Autor: Redação – Portal AM

  • Tela Brasil: streaming público estreia com mais de 550 obras

    Tela Brasil: streaming público estreia com mais de 550 obras

    Tela Brasil: streaming público estreia com mais de 550 obras

    O governo lançou oficialmente neste sábado (30) a plataforma Tela Brasil, o streaming público e gratuito de audiovisual brasileiro.

    A iniciativa tem o objetivo de democratizar o acesso da população à cultura brasileira, a partir da ampliação do alcance da produção nacional.

    A plataforma coordenada pelo Ministério da Cultura e desenvolvido em parceria com a Universidade Federal de Alagoas vai disponibilizar filmes brasileiros sob demanda, com acesso integrado ao site Gov.br. 

    No lançamento do streaming, na Cidade das Artes, na zona Oeste do Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou que a plataforma é uma ferramenta de soberania cultural para que os brasileiros conheçam a si mesmos.

    “[A Tela Brasil} vai contribuir para a elevação da compreensão de um país chamado Brasil. Por que nós somos assim? Por que nós fazemos assim?”

    O presidente também criticou o excesso de conteúdos estrangeiros nas telas do país, que ele considera de baixa qualidade.

    “A quantidade de enlatados de má qualidade que a gente é obrigado a assistir toda noite, porque não tem outra coisa para a gente ver. O que não permite que a juventude brasileira tenha acesso à plenitude da cultura brasileira”, lamentou Lula.

    Rio de Janeiro (RJ), 30/05/2026 – Lançamento do Tela Brasil, na Cidade das Artes, com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, e o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil – Fernando Frazão/Agência Brasil

    O presidente também chamou a atenção para o desconhecimento sobre o peso econômico e a quantidade de empregos gerados pelo setor cultural brasileiro para o desenvolvimento econômico e profissional.

    “O mais importante é a gente conhecer o nosso país por dentro, conhecer a nossa cultura, a razão das coisas que fizeram a gente chegar onde nós chegamos”, disse Lula.

    Por fim, o presidente fez a conexão com outras políticas públicas de sua gestão, como o recém-lançado MEC Livros, que já conta com o acervo de mais de 25 mil livros. Ele destacou que o acesso à cultura, agora, faz parte da política de habitação do governo. “Todo o conjunto habitacional que a gente entregar, nesse país, vai ter uma biblioteca para que a pessoa tenha acesso à cultura.”

    O projeto contou com um investimento de R$ 9 milhões entre 2024 e 2025. Segundo o governo, o valor garantiu o licenciamento de um catálogo diversificado, desenvolvimento tecnológico próprio e ferramentas completas de acessibilidade.

    Histórias ainda não contadas

    Presente no lançamento, a ministra da Cultura, Margareth Menezes disse que a motivação de criar a plataforma foi fazer com que o povo brasileiro tenha acesso ao direito cultural.

    “Na questão do audiovisual, nós temos um gargalo ainda muito grande na questão da distribuição. Como fazer o povo ter acesso a tudo o que se produz, às coisas que são importantes, que referenciam o nosso país?

    Ela destacou que o audiovisual agrega todas as outras artes como a música, o desenho. “Todo mundo trabalha e tem essa representatividade. A nossa diversidade está no que a gente produz, só que o povo não tinha acesso.”

    Rio de Janeiro (RJ), 30/05/2026 – Lançamento do Tela Brasil, na Cidade das Artes, com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, e o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil – Fernando Frazão/Agência Brasil

    Em sintonia com o discurso do presidente Lula, a ministra celebrou a soberania, a miscigenação e a necessidade de resgatar o protagonismo das figuras históricas do país.

    “O povo que se conhece, o povo que se vê, ele se fortalece, porque nossas histórias são lindas. Temos os povos originários, os povos africanos, os povos europeus, as pessoas que construíram esse país, as histórias que nunca foram contadas.”

    Acervo da nova plataforma

    O acervo inaugural une conteúdos financiados pelo Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), obras guardadas por instituições do Sistema MinC, como a Cinemateca Brasileira, o Centro Técnico Audiovisual (CTAv), a Funarte e a Fundação Cultural Palmares.

    O foco é a diversidade, englobando o cinema negro, o cinema indígena, produções dirigidas por mulheres, e temas urgentes como justiça climática e sustentabilidade.

    A Tela Brasil já chega com acervo que cobre desde clássicos históricos de 1910 até produções contemporâneas, de 2025.

    Ao todo, a plataforma inicia com 555 obras audiovisuais brasileiras, divididas em:

  • 267 curtas-metragens;
  • 139 longas-metragens;
  • 85 médias-metragens ou telefilmes;
  • 64 obras seriadas.
  • Entre elas: A Hora da Estrela, de Suzana Amaral; Xica da Silva, de Cacá Diegues; Central do Brasil, de Walter Salles; e Cidade de Deus, de Fernando Meirelles.

    Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), de Glauber Rocha; Carandiru (2003), de Hector Babenco; e Olga (2004), de Jayme Monjardim, são outras obras de destaque.

    O catálogo inicial inclui 19 títulos que já representaram o Brasil na disputa pelo Oscar ao longo da história.

    Entre as categorias listadas pelo Ministério da Cultura estão obras para a infância, juventude, de artes e de brasilidade.

    Na parte de diversidade cultural, entrou a categoria Africanidades, que reúne obras audiovisuais que narram trajetórias, memórias e experiências da população negra no Brasil, entrelaçando ancestralidade e contemporaneidade.

    Acessibilidade é outro ponto central do projeto: todos os títulos selecionados via edital público contam com audiodescrição, legendagem descritiva e interpretação em Língua Brasileira de Sinais (Libras).

    “Importante destacar que tem pesquisa no meio sobre acessibilidade. São obras com três recursos de acessibilidade, que envolvem também discussão sobre preservação e memória. Há soluções tecnológicas e soluções jurídicas sobre regulamentação. É política pública baseada em pesquisa e evidência”, disse a professora Luciana Peixoto Santa Rita, que participou do projeto pela UFAL.

    Rio de Janeiro (RJ), 30/05/2026 – Lançamento do Tela Brasil, na Cidade das Artes, com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, e o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil – Fernando Frazão/Agência Brasil

    Perfis de utilização

    Para começar a navegar, o usuário precisa de uma conta ativa no sistema de login único do governo federal, o Gov.br. A plataforma tem duas formas de navegação:

    Perfil Cidadão: qualquer pessoa pode acessar de forma individual e gratuita a filmes, séries e documentários organizados por gêneros, formatos e categorias, além de criar uma lista de favoritos.

    Perfil Direcionado: criado especialmente para exibições coletivas e sem fins comerciais em salas de aula, cineclubes, pontos de cultura, bibliotecas e museus de todo o país.

    Numa primeira fase, a plataforma funciona diretamente no navegador de computadores (com opção de transmissão para Smart TVs). Os aplicativos para celulares (Android e iOS) serão disponibilizados em um prazo de 30 dias.

    Parcerias

    Durante o evento, também foi assinado um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) entre o Ministério da Cultura (MinC) e a TV Brasil, emissora pública da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) para expandir a oferta, a circulação de conteúdos e a integração das políticas públicas para o audiovisual brasileiro.

    A Tela Brasil foi desenvolvida com tecnologia brasileira, pelo Ministério da Cultura (MinC) com o apoio da Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

  • Embrapa produz em laboratório salmão, caviar e anéis de lula veganos

    Embrapa produz em laboratório salmão, caviar e anéis de lula veganos

    Embrapa produz em laboratório salmão, caviar e anéis de lula veganos

    Depois de 30 meses de pesquisa, o Laboratório de Nanobiotecnologia (LNANO) da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, com sede em Brasília, desenvolveu amostras de alimentos impressos com base vegetal, que mimetizam filé de salmão, caviar e anéis de lula.

    Além de copiar as formas dos alimentos, os protótipos – feitos em impressoras 3D da Embrapa – têm gosto e características nutricionais semelhantes à comida original.

    “Uma das coisas que buscamos foi avaliar o teor nutricional da carne animal em sua composição total. Atentos a três grupos principais – carboidratos, lipídeos e proteínas -, buscamos nos recursos vegetais ingredientes ou insumos que nos trazem a mesma quantidade em percentual de tecido animal”, explica a bióloga Cínthia Caetano Bonatto, pesquisadora bolsista no LNANO.

    Tintas alimentícias

    As amostras foram criadas com tintas alimentícias feitas a partir de proteínas vegetais, farinhas de leguminosas, óleos vegetais e de algas, nanoingredientes, corantes naturais e espessantes – usados para aumentar a viscosidade dos alimentos.

    De acordo com Cínthia Bonatto, as tintas alimentícias são constituídas por ingredientes “que, em sua maioria, são os mesmos que utilizamos na culinária na nossa residência.”

    Arca de Noé

    Parte desses insumos foi obtida nos Bancos Ativos de Germoplasma da Embrapa, uma espécie de “arca de Noé” que coleciona em 140 acervos o material genético de milhares de plantas, microorganismos e animais.

    Com o material genético do repositório da própria Embrapa, é possível elaborar alimentos de base vegetal com composição “o mais similar possível àquela encontrada nos animais”, descreve o pesquisador Luciano Paulino da Silva, que coordena projetos de impressão de alimentos.

    Com essa tecnologia, os pesquisadores conseguem “fazer o enriquecimento nutricional dos produtos impressos”, comenta a biotecnóloga Gabriela Mendes da Rocha Vaz, também pesquisadora bolsista no LNANO.

    Essa aplicação pode ser útil para o combate à fome e subnutrição. Em tese, a impressão de alimentos também pode evitar pesca predatória ou sofrimento no abate dos animais e ainda atender segmentos de públicos com restrições alimentares, por exemplo quem não quer comer carne.

    Vitrine

    Os alimentos criados no LNANO já foram experimentados por pessoas, conforme liberação de comissão de ética. Segundo Luciano Paulino da Silva, o experimento está “na vitrine da Embrapa”, mas ainda não tem data para ser lançado no mercado.

    A pesquisa da Embrapa foi financiada pelo Good Food Institute (GFI), uma organização global sem fins lucrativos que financia a criação de alimentos à base de plantas, com microorganismos em processo de fermentação, e a produção de carne cultivada a partir de células animais em laboratório.

    A exploração comercial vai depender do modelo de negócios: alimentos criados em impressoras domésticas para preparo em restaurantes ou ainda em escala industrial.

    Alimentos impressos já são comercializados na Austrália, nos Estados Unidos, em Israel e Singapura. No Brasil, pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) desenvolvem experimentos para a impressão de alimentos em parceria com a Escola de Medicina da Universidade Harvard, e com a Universidade de Tecnologia e Design de Singapura.

  • Cinco lagos amazônicos impactados pelas mudanças climáticas são monitorados por pesquisadores e comunidades tradicionais

    Cinco lagos amazônicos impactados pelas mudanças climáticas são monitorados por pesquisadores e comunidades tradicionais

    Cinco lagos amazônicos impactados pelas mudanças climáticas são monitorados por pesquisadores e comunidades tradicionais

    Desde 2025, o projeto “Lagos Sentinelas da Amazônia” desenvolve oficinas e ações de monitoramento ambiental e climático, aliadas à construção de soluções socioambientais para comunidades de cinco lagos da Amazônia brasileira impactados por eventos extremos climáticos registrados nos últimos anos. Entre eles está o Lago de Tefé, que ganhou repercussão internacional ao se tornar o epicentro da mortandade de botos decorrente da seca extrema de 2023.

    Além das oficinas realizadas com moradores dos cinco territórios, o projeto instalou quatro estações meteorológicas no Amazonas e uma no Pará. A iniciativa também implantou sensores para monitoramento do nível da água, oxigênio dissolvido e temperatura nos cinco lagos, além de realizar o acompanhamento contínuo da qualidade da água.

    Ao todo, 69 pesquisadores e 200 comunitários participam das atividades do projeto, que realiza oficinas e ações socioambientais e monitoramento ambiental em quatro lagos do Amazonas e um do Pará: Lago de Tefé, em Tefé; Lago de Coari, em Coari; Lago de Janauacá, em Manaquiri; Lago de Serpa, em Itacoatiara; e Lago Grande de Monte Alegre, em Monte Alegre (PA).

    Viabilizado pela chamada CNPq/MCTI/FNDCT nº 19/2024 – Pró-Amazônia, o projeto tem como principais apoiadores o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), além de reunir 15 instituições nacionais e internacionais parceiras.

    Oficinas fortalecem participação comunitária e ampliam alcance do projeto

    Entre outubro de 2025 e março de 2026, o projeto realizou oficinas de diagnóstico participativo nos cinco lagos monitorados, reunindo representantes de 52 comunidades ribeirinhas, quilombolas e tradicionais. As atividades foram coordenadas por pesquisadores do Instituto Mamirauá, da Universidade Federal do Amazonas, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia e da Universidade Federal do Oeste do Pará.

    As oficinas colaborativas tiveram como principal objetivo envolver os moradores para um diagnóstico socioambiental a partir das próprias percepções das comunidades. Por meio de rodas de conversa, escuta ativa e construção coletiva do conhecimento, comunitários e pesquisadores compartilharam experiências relacionadas ao saneamento, saúde, mudanças climáticas, governança local e monitoramento ambiental.

    Segundo Heloísa Pereira, pesquisadora do Instituto Mamirauá e coordenadora das oficinas, a proposta é aproximar a pesquisa científica da realidade vivida pelas populações amazônicas. “A meta principal foi identificar percepções sobre mudanças ambientais, desafios relacionados ao saneamento, uso da água, recursos naturais e condições de vida, além de fortalecer o engajamento comunitário nas etapas iniciais do projeto Lagos Sentinelas da Amazônia”, afirmou.

    Os encontros também evidenciaram os impactos das mudanças climáticas no cotidiano das comunidades. Moradores relataram dificuldades enfrentadas durante as secas extremas dos últimos anos, como escassez de água, mortalidade de peixes e dificuldades no transporte e na produção local.
    Durante as oficinas, os comunitários desenvolveram um documento de diagnóstico socioambiental. Mediado pelo projeto, o material reúne demandas, propostas de soluções e melhorias voltadas à construção de novas políticas públicas para seus territórios.

    No Lago de Tefé, o morador Sr. Ediney, da comunidade São Raimundo de Cima, relembrou os impactos da estiagem extrema registrada em 2024. “Esses anos que morei aqui, o lago seca, mas nunca tinha ficado como ficou no ano passado. Então isso pra mim não foi motivo nem de alegria, foi de tristeza de ver tantos peixes morrendo”, contou. O comunitário também destacou as dificuldades enfrentadas pelas famílias para manter a produção e o deslocamento na região durante a seca.

    Para os pesquisadores envolvidos, um dos principais resultados das oficinas foi a construção conjunta entre ciência e conhecimento tradicional. “As oficinas tiveram um forte envolvimento dos comunitários. A preocupação das lideranças comunitárias do Lago de Tefé sobre a crise ambiental atual é bastante clara, e ressalta a relevância do nosso projeto em construir junto a eles propostas de soluções concretas para os desafios vigentes”, destacou o pesquisador do Instituto Mamirauá e coordenador do projeto, Ayan Fleischmann.

    Além de elaborar documentos específicos para cada lago, o material produzido durante as oficinas deverá orientar futuras ações do projeto e fortalecer a capacidade das comunidades de reivindicar políticas públicas adequadas às realidades locais.

    Sentinelas das mudanças climáticas: unindo conhecimento científico local e acadêmico

    A realização das oficinas busca aproximar os ribeirinhos das estratégias do projeto para que, posteriormente, passem a integrar o monitoramento ao lado dos pesquisadores parceiros. A proposta é transformá-los em “sentinelas”, vigilantes dos lagos, por meio de treinamentos previstos para ocorrer ainda em 2026. A atuação operacional deve começar em 2027, com acompanhamento contínuo dos pesquisadores.

    Entre fevereiro e maio de 2026, cinco estações meteorológicas foram instaladas no Amazonas e no Pará: na comunidade Bom Jesus da Ponta da Castanha, no Lago de Tefé; na comunidade São Thomé do Patoá, no Lago de Coari; na comunidade Trilheiro, em Manaquiri, no Lago de Janauacá; e na comunidade Sagrado Coração de Jesus, no Lago de Serpa. No Pará, a instalação ocorreu no Lago Grande de Monte Alegre, na comunidade Aldeia, em abril de 2026.

    As estações irão coletar dados essenciais para a compreensão das condições climáticas em cada lago, como temperatura e umidade do ar, direção e velocidade do vento, radiação solar e volume de chuvas. A iniciativa deve transformar os grandes lagos monitorados em importantes “termômetros” dos efeitos das mudanças climáticas na Amazônia.

    Desde o início do ano, os pesquisadores do projeto já monitoram os níveis dos cinco lagos por meio de sensores e realizam coletas de água para verificar a qualidade e a temperatura em cada um deles.

    Sobre o projeto Lagos Sentinelas da Amazônia

    O projeto “Lagos Sentinelas da Amazônia: Centro Transdisciplinar para Compreensão das Dinâmicas Socioambientais e das Águas Amazônicas sob Mudanças Climáticas” é uma iniciativa que reúne pesquisadores, gestores públicos e comunidades ribeirinhas com o objetivo de compreender e monitorar, de forma colaborativa, os impactos das mudanças climáticas nos lagos da Amazônia Central e possíveis soluções, especialmente para comunidades que vivem no entorno.

    A iniciativa teve início diante dos cenários alarmantes enfrentados pela população e pelos ecossistemas amazônicos nos últimos anos. Lagos da região se mostraram particularmente sensíveis às mudanças climáticas, sendo impactados por secas extremas que ocasionaram a morte de diversas espécies, entre elas centenas de botos nos lagos de Tefé e Coari, no Amazonas, além de afetar a população que vive nessas regiões. Nesse contexto, devido ao fato de os lagos estarem em posições mais baixas na paisagem, eles funcionam como “sentinelas” porque recebem, abrigam, acumulam e refletem tudo o que está em seu entorno.

    O projeto é coordenado pelo pesquisador do Instituto Mamirauá, Ayan Fleischmann e é financiado pela chamada CNPq/MCTI/FNDCT nº 19/2024 – Pró-Amazônia, voltada à criação de Centros Avançados em Áreas Estratégicas para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia. O projeto também conta com apoio da Fundação Gordon e Betty Moore e WCS por meio da parceria com a Aliança Águas Amazônicas, da Fapeam, Sedecti e Governo do Amazonas, além da participação de 15 instituições nacionais e internacionais.

    Entre as instituições parceiras do projeto, estão: Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA), Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-Bio), Instituto Tecnológico Vale (ITV), Serviço Geológico do Brasil (SGB), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade de Brasília (UnB), Sociedade para a Pesquisa e Proteção do Meio Ambiente (Sapopema), Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD), Instituto Cary e Universidade Bangor e Universidade da Califórnia em Santa Bárbara (UCSB).

  • Hambúrguer é o item mais pedido no iFood e movimenta 150 milhões de pedidos no Brasil

    Hambúrguer é o item mais pedido no iFood e movimenta 150 milhões de pedidos no Brasil

    Hambúrguer é o item mais pedido no iFood e movimenta 150 milhões de pedidos no Brasil

    O hambúrguer segue como o item mais pedido no iFood no Brasil. Entre maio de 2025 e abril de 2026, foram realizados mais de 150 milhões de pedidos da categoria, um crescimento de 15% em relação ao período anterior, segundo dados do iFood Tendências, hub de inteligência e dados da plataforma.

    O levantamento reforça a relevância do lanche no delivery brasileiro, impulsionado pela consolidação do hábito de pedir comida por aplicativo e pela expansão das hamburguerias no ambiente digital.

    Atualmente, o iFood reúne mais de 230 mil hamburguerias cadastradas, número 4,4% superior ao registrado em todo o ano de 2025.

  • Trabalhadores planejam mais tempo com a família com fim da 6×1

    Trabalhadores planejam mais tempo com a família com fim da 6×1

    Trabalhadores planejam mais tempo com a família com fim da 6×1

    Passar um dia na praia com as filhas de 12 e 7 anos é a intenção da atendente de lanchonete Gessiane Roberto Vianna, de 28 anos, quando tiver mais um dia de descanso.

    Trabalhando de segunda a sábado, no centro da cidade do Rio de Janeiro, ela abre um sorriso quando comenta a aprovação do fim da jornada 6×1, pela Câmara dos Deputados, na noite desta quarta-feira (27). Os deputados deram o aval à proposta, que ainda precisa passar pelo Senado antes de começar a valer.

    >> Entenda a PEC que acaba com escala 6×1: mais tempo livre e mesmo salário

    “É minha mãe que dá café da manhã [para as filhas], que leva para a escola, que busca, porque eu não tenho tempo”, conta a atendente, de 28 anos.

    Além das 44 horas semanais, a jornada diária inclui ainda duas horas de transporte para ir e voltar da lanchonete, o que a afasta ainda mais da rotina familiar.

    “As meninas me cobram, me pedem para ir à praia, para sair com elas, ir a qualquer canto, mas eu nunca consigo”, lamentou.

    O trâmite para acabar com a escala 6×1 ainda depende do Congresso Nacional, mas os trabalhadores que passarão a ter dois dias de descanso remunerado na semana já fazem planos. Respirar o ar puro da Floresta da Tijuca ao lado do filho de 13 anos é o desejo do balconista Emerson Santos, de 43 anos.

    “Meu filho pede para irmos juntos. Esse é o nosso momento de lazer: subir a montanha, pegar uma cachoeira. Mas é raro”, relatou.

    Emerson, que atende em uma farmácia na zona sul do Rio, pretende aumentar a frequência dos passeios com as duas folgas, descanso que outras categorias já têm, lembra.

    > Saiba como votaram os deputados na PEC que acaba com a escala 6×1

    Família reunida

    Filhos também querem ficar mais tempo com os pais. Gerente de uma loja de calçados e bolsas no centro do Rio, Victor Pacheco, de 23 anos, que trabalha de segunda a sábado, conta que está mais aliviado pela mãe, de 50 anos, que trabalha 6×1 em uma fábrica de biscoitos.

    “Ela mora em Duque de Caxias e sai de casa às 9h da manhã para chegar duas horas depois em Madureira. Quando volta, correndo o risco de perder o último ônibus, é quase meia-noite”, revelou. “É uma correria enorme”.

    Quando a folga dos dois coincide, aos domingos, eles fazem um esforço para se verem.

    “Sábado, a gente trabalha. No domingo, quando a minha folga e a dela batem, a gente, de vez em quando, se organiza para se ver. Tem que ser bem planejado”, contou.

    Correndo contra o tempo também está Juliana de Mello*, de 21 anos, atendente de um quiosque de sorvete, de segunda a sábado. Com um bebê de 1 ano e 10 meses, ela anseia por mais tempo para a rotina básica da criança.

    “Ela quase ligou para a dona da loja, hoje, para saber como iria funcionar a nova escala”, brincou uma colega de trabalho.

    “Quero levar ao pediatra, levar para vacinar, coisas simples, ver crescer”, relatou Juliana à Agência Brasil. “A nossa expectativa é de que comece logo”, completou a jovem mãe.

    Com mais tempo, há quem também planeje se dedicar aos estudos. É o caso da atendente de banca de jornal Stephanie Gonzaga, de 34 anos.

    “Se tiver mais uma folga, eu posso focar no meu curso [técnico] de enfermagem”, disse. “Para estudar, tem que ter tempo e cabeça, né? Se você está muito cansada acaba abdicando de algo”, explicou.

    Escala sacrificante

    Em São Paulo, trabalhadores que conversaram com a Agência Brasil também comemoram o fim da 6×1 e destacaram a intenção de passar mais tempo com suas famílias, como Flávio Antunes, funcionário de uma papelaria na zona sul de São Paulo.

    “Eu, particularmente, queria muito o fim da 6×1. Quero ter mais tempo para meu filho e minha esposa”, revelou.

    A vigilante Celma Araújo, que trabalha na zona oeste da capital paulista, soube do resultado da votação no Congresso e também celebrou. Celma relatou que a mudança não deve afetá-la diretamente, mas que será boa para seu marido e filho.

    “Eles trabalham na 6×1 e reclamam muito. Não podem ficar com a família, não podem ir a um evento, nada”.

    O porteiro Everton França trabalha na zona norte de São Paulo. Ele é metalúrgico de formação, mas abandonou a profissão por considerar a escala 6×1 sacrificante.

    “Achei bom o fim da escala [6×1], porque vai abrir novas oportunidades. O pessoal que saiu dos empregos antigos devido à escala mais forte, vai poder voltar”, acredita.

    França se enquadra nessa categoria de pessoas: “Eu sou metalúrgico e saí porque a escala era muito puxada. Agora, com a 5×2, já estou pensando em ser metalúrgico de novo”.

    *Nome fictício para preservar a identidade da entrevistada.

  • TRT-11 anula justa causa de trabalhadora e condena empresa em R$ 155 mil por discriminação em demissão apenas de mulheres

    TRT-11 anula justa causa de trabalhadora e condena empresa em R$ 155 mil por discriminação em demissão apenas de mulheres

    TRT-11 anula justa causa de trabalhadora e condena empresa em R$ 155 mil por discriminação em demissão apenas de mulheres

    Uma trabalhadora, contratada como monitora de câmeras de segurança no sistema prisional de Manaus e demitida por justa causa sob a alegação de “falta de atenção” durante uma tentativa de captura de fios elétricos por detentos, conseguiu reverter a justa causa na Justiça do Trabalho. Com a anulação, a empresa de gestão prisional foi condenada a pagar R$ 155 mil, valor que inclui verbas rescisórias, indenização pelo período de estabilidade gestacional com reflexos em férias, 13º salário e Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), além de R$ 10 mil por danos morais e R$ 86,6 mil por danos materiais.

    A decisão foi dada pelo juiz André Fernando dos Anjos Cruz, da 16ª Vara do Trabalho de Manaus, e confirmada pela 1ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (AM/RR). O magistrado também determinou a expedição de ofício ao Ministério Público do Trabalho (MPT) para investigar possível discriminação de gênero, pois dez mulheres foram demitidas pelo mesmo motivo, enquanto o supervisor, homem e principal responsável pelo monitoramento, não sofreu qualquer penalidade.

    Conforme consta no processo, a funcionária foi admitida em agosto de 2024 como monitora de ressocialização e, em janeiro de 2025, passou a exercer a função de monitora das câmeras de segurança, substituindo outra trabalhadora de férias. Atuava em uma equipe de três pessoas responsável por monitorar 115 câmeras, operar os rádios, manter o livro de ocorrências e elaborar relatórios. Vinte dias depois foi demitida por justa causa junto com mais de dez mulheres da própria equipe e de outros turnos.

    Após a demissão, a trabalhadora ingressou na Justiça pedindo a anulação da justa causa, o pagamento das verbas rescisórias, o reconhecimento da estabilidade gestacional, indenizações por danos morais e materiais, horas extras pelo intervalo não concedido, além do reconhecimento de doença ocupacional com estabilidade e honorários advocatícios. A empresa, por sua vez, defendeu a validade da demissão por uma falha grave, alegando que a funcionária não teria observado nem informado uma tentativa de fuga. Também contestou a relação entre o trabalho e a doença ocupacional, negou a existência de assédio moral e rebateu as demais alegações.

    Sentença com perspectiva de gênero

    Ao analisar o caso, o juiz do Trabalho André dos Anjos aplicou o Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que orienta uma abordagem integrada para enfrentar causas estruturais e fatores de risco, como estereótipos e desigualdades nas relações de poder. Além disso, ouviu testemunhas e considerou a perícia médica realizada por especialista em Medicina do Trabalho.

    Com relação à reversão da dispensa por justa causa, o magistrado considerou que a demissão por justa causa foi desproporcional diante das circunstâncias: a trabalhadora era inexperiente na função, não recebeu treinamento adequado, enfrentava tarefas complexas e sobrecarregadas, e o supervisor presente também não percebeu a tentativa de fuga, mas não foi punido. Além disso, não houve advertência prévia nem prejuízos concretos para a empresa ou para o sistema prisional, o que reforçou a decisão de reverter a dispensa.

    “Adotando a perspectiva de gênero recomendada pelo CNJ, não há justificativa plausível para a disparidade de tratamento constatada no caso em tela, onde todas as dez pessoas demitidas por justa causa eram mulheres, enquanto o supervisor masculino presente durante um dos episódios não sofreu qualquer punição, apesar de também não ter percebido a movimentação suspeita dos detentos”, sublinhou.

    Doença ocupacional

    A trabalhadora alegou ter desenvolvido transtorno psiquiátrico em razão do trabalho no sistema prisional, mas a empresa contestou dizendo que o período foi curto e sem contato direto com detentos. A perícia médica, contudo, diagnosticou Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), apontou que o trabalho contribuiu em 50% para o problema e constatou incapacidade total e permanente para atividades em ambiente prisional.

    Com base no laudo, o magistrado reconheceu a existência de doença ocupacional com nexo concausal, quando as condições de trabalho não são a causa única, mas contribuem diretamente para o surgimento ou agravamento de uma doença. Diante da incapacidade total e permanente, fixou indenização por danos materiais em forma de pensão mensal equivalente a 10% do último salário, calculada pela expectativa de vida da trabalhadora (528 meses). Determinou ainda o pagamento em parcela única de R$ 86,6 mil.

    Estabilidade gestacional

    Na ação, a trabalhadora apresentou exame BetaHCG feito poucos dias após a dispensa, quando descobriu a gravidez, e, por conta disso, pediu estabilidade gestacional. A empresa contestou, alegando que, como a gravidez foi identificada apenas após a demissão, o exame isolado não seria suficiente para comprovar a gestação na data da dispensa. Sustentou ainda que a justa causa afastaria o direito à estabilidade.

    O juiz André dos Anjos, porém, entendeu que basta a empregada estar grávida no momento da dispensa imotivada para ter direito à reintegração. Como a justa causa foi anulada, a defesa da empresa não se sustentou, e o exame indicou que a concepção ocorreu ainda durante o contrato de trabalho. Por isso, foi reconhecido o direito à estabilidade gestacional e à indenização correspondente.

    Segunda instância

    Ao analisar a indenização por danos morais pela doença ocupacional, o juiz da 16ª Vara do Trabalho de Manaus havia fixado o valor em R$ 15 mil. A empresa recorreu e, nesse ponto, a segunda instância do TRT-11 reformou a decisão. Por unanimidade, os desembargadores da 1ª Turma, sob relatoria da desembargadora Eulaide Maria Vilela Lins, reduziram a indenização para R$ 10 mil, com fundamento nos princípios da proporcionalidade e razoabilidade. A sentença foi mantida quanto à reversão da justa causa, às indenizações por danos materiais e pela estabilidade acidentária.

  • Enem: estudante Pé-de-Meia é isento e pode receber R$ 200 extras

    Enem: estudante Pé-de-Meia é isento e pode receber R$ 200 extras

    Enem: estudante Pé-de-Meia é isento e pode receber R$ 200 extras

    Os estudantes participantes do Pé-de-Meia que participarem dos dois dias de prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e concluírem o ensino médio receberão um incentivo adicional de R$ 200. O benefício é válido apenas para os estudantes que são concluintes em 2026. O pagamento será efetuado após a confirmação da conclusão da etapa de ensino, na mesma conta bancária utilizada para o recebimento das demais parcelas do programa.

    As inscrições para o Enem 2026 estão abertas e seguem até 5 de junho, exclusivamente pela Página do Participante . O prazo também vale para solicitações de atendimento especializado e tratamento por nome social. As provas serão aplicadas pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) nos dias 8 e 15 de novembro, em todas as 27 unidades da Federação.

    Os estudantes concluintes do ensino médio da rede pública têm inscrição pré-preenchida automaticamente no sistema. No entanto, devem acessar a Página do Participante para complementar as informações, como o município onde desejam realizar as provas, escolher a língua estrangeira e, se necessário, solicitar atendimento especializado.

    Todos os participantes, inclusive aqueles que obtiveram isenção da taxa de inscrição, precisam realizar a inscrição no exame. Os estudantes não isentos deverão pagar a taxa de R$ 85 até o dia 10 de junho. O pagamento pode ser realizado por boleto bancário gerado na Página do Participante, Pix, cartão de crédito ou débito em conta corrente ou poupança, conforme a disponibilidade do banco.

    Orientações – O portal do Inep conta com uma página em que é possível encontrar as principais orientações para os participantes do Enem. Há também uma seção destinada às perguntas frequentes sobre o exame. Com isso, os interessados podem conferir os questionamentos mais comuns e os respectivos esclarecimentos.

    Cronograma

  • Inscrições: de 25 de maio a 5 de junho
  • Pagamento da taxa de inscrição: de 25 de maio a 10 de junho
  • Solicitação de tratamento por nome social: de 25 de maio a 5 de junho
  • Solicitação de atendimento especializado: de 25 de maio a 5 de junho
  • Resultado do atendimento especializado: 19 de junho
  • Recurso do atendimento especializado: de 22 a 26 de junho
  • Resultado do recurso: 3 de julho
  • Aplicação das provas: 8 e 15 de novembro
  • Enem – O Exame Nacional do Ensino Médio avalia o desempenho escolar dos estudantes ao término da educação básica. Ao longo de mais de duas décadas de existência, o Enem tornou-se a principal porta de entrada para a educação superior no Brasil, por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), do Programa Universidade para Todos (Prouni) e do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

    Instituições de ensino públicas e privadas também utilizam o Enem para selecionar estudantes, como critério único ou complementar aos processos seletivos. Os resultados individuais do Enem podem ainda ser aproveitados nos processos seletivos de instituições portuguesas que possuem convênio com o Inep para aceitarem as notas do exame. Os acordos garantem acesso facilitado às notas dos estudantes brasileiros interessados em cursar a educação superior em Portugal.

  • Municípios do AM vão receber a 1ª parcela do FTI para fortalecer a saúde no interior

    Municípios do AM vão receber a 1ª parcela do FTI para fortalecer a saúde no interior

    Municípios do AM vão receber a 1ª parcela do FTI para fortalecer a saúde no interior

    o pagamento da primeira parcela dos recursos do Fundo de Fomento ao Turismo, Infraestrutura, Serviços e Interiorização do Desenvolvimento do Amazonas (FTI), destinada ao fortalecimento da saúde pública nos 61 municípios do interior do estado. A transferência faz parte de um investimento total de R$ 160 milhões pelo Governo do Amazonas ao longo de 2026.

    Nesta etapa, serão repassados R$ 53,3 milhões às prefeituras municipais para reforçar os serviços de assistência e ampliar a capacidade de atendimento à população. O repasse de recursos do FTI foi publicado no Decreto 54.239.

    Os recursos serão repassados em três parcelas, garantindo apoio financeiro direto às prefeituras para fortalecer a rede municipal de saúde e ampliar a oferta de serviços em todas as regiões do estado.

    O repasse do FTI integra a estratégia do Amazonas de ampliar o financiamento da saúde no interior e fortalecer a assistência prestada à população nos municípios mais distantes da capital. A medida busca oferecer mais autonomia às gestões municipais para investir em custeio, manutenção de serviços, aquisição de insumos e melhoria da estrutura de atendimento.

    Critérios

    Os recursos serão distribuídos seguindo critérios que combinam equilíbrio regional e proporcionalidade. Parte do valor é destinada de forma igualitária aos municípios, outra parcela considera o tamanho da população de cada cidade e uma terceira leva em conta os municípios que atuam como polos regionais de atendimento, concentrando serviços de saúde para localidades vizinhas.

    A iniciativa reforça o processo de interiorização da saúde e amplia a capacidade dos municípios de responder às demandas locais, reduzindo a necessidade de deslocamentos frequentes para Manaus em busca de atendimento especializado e fortalecendo a resolutividade da rede assistencial no interior.

    O investimento se soma, também, a outras ações implementadas pelo Governo do Amazonas para ampliar o acesso da população aos serviços de saúde, incluindo programas de fortalecimento da rede hospitalar com criação de leitos de UTI, expansão da Telessaúde, que hoje alcança todos os municípios, ampliação do serviço de UTI aérea, Carretas da Saúde, Barco Hospital, entre outras medidas.

    O novo repasse do FTI se soma à Repactuação da Saúde no Interior, política inédita que passou a garantir investimentos contínuos para a média e alta complexidade e para a assistência farmacêutica. Desde o ano passado, o Governo do Amazonas já repassou fundo a fundo R$ 184,8 milhões, por meio do Termo de Compromisso de Gestão (TCG), para fortalecimento da assistência em saúde no interior do estado, sendo R$ 135,8 milhões em 2025, e R$ 49 milhões em 2026.

  • Campeonato de cubo mágico chega ao Shopping Ponta Negra neste fim de semana

    Campeonato de cubo mágico chega ao Shopping Ponta Negra neste fim de semana

    Campeonato de cubo mágico chega ao Shopping Ponta Negra neste fim de semana

    A cidade de Manaus recebe, neste sábado (30) e domingo (31), mais uma edição do Circuito dos Shoppings, com a segunda etapa do campeonato de cubo mágico, que reunirá competidores em disputas oficiais reconhecidas pela World Cube Association (WCA). O evento acontece no piso L2 do Shopping Ponta Negra, na zona Oeste, com entrada gratuita para o público.

    A competição integra uma série de etapas realizadas em Manaus. Agora, os participantes disputam a fase decisiva no Shopping Ponta Negra, que também definirá os campeões gerais do Circuito dos Shoppings. As inscrições para os competidores seguem abertas até as 23h59 desta quarta-feira (27), por meio do site oficial da WCA: https://www.worldcubeassociation.org/competitions/CDSEtapaPontaNegra2026

    A coordenadora de marketing do Shopping Ponta Negra, Luana Coelho, afirma que a expectativa é receber um grande público durante os dois dias de competição. Para ela, o campeonato deve chamar a atenção pela velocidade das provas e agilidade dos competidores com o cubo mágico.

    “Receber uma etapa do Circuito dos Shoppings é uma forma de aproximar o público de um universo que mistura raciocínio lógico, concentração e entretenimento. É um evento que deve atrair desde competidores experientes até famílias e curiosos que querem acompanhar de perto as disputas”, afirmou.

    Ao todo, o campeonato contará com seis modalidades oficiais, que variam entre diferentes tipos de cubo mágico e formatos de disputa. Entre elas, estão os tradicionais cubos 2×2 e 3×3, além da categoria 3×3 One-Handed (OH), em que o participante monta o cubo usando apenas uma mão. A programação também inclui desafios com cubos de formatos diferentes, como o Megaminx, que possui 12 lados, o Pyraminx, em formato de pirâmide, e o Skewb, conhecido pelos movimentos em diagonal.

    Além das disputas principais, a modalidade 3×3, considerada a mais tradicional do cubo mágico, terá premiações especiais para categorias divididas por idade e perfil dos participantes, como Mirim, Infantil, Juvenil, Estreantes e Feminino.

    A competição terá limite de 100 participantes e seguirá as regras oficiais da WCA, organização internacional responsável pelos campeonatos de cubo mágico ao redor do mundo. Os três primeiros colocados de cada modalidade receberão medalhas oficiais, além de certificados de participação para os competidores que concluírem ao menos uma rodada.

    O evento é organizado pela Associação Amazonense de Cubo Mágico (AACM), em parceria com a WCA. Mais informações estão disponíveis no site oficial da competição: https://www.worldcubeassociation.org/competitions/CDSEtapaPontaNegra2026

  • Estudo mapeia 13 perfis de jovens mais vulneráveis a desigualdades

    Estudo mapeia 13 perfis de jovens mais vulneráveis a desigualdades

    Estudo mapeia 13 perfis de jovens mais vulneráveis a desigualdades

    Dificuldade de continuar os estudos, trabalhos informais, violência urbana e cyberbullying são alguns dos desafios enfrentados por jovens vulneráveis de diferentes grupos, segundo o estudo Juventudes Brasileiras Minorizadas, divulgado nesta terça-feira (26). 

    O trabalho reúne 14 artigos produzidos por especialistas de diferentes áreas, além do relato de jovens que enfrentam a desigualdade no acesso a direitos. A publicação foi realizada pela Fundação Roberto Marinho, a Fundação Itaú – Itaú Educação e Trabalho, o Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

    A pesquisa reúne análises sobre 13 perfis de juventudes vulnerabilizadas e aponta que desigualdades estruturais de raça, renda, gênero e território seguem comprometendo o acesso a direitos básicos e oportunidades.

    Entre os grupos analisados estão juventudes negras, indígenas, quilombolas, rurais, LGBTQIAPN+, jovens mães, pessoas com deficiência, adolescentes submetidos ao trabalho infantil e jovens refugiados.

    Acesso à educação

    Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua 2025 utilizados no estudo, o Brasil tem mais de 46,5 milhões de jovens entre 15 e 29 anos. Desse total, 7,9 milhões estão fora da escola sem concluir a educação básica: o equivalente a 17% da população jovem. Entre eles, sete em cada dez são negros.

    A pesquisa aponta ainda que 11,9 milhões de jovens vivem em situação de pobreza. Entre os jovens em extrema pobreza, 74,9% são negros, e mulheres negras representam 40% da juventude pobre do país.

    Para os pesquisadores, fatores como dificuldade de acesso à internet, longos deslocamentos, necessidade de conciliar estudo e trabalho e inserção precoce em ocupações precárias aprofundam desigualdades históricas.

    A superintendente de conhecimento da Fundação Roberto Marinho, Rosalina Soares, define que, ao escutar os jovens e reunir evidências sobre diferentes perfis de juventudes brasileiras, o trabalho busca contribuir para que políticas públicas sejam construídas considerando suas vozes.

    “Por trás dos indicadores existem trajetórias reais, sonhos interrompidos e desafios cotidianos muitas vezes atravessados por desigualdades persistentes”.

    Juventude rural

    O estudo destaca que as desigualdades aparecem de forma ainda mais intensa entre jovens de territórios vulnerabilizados.

    Nas áreas rurais, por exemplo, 33% dos jovens estão fora da escola sem concluir a educação básica, percentual duas vezes maior do que o registrado nas áreas urbanas. A informalidade também atinge 69% das juventudes rurais, contra 41% dos jovens urbanos.

    Entre indígenas, a taxa de analfabetismo é três vezes maior do que entre não indígenas. Além disso, apenas 42% dos jovens indígenas de 18 a 29 anos concluíram o ensino médio.

    Já entre quilombolas, apesar do crescimento das matrículas em escolas quilombolas, cerca de 30% dos estudantes apresentam atraso escolar.

    Discriminação e violência

    A publicação também chama atenção para os impactos da violência e da discriminação nas trajetórias educacionais e profissionais.

    Jovens negros são vítimas de violência urbana em proporção quatro vezes maior do que jovens brancos. No caso das juventudes LGBTQIAPN+, o estudo aponta que agressões verbais, físicas e casos de cyberbullying afetam diretamente a permanência escolar.

    Segundo a chefe de Educação do Unicef no Brasil, Mônica Dias Pinto, as desigualdades exigem políticas públicas articuladas para garantir permanência escolar e inclusão produtiva.

    “Quando olhamos para as juventudes no Brasil, fatores interseccionais como cor, raça e renda ajudam a explicar por que as oportunidades não chegam do mesmo jeito para todas e todos”, disse.

    A relação entre escolaridade e inserção profissional também aparece entre jovens mães. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde de 2019 mostram que, na faixa etária de 15 a 19 anos, 60,8% dos jovens com filhos estão fora da escola sem concluir os estudos.

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