Autor: Redação – Portal AM

  • Série C: Amazonas é superado por 2 a 1 no Carlos Zamith

    Série C: Amazonas é superado por 2 a 1 no Carlos Zamith

    Série C: Amazonas é superado por 2 a 1 no Carlos Zamith

    O Amazonas foi superado na tarde deste domingo (24), pelo Ferroviária-SP por 2 a 1 no estádio Carlos Zamith, em duelo válido pela oitava rodada da Série C do Campeonato Brasileiro. Denilson marcou os gols da Locomotiva, Ronaldo anotou o gol da Onça-pintada.

    O jogo

    O duelo foi disputado, com poucas chances claras de gols apresentadas por ambas equipes. Nos acréscimos da primeira etapa, Ronaldo abriu o placar no Carlos Zamith de cabeça.

    No final do primeiro tempo, um torcedor foi detido por suspeita de racismo contra o jogador Douglas Skilo da Ferroviária-SP. Diante do ocorrido, o protocolo antirracismo foi ativado pela arbitragem e todos os procedimentos legais foram adotados. O suspeito foi identificado e conduzido à delegacia para as providências necessárias.

    A Federação Amazonense de Futebol (FAF) repudia o ocorrido e reforça o compromisso no combate ao racismo, preconceito e discriminação dentro e fora dos estádios.

    No início da segunda etapa a equipe visitante deixou tudo igual no placar com gol de Denilson de cabeça. Aos 28 minutos, o atacante apareceu para virar o jogo com mais um gol de cabeça no Carlos Zamith, e garantir a vitória da Ferroviária-SP.

    Panorama e próxima partida

    Com o resultado o Amazonas segue com 13 pontos e ocupa a quarta colocação na tabela de classificação da terceira divisão. O próximo compromisso do Aurinegro será diante do Guarani-SP, às 17h (horário de Manaus), no estádio Brinco de Ouro.

  • Profissionais de saúde vencem desafios para vacinação em área indígena

    Profissionais de saúde vencem desafios para vacinação em área indígena

    Profissionais de saúde vencem desafios para vacinação em área indígena

    Na área atendida pelo Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Alto Rio Purus, unidade descentralizada do Sistema Único de Saúde (SUS), vivem 11 mil pessoas das etnias Apurinã, Jamamadi, Jaminawa, Kaxarari, Kaxinawá, Huni Kuin, Madiha, Kulina e Manchineri.

    São 155 aldeias, com populações que variam de 30 a 300 pessoas, onde idiomas de três troncos linguísticos diferentes dividem espaço com o português, ou dão conta da comunicação por completo.

    A depender da aldeia, se está no Acre, Amazonas ou Rondônia, é possível chegar de caminhonete ou barco quando o clima está bom, ou apenas de quadriciclo, botes ou helicópteros quando as condições são desfavoráveis.

    Há também as peculiaridades culturais. O atendimento é descentralizado, respeitando crenças e práticas tradicionais de cada etnia.

    Evangelista Apurinã, coordenador do DSEI, explica que não dá, por exemplo, para impor um ritmo aos Madijá e Kulina, com os quais é preciso negociar. “E outra coisa: você os segura em um lugar por, no máximo, umas 3, 4 horas. Depois disso, não segura mais”, afirma.

    Os Jamamadi se organizam politicamente ao redor de 11 clans principais, mas um impera sobre os outros dez. “Então, se você acertar algo com um cacique que não é do clã principal, você pode sair do território achando que está tudo combinado e, quando voltar lá, vai ver que voltou à estaca zero”, alerta Apurinã.

    “Se a gente não souber desses detalhes, e de fato entender como é a estrutura de cada povo, a gente vai estar colocando a carroça na frente dos bois, e não vai conseguir fazer o serviço”, conclui o coordenador sobre os desafios de levar uma das principais estratégias de saúde pública – a vacinação – aos territórios indígenas.

    Ainda assim, a turma do Zé Gotinha consegue chegar. Como é inviável manter unidades de saúde em todas as aldeias, cada região tem um polo base, de onde os profissionais saem para atender as comunidades, passando até 40 dias trabalhando de forma itinerante.

    A localização das aldeias não impõe um desafio só de percurso, mas também de armazenagem: os frascos de vacina precisam ficar constantemente refrigerados, em uma temperatura entre 2º e 8º celsius para manter sua eficácia. Freezers instalados nos barcos, caixas térmicas e bobinas de gelo é que garantem esse padrão.

    Quem planeja as atividades no DSEI Alto Rio Purus é a enfermeira Kislane de Araújo Dias, responsável técnica pela área de Imunizações e Doenças Imunopreveníveis do Dsei. Ela explica que todo trabalho é baseado no censo vacinal, uma grande planilha com os dados de todas as famílias, onde as equipes monitoram quem vai precisar tomar qual vacina a cada incursão.

    “É assim que a gente sabe também quantas doses de cada vacina vamos usar em cada aldeia, para transferir só esse quantitativo exato do estoque para a caixa de movimento diário. Geralmente, a equipe escolhe um local central na aldeia, onde as pessoas são atendidas, mas a gente também vai de casa em casa se precisar, e faz busca ativa dos faltosos.”

    Todas as questões logísticas e culturais demandam um planejamento minucioso, de acordo com a enfermeira Evelin Plácido, que atuou em territórios indígenas por muitos anos e hoje oferece capacitações em imunização para outros profissionais de saúde, a frente da CapacitaImune.

    “Ao contrário do contexto urbano em que as pessoas vão até a imunização, nas áreas indígenas é a vacina que precisa ir até as pessoas. Então, a gente tem que conhecer bem os equipamentos, quantas horas vão durar cada percurso e as rotas precisam ser muito bem estabelecidas antes de ir para o território, para que a gente não exponha a vacina a uma temperatura inadequada, por exemplo.”

    No início de maio, Evelin esteve em Rio Branco, capital do Acre, ministrando um curso para profissionais que atendem as populações indígenas do estado, e também outras comunidades de difícil acesso.

    Além de repassar com eles as normas técnicas mais atualizadas e as formas corretas de armazenar, aplicar e descartar os frascos de vacina, a enfermeira compilou uma série de informações, que sentia falta quando atuava na ponta.

    “Um conteúdo essencial são as informações sobre as bases imunológicas, para eles entenderem como cada vacina interage com o sistema imune, e a parte sobre os efeitos adversos. Até para o profissional conseguir explicar para as pessoas que elas são uma parte normal de um processo que está prevenindo uma coisa muito maior”, diz a enfermeira, que também é Diretora da Regional São Paulo da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

    Ela complementa: “Fui percebendo que, ao longo do tempo, que não adianta você ser um profissional excelente, ter o melhor equipamento, conhecer tudo das vacinas, entender sobre técnicas de aplicação, se você não souber se comunicar com as pessoas.”

    Por isso, os profissionais também aprenderam técnicas para comunicar melhor as informações à população. Kislane, responsável técnica do DSEI Alto Rio Purus, diz que isso é especialmente importante na saúde indígena.

    “Eu não posso simplesmente chegar lá e dizer: ‘É isso aqui e você vai ter que aceitar’.  A gente orienta as equipes a fazer uma roda de conversa e explicar para a comunidade que é um imunobiológico que vai conferir proteção contra aquela doença que os povos indígenas estão suscetíveis.”

    O curso é oferecido pela farmacêutica MSD, que fornece quatro vacinas ao Programa Nacional de Imunizações do Sistema Único de Saúde: HPV, ⁠Hepatite A, ⁠Varicela e Pneumo-23. A gerente-médica de vacinas da empresa, Aline Okuma, explica que esta é a quarta capacitação oferecida para profissionais que atuam na saúde indígena ou em áreas remotas.

    “Todo mundo precisa de capacitação, só que nas grandes capitais, a chance dos profissionais receberem isso é muito maior do que em áreas mais remotas. A gente identifica muito que algumas práticas não são harmonizadas e acho que essa é a grande valia desse curso: harmonizar práticas, adaptando para o cenário local”

    Até um dos maiores trunfos do Programa Nacional de Imunizações do Sus acaba sendo um desafio para a atualização dos profissionais. O calendário básico de vacinação oferece mais de 20 vacinas e não para de crescer ou de se aperfeiçoar: só nos últimos meses, foram incorporadas as novas vacinas contra a dengue e o vírus sincicial respiratório.

    Grupos vulneráveis, como a população indígena, ainda seguem alguns esquemas diferenciados. Todos os anos devem ser vacinados contra a influenza e a covid-19, por exemplo, independente da idade.

    Uma experiência recente demonstra a importância disso. Em 2024, em meio à seca recorde registrada na região amazônica, que inviabilizou a navegação até das equipes de saúde, uma das aldeias da região viveu um surto de influenza. Duas crianças morreram.

    “Nós mobilizamos o governo federal e o governo estadual e antecipamos em dois meses a vacinação de influenza dentro desse território, com um aparato para levar as vacinas por via aérea, usando canoinhas de madeira pra chegar nas casas, deslocando profissionais de outro polos. Foi um plano de contingência e emergência, porque um agravo desse pode matar uma comunidade inteira”, afirma Kislane.

    Povos indígenas que vivem em áreas de difícil acesso, assim como populações ribeirinhas, quilombola e rurais, também já estão sendo vacinados contra a raiva, por causa do risco maior de adquirir a doença após mordida de animais silvestres.

    Natália Diniz, que atua no polo da cidade de Boca do Acre, no Amazonas, também participou do curso em Rio Branco. Ela reconhece que é desafiador ter que passar mais de um mês longe de casa, a cada incursão, depois de navegar dias para chegar às comunidades, mas também revela uma satisfação especial:

    “No território extramuro, a gente é um convidado. E toda vez que chegamos como convidado na casa de alguém, precisamos pedir permissão, e tem que ter respeito com a rotina dessa casa. Quando a gente faz vacina nos territórios, não é só uma vacina. A gente está dando oportunidade para aquela pessoa ter um futuro com saúde e feliz”

    * Equipe viajou a convite da empresa MSD.

  • Países discutem solução para combustível fóssil e desmatamento ilegal

    Países discutem solução para combustível fóssil e desmatamento ilegal

    Países discutem solução para combustível fóssil e desmatamento ilegal

    As presidências da 30ª e da 31ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP) apresentaram, na Dinamarca, na última semana, a proposta preliminar para o Acelerador Global de Implementação Climática.

    A iniciativa lançada em novembro de 2025, em Belém, durante a COP30 sob a presidência do Brasil, prioriza ações com maior potencial, com capacidade de ganhar escala global e com mais velocidade de entrega de soluções de combate às mudanças do clima.

    Na prática, a intenção é transformar o debate de textos jurídicos em execução de soluções rápidas e reais na próxima conferência do clima, a ser promovida em conjunto com Turquia e Austrália (copresidentes da COP31), em Antália (Turquia), em novembro deste ano.

    A apresentação a representantes de cerca de 40 países deste diferencial estratégico, com maior pragmatismo econômico, ocorreu durante a reunião Ministerial do Clima de Copenhague, tradicionalmente realizada na capital dinamarquesa.

    O encontro de alto nível é o último antes das sessões de meio de ano da Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, em Bonn, na Alemanha, preparatórias para as COPs.

    Integrante da delegação brasileira, a CEO da COP30, Ana Toni, explicou, que o Acelerador é um mecanismo cooperativo e voluntário com o maior potencial de desencadear e produzir efeitos em cadeia.

    “A proposta é acelerar soluções, como tecnologias, procedimentos e metodologias, incluídas em Planos de Aceleração de Soluções nas diferentes iniciativas e objetivos da Agenda de Ação”, disse Ana Toni.

    Mapas do Caminho

    Os chefes de delegação também debateram temas como os Mapas do Caminho (Roadmaps) da Presidência da CPO30 sobre combustíveis fósseis e desmatamento até 2030, como acordado na COP28, em Dubai, em 2023.

    Ao todo, a Presidência da COP30 recebeu 444 contribuições para os mapas do caminho internacionais sobre combustíveis fósseis e desmatamento, após consulta realizada entre fevereiro e abril.

    O presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, garante que são conhecidas as soluções científicas e de invenção de novas tecnologias necessárias para limitar o aquecimento global à meta mais segura do Acordo de Paris (1,5°C acima dos níveis pré-industriais), mas que o desafio da crise climática envolve financiamento e transferência de tecnologia que permitam aos países implementar essas mudanças a tempo.

    “A Presidência da COP30 está se esforçando para trazer as melhores informações para que os debates sobre desmatamento e combustíveis fósseis tenham o melhor embasamento possível. Assim, os caminhos que forem traçados serão viáveis e permitirão acelerar o combate à mudança do clima”, disse o diplomata André Corrêa do Lago.

    Durante os dois dias de sessões, também foram abordados temas como a implementação das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), o futuro do regime climático e adaptação aos impactos da mudança do clima.

    Autocrítica

    Sobre o chamado “regime climático”, que é o conjunto de regras, tratados e conferências internacionais que gerenciam a crise climática global, a diretora de Clima da Secretaria de Clima, Energia e Meio Ambiente do Ministério das Relações Exteriores (MRE) do Brasil, a embaixadora Liliam Chagas, entende que há um movimento de amadurecimento dos países para que as negociações durante as COPs sejam mais focadas.

    A autocrítica dessas nações tem feito, de forma mais organizada, que estes países se concentrem em avançar, efetivamente em temas relativos à redução das emissões de gases de efeito estufa.

    “O regime está passando por uma fase de transição, da negociação, dos compromissos, para uma fase de implementação daquilo que já foi acordado”, destaca a embaixadora brasileira.

    A diretora ressalta que dez anos após o Acordo de Paris, adotado em 2015, durante a COP21, os países ainda mantêm e reforçam os compromissos de desenvolver políticas de combate à mudança do clima, planos nacionais de adaptação e de trabalhar para ter recursos financeiros globais que custeiem a transição para uma economia de baixo carbono.

  • Dengo, axé e samba: conheça palavras africanas no dia a dia do Brasil

    Dengo, axé e samba: conheça palavras africanas no dia a dia do Brasil

    Dengo, axé e samba: conheça palavras africanas no dia a dia do Brasil

    O dia a dia dos brasileiros é repleto de palavras derivadas de línguas africanas, principalmente dos troncos linguísticos banto e iorubá. Elas nomeiam comidas, sentimentos, partes do corpo e elementos culturais.

    O dia 25 de maio é o Dia da África, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) em referência à criação da Organização da Unidade Africana (OUA), em 1963.

    O babalaô (sacerdote de candomblé) Ivanir dos Santos, pedagogo, pesquisador brasileiro, doutor em História Comparada na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), destaca algumas dessas palavras e seus significados:

  • Aluá: Bebida fermentada
  • Axé: Energia, força vital ou saudação
  • Bagunça: Desordem, confusão
  • Berimbau: Instrumento musical de corda
  • Bunda: Nádegas
  • Caçula: Filho mais novo
  • Cafuné: Carinho na cabeça, acariciar
  • Dengo: Manha, carência
  • Fubá: Farinha de milho
  • Moleque: Menino
  • Quitanda: Pequeno comércio de hortaliças ou mercado
  • Samba: Gênero musical e dança
  • Xodó: Pessoa muito querida, apego
  • O trabalho de Ivanir dos Santos é reconhecido pela defesa dos direitos humanos, pelo combate ao racismo e à intolerância religiosa.

    Ajuste fonético

    O filólogo e linguista brasileiro Ricardo Stavola Cavaliere, membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), disse à Agência Brasil que o português do Brasil tem um vasto vocabulário de origem africana que cobre várias áreas da atividade social. Entre elas, citou “vatapá”, “dendê”, “moqueca” e “farofa” na culinária; “berimbau” e “cuíca” na música; “chimpanzé” e “camundongo” na fauna.

    Cavaliere ocupa a cadeira número 8 na ABL, para a qual foi eleito em abril de 2023.

    Segundo ele, normalmente essas palavras mantêm no português o significado da língua de origem, mas há casos como “samba”, que sofreu alteração semântica em português: de um tipo de dança passou a designar um gênero musical.

    “Evidentemente, as palavras de origem africana sofreram ajuste fonético ao ingressar no léxico do português”, comentou.

    No trato familiar, o professor Cavaliere citou a palavra “dengo” para designar a noção de carinho e afeto, além de “caçula”, que se refere ao filho mais novo. Segundo ele, a inclusão de palavras africanas no âmbito da família decorre da intensa presença de mulheres escravizadas nas atividades domésticas a partir do Primeiro Império.

    “A palavra cafuné, por exemplo, vinda do quimbundo e que designa o ato de coçar ou acariciar a cabeça, é típica dessa relação íntima de mulheres africanas no ambiente das famílias brasileiras no século 19”.

    Origens

    De acordo com o filólogo, inicialmente, as línguas que mais forneceram palavras foram o quimbundo, o umbundo e, em menor medida, o quicongo. São as línguas que chegaram com o largo fluxo do tráfico escravagista a partir da segunda metade do século 16. 

    A presença do quimbundo era tão expressiva que motivou o padre jesuíta Pedro Dias a escrever uma gramática dessa língua, publicada em 1697. A finalidade era facilitar seu aprendizado pelos padres que cumpriam missão no Brasil.

    A partir do século 18, intensificou-se o tráfico de pessoas escravizadas de etnia iorubá ou nagô, o que propiciou o aumento de palavras desse tronco linguístico, destacou Cavaliere.

    “Tais palavras são frequentes na denominada língua de santo, presente nos cultos do candomblé, tais como orixá, babalorixá, Ogum etc.”.

    Angola

    O pesquisador angolano Geovany Fernandes-Cattuco, ou simplesmente Gio Cattuco, como é mais conhecido nas redes sociais, é um criador de conteúdo digital que ganhou notoriedade por produzir conteúdos focados na expansão, valorização e divulgação da cultura angolana e africana.

    Um de seus principais focos de trabalho diz respeito à origem das palavras angolanas que acabaram sendo adotadas no vocabulário brasileiro. Alguns exemplos são as palavras “dengo”, que em português significa doçura, carinho, atenção, originária do termo ndengu, falado na língua kikongo, ou quicongo.

    Dessa mesma língua vem a palavra “muvuca”, derivada de mvuca, cujo significado é aglomeração.

    Da língua kimbundu, ou quimbundu, resultaram várias palavras inseridas no vocabulário brasileiro, entre elas “cambada” (do termo dikamba), cujo significado é amigo ou companheiro; “capanga” (kubanga), que significa lutar; “babá” (do verbo kubaba), equivalente a acalentar ou embalar uma criança para adormecer; “beleléu” (mbalale), sinônimo de sepultura ou campa em que se enterram as pessoas mortas; e “caçamba” (kisambu), espécie de cesto grande.

    Herança diária

    O professor de ciências humanas e mestre em ciências da educação Augusto Ribeiro sustenta que a herança africana está não só no vocabulário, mas na cultura brasileira e no jeito de falar do povo. Ele afirma que os brasileiros falam africano todos os dias e não percebem.

    Na avaliação de Ribeiro, “cada palavra é um pedacinho da história, uma resistência que atravessou o tempo e ainda vive na nossa fala”.

    A palavra “banguela”, ou sem dente, da língua kimbundu, é um exemplo do legado africano na língua falada no Brasil, indicou. Outras expressões e gírias são citadas também pelo professor, como mandinga, moleza, xingar, malandra, quindim, miçanga.

    Segundo Augusto Ribeiro, “falar é também resistir”. E acentua que a cultura negra está viva e valorizada no jeito e na fala do brasileiro. “A fala negra é preservada”, afiança.

    Tradição

    Para o professor Gilvan Muller de Oliveira, doutor em linguística pela Universidade de Campinas (Unicamp), a comemoração sobre o Dia da África não deve ressaltar o continente apenas como algo do passado do Brasil, quando havia escravizados.

    Para ele, a data deve ser comemorada mobilizando a nossa tradição como país com mais pessoas de origem africana em todo o mundo fora da África.

    “Mobilizando as nossas tradições oriundas de diversas partes da África, em diferentes momentos, para uma colaboração com o continente africano, para uma relação externa menos colonial que nós só temos com a Europa e Estados Unidos”, disse.

    Segundo o professor, isso pode ser feito por meio das universidades, com o objetivo de dar à população brasileira uma visão do que é a África de hoje, “do que são os países africanos de hoje, quais as oportunidades que eles nos abrem, quais benefícios essa relação bilateral pode nos trazer”. A meta é tornar viva essa tradição também no aprendizado que se faz com a população brasileira.

    O Ministério da Educação (MEC) realiza a partir desta segunda-feira (25), em Brasília, o 1º Fórum de Reitores Brasil-África. O objetivo é consolidar a educação superior como eixo central da relação bilateral entre o Brasil e os países do continente africano.

  • Enem 2026: inscrições começam nesta segunda; prazo vai até 5 de junho

    Enem 2026: inscrições começam nesta segunda; prazo vai até 5 de junho

    Enem 2026: inscrições começam nesta segunda; prazo vai até 5 de junho

    Estudantes de todo o país podem se inscrever para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026, a partir desta segunda-feira (25), no site do Enem. O prazo vai até 5 de junho.

    A taxa de inscrição é R$ 85 e o pagamento deve ser feito até 10 de junho. As provas serão aplicadas nos dias 8 e 15 de novembro.

    Inscrição automática

    Uma das novidades deste ano prevê que os alunos concluintes do ensino médio da rede pública terão inscrição automática no exame. Os estudantes do 3º ano serão inscritos a partir de dados encaminhados pelas redes de ensino.

    O aluno terá apenas que confirmar a participação no exame e escolher o idioma da prova de língua estrangeira que deseja fazer, informar o município onde quer fazer a prova, além de solicitar recursos de acessibilidade, se necessário.

    Mais locais de prova

    Para este ano, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), responsável pela aplicação do certame, estima aumentar para cerca de 10 mil o número de locais de prova em todo o país.

    Estima-se, conforme o ministério, que 80% dos alunos da rede pública façam as provas na própria escola em que estudam.

    O ministério informou que já estuda apoio de transporte e deslocamento para aqueles estudantes que precisarem fazer o exame em outras cidades.

    Com essas medidas, o MEC espera, pelo menos, que 70% dos concluintes das escolas públicas participem do Enem em 2026, consolidando o exame como parte importante da avaliação da educação básica.

    Enem

    O Enem avalia o desempenho escolar dos estudantes ao término da educação básica. A prova é considerada a principal forma de entrada na educação superior, por meio de programas federais como o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), o Programa Universidade para Todos (Prouni) e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

    As instituições de ensino públicas e privadas usam os resultados destas provas para selecionar estudantes.

    Desde o ano passado, o Enem voltou a ser aceito para certificação do ensino médio, no caso dos candidatos com 18 anos completos que alcancem a pontuação mínima em cada área do conhecimento e na redação.

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    Cronograma

  • Pagamento da taxa de inscrição: de 25 de maio a 10 de junho
  • Solicitação de tratamento por nome social: de 25 de maio a 5 de junho
  • Solicitação de atendimento especializado: de 25 de maio a 5 de junho
  • Resultado do atendimento especializado: 19 de junho
  • Recurso do atendimento especializado: de 22 a 26 de junho
  • Resultado do recurso: 3 de julho
  • Aplicação das provas: 8 e 15 de novembro
  • Desenrola Brasil: uso do FGTS para pagar dívidas começa nesta segunda

    Desenrola Brasil: uso do FGTS para pagar dívidas começa nesta segunda

    Desenrola Brasil: uso do FGTS para pagar dívidas começa nesta segunda

    Já disponível no aplicativo acesso ao saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) destinado à renegociação de dívidas no Novo Desenrola Brasil. A nova modalidade permitirá uso de até 20% do saldo do fundo ou até R$ 1 mil, prevalecendo o maior valor, para amortização ou quitação de débitos em atraso.

    A expectativa do governo é movimentar até R$ 8,2 bilhões em recursos do FGTS por meio do programa, de acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

    Segundo o governo federal, a adesão será feita diretamente pelas instituições financeiras após autorização do trabalhador no aplicativo do FGTS. Depois da renegociação da dívida, a Caixa Econômica Federal fará a transferência dos valores diretamente aos bancos responsáveis pelos contratos.

    O prazo estimado para formalização das operações é de até 30 dias após a consulta do saldo disponível.

    O banco também está definindo os procedimentos operacionais para que as instituições financeiras comecem a oferecer a modalidade na renegociação de débitos.

    Além da liberação do FGTS para o Novo Desenrola, o governo informou que mais de 10,5 milhões de trabalhadores receberão, em 26 de maio, valores residuais do saque-aniversário do fundo, liberados em várias rodadas desde o fim do ano passado.

    O desbloqueio adicional estimado é de R$ 8,4 bilhões e beneficiará trabalhadores demitidos sem justa causa entre 2020 e 2025. Os depósitos serão feitos automaticamente nas contas cadastradas no aplicativo do FGTS.

    Funcionamento

  • O trabalhador poderá usar até 20% do saldo do FGTS ou até R$ 1 mil, prevalecendo o maior valor;
  • Será necessário autorizar, pelo aplicativo do FGTS, o acesso das instituições financeiras aos valores disponíveis;
  • O uso do FGTS ocorrerá somente após a renegociação da dívida dentro do programa;
  • Não será necessário comparecer às agências da Caixa para concluir a operação;
  • Poderão ser usados recursos de contas ativas e inativas do FGTS, com prioridade para contas inativas.
  • Adesão

  • Trabalhadores com renda mensal até R$ 8.105;
  • Dívidas elegíveis incluem cartão de crédito, cheque especial e Crédito Direto ao Consumidor (CDC);
  • O uso do FGTS suspenderá temporariamente novos saques anuais e antecipações do saque-aniversário até a recomposição do saldo.
  • Saque residual

  • O crédito residual será pago em 26 de maio;
  • Cerca de 10,5 milhões de trabalhadores serão beneficiados;
  • A medida atende trabalhadores que aderiram ao saque-aniversário e foram demitidos entre 2020 e 2025;
  • Permanecerão bloqueados apenas valores vinculados a contratos de antecipação ainda ativos.
  • Saldo

  • Antes de 25 de maio, parte do saldo poderá deixar de aparecer temporariamente no aplicativo do FGTS;
  • Segundo o MTE, a alteração ocorrerá devido ao processamento interno necessário para liberação dos recursos;
  • Após o processamento, os valores residuais do saque-aniversário serão depositados automaticamente nas contas cadastradas pelos trabalhadores.
  • Agências internacionais atualizam regras de salvamento de migrantes no mar

    Agências internacionais atualizam regras de salvamento de migrantes no mar

    Agências internacionais atualizam regras de salvamento de migrantes no mar

    No marco dos 75 anos da Convenção da ONU sobre o Estatuto dos Refugiados, entidades globais revisaram o guia de conduta para operações de resgate em ambientes marítimos.

    A iniciativa surge diante de números alarmantes: mais de 3 mil pessoas morreram ou desapareceram em rotas marítimas no último ano. O material apresenta medidas concretas de salvamento e desembarque, alinhadas às normas do direito internacional.

    Tragédia humanitária no mar

    O secretário-geral da Organização Marítima Internacional, OMI, Arsenio Dominguez, lembra que há uma tragédia humanitária acontecendo nos oceanos, muitas vidas estão sendo perdidas em percursos arriscados.

    Segundo a Agência da ONU para Refugiados, Acnur, a rota do Mediterrâneo é uma das mais letais, com 1.953 desaparecidos ou mortas.

    No Sudeste Asiático, foram 892 casos entre mais de 6.500 refugiados rohingya que tentaram travessias inseguras.

    Já na África, 424 pessoas perderam vida na rota atlântica da África Ocidental.

    Direitos e deveres

    O desespero para encontrar segurança e estabilidade levam pessoas a arriscarem a sua vida e a dos familiares na ausência de vias mais seguras. A opinião é da diretora da Divisão Internacional de Proteção e Soluções da Acnur, Elizabeth Tan.

    O novo guia é uma ferramenta para auxiliar a conduta dos responsáveis no resgate de pessoas em perigo no mar. O documento detalha os direitos dos migrantes e refugiados naufragados e os deveres de comandantes de navios, armadores, autoridades estatais, companhias de seguros e todos os atores envolvidos em operações de salvamento marítimo.

    Fruto da cooperação entre a Acnur, a OMI, e a Câmara Internacional da Marinha Mercante, ICS, o documento reforça a necessidade de ações coletivas para evitar mais perdas de vidas.

    O mar deve ser tratado como um espaço humanitário e o resgate deve ser realizado sem discriminação, declaram as entidades parceiras.

  • Projeto cria política nacional de saúde mental para atingidos por desastres climáticos

    Projeto cria política nacional de saúde mental para atingidos por desastres climáticos

    Projeto cria política nacional de saúde mental para atingidos por desastres climáticos

    O Projeto de Lei 6151/25 cria uma política nacional para cuidar da saúde mental de pessoas atingidas por desastres ambientais e eventos climáticos extremos. A proposta, dos deputados Pompeo de Mattos (PDT-RS) e Fernanda Melchionna (Psol-RS), está em análise na Câmara dos Deputados.

    O texto cria a Política Nacional de Saúde Mental Climática. A proposta define saúde mental climática como o conjunto de políticas públicas para prevenir, reduzir e tratar impactos emocionais ligados a riscos e desastres climáticos.

    A política deverá ser integrada às áreas de saúde, assistência social, educação e defesa civil. Ela prevê atendimento psicossocial contínuo para pessoas afetadas, familiares, crianças, adolescentes, pessoas idosas, pessoas com deficiência, profissionais da linha de frente e comunidades expostas a riscos climáticos.

    As ações também deverão fazer parte dos planos de prevenção, resposta e reconstrução após desastres.

    O projeto também cria o Sistema Nacional de Saúde Mental Climática e os Centros de Resiliência, Cura e Reconstrução de Comunidades.

    O sistema deverá integrar ações, fortalecer serviços públicos, melhorar indicadores e divulgar conhecimento técnico e científico sobre o tema.

    Os centros deverão oferecer atendimento especializado, apoiar a reconstrução emocional e comunitária e servir como referência para equipes locais.

    Na justificativa do projeto, os autores afirmam que o Brasil enfrenta eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes e intensos. Segundo eles, o país ainda não tem uma política permanente e especializada para tratar os efeitos desses eventos na saúde mental das pessoas atingidas.

    “A proteção emocional das pessoas é parte indissociável da reconstrução do País”, afirmam os autores na justificativa.

    Próximos passos
    O projeto tramita em caráter conclusivo, pelas comissões de Integração Nacional e Desenvolvimento Regional; de Saúde; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

    Fonte: Agência Câmara de Notícias

  • Passageiros devem ficar atentos às novas regras para transporte de power banks em voos

    Passageiros devem ficar atentos às novas regras para transporte de power banks em voos

    Passageiros devem ficar atentos às novas regras para transporte de power banks em voos

    Quem pretende viajar de avião com carregadores portáteis deve ficar atento às novas regras para o transporte de carregadores portáteis (power banks) nas aeronaves. As medidas, adotadas pelas companhias aéreas, com base em diretrizes da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), alteram os procedimentos de segurança e estabelecem limites para o embarque desses equipamentos.

    Pelas novas regras, cada passageiro poderá transportar até dois equipamentos com capacidade de até 100 Wh, cerca de 27 mil mAh. Os aparelhos entre 100 Wh e 160 Wh dependem de autorização prévia da companhia aérea, feita no balcão do check-in. Já aparelhos acima desse limite não podem ser transportados em voos.

    Os passageiros devem ficar atentos também na acomodação. O power bank deverá ser transportado obrigatoriamente dentro da mochila, bolsa ou item pessoal, guardado sob o assento à frente do passageiro ou nos bolsões do assento. Esses equipamentos não poderão ser acomodados no compartimento superior, junto às malas de mão.

    As orientações também determinam que os power banks não devem ser conectados às entradas USB das aeronaves durante o voo. O envio dos carregadores na bagagem despachada continua proibido.

    As medidas foram adotadas seguindo recomendações da Organização da Aviação Civil Internacional (Oaci), que recebeu relatos de incidentes, como princípios de incêndio a bordo.

    Mais informações estão disponíveis no portal Tem Regra (https://temregra.com.br/) que reúne todas as informações sobre o transporte dos equipamentos e disponibiliza uma calculadora que converte a capacidade dos carregadores de mAh para Wh, ajudando os usuários a verificarem se os aparelhos estão dentro dos limites permitidos para embarque.

    O que muda para os passageiros

    – Cada passageiro pode transportar até dois power banks de até 100 Wh (cerca de 27 mil mAh);
    – Equipamentos entre 100 Wh e 160 Wh precisam de autorização;
    – Aparelhos acima de 160 Wh não podem ser transportados;
    – Devem permanecer na mochila, bolsa ou item pessoal durante o voo;
    – Não podem ser colocados no compartimento superior da aeronave;
    – Continua proibido o envio na bagagem despachada;
    – Não devem ser conectados às entradas USB da aeronave durante o voo.

  • Estudo da OIT evidencia falhas estruturais da IA na gestão de recursos humanos

    Estudo da OIT evidencia falhas estruturais da IA na gestão de recursos humanos

    Estudo da OIT evidencia falhas estruturais da IA na gestão de recursos humanos

    Os sistemas de Inteligência Artificial (IA) utilizados na gestão dos recursos humanos apresentam objetivos mal alinhados, baseando-se em dados de baixa qualidade e enviesados que prejudicam as empresas e os seus trabalhadores.

    Este conjunto de limitações estruturais foi identificado no artigo publicado em novembro de 2025 pela Organização Mundial do Trabalho, OIT, que sublinha os riscos jurídicos, éticos e práticos da aplicação destas tecnologias no trabalho.

    “Paradoxo da automação” 

    De acordo com Janine Berg – economista da OIT e coautora do artigo – a utilização destes novos sistemas constitui um autêntico “paradoxo da automação”, ao demonstrar que as soluções tecnológicas levantam sistematicamente novos desafios tecnológicos.

    A generalização das candidaturas online e o acesso à IA generativa provocaram um aumento substancial da quantidade de currículos recebidos. Por sua vez, a triagem de um número superior de profissionais veio impulsionar a adoção de sistemas de IA no processo de recrutamento das empresas.

    O artigo conclui que a eficácia dos sistemas utilizados na determinação da compensação, na elaboração de horários e na gestão do desempenho dos trabalhadores é condicionada por limitações nos dados, na programação e na definição de objetivos inadequados.

    Participação humana é essencial

    A economista da agência da ONU sublinha que as novas ferramentas de IA operam através de um nível elevado de autonomia e acrescenta que os recursos humanos nem sempre dispõem das capacidades necessárias para a sua operação e a interpretação dos seus resultados.

    Neste sentido, Janine Berg defende a participação ativa dos profissionais de recursos humanos no desenho, implementação e supervisão dos sistemas de IA, bem como no envolvimento dos trabalhadores no processo de elaboração de horários e na gestão do desempenho.

    A investigadora conclui que o envolvimento de todas as partes na geração dos sistemas de IA utilizados é essencial para garantir a transparência do seu objetivo e um funcionamento em função das condições das empresas e dos trabalhadores.

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