todos os dias.

    Em 2025, 97 civis foram mortos em serviço e 39 militares e policiais que serviam como boinas-azuis.

    Mortes em Gaza, um recorde na história da ONU

    O secretário-geral lembrou que mais funcionários da ONU foram mortos em Gaza que em qualquer outro país ou zona de conflito e desastre da história da organização.

    Alguns servidores das Nações Unidas morreram ao lado de toda a família em suas casas ou locais onde se abrigavam da violência. Outros perderam a vida em ação enquanto serviam às comunidades.

    António Guterres voltou a afirmar que os empregados da ONU não podem ser alvos de ataques e que alvejar um boina-azul e trabalhadores humanitários é uma violação do direito internacional incluindo do direito internacional humanitário.

    Multilateralismo sob ataque

    O líder das Nações Unidas reafirmou o apoio e compromisso com a segurança dos empregados em qualquer parte do mundo e disse que jamais deixará de cobrar prestação de contas.

    Ele lembrou que as pessoas que morreram em Gaza eram professores, médicos, motoristas e que faziam muito mais para cuidar das vítimas da violência.

    Guterres concluiu dizendo que o multilateralismo está sob ataque.

  • Terremoto de magnitude 7,8 atinge sul das Filipinas

    Terremoto de magnitude 7,8 atinge sul das Filipinas

    Terremoto de magnitude 7,8 atinge sul das Filipinas

    O número de mortos em um forte terremoto de magnitude 7,8 ao largo da ilha de Mindanao, no sul das Filipinas, nesta segunda-feira (8), subiu para pelo menos 32. Dezenas de pessoas ficaram feridas, informaram as autoridades da área de desastres, enquanto Manila intensifica as operações de busca e resgate.

    O terremoto, que provocou alertas de tsunami em vários países, atingiu a província de Sarangani no início da manhã, a cerca de 20 km da costa. O tremores foram sentidos fortemente em Mindanao e a 420 km de distância, na cidade de Manado, na ilha indonésia de Sulawesi.

    As Filipinas mobilizaram equipes militares e de resposta a desastres, e as autoridades estão verificando relatos preliminares de 32 pessoas mortas e 134 feridas em Mindanao, a maioria devido à queda de escombros e deslizamentos de terra, de acordo com representantes da Defesa Civil.

    Os alertas de tsunami foram cancelados depois de mais de seis horas no sul das Filipinas, no norte da Indonésia e no estado malaio de Sabah, na ilha de Bornéu, onde os moradores das áreas costeiras foram orientados a sair imediatamente para terrenos mais altos.

    O desastre ocorreu oito meses depois que as Filipinas sofreram seu tremor mais mortal em 12 anos, quando um terremoto superficial de magnitude 6,9 atingiu a ilha central de Cebu, matando 79 pessoas. Dois fortes terremotos atingiram Mindanao duas semanas depois, sendo o mais forte de magnitude 7,4.

    O presidente Ferdinand Marcos Jr. ordenou uma resposta imediata ao desastre em Mindanao, uma ilha do tamanho da Coreia do Sul. Agências foram orientadas a preparar suprimentos de socorro e centros de retirada e a estar prontas para possíveis operações de resgate.

    “O governo nacional está se movimentando e não deixaremos Mindanao para trás”, disse Marcos em comunicado.

    As Filipinas e a Indonésia sofrem centenas de terremotos todos os anos e estão situadas em partes tectonicamente complexas do “Anel de Fogo do Pacífico”, um cinturão sismicamente ativo que se estende da América do Sul até o Extremo Oriente russo.

  • Bolívia prende líderes de protestos em meio a respaldo militar dos EUA

    Bolívia prende líderes de protestos em meio a respaldo militar dos EUA

    Bolívia prende líderes de protestos em meio a respaldo militar dos EUA

    Com mais de 80 bloqueios em rodovias espalhadas pelo país, a Bolívia chegou, nesta sexta-feira (5), no 36º dia de protestos. As manifestações alimentam a crise política que tem levado à prisão de lideranças, em meio ao respaldo político do secretário de Defesa dos Estados Unidos (EUA), Pete Hegseth, ao governo da Bolívia de Rodrigo Paz.

    Organizações sociais da Bolívia classificam as prisões de lideranças como “sequestros” e reivindicam a soltura dos detidos. Entre as acusações das autoridades, estão “terrorismo” e “instigação pública para delinquir”.

    Entre os presos, estão a ex-senadora do partido MAS, da esquerda boliviana, Simone Quispe, além de Justino Apaza, secretário executivo da Federação de Conselhos de Bairros de La Paz, e Yesenia Varga, dirigente da Federação Carrasco, de camponses de Cochabamba.

    A Procuradoria da Bolívia também havia pedido a prisão de outros dirigentes, como de Vicente Salazar, da organização Los Ponchos Rojos, ligado à Federação de Camponeses Túpac Katari, e de Mario Argollo , presidente da Central Operária da Bolívia (COB), principal central sindical do país.

    Argollo disse que passaria à clandestinidade diante das “perseguições”. Porém, esses dois pedidos de prisão acabaram revogados pelo judiciário boliviano.

    Protestos se mantêm

    O governo de direita de Rodrigo Paz enfrenta cinco semanas de protestos que pedem sua renúncia com apenas seis meses no poder, após quase 20 anos de governos de esquerda. A mobilização reúne camponeses, indígenas, professores, mineiros, entre outras categorias.

    O que começou como um protesto contra a má qualidade do combustível fornecido pelo governo, escalou para manifestações em massa e bloqueios de rodovias após a promulgação de uma lei sobre terras. Os camponeses acusam a legislação de favorecer o agronegócio e prejudicar os pequenos proprietários.

    Os bloqueios têm causado desabastecimento em várias regiões do país andino, levando a escassez de combustíveis, alimentos e medicamentos nas cidades afetadas. 

    Nesta sexta-feira, a Administradora Boliviana de Rodovias (ABC) registra 81 bloqueios em diversos departamentos do país, em especial, em torno da capital La Paz, além dos estados de Cochabamba, Potosí, Oruro, Santa Cruz e Chuquisaca.

    O professor de ciência política da Universidade Federal do Ceará (UFC) Clayton Cunha Filho explicou à Agência Brasil que o cenário no país segue instável e imprevisível.

    “Por um lado, a população toda muito cansada pela carestia provocada, inflação de alimentos e desabastecimento, por causa dos bloqueios. Já os setores sociais que estão protestando afirmam que vão continuar até a renúncia do presidente. E ainda tem a ameaça de um iminente estado de Exceção que, certamente, aumentaria a repressão”, comentou.

    Prisões

    Entre as prisões dos últimos dias, está a da ex-senadora Quispe, realizada na quarta-feira (4), que familiares afirmam que foi realizada de forma irregular, sem que fosse apresentado pedido para apreensão da ex-parlamentar.

    “Um grupo de indivíduos encapuzados invadiu sua casa na frente de sua família, a subjugou e a transportou à força em uma van branca sem placas, sem se identificarem ou apresentarem qualquer mandado de prisão”, diz comunicado publicado nas redes dela.

    Em nota, a Central Operária da Bolívia (COB) se manifestou denunciando as novas prisões. “Advertimos que não se permitirá o retorno das práticas de perseguição contra líderes sociais”, diz nota da organização.

    EUA apoiam presidente Paz

    As prisões ocorrem em meio ao respaldo dado pela principal autoridade das Forças Armadas dos EUA, o secretário Pete Hegseth, ao governo de Rodrigo Paz.

    “Os Estados Unidos estão observando. A Bolívia não deve se permitir cair na armadilha do antigo status quo de domínio narco-terrorista na região”, disse Hegseth, em uma rede social, nessa quinta-feira (4).

    O governo da Bolívia e os EUA têm tentado criminalizar os protestos, alegando que são ligados ao narcotráfico.

    “Continuaremos a apoiar nossos parceiros da Coalizão Contra o Cartel das Américas, como a Bolívia, para garantir que os narco-terroristas sejam dissuadidos de lucrar com a morte e a destruição em nosso hemisfério”, completou o secretário de Defesa dos EUA.

    Para o especialista em política boliviana, Clayton Cunha, existe algum risco de uma intervenção direta dos EUA na Bolívia para segurar Rodrigo Paz no poder.

    “Não dá para se descartar que, eventualmente, os EUA pudessem até mesmo fazer alguma intervenção mais direta, embora seja improvável porque os EUA estão com a questão do Irã, da Ucrânia, mas não dá para descartar”, comentou.

    Clayton avalia que o apoio dos EUA pode dar mais confiança para as Forças Armadas reprimirem os protestos e bloqueios.

    Queda de ministros

    No dia 2 de junho, os ministros da Defesa da Bolívia, Marcelo Salinas, e da Educação, Beatriz García, renunciaram aos cargos em meio à pressão dos bloqueios em todo o país. A dupla renúncia se somou a outra, em 21 de maio, do ministro do Trabalho, Edgardo Morales.

    O ministério da Defesa foi assumido por Ernesto Justiniano, ligado ao combate ao narcotráfico no governo de Rodrigo Paz. Em maio, ele esteve nos EUA e foi responsável pelo retorno da Administração do Controle de Drogas (DEA) à Bolívia.

    A instituição tinha sido expulsa da Bolívia, em 2008, pelo ex-presidente Evo Morales por acusações de espionagem e conspiração.

    Estado de exceção

    Na última semana, o Congresso derrubou a lei que limitava o estado de exceção e agora discute um novo projeto de lei sobre o tema enviado pelo Executivo. Aprovado no Senado, o texto está em análise na Câmara de Deputados da Bolívia.

  • Consumo de água por centros de dados de IA pode chegar a 9,3 trilhões de litros

    Consumo de água por centros de dados de IA pode chegar a 9,3 trilhões de litros

    Consumo de água por centros de dados de IA pode chegar a 9,3 trilhões de litros

    O rápido crescimento da Inteligência Artificial, IA, está gerando um consumo intenso de energia com impactos diretos na terra, na água e no clima, de acordo com a Universidade das Nações Unidas.

    Um estudo publicado nesta quarta-feira pelo Instituto de Água, Meio Ambiente e Saúde da instituição traz a análise mais ampla já realizada sobre os impactos ambientais da IA.

    Demanda intensa por eletricidade

    A expansão da tecnologia envolve infraestrutura física e cadeias de suprimentos, incluindo centros de dados, chips, geração de eletricidade, sistemas de refrigeração, captação de água, ocupação do solo, minerais críticos e eventuais resíduos eletrônicos.

    O estudo revela que, em 2025, os centros de dados, uma infraestrutura crucial para a IA, utilizaram cerca de 448 TWh de eletricidade. Se os centros de dados fossem um país, esse nível de consumo elétrico os colocaria na 11ª posição global.

    Mantidas as trajetórias atuais, a demanda de eletricidade dos centros de dados poderá praticamente dobrar, atingindo 945 TWh até 2030. Isso é quase o triplo do uso anual de eletricidade do Paquistão, Bangladesh e Nigéria juntos, países que, somados, abrigam mais de 650 milhões de pessoas.

    Consumo excessivo de água e terras

    O consumo anual de água necessário para manter esses centros de dados rodando seria de 9,3 trilhões de litros, uma quantidade que satisfaria todas as necessidades domésticas básicas de água de 1,3 bilhão de habitantes da África Subsaariana durante um ano.

    O relatório observa que, mesmo quando parte da água captada é devolvida, “captações em larga escala podem sobrecarregar aquíferos e sistemas fluviais, particularmente em regiões áridas ou com esgotamento de águas subterrâneas”.

    A emissão de carbono associada ao aumento do consumo de eletricidade pelos centros de dados totaliza, em média, 399 milhões de toneladas de CO2, exigindo 6,7 bilhões de árvores para ser compensada.

    Já o impacto territorial é de cerca de 14.500 km², uma área 18 vezes maior do que a cidade de Nova Iorque.

    Impacto do treinamento do ChatGPT-5

    O relatório enfatiza que estratégias de ‘baixo carbono’ não significam automaticamente ‘baixo consumo de água’ ou ‘baixo uso do solo’, e avaliar a sustentabilidade por meio de uma única métrica pode ser enganoso.

    Segundo os autores, em locais que já enfrentam estresse hídrico ou pressão sobre o uso da terra, essas assimetrias podem agravar os problemas ambientais das comunidades locais.

    Os autores alertam que o treinamento de novos modelos de IA exige uma quantidade imensa de energia. Os estimados 100 GWh de eletricidade necessários para treinar o ChatGPT-5 equivalem, aproximadamente, ao consumo residencial anual de 770 mil pessoas na África Subsaariana.

    O impacto hídrico associado é estimada em 1 bilhão de litros, e a pegada territorial, em 1,5 km², aproximadamente o tamanho de 215 campos de futebol.

    Energia gasta com prompts de texto e geração de vídeos

    Os autores ressaltam que o uso diário da IA ​​tem um impacto muito maior. Estima-se que apenas o ChatGPT processe cerca de 2,5 bilhões de “prompts” por dia. Considerando um valor conservador de 0,42 Wh por “prompt” de texto o consumo anual de energia chega a 383 GWh.

    Já um clipe de vídeo feito por IA em alta resolução pode exigir mais de 415 Wh, tornando-o mais intensivo em energia do que a criação de centenas de imagens.

    Lixo eletrônico 

    O relatório também destaca o problema crescente do descarte de hardware de IA, afirmando que o lixo eletrônico mal gerenciado pode expor comunidades a substâncias perigosas.

    Até 2030, a infraestrutura de IA poderá gerar até 2,5 milhões de toneladas métricas de lixo eletrônico por ano, o que equivale a 250 Torres Eiffel.

    Outro ponto de preocupação é a “inequidade estrutural”. Apenas 32 nações hospedam infraestrutura de nuvem especializada em IA, e 90% dessa capacidade concentra-se nos Estados Unidos e na China.

    Países que carecem de capacidade computacional doméstica dependem de provedores externos, o que lhes confere pouco controle sobre o acesso, os preços ou a governança de dados.

    Questão de justiça ambiental 

    O resultado é um aprofundamento da divisão digital entre as nações que constroem e controlam os sistemas de IA e aquelas que simplesmente os consomem, arcando, muitas vezes, com uma parcela desproporcional dos custos ambientais.

    Mais de 150 países não possuem qualquer capacidade soberana de computação para IA.

    O relatório enquadra essa situação não apenas como uma divisão econômica, mas também como uma questão de justiça ambiental, pois os países excluídos arcam com os ônus da extração mineral e dos resíduos eletrônicos, enquanto os benefícios estratégicos fluem para outros lugares.

  • Mundo celebra bicicleta como meio de transporte sustentável e universal

    Mundo celebra bicicleta como meio de transporte sustentável e universal

    Mundo celebra bicicleta como meio de transporte sustentável e universal

    Neste dia 3 de junho, a comunidade internacional assinala o Dia Mundial da Bicicleta, celebrando o veículo que assegura a mobilidade diária de cerca de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo.

    Decretada em 2018 pela ONU, esta data reconhece a singularidade e a versatilidade da bicicleta como meio de transporte acessível e sustentável, que promove a proteção do ambiente e a saúde pública.

    Pilar da mobilidade global 

    A celebração anual destaca o potencial da bicicleta na erradicação da pobreza e na promoção do desenvolvimento sustentável, incentivando a inclusão social e uma cultura de paz no seio das sociedades.

    Atualmente, a Europa é a região do mundo com a maior densidade de bicicletas per capita, com países como a Holanda e a Dinamarca a apresentarem rácios iguais ou superiores a uma bicicleta por cada pessoa.

    Já no Sul-Global, a bicicleta constitui um meio de transporte imprescindível no acesso ao trabalho, à saúde e à educação em inúmeras comunidades, agindo como um pilar de inclusão social e sustentabilidade económica e climática.

    Pedalar pela sustentabilidade

    Com o objetivo de promover a sustentabilidade e sensibilizar a sociedade para os impactos das alterações climáticas, em 2023, Daniel Rodrigues realizou uma travessia de bicicleta elétrica pelo continente africano.

    “Como qualquer criança da década de 1980, eu cresci a andar de bicicleta”, conta o fotógrafo à ONU News. “No entanto, antes da viagem pela África, nunca tinha pedalado uma distância superior a 20 quilómetros”, admite.

    Daniel acabaria por percorrer mais de 6 mil quilómetros de bicicleta, desde o litoral oceânico da Cidade do Cabo, na África do Sul, até aos altos planaltos da capital queniana, Nairobi.

    Bicicleta como meio universal 

    No decorrer da viagem, Daniel constatou como, “em África, a bicicleta é um meio de transporte acessível e indispensável para muitas comunidades”.

    Ele sublinha o papel central deste veículo na mobilidade quotidiana e no transporte de água potável das comunidades de países como a Zâmbia, o Quénia e a Tanzânia.

    O fotógrafo verificou ainda paralelismos com outras regiões, incluindo espaços lusófonos. “À semelhança do que acontece no Brasil, com o mototáxi, na Zâmbia, por exemplo, as mulheres são frequentemente transportadas em bancos almofadados colocados atrás do selim, numa espécie de ‘bike-táxi’”, descreve.

    Enquanto meio partilhado e acessível, a bicicleta promoveu uma maior proximidade entre o viajante e as comunidades locais. “Permitiu um contacto mais direto e genuíno com as pessoas. Crianças corriam ao meu lado e algumas pessoas acompanhavam-me durante quilómetros nas suas bicicletas. De carro, essa experiência seria impensável”, conclui.

    Desenvolvimento sustentável e inclusão social

    No Dia Mundial da Bicicleta, a ONU sublinha os benefícios associados à utilização da bicicleta, enquanto meio de transporte simples, acessível, limpo e ambientalmente sustentável.

    Neste sentido, a integração da bicicleta nos sistemas de transporte sustentáveis promove o crescimento económico, reduz as desigualdades e reforça o combate às alterações climáticas, sendo essencial para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

  • ONU: mundo deve se preparar para El Niño “potencialmente forte” este ano

    ONU: mundo deve se preparar para El Niño “potencialmente forte” este ano

    ONU: mundo deve se preparar para El Niño “potencialmente forte” este ano

    A Organização Meteorológica Mundial, OMM, alerta para a probabilidade de um episódio de El Niño, entre este mês e agosto, ser de 80%.

    Segundo a agência da ONU, embora ainda haja alguma incerteza quanto à intensidade máxima e ao momento de pico, a maioria dos modelos de previsão sugere que ele será pelo menos de intensidade moderada – e possivelmente forte.

    Temperaturas acima da média

    A probabilidade de que ele continue até, pelo menos, novembro está próxima ou acima de 90%.

    A última atualização divulgada pela agência indica que aumentou o risco de eventos climáticos extremos nos próximos meses. Estão previstas temperaturas acima da média em quase todo o planeta a partir deste mês até agosto.

    O El Niño normalmente aumenta as temperaturas globais e favorece padrões mais extremos de clima e precipitação.

    O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, diz que “a ciência é clara: o El Niño está chegando a nossa porta nos próximos meses com 90% de certeza”.

    “O mundo deve tratá-lo como o alerta climático urgente que é. As condições de El Niño irão intensificar ainda mais o aquecimento global. Seus impactos serão mais severos, se espalharão mais longe e atravessarão fronteiras com velocidade devastadora”, afirma.

    Dependência de combustíveis fósseis

    De acordo com o secretário-geral, “a única resposta eficaz é uma ação climática à altura da crise – acabar com a dependência dos combustíveis fósseis, acelerar a transição para energias renováveis, proteger os mais vulneráveis e garantir sistemas de alerta precoce para todos”.

    O comunicado diz que as condições para o El Niño estão se desenvolvendo e deverão influenciar os padrões globais de temperatura e precipitação, aumentando o risco de eventos climáticos extremos nos próximos meses.

    Preparar-se para um evento forte

    A mensagem da OMM é clara: o momento para tomar decisões embasadas, planejar e se preparar é agora.

    Celeste Saulo, secretária-geral da OMM, afirma que “precisamos nos preparar para um evento de El Niño potencialmente forte, que agravará secas e chuvas intensas e aumentará o risco de ondas de calor tanto em terra quanto nos oceanos”.

    “O El Niño mais recente, em 2023-2024, foi um dos cinco mais fortes já registrados e contribuiu para as temperaturas globais recordes observadas em 2024”, disse.

    Referência de monitoramento

    Entre o final de abril e meados de maio, a temperatura da superfície do mar no Pacífico Equatorial centro-oriental – área utilizada como referência de monitoramento – aproximou-se dos limiares característicos do El Niño, segundo observações de diferentes plataformas utilizadas pela OMM.

    Essas anomalias crescentes na superfície estão sendo alimentadas por condições excepcionalmente quentes nas camadas subsuperficiais do Pacífico tropical, com temperaturas superiores a 6°C acima da média, formando uma reserva substancial de calor que contribui para o aquecimento observado na superfície.

    Enquanto isso, o Índice de Oscilação Sul – componente atmosférico do El Niño – também apresenta sinais consistentes com o desenvolvimento do fenômeno.

    Alertas antecipados salvam vidas

    De acordo com a agência, previsões avançadas ajudam na preparação para proteger vidas e meios de subsistência.

    “A comunidade da OMM monitorará cuidadosamente as condições nos próximos meses para apoiar a tomada de decisões por governos, agências humanitárias e setores sensíveis ao clima.

    Previsões sazonais antecipadas e alertas precoces são fundamentais para salvar vidas e reduzir os impactos sobre nossas economias e comunidades”, afirma Celeste Saulo

    Como acontece 

    O El Niño caracteriza-se pelo aquecimento das temperaturas da superfície do oceano no Pacífico Equatorial central e oriental. Geralmente ocorre a cada dois a sete anos e dura cerca de nove a doze meses.

    Normalmente começa a se desenvolver entre março e junho e atinge sua intensidade máxima entre novembro e fevereiro, sendo que seus efeitos sobre as temperaturas globais costumam ser mais pronunciados no segundo ano após seu desenvolvimento.

    A agência da ONU explica que os efeitos de cada evento do El Niño ou do fenômeno La Niña – que tende a resfriar a temperatura – variam conforme sua intensidade, duração, época do ano em que se desenvolve e sua interação com outros modos de variabilidade climática. Nem todas as regiões do mundo são afetadas, e mesmo dentro de uma mesma região os impactos podem diferir. Além disso, eventos climáticos extremos podem ocorrer mesmo quando o El Niño está em condição neutra.

    Mudanças climáticas

    A intensidade de um evento é extremamente importante, seja ele classificado como fraco, moderado, forte ou muito forte. Mesmo um El Niño moderado aumenta a probabilidade de ocorrência de alguns extremos climáticos.

    A agência não utiliza o termo “super El Niño”, pois ele não faz parte das classificações operacionais padronizadas.

    Não há evidências de que as mudanças climáticas aumentem a frequência ou a intensidade dos eventos de El Niño. Contudo, elas podem amplificar seus impactos, pois um oceano e uma atmosfera mais quentes fornecem mais energia e umidade para eventos extremos, como ondas de calor e chuvas intensas.

    Impactos típicos

    Cada episódio do El Niño é único em sua evolução, distribuição espacial e impactos. No entanto, o fenômeno costuma estar associado, por exemplo, a aumento das chuvas em partes do sul da América do Sul, sul dos Estados Unidos, regiões do Chifre da África e Ásia Central. Também a cndições mais secas na América Central, norte da América do Sul, Caribe, Austrália, Indonésia e partes do sul da Ásia.

    A agência informou também que, durante o verão do Hemisfério Norte, as águas mais quentes associadas ao El Niño podem favorecer a formação de furacões no Pacífico central e oriental, enquanto dificultam a formação de furacões na bacia do Atlântico. Por isso, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, Nooaa, prevê uma temporada de furacões abaixo da média no Atlântico neste ano.

    As atualizações sobre o El Niño são a fonte de informação mais confiável do mundo para governos, agências humanitárias e setores sensíveis ao clima, como agricultura e saúde. Elas se baseiam em um consenso de modelos dos Centros Globais de Produção da OMM, especialistas dos serviços meteorológicos e hidrológicos nacionais e centros de previsão climática de todo o mundo.

    *Valéria Maniero é correspondente da ONU em Genebra.

  • ONU alerta para escalada da guerra na Ucrânia e apela para negociações

    ONU alerta para escalada da guerra na Ucrânia e apela para negociações

    ONU alerta para escalada da guerra na Ucrânia e apela para negociações

    O alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk, alertou para uma nova escalada da violência entre a Rússia e Ucrânia.

    Face ao número crescente de vítimas civis, Turk apelou para a contenção do conflito e instou ambas as partes a que “retomem as negociações e ponham fim ao sofrimento”.

    População vítima de ataques mútuos

    Somente de janeiro a abril deste ano, a ONU documentou 815 civis mortos e mais de 4 mil feridos, um aumento de 21% face ao mesmo período de 2025. A grande maioria em território controlado pela Ucrânia.

    Num dos vários ataques de grande escala, lançados pela Rússia nas últimas semanas, um edifício residencial de vários andares, em Kyiv, foi atingido entre 13 e 14 de maio causando 24 mortos e dezenas de feridos.

    Uma semana depois, as Forças Armadas ucranianas atingiram um complexo educativo em Starobilsk. O Gabinete dos Direitos Humanos da ONU apurou que as instalações estavam em funcionamento no momento do ataque, tendo o incidente causado vítimas civis, incluindo 18 mulheres.

    Mães ucranianas e barreiras

    A guerra agravou significativamente a escassez de cuidados infantis na Ucrânia, onde muitas instituições pré-escolares foram encerradas ou reconvertidas em abrigos por razões de segurança.

    As lacunas nos cuidados infantis, as barreiras no mercado de trabalho e normas sociais limitam o emprego das mães ucranianas, segundo o novo estudo do Unicef e da Organização Internacional do Trabalho, OIT.

    A publicação mostra que apenas 35% das mulheres com filhos com menos de seis anos estão empregadas, caindo para apenas 13% entre mães de crianças com menos de dois anos. Em contraste, 94% dos pais com filhos no mesmo grupo etário trabalham.

    Para promover o acesso das mulheres ao trabalho digno, a representante do Unicef na Ucrânia, Anne-Claire Dufay, reforça a necessidade de “melhorar o sistema de educação e cuidados na primeira infância e adotar políticas favoráveis às famílias”.

    Autoridades devem investigar ataques civis 

    Face à intensificação dos atos de violência, Volker Turk apela à realização de investigações por parte das autoridades russas e ucranianas para averiguar a responsabilidade dos ataques a instalações civis.

    O alto-comissário indica que as mesmas autoridades “devem fazer tudo o que estiver ao seu alcance para evitar que incidentes semelhantes voltem a acontecer”.

    Turk aproveitou ainda para condenar os ataques da Rússia contra pessoal e material humanitário das Nações Unidas nas últimas semanas.

  • Casos de violência sexual em conflitos mais que duplicaram em 2025, diz ONU

    Casos de violência sexual em conflitos mais que duplicaram em 2025, diz ONU

    Casos de violência sexual em conflitos mais que duplicaram em 2025, diz ONU

    No ano passado, quase 10 mil casos de violência sexual relacionada a conflitos foram documentados pelas Nações Unidas. O número representa mais do que o dobro de casos notificados no mesmo período de 2024. Os dados constam de um relatório do secretário-geral da ONU, divulgado neste 29 de maio.

    A publicação documenta o recurso à violação, à escravidão sexual e ao casamento forçado, bem como ao tráfico e aos raptos em 21 países afetados por conflitos em África, no Oriente Médio, na Europa e no Caribe.

    Agravamento da violência sexual 

    A representante especial do secretário-geral sobre Violência Sexual em Conflito, Pramila Patten, afirmou que os números refletem uma tendência global de agravamento da violência sexual em contextos de guerra, “marcados por extrema brutalidade e visando esmagadoramente mulheres e meninas”.

    O relatório confirmou 9.788 casos de violência sexual relacionada com conflitos durante 2025. No entanto, a representante da ONU enfatizou que este número não reflete a realidade brutal.

    “Os números contidos neste relatório devem ser entendidos não como o quadro completo, mas como um indicador de um padrão muito mais amplo de violações que permanecem em grande parte invisíveis e subnotificadas”, afirmou.

    Civis como alvo 

    Apesar de as mulheres e meninas continuarem a ser os principais alvos da violência sexual, homens e meninos também foram submetidos a abusos sexuais como forma de tortura.

    Por sua vez, as pessoas Lgbtqi+ enfrentaram um risco acrescido de perseguição e assédio direcionado.

    Segundo os dados, as vítimas tinham idades entre um e 70 anos, registando-se também casos envolvendo pessoas com deficiência.

    A violência foi frequentemente acompanhada por abusos físicos extremos, incluindo homicídios após violação e casos de suicídio entre sobreviventes, sublinha Pramila Patten.

    Áreas ricas em recursos naturais 

    O relatório refere que grupos armados não-estatais continuaram a usar a violência sexual para exercer controlo sobre comunidades e territórios, incluindo áreas ricas em recursos naturais.

    Perante a documentação de padrões contínuos de violência sexual, as forças armadas e de segurança da Rússia e as forças armadas e de segurança de Israel foram incluídas pela primeira vez na publicação anual.

    A ampla disponibilidade de armas ligeiras continuou também a alimentar a violência sexual em múltiplos conflitos, segundo as conclusões.

    Ao mesmo tempo, as restrições ao acesso humanitário, a insegurança e a falta de financiamento dificultaram a documentação dos abusos e o apoio aos sobreviventes.

    Apelo à ação 

    O relatório insta o Conselho de Segurança e os respetivos Estados-Membros a reforçar a prevenção, a responsabilização e o apoio aos sobreviventes de violência sexual.

    As recomendações incluem garantir o acesso humanitário, a expansão do mecanismo de monitorização e sanções, o reforço da proteção das mulheres nas missões da ONU e o aumento do financiamento para serviços médicos, psicossociais e jurídicos.

  • Países africanos apostam na energia nuclear para cobrir défice energético

    Países africanos apostam na energia nuclear para cobrir défice energético

    Países africanos apostam na energia nuclear para cobrir défice energético

    O rápido crescimento demográfico, a urbanização e o desenvolvimento económico impulsionam o desenvolvimento de programas de energia nuclear no continente africano. A região tem 600 milhões de pessoas sem acesso à eletricidade.

    Desenvolvida para a presidência sul-africana do G20 em 2025, a publicação da Agência Internacional da Energia Atómica, Aiea, Perspetivas para a Energia Nuclear em África, explora a sua inclusão no planeamento energético do continente.

    Perspetiva nuclear no continente africano 

    A África do Sul é o único país africano com uma central nuclear em funcionamento. No entanto, outros 16 países do continente – entre os quais o Senegal e a Zâmbia – consideram desenvolver energia nuclear ou já estão a construir a infraestrutura necessária, destaca a publicação.

    A Aiea relaciona o crescente interesse dos países africanos com o surgimento dos pequenos reatores modulares, SMR. Estes mecanismos são particularmente adequados a redes elétricas de menor dimensão e caracterizados por custos e prazos de construção inferiores aos dos grandes reatores.

    Numa altura em que 14% da produção mundial de urânio provém de países africanos, a combinação da abundância dessa matéria‑prima com novos investimentos na gestão do ciclo do combustível pode lançar as bases para novas tecnologias nucleares no continente, sublinha a publicação.

    Cooperação Regional e financiamento 

    A agência destaca o potencial da cooperação regional na adoção de energia nuclear no continente, na medida em que incentiva a partilha de custos, infraestruturas e conhecimentos entre os países. Acresce-se, ainda, o reforço do poder negocial junto dos respetivos parceiros internacionais.

    A publicação destaca ainda a capacidade da integração continental no quadro do Mercado Único Africano de Eletricidade, que poderá permitir a integração de grandes reatores nucleares nas redes e mercados elétricos do continente africano.

    No entanto, a falta de financiamento viável continua a travar projetos nucleares em África. O mesmo ocorre nas renováveis, cujo investimento no continente representa apenas 2% do global, condicionado pela elevada dívida e pelas fracas classificações de crédito soberano.

    Iniciativas reforçam potencial do nuclear

    Através de parcerias com agências e parceiros internacionais, a Aiea tem vindo a apostar no envolvimento multilateral com a energia nuclear, equacionando o apoio da transição energética limpa com a viabilização de investimentos no desenvolvimento da energia nuclear.

    Face à aposta energética nuclear no continente africano, a organização reitera a importância do forte compromisso nacional no desenvolvimento de um programa de energia nuclear bem-sucedido, capaz de assegurar uma coordenação eficaz e um amplo apoio político e público.

  • Imunização ganha destaque na Assembleia Mundial da Saúde

    Imunização ganha destaque na Assembleia Mundial da Saúde

    Imunização ganha destaque na Assembleia Mundial da Saúde

    Na 79ª Assembleia Mundial da Saúde, AMS, Estados-membros e parceiros globais reforçaram o compromisso com a Agenda de Imunização 2030, AI2030.

    Lançada em 2020 pela Organização Mundial da Saúde, OMS, promove a expansão da vacinação. A reunião redefiniu metas para a segunda metade da década, marcada pelos efeitos da pandemia de Covid-19.

    Redução orçamentária

    O ressurgimento de doenças como febre amarela, difteria e sarampo reforçou a importância da vigilância epidemiológica e da imunização para combater ameaças à saúde da população.

    O relatório apontou estagnação e queda no financiamento de programas humanitários desde 2020.

    Sem recursos e compromisso político, os países reconhecem o risco de retrocesso na cobertura vacinal e no controle de doenças.

    Também foi discutida a necessidade de ampliar a capacidade regional de produção de vacinas e diversificar cadeias de suprimento para reduzir dependência externa.

    Impactos da desinformação

    O início da década foi marcado por campanhas de desinformação, que afetaram a credibilidade da ciência com a população.

    Segundo o relatório, a queda na confiança pública é resultado de múltiplos fatores, como teorias da conspiração, oposição religiosa, baixo nível de alfabetização e questões sociodemográficas.

    Após a pandemia de Covid-19, cresceram as preocupações com efeitos colaterais das vacinas, especialmente entre pais.

    A próxima metade da década

    Para os próximos anos, as metas destacam avanços na introdução de novas vacinas, modernização da vigilância, expansão de registros digitais e fortalecimento da vacinação ao longo da vida.

    Países pediram maior engajamento comunitário, investimento em comunicação e estratégias baseadas em evidências científicas contra a desinformação.

    Em resposta, a OMS se comprometeu a priorizar crianças sem nenhuma dose, reconstruir a confiança nas vacinas e implementar as recomendações do relatório.

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