Categoria: Mundo

  • Imunização ganha destaque na Assembleia Mundial da Saúde

    Imunização ganha destaque na Assembleia Mundial da Saúde

    Imunização ganha destaque na Assembleia Mundial da Saúde

    Na 79ª Assembleia Mundial da Saúde, AMS, Estados-membros e parceiros globais reforçaram o compromisso com a Agenda de Imunização 2030, AI2030.

    Lançada em 2020 pela Organização Mundial da Saúde, OMS, promove a expansão da vacinação. A reunião redefiniu metas para a segunda metade da década, marcada pelos efeitos da pandemia de Covid-19.

    Redução orçamentária

    O ressurgimento de doenças como febre amarela, difteria e sarampo reforçou a importância da vigilância epidemiológica e da imunização para combater ameaças à saúde da população.

    O relatório apontou estagnação e queda no financiamento de programas humanitários desde 2020.

    Sem recursos e compromisso político, os países reconhecem o risco de retrocesso na cobertura vacinal e no controle de doenças.

    Também foi discutida a necessidade de ampliar a capacidade regional de produção de vacinas e diversificar cadeias de suprimento para reduzir dependência externa.

    Impactos da desinformação

    O início da década foi marcado por campanhas de desinformação, que afetaram a credibilidade da ciência com a população.

    Segundo o relatório, a queda na confiança pública é resultado de múltiplos fatores, como teorias da conspiração, oposição religiosa, baixo nível de alfabetização e questões sociodemográficas.

    Após a pandemia de Covid-19, cresceram as preocupações com efeitos colaterais das vacinas, especialmente entre pais.

    A próxima metade da década

    Para os próximos anos, as metas destacam avanços na introdução de novas vacinas, modernização da vigilância, expansão de registros digitais e fortalecimento da vacinação ao longo da vida.

    Países pediram maior engajamento comunitário, investimento em comunicação e estratégias baseadas em evidências científicas contra a desinformação.

    Em resposta, a OMS se comprometeu a priorizar crianças sem nenhuma dose, reconstruir a confiança nas vacinas e implementar as recomendações do relatório.

  • Relatoras denunciam exploração sexual em plataformas digitais

    Relatoras denunciam exploração sexual em plataformas digitais

    Relatoras denunciam exploração sexual em plataformas digitais

    Empresas de pornografia digital estão facilitando a exploração sexual em larga escala de mulheres e menores de idade, afirmam relatoras independentes da ONU*.

    Pornhub e a Aylo Holdings estão entre as companhias acusadas de lucrar com conteúdos sexuais sem consentimento e atuar como plataformas de pagamento e busca.

    Falta de verificação

    As relatoras, que se reportam ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, afirmam que em plataformas como o Xvideos, o conteúdo pornográfico é publicado sem verificação confiável de idade ou autorização.

    Apesar das denúncias e esforços das vítimas, muitas vezes os conteúdos não-consensuais permanecem online.

    Fiscalização mais rígida

    Alguns apelos foram encaminhados aos governos dos Estados Unidos e do Canadá para essas plataformas sejam processadas. As relatoras dizem que é preciso exigir comprovação de idade e verificação de todos os usuários.

    Em resposta, o governo canadense reconheceu a necessidade de atualizar a lei de privacidade e criar legislações para responsabilizar as empresas por conteúdo nocivo.

    As especialistas em direitos humanos cobraram ainda medidas de fiscalização mais rígidas, como monitoramento constante, moderação efetiva e remoção de imagens violentas e abusivas de crianças e adultos.

    Ações das vítimas

    Até o momento, as ações da Aylo contra esse tipo de prática foram provocadas por  processos judiciais movidos por vítimas.

    Mais de 25 ações tramitam no Justiça dos Estados Unidos e levaram à intervenção da Comissão Federal de Comércio.

    Impactado diretamente, desde 2020 a plataforma foi obrigada a remover mais de 50 milhões de arquivos não verificados.

    Ainda assim, as relatoras destacam que houve falha em responsabilizar criminalmente a  plataforma.

    Em 2023, a promotoria fechou um acordo de suspensão condicional do processo. A empresa aceitou pagar multas e indenizações a vítimas selecionadas e aceitar monitoramento externo por três anos.

    Se cumprir o acordo, as acusações serão arquivadas nesse ano e nenhuma condenação será registrada.

    Segundo as relatoras, enquanto indivíduos são presos por tráfico sexual, as corporações que facilitaram e lucraram conscientemente com a atividade criminosa seguem sem condenação. E as vítimas dessas imagens têm que reviver o trauma e o pesadelo de serem expostas sem nenhuma proteção legal.

    *Os relatores de direitos humanos são independentes das Nações Unidas e não recebem salário pelo seu trabalho

    Fonte: ONU NEWS

  • Uso de dispositivos em excesso compromete desenvolvimento infantil

    Uso de dispositivos em excesso compromete desenvolvimento infantil

    Uso de dispositivos em excesso compromete desenvolvimento infantil

    A exposição intensiva a telas ou ecrãs na primeira infância compromete o desenvolvimento cognitivo e motor das crianças. Isto reflete ainda desigualdades no acesso às redes de ensino pré-escolar.

    As estatísticas atuais de plataformas digitais como o YouTube, onde 5 dos 10 vídeos mais vistos de sempre são destinados a crianças pequenas, revelam uma nova realidade: atualmente, a infância está a ser moldada por dispositivos, avisam os especialistas.

    Um problema global

    As interações associadas aos atos de brincar, conversar e explorar são essenciais para o desenvolvimento cognitivo infantil. A substituição por dispositivos móveis constitui um entrave ao desenvolvimento pleno das suas capacidades.

    Publicado em 2025, o relatório do Banco Mundial, “Tempo da tela ou ecrã na educação infantil”, associa o uso ao atraso no desenvolvimento lexical, à diminuição da capacidade de atenção e concentração, à redução da coordenação motora, a dificuldades na socialização e a alterações nos padrões de sono das crianças.

    De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a utilização de ecrãs entre crianças dos dois aos cinco anos não deve ser superior a uma hora por dia. Contudo, em vários países, a grande maioria dos menores em idade pré-escolar ultrapassa o limite sugerido pela agência. É o caso da Malásia (91%), do Brasil (69%) e da China (67%).

    Desigualdades no acesso ao ensino pré-escolar

    Na América Latina e Caribe, apenas 15% das crianças entre o zero e os dois anos frequentam a creche, um valor abaixo dos 43% observados nos países da Ocde.

    Esta disparidade estatística reflete um conjunto de entraves estruturais: os horários destas instituições raramente coincidem com os horários laborais das famílias, as deslocações são muitas vezes longas, e continuam a verificar-se fortes assimetrias na qualidade da sua oferta educativa.

    Segundo Florencia López Boo, especialista em primeira infância da Universidade de Nova Iorque, ao equacionarmos a falta de acesso a estas instituições com o acesso ao smartphone, criam-se as condições para um “cocktail explosivo de ecrãs no autocarro, em casa e até no carrinho de bebé”.

    Nestas circunstâncias, o dispositivo digital passa a assumir, progressivamente, o papel de uma ama, adverte a especialista.

    Mudança passa pelo equilíbrio 

    Através da substituição gradual da tela por outras alternativas ou organização de atividades distantes dos dispositivos, o relatório do Banco Mundial sublinha a necessidade de as mães e os cuidadores cultivarem um equilíbrio digital no cotidiano das crianças.

    O documento afirma a necessidade de campanhas de informação públicas de proximidade com as famílias, bem como da promoção de exemplos de hábitos saudáveis pelas instituições educativas junto das crianças.

    Ao mesmo tempo, a indústria digital deve ser regulada para limitar práticas que incentivam o uso excessivo, como a reprodução automática sem fim e algoritmos concebidos para manter as crianças “agarradas” ao ecrã, conclui o relatório.

    *Matéria adaptada do original de Jaime Saavedra, Ezequiel Molina e Cristóbal Cobo

    Fonte: ONU NEWS

  • Agências internacionais atualizam regras de salvamento de migrantes no mar

    Agências internacionais atualizam regras de salvamento de migrantes no mar

    Agências internacionais atualizam regras de salvamento de migrantes no mar

    No marco dos 75 anos da Convenção da ONU sobre o Estatuto dos Refugiados, entidades globais revisaram o guia de conduta para operações de resgate em ambientes marítimos.

    A iniciativa surge diante de números alarmantes: mais de 3 mil pessoas morreram ou desapareceram em rotas marítimas no último ano. O material apresenta medidas concretas de salvamento e desembarque, alinhadas às normas do direito internacional.

    Tragédia humanitária no mar

    O secretário-geral da Organização Marítima Internacional, OMI, Arsenio Dominguez, lembra que há uma tragédia humanitária acontecendo nos oceanos, muitas vidas estão sendo perdidas em percursos arriscados.

    Segundo a Agência da ONU para Refugiados, Acnur, a rota do Mediterrâneo é uma das mais letais, com 1.953 desaparecidos ou mortas.

    No Sudeste Asiático, foram 892 casos entre mais de 6.500 refugiados rohingya que tentaram travessias inseguras.

    Já na África, 424 pessoas perderam vida na rota atlântica da África Ocidental.

    Direitos e deveres

    O desespero para encontrar segurança e estabilidade levam pessoas a arriscarem a sua vida e a dos familiares na ausência de vias mais seguras. A opinião é da diretora da Divisão Internacional de Proteção e Soluções da Acnur, Elizabeth Tan.

    O novo guia é uma ferramenta para auxiliar a conduta dos responsáveis no resgate de pessoas em perigo no mar. O documento detalha os direitos dos migrantes e refugiados naufragados e os deveres de comandantes de navios, armadores, autoridades estatais, companhias de seguros e todos os atores envolvidos em operações de salvamento marítimo.

    Fruto da cooperação entre a Acnur, a OMI, e a Câmara Internacional da Marinha Mercante, ICS, o documento reforça a necessidade de ações coletivas para evitar mais perdas de vidas.

    O mar deve ser tratado como um espaço humanitário e o resgate deve ser realizado sem discriminação, declaram as entidades parceiras.

  • Estudo da OIT evidencia falhas estruturais da IA na gestão de recursos humanos

    Estudo da OIT evidencia falhas estruturais da IA na gestão de recursos humanos

    Estudo da OIT evidencia falhas estruturais da IA na gestão de recursos humanos

    Os sistemas de Inteligência Artificial (IA) utilizados na gestão dos recursos humanos apresentam objetivos mal alinhados, baseando-se em dados de baixa qualidade e enviesados que prejudicam as empresas e os seus trabalhadores.

    Este conjunto de limitações estruturais foi identificado no artigo publicado em novembro de 2025 pela Organização Mundial do Trabalho, OIT, que sublinha os riscos jurídicos, éticos e práticos da aplicação destas tecnologias no trabalho.

    “Paradoxo da automação” 

    De acordo com Janine Berg – economista da OIT e coautora do artigo – a utilização destes novos sistemas constitui um autêntico “paradoxo da automação”, ao demonstrar que as soluções tecnológicas levantam sistematicamente novos desafios tecnológicos.

    A generalização das candidaturas online e o acesso à IA generativa provocaram um aumento substancial da quantidade de currículos recebidos. Por sua vez, a triagem de um número superior de profissionais veio impulsionar a adoção de sistemas de IA no processo de recrutamento das empresas.

    O artigo conclui que a eficácia dos sistemas utilizados na determinação da compensação, na elaboração de horários e na gestão do desempenho dos trabalhadores é condicionada por limitações nos dados, na programação e na definição de objetivos inadequados.

    Participação humana é essencial

    A economista da agência da ONU sublinha que as novas ferramentas de IA operam através de um nível elevado de autonomia e acrescenta que os recursos humanos nem sempre dispõem das capacidades necessárias para a sua operação e a interpretação dos seus resultados.

    Neste sentido, Janine Berg defende a participação ativa dos profissionais de recursos humanos no desenho, implementação e supervisão dos sistemas de IA, bem como no envolvimento dos trabalhadores no processo de elaboração de horários e na gestão do desempenho.

    A investigadora conclui que o envolvimento de todas as partes na geração dos sistemas de IA utilizados é essencial para garantir a transparência do seu objetivo e um funcionamento em função das condições das empresas e dos trabalhadores.

  • OMS diz que marcas de sachês de nicotina visam jovens, enquanto as vendas disparam

    OMS diz que marcas de sachês de nicotina visam jovens, enquanto as vendas disparam

    OMS diz que marcas de sachês de nicotina visam jovens, enquanto as vendas disparam

    A Organização Mundial da Saúde, OMS, fez uma alerta sobre o crescimento  rápido dos produtos em sachês de nicotina em todo o mundo e o risco que eles representam para os consumidores.

    Essas mercadorias estão sendo agressivamente comercializadas para adolescentes e jovens. Segundo a OMS, a regulamentação em muitos países é limitada ou inexistente, gerando preocupações sobre a dependência de nicotina e os riscos à saúde.

    Nova geração

    O relatório é divulgado às vésperar do Dia Mundial Sem Tabaco, marcado em 31 de maio. Este ano, o foco é a dependência de tabaco e nicotina, bem como as táticas utilizadas pela indústria para atrair uma nova geração de usuários.

    Os sachês de nicotina são pequenos invólucros colocados entre a gengiva e o lábio, que liberam nicotina através do revestimento interno da boca. Geralmente, contêm nicotina, aromatizantes, adoçantes e outros aditivos. As vendas de varejo de sachês de nicotina ultrapassaram 23 bilhões de unidades em 2024, registrando um aumento de mais de 50% em relação ao ano anterior.

    O chefe da da Unidade da Iniciativa Livre de Tabaco da OMS, Vinayak Prasad, ressalta que o uso de sachês de nicotina está se disseminando rapidamente, enquanto a regulamentação tem dificuldade em acompanhar esse ritmo. Segundo ele, oss governos devem agir agora, implementando salvaguardas rigorosas e baseadas em evidências.

    Bolsas de nicotina

    O primeiro relatório global da OMS sobre o tema, intitulado “Expondo as táticas e estratégias de marketing que impulsionam o crescimento das bolsas de nicotina”, foi elaborado em resposta a solicitações de países que buscavam orientação especializada da OMS sobre as bolsas de nicotina e sobre como os governos deveriam reagir. O mercado global de produtos de bolsas de nicotina atingiu um valor de quase US$ 7 bilhões em 2025.

    A OMS enfatiza que a nicotina, por si só, é altamente viciante e prejudicial, especialmente para crianças, adolescentes e jovens adultos cujos cérebros ainda estão em desenvolvimento. A exposição à nicotina durante a adolescência pode afetar o desenvolvimento cerebral, gerando impactos, inclusive, na atenção e no aprendizado.

    Malhas regulatórias

    O uso precoce de nicotina pode aumentar a probabilidade de dependência a longo prazo e do uso futuro de outros produtos de nicotina e tabaco. O uso de nicotina também aumenta o risco cardiovascular.

    Lacunas regulatórias deixam os jovens expostos

    As bolsas de nicotina frequentemente escapam das malhas regulatórias, uma vez que cerca de 160 países não possuem regulamentação específica; 16 países proíbem sua venda e 32 países as regulamentam de alguma forma, incluindo restrição de sabores, vendas a menores de idade e proibição de publicidade, promoção e patrocínio.

    O médido Etienne Krug, diretor do do Departamento de Determinantes da Saúde, Promoção e Prevenção da OM, lembra que os governos estão observando o uso desses produtos se disseminar rapidamente, especialmente entre adolescentes e jovens que estão sendo alvo agressivo de táticas enganosas.

    Táticas de marketing

    Muitos jovens estão sendo enganados por táticas de marketing bem elaboradas usando embalagens sofisticadas e discretas, sabores como chiclete e balas de goma; intensa promoção nas redes sociais; patrocínio de shows, festivais e eventos esportivos, incluindo a Fórmula 1e até         mensagens que incentivam o uso discreto em escolas e ambientes livres de fumo.

    Algumas embalagens imitam doces ou marcas populares de guloseimas, aumentando os riscos para crianças pequenas.

    O relatório alerta que todas essas táticas são concebidas para normalizar o uso da nicotina, reduzir a percepção de riscos e atrair uma nova geração de usuários para a dependência da nicotina.

    Apelo à ação urgente

    A OMS insta os governos a adotarem uma regulamentação abrangente que abranja todos os produtos de tabaco e nicotina, incluindo as bolsas de nicotina. As medidas recomendadas incluem:

    •         proibições ou fortes restrições a aromatizantes;

    •         proibições de publicidade, promoção e patrocínio, inclusive nas redes sociais e no uso de influenciadores;

    •         controles rigorosos de verificação de idade e de venda no varejo;

    •         advertências sanitárias claras e embalagens padronizadas;

    •         limites máximos para a quantidade de nicotina permitida;

    •         tributação para reduzir a acessibilidade financeira e desencorajar o uso entre os jovens;

    •         monitoramento dos padrões de uso e das táticas da indústria; e

    •         aplicação rigorosa das políticas.

    A OMS recomenda aos jovens a reconhecer e rejeitar as táticas da indústria, concebidas para fazer com que o uso da nicotina pareça normal.

    Uma ação urgente e coordenada, realizada hoje, pode ajudar a proteger uma nova geração da dependência da nicotina.

  • FAO projeta crise agropecuária após fechamento do Estreito de Ormuz

    FAO projeta crise agropecuária após fechamento do Estreito de Ormuz

    FAO projeta crise agropecuária após fechamento do Estreito de Ormuz

    O fechamento do Estreito de Ormuz representa o início de uma crise no sistema agropecuário que levará a um aumento drástico no preço dos alimentos nos próximos seis meses.

    Esta é a estimativa do economista-chefe da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, FAO, Maximo Torero. Ele recomenda que governos e instituições comecem a pensar em formas de ampliar a capacidade de absorção e adaptação dos países para minimizar esses impactos.

    Aumento nos preços

    De acordo com a agência da ONU, o tempo para medidas preventivas está se esgotando. Decisões sobre importação e uso de fertilizantes terão impacto direto nos preços dos alimentos.

    O monitoramento mensal da agência já registra aumentos, impulsionados pelos altos custos de energia e pelo conflito no Oriente Médio.

    Em abril, as exportações de carne bovina do Brasil puxaram a alta global diante da oferta limitada de rebanhos de gado. A demanda dos mercados africanos por carne de frango, produzida na região, compensou quedas na comercialização com Oriente Médio, mas encareceu abruptamente a classe de produtos.

    Redução dos impactos

    Até o final do ano, a situação pode se agravar com os efeitos do fenômeno climático El Niño, que deve elevar as temperaturas das águas do Oceano Pacífico, mudando a circulação atmosférica global.

    Esta alteração climática provoca secas severas em algumas regiões e chuvas intensas em outras.

    As medidas atuais de redução dos impactos na economia envolvem a utilização de rotas terrestres e marítimas alternativas, mas com capacidade limitada.

    Para evitar inflação no curto prazo, será preciso obter mais rotas comerciais, proteção dos fluxos humanitários, evitar restrições às exportações, e reservas estratégicas para absorver custos de transporte mais elevados.

    Para os próximos anos, a FAO considera essencial a adoção de medidas sustentáveis, como o investimento em energias renováveis e tecnologias agrícolas de precisão para prevenir novas crises.

  • Organização Mundial da Saúde, OMS, diz que mundo não está livre de pandemias

    Organização Mundial da Saúde, OMS, diz que mundo não está livre de pandemias

    Organização Mundial da Saúde, OMS, diz que mundo não está livre de pandemias

    Nesta segunda-feira, Genebra acolheu a abertura da 79ª. Assembleia Mundial da Saúde com um balanço que mencionou tensões geopolíticas e um chamado urgente à ação coletiva.

    O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, OMS, Tedros Ghebreyesus, abordou uma série de desafios que ameaçam a estabilidade sanitária internacional.

    Mundo de conflitos e crises econômicas 

    Ghebreyesus mencionou a situação do hantavírus e do ebola que aponta como duas das últimas crises num mundo que registra desde conflitos a crises econômicas, mudança do clima e redução de ajuda em tempos difíceis e perigosos.

    Além das ameaças biológicas imediatas, como o hantavírus e, de forma central, o novo e agressivo surto de ebola na África Central, Tedros citou o “efeito cumulativo e arrasador” dos conflitos armados e das “mudanças do clima” sobre as pessoas mais frágeis do planeta.

    Um dos destaques foram os “recentes e severos” cortes de financiamento que forçaram uma reestruturação interna na agência, ao mesmo tempo em que o mundo enfrenta uma nova crise biológica de proporções alarmantes.

    O chefe da OMS destacou ainda que como todos sabem, a OMS está passando por um período difícil que resulta de bruscos e rápidos cortes para o financiamento num cenário global cada vez mais fragmentado. Ele alertou que os sistemas de saúde continuam sob pressões extremas.

    Alerta máximo para variante rara de ebola

    Mas o pano de fundo da Assembleia foi a decisão da OMS de declarar, neste domingo, o surto de ebola na República Democrática do Congo, RD Congo, como uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional.

    Investigadores de doenças infecciosas apontam que o vírus tem se espalhado de forma silenciosa e indetectável por semanas ou até meses na região que já teve confirmados pelo menos 10 casos no laboratório.

  • Crise no Oriente Médio penaliza mais as economias em desenvolvimento

    Crise no Oriente Médio penaliza mais as economias em desenvolvimento

    Crise no Oriente Médio penaliza mais as economias em desenvolvimento

    Os impactos da crise no Oriente Médio na economia mundial contribuíram para abrandar o crescimento da economia, a interrupção da tendência de desinflação e o aumento da incerteza entre investidores e consumidores.

    No entanto, as consequências da crise energética são altamente desiguais entre as economias mundiais, indica o relatório Situação e Perspetivas Econômicas Mundiais de 2026. A nova análise foi publicada pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas, Desa.

    Economias em desenvolvimento sob pressão

    O conflito no Oriente Médio veio intensificar as pressões nas economias em desenvolvimento num momento particularmente crítico, sublinha o subsecretário-geral do Desa, Li Junhua.

    O relatório ilustra efeitos graves da crise na Ásia Ocidental, onde se prevê uma queda do crescimento de 3,6% em 2025 para 1,4% em 2026. O desempenho será impulsionado por interrupções na produção de petróleo, no comércio e no turismo.

    Em África, o crescimento médio deverá abrandar ligeiramente, de 4,2% em 2025 para 3,9% em 2026. Já as economias da América Latina e Caribe seguem em trajetória de baixo crescimento, antevendo-se uma desaceleração de 2,5% em 2025 para 2,3% em 2026.

    Aumento assimétrico da inflação

    O subsecretário-geral adverte que “o aumento dos custos de financiamento e a renovação das pressões sobre os fluxos de capital podem agravar vulnerabilidades da dívida e limitar os recursos disponíveis para o desenvolvimento sustentável” destas economias.

    O relatório prevê um crescimento do PIB global na ordem dos 2,5% em 2026, menos 0,2 pontos percentuais face à projeção de janeiro e bem abaixo dos níveis anteriores à pandemia de Covid-19.

    O conflito também interrompeu a tendência global de desinflação em curso desde 2023. Nas economias desenvolvidas, prevê-se um aumento da inflação de 2,6% em 2025 para 2,9% em 2026. Já nas economias em desenvolvimento, este crescimento é mais acentuado, de 4,2% para 5,2%.

    Economias desenvolvidas são mais resilientes

    Apesar dos impactos assimétricos da crise, os mercados financeiros globais demonstraram-se resilientes, absorvendo os seus choques iniciais “de forma ordeira”, conclui o relatório.

    Os mercados de trabalho fortes, a procura estável dos consumidores e a atividade econômica impulsionada pela inteligência artificial deverão apoiar as economias mais resilientes no curto prazo.

    O relatório antecipa alta econômica dos Estados Unidos em 2% em 2026, orientada por uma procura interna sólida e investimento nas novas tecnologias. Na China, prevê-se uma ligeira baixa de 5% em 2025 para 4,6% em 2026, amortecida pelas reservas e pelas políticas públicas de apoio.

    Por sua vez, o crescimento da União Europeia deverá abrandar de 1,5% em 2025 para 1,1% em 2026, um reflexo da dependência de energia importada entre os seus 27 Estados-membros.

    Crise ameaça desenvolvimento coletivo

    O conflito no Oriente Médio ameaça reverter progressos no desenvolvimento global e travar ainda mais a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável estabelecidos pelas Nações Unidas.

    Já o aumento das disparidades na acumulação de capital, competências e inovação contribui para um desempenho cada vez mais desigual entre as diversas regiões do mundo, destaca o Desa.

    Para a superação destes desafios, o departamento reitera a necessidade de uma ação coordenada e sustentável. Esta atuação deve incluir a garantia do livre comércio, a expansão do financiamento concessional e o apoio à transformação estrutural das economias menos desenvolvidas.

  • ONU aponta violência “sem precedentes” e colapso diplomático na Ucrânia

    ONU aponta violência “sem precedentes” e colapso diplomático na Ucrânia

    ONU aponta violência “sem precedentes” e colapso diplomático na Ucrânia

    Nesta terça-feira, o Conselho de Segurança das Nações Unidas recebeu uma atualização sobre a realidade da guerra na Ucrânia. O informe foi apresentado pela diretora da Divisão da Europa e Ásia Central, Kayoko Gotoh.

    O relatório do Departamento dos Assuntos Políticos expõe uma realidade de uma escalada de violência sem precedentes, marcada pela alta de vítimas civis, o colapso de tréguas temporárias e ataques diretos contra operações pacíficas.

    Mais de 15,8 mil mortos e 44 mil feridos

    O documento ressalta ainda que o custo humano do conflito “dispara a cada dia de inércia”, enquanto a diplomacia formal permanece perigosamente paralisada.

    Desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022, estima-se que pelo menos 15.850 civis já foram mortos, incluindo 791 crianças. Mais de 44 mil feridos foram confirmados.

    A violência cruzou as fronteiras, atingindo áreas residenciais na Rússia onde aconteceram bombardeios de larga escala que vitimaram inocentes em Moscou e Ryazan.

    O documento das Nações Unidas reitera que a organização condena com veemência as agressões a infraestruturas civis, independentemente de onde ocorram”, classificando-as como graves violações ao direito internacional.

    A gravidade da situação atingiu um novo patamar de risco com o registro de ataques deliberados e tecnológicos contra equipes humanitárias internacionais. Veículos da ONU devidamente identificados e em missões previamente notificadas foram alvos de drones nas regiões ucranianas de Kherson e Dnipropetrovsk.

    Progresso raro e frágil

    A situação alarmante ameaçou várias operações essenciais do Programa Mundial de Alimentos, WFP, e do Escritório de Coordenação da Assistência Humanitária, Ocha. A ONU fala de um total desrespeito pelas proteções internacionais que garantem que profissionais essenciais operem no contexto de crises.

    A instabilidade também prejudica os raros e frágeis avanços alcançados através da mediação global, como o cessar-fogo de três dias violado por ambas as partes e seguido por uma ofensiva russa ainda mais agressiva.

    No campo humanitário, o relatório destaca que houve avanços da diplomacia com o início de uma troca em larga escala de 2 mil prisioneiros de guerra, ao ser concordada a libertação das primeiras centenas de soldados.

    Paralelamente, a repatriação de crianças ucranianas transferidas à força continua sendo uma prioridade crítica, exigindo avaliações de forma personaliza e focada na preservação da união familiar.

    Caminho para o sofrimento

    Passado um ano desde a retomada dos diálogos diretos agora suspensos, a ONU adverte que a paralisação da diplomacia abre o caminho para um sofrimento ainda mais profundo.

    O pedido feito ao Conselho de Segurança é que sejam criadas condições para a retomada imediata e incondicional das conversações para conter a escalada militar e selar um cessar-fogo definitivo.

    Na sessão do Conselho, a secretária-geral assistente para os Assuntos Humanitários, Edem Wosornu, lembrou que neste campo as necessidades crescem de forma alarmante, superando os esforços diplomáticos em curso.

    Segundo a vice-chefe humanitária, o auxílio alcança apenas uma fração dos 10,8 milhões de necessitados. Faltam cerca de 75% dos US$ 2,3 bilhões orçados para gastos de auxílio resultando num déficit de quase US$ 1,7 bilhão.

    Vida de famílias deslocadas

    Mais fundos permitiriam oferecer cuidados médicos a civis isolados na linha de frente, estabilizar a vida de famílias deslocadas e garantir presença de entidades humanitárias nas áreas de maior vulnerabilidade.

    Diante desse cenário, a proposta feita ao Conselho de Segurança foca no uso da sua influência internacional para garantir que haja respeito ao direito internacional humanitário e o fornecimento de fundos em tempo hábil.

    Para a vice-chefe humanitária é imperioso proteger os civis, permitindo sua saída voluntária para zonas seguras, e assegurando o acesso humanitário rápido e sem impedimentos.

    O perigo é que sem uma mobilização e financiamento imediatos, a entrega de ajuda seja severamente comprometida, forçando a escolhas impossíveis sobre quem recebe assistência e aprofundando drasticamente o sofrimento da população.

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