Autor: Redação – Portal AM

  • Fraudes ligadas à Copa quase dobram e acendem alerta para 2026

    Fraudes ligadas à Copa quase dobram e acendem alerta para 2026

    Fraudes ligadas à Copa quase dobram e acendem alerta para 2026

    As tentativas de fraude relacionadas ao futebol e à Copa do Mundo avançaram de forma significativa no ciclo que antecede o Mundial de 2026, que começa nesta semana. Levantamento da NordVPN, provedor de serviços de rede privada virtual, aponta que 34% dos brasileiros que utilizam internet relataram contato com golpes ligados ao tema em 2024 e 2025. O número representa quase o dobro dos 19% registrados antes da Copa de 2022.

    O aumento ocorre em um cenário de maior sofisticação dos ataques digitais, impulsionados principalmente pelo uso de inteligência artificial generativa, que reduziu drasticamente o tempo necessário para a criação de golpes e páginas falsas. Nos últimos três meses, as reclamações no Procon-SP relacionadas à Copa do Mundo multiplicaram-se por oito.

    Entre os principais indicadores do avanço das fraudes estão:

  • 34% dos internautas tiveram contato com golpes ligados ao futebol em 2024 e 2025;
  • 19% relataram situações semelhantes no ciclo da Copa de 2022;
  • 238 reclamações foram registradas pelo Procon-SP entre março e maio de 2026;
  • As queixas no órgão saltaram de 19 em março para 63 em abril e 156 em maio.
  • Fraudes mais rápidas

    A principal diferença entre os cenários de 2022 e 2026 está na velocidade de execução dos golpes. Há quatro anos, criminosos precisavam de mais tempo e conhecimento técnico para montar sites fraudulentos e campanhas de phishing.

    Agora, com ferramentas de inteligência artificial amplamente disponíveis, esse processo passou a ser realizado em poucas horas.

    “Hoje, com ferramentas de inteligência artificial generativa acessíveis a qualquer pessoa, esse ciclo caiu para poucas horas”, afirma Marcelo Souza, vice-presidente de Produto da Certta, empresa de verificação inteligente que unifica soluções antifraude em uma única plataforma.

    Além da rapidez, os golpes se tornaram personalizados. Em vez de campanhas massificadas, criminosos utilizam dados vazados, como Cadastro de Pessoas Físicas (CPF), e-mail e histórico de compras, para criar abordagens direcionadas às vítimas.

    Pix muda cenário

    Outra transformação importante ocorreu nos meios de pagamento. Se em 2022, cartões e boletos ainda predominavam, em 2026, o Pix passou a ocupar posição central nas fraudes.

    Segundo Marcelo Souza, a instantaneidade das transferências dificulta a recuperação dos recursos após a concretização do golpe.

    “O Pix também muda a equação de forma bastante concreta. A instantaneidade e a irreversibilidade da transação eliminam a janela de reação”, destaca.

    Os criminosos também passaram a criar marcas fictícias que se apresentam como parceiras oficiais do evento e a infiltrar-se em grupos legítimos de colecionadores e torcedores para conquistar confiança antes de aplicar os golpes.

    Redes sociais

    Segundo o levantamento da NordVPN, as redes sociais seguem como principal porta de entrada para as fraudes relacionadas à Copa.

    Os canais mais utilizados pelos golpistas são:

  • Instagram: 51% dos casos;
  • WhatsApp: 48%;
  • Facebook: 35%;
  • TikTok: 26%.
  • Entre as modalidades mais frequentes estão apostas ilegais, venda de ingressos falsos e comercialização de produtos falsificados.

    Mercado de figurinhas

    As fraudes relacionadas à Copa do Mundo não se limitam à internet, mas também abrangem o comércio real, como constatado pelo Procon-SP.

    As principais ocorrências registradas no órgão de março a maio foram:

  • 115 casos de não entrega ou atraso;
  • •34 casos de oferta não cumprida ou venda enganosa;
  • 24 casos de produtos incompletos ou diferentes do anunciado.
  • As reclamações específicas sobre figurinhas e álbuns da Copa saltaram de zero em março para 34 em abril e 109 registros em maio. As denúncias estão concentradas em anúncios enganosos e falsificações em marketplaces e grupos de mensagens.

    Crise de confiança

    Para Marcelo Souza, a popularização da inteligência artificial também criou um novo desafio para consumidores e empresas: a dificuldade em distinguir conteúdos autênticos de materiais manipulados.

    “Imagens, vídeos e documentos já não são sinônimo de verdade na internet, isso gera uma crise de confiança digital”, afirma.

    Segundo ele, a resposta passa pela adoção de sistemas mais avançados de autenticação e monitoramento de comportamento dos usuários.

    “Se os cibercriminosos alteram suas táticas em questão de horas, por que muitas companhias ainda levam semanas ou meses para atualizar regras de prevenção?”, questiona.

    Para o executivo, a proteção dependerá cada vez mais da verificação de identidade e da capacidade de detectar comportamentos fora do padrão em tempo real. “A confiança real se constrói na camada de identidade, no reconhecimento do usuário e na capacidade de reagir de forma proporcional quando algo foge do padrão”, conclui.

    Recomendações

    O Procon-SP elaborou as seguintes orientações aos consumidores para evitar cair em golpes:

  • Pesquisar a reputação da loja ou vendedor;
  • Desconfiar de ofertas com preços muito abaixo do mercado;
  • Verificar informações como Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), endereço e canais de atendimento;
  • Guardar anúncios, comprovantes de pagamento e conversas realizadas;
  • Conferir prazo de entrega, política de troca e condições da oferta;
  • Em compras de figurinhas e produtos colecionáveis, verificar se o item é oficial e se há identificação clara do fornecedor.
  • Registrar reclamação no Procon mais próximo.
  • Em relação às compras via internet, Marcelo Souza, da Certta, recomenda estratégias adicionais:

  • Ignorar gatilhos de “urgência”, como contadores regressivos, e preços excessivamente abaixo do mercado;
  • Checar se o CNPJ exibido no site condiz com o setor de varejo: evitar “CNPJs fantasmas” de consultoria ou construção civil;
  • Verificar data de criação do domínio (por meio de serviços WHOIS): sites criados há menos de 30 dias são sinais fortíssimos de fraude;
  • Evitar sites que só aceitam Pix: plataformas idôneas oferecem múltiplas formas de pagamento (cartão, boleto), que permitem contestação.
  • Carbono azul ganha espaço na agenda climática dos oceanos

    Carbono azul ganha espaço na agenda climática dos oceanos

    Carbono azul ganha espaço na agenda climática dos oceanos

    Na corrida para frear as emissões causadoras do aquecimento global, ambientalistas chamam a atenção para um aliado pouco lembrado: o “carbono azul”. No Dia Mundial dos Oceanos, celebrado nesta segunda-feira (8), especialistas destacam o papel dos ecossistemas costeiros no enfrentamento das mudanças climáticas.

    O conceito de carbono azul se refere ao dióxido de carbono (CO₂) capturado e armazenado por ambientes marinhos, como manguezais, marismas (pântanos de água salgada) e pradarias. Esses ambientes funcionam como sumidouros do gás carbônico, ao retirá-lo da atmosfera, reduzindo os impactos do aquecimento global.

    “O oceano absorve cerca de 30% das emissões globais de CO₂ e produz mais da metade do oxigênio que respiramos, de acordo com dados da SOS Oceano”, diz Natali Piccolo, diretora do Programa Costeiro Marinho da Conservação Internacional (CI-Brasil).

    “A Amazônia é comumente chamada de ‘pulmão do mundo’, mas o oceano cumpre o equivalente a esse papel. O que não descarta, claro, a importância da floresta tropical na regulação do clima”, completa.

    Além disso, essas vegetações costeiras fornecem abrigo para a biodiversidade, sustentam a pesca artesanal e ajudam a proteger comunidades costeiras contra erosão, ressacas e eventos climáticos extremos.

    Costa brasileira

    O Brasil abriga o maior sistema contínuo de manguezais do mundo, na costa da Amazônia, condição que coloca o país em posição estratégica para liderar soluções baseadas na natureza voltadas ao enfrentamento da crise climática.

    Porém, para a analista de conservação do WWF-Brasil, Marina Corrêa, o oceano recebe menos atenção do que outros biomas brasileiros.

    “O mar ainda é, em muitos aspectos, o sistema invisível da conservação brasileira. Historicamente, o oceano foi tratado como uma imensidão azul vazia, quando na verdade é um território vivo, cheio de biodiversidade, cultura, trabalho e modos de vida”, diz a analista.

    Ela lembra que o Sistema Marinho-Costeiro brasileiro ocupa cerca de 5,7 milhões de quilômetros quadrados, equivalente a aproximadamente 40% do território nacional, e que mais da metade da população vive nesse ecossistema. Ainda assim, Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica concentram a maior parte da atenção pública, política e financeira voltada à conservação.

    Povos tradicionais

    O crescimento do interesse por projetos de carbono azul também tem levantado discussões sobre direitos territoriais e participação das comunidades tradicionais. Para a analista da WWF-Brasil, resultados duradouros dependem do respeito aos direitos territoriais e repartição justa dos benefícios gerados.

    “O sucesso dessas iniciativas não deve ser medido apenas pela quantidade de carbono armazenado, mas também pela capacidade de fortalecer territórios, conservar a biodiversidade e melhorar a qualidade de vida das pessoas que historicamente cuidam desses ecossistemas”, diz Marina Corrêa.

    Quando degradados, esses ambientes deixam de oferecer serviços essenciais, como a manutenção dos estoques pesqueiros, a proteção natural da costa e a conservação da biodiversidade.

    A destruição desses ecossistemas também pode liberar para a atmosfera o carbono acumulado ao longo de décadas ou séculos, agravando o aquecimento global.

    Além do carbono

    Para organizações ambientais, proteger os oceanos significa também proteger empregos, segurança alimentar, culturas tradicionais e formas de subsistência construídas ao longo de gerações.

    “Globalmente, a maior renda do oceano é gerada pela pesca, que sustenta 100 milhões de empregos e produz 80 milhões de toneladas de pescado marinho, além de 30 milhões de toneladas da aquicultura marinha, o que sustenta a segurança alimentar de milhares de pessoas, por fornecer proteína de alta qualidade”, diz Natali Piccolo.

    No Brasil, cerca de 1,7 milhão de pescadores artesanais dependem diretamente da saúde dos ecossistemas marinhos, segundo o Registro Geral da Atividade Pesqueira, do Ministério da Pesca e Aquicultura.

    Nesse sentido, o trabalho conjunto de instituições públicas com organizações da sociedade civil é essencial para garantir um futuro mais promissor para os oceanos.

    “Nossa atuação é sistêmica, para preencher as lacunas da proteção, manejo e restauração dos ecossistemas marinhos (manguezais, recifes de corais, restingas), enquanto ajudamos os povos do mar a prosperarem, bem como a sociedade brasileira a desenvolver o conhecimento e a experiência do oceano”, diz Natali Piccolo, da CI-Brasil.

    Marina Corrêa, da WWF Brasil, explica que a estratégia da organização para os próximos anos está organizada em quatro grandes frentes: fortalecimento das áreas marinhas protegidas, conservação e restauração de recifes de coral (ecossistema mais vulnerável às mudanças climáticas), promoção de uma transição energética justa e incidência política para fortalecer a governança dos oceanos no Brasil e internacionalmente.

  • Mulher se pronuncia sobre caso no Adrianópolis e contesta informações divulgadas

    Mulher se pronuncia sobre caso no Adrianópolis e contesta informações divulgadas

    Mulher se pronuncia sobre caso no Adrianópolis e contesta informações divulgadas

    A mulher envolvida na confusão registrada no bairro Adrianópolis, zona centro-sul de Manaus, se manifestou publicamente. Neste sábado (6), ela contestou informações que circularam nas redes sociais e em parte da imprensa após a divulgação de vídeos do episódio.

    Identificada como Rosi, de nacionalidade venezuelana, ela afirmou que não é garota de programa, como divulgaram inicialmente. A princípio, a mulher declarou que trabalha com a venda de bolos e o homem que aparece de blusa preta nas imagens é seu ex-companheiro e pai de seu filho. Já o outro envolvido é seu atual companheiro, que trabalha como mototaxista.

    O caso ganhou repercussão após vídeos mostrarem uma briga envolvendo os três em via pública. Nas imagens, o ex-companheiro se aproxima e inicia uma agressão contra o atual parceiro da mulher, gerando uma luta corporal que chamou a atenção de moradores e comerciantes da região.

    Em vídeo publicado nas redes sociais, Rosi pediu que as pessoas parem de atacar a imagem do mototaxista, que, segundo ela, vem sendo alvo de comentários ofensivos desde a divulgação do caso.

    “Ele não é assaltante, nem vagabundo, nem pilantra, como estão falando”, declarou.

    Sem gravidade

    A mulher também afirmou que as informações sobre a gravidade dos ferimentos não correspondem à realidade. Segundo ela, tanto ela quanto o atual companheiro sofreram apenas lesões superficiais durante a confusão.

    “Eu não estou ferida, como todo mundo está falando. Tenho feridas leves. Não estamos gravemente feridos. Temos feridas superficiais”, afirmou.

    Rosi também contestou a narrativa de que ocorreu uma tentativa de homicídio. Ela alegou que a circunstância decorreu de uma reação emocional do ex-companheiro.

    Apesar da nova versão apresentada pela mulher, as circunstâncias da ocorrência ainda devem ser apuradas pelas autoridades. Até o momento, não houve divulgação oficial de um posicionamento da Polícia Civil sobre as declarações feitas após a repercussão do caso.

  • Homem ataca ex-companheira a facadas no Adrianópolis

    Homem ataca ex-companheira a facadas no Adrianópolis

    Homem ataca ex-companheira a facadas no Adrianópolis

    Um homem atacou a ex-companheira e o suposto cliente dela a facadas na manhã desta sexta-feira (5), no bairro Adrianópolis, Zona Centro-Sul de Manaus.

    Segundo informações preliminares, a mulher, identificada apenas como Patrícia, afirmou que o agressor é seu ex-companheiro. Nas imagens, o suspeito chega em uma motocicleta usando capacete e parte diretamente para cima do homem que estava com ela, desferindo diversos golpes de faca.

    Ao tentar impedir a agressão, Patrícia também acabou ferida. Durante a luta, os três caíram no chão, mas o suspeito continuou atacando a vítima e chegou a utilizar o capacete para agredi-la.

    O homem sofreu perfurações no lado direito do tórax e na coxa esquerda. A violência só foi interrompida após a intervenção de populares, que conseguiram conter o agressor momentaneamente. Apesar disso, ele conseguiu fugir antes da chegada da polícia.

    As duas vítimas foram socorridas e encaminhadas ao Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto.

    A Polícia Civil investiga o caso e realiza diligências para localizar o suspeito e esclarecer as circunstâncias do crime.

  • Jovem pega “rabeira” em ônibus no Morro da Liberdade

    Jovem pega “rabeira” em ônibus no Morro da Liberdade

    Jovem pega “rabeira” em ônibus no Morro da Liberdade

    Um vídeo que circula nas redes sociais mostra um jovem em uma bicicleta pegando “rabeira” na traseira de um ônibus do transporte público na noite desta sexta-feira (5). O fato aconteceu na rua 1º de Maio, no bairro Morro da Liberdade, zona Sul de Manaus.

    Primeiramente, a cena chamou a atenção de um motorista que passava pelo local e decidiu registrar a pavulagem do garoto. Nas imagens, o curumim aparece segurando a estrutura traseira do coletivo enquanto a bicicleta acompanha o veículo em movimento. A ousadia arrancou uma reação imediata de quem filmava. “Menino é uma bost@ mesmo”, comentou.

    Além disso, o vídeo mostra o jovem mantendo o equilíbrio enquanto o ônibus segue pela via, ignorando completamente os riscos da manobra. Conhecida popularmente como “pegar rabeira”, a prática é considerada extremamente perigosa e já causou diversos acidentes graves em diferentes cidades do país.

    O Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) e as empresas de transporte coletivo orientam que, ao perceber situações semelhantes, motoristas e testemunhas tentem alertar o condutor do ônibus para que ele pare o veículo em segurança e interrompa a viagem até que o aventureiro desça.

    Por fim, apesar da habilidade demonstrada pelo curumim sobre a bicicleta, a recomendação é deixar a pavulagem para as brincadeiras menos arriscadas. Afinal, uma manobra dessas pode terminar muito diferente de um vídeo engraçado nas redes sociais.

  • PEC no Senado facilita cooptação do Banco Central, dizem economistas

    PEC no Senado facilita cooptação do Banco Central, dizem economistas

    PEC no Senado facilita cooptação do Banco Central, dizem economistas

    A autonomia financeira e orçamentária do Banco Central (BC), prevista em proposta de emenda à Constituição (PEC), em tramitação no Senado, facilita a cooptação pelo setor financeiro da autoridade monetária responsável por regular e fiscalizar a área, além de favorecer a manutenção dos altos juros no Brasil.

    Essa é a avaliação de renomados economistas brasileiros que publicaram nesta semana manifesto contra a PEC 65 de 2023, que está na pauta de votações da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.

    “A PEC cria independência seletiva: afasta o BC do controle democrático do Estado (Congresso, Tribunal de Contas da União- TCU, Executivo), mas o mantém estruturalmente poroso às influências do mercado financeiro. Perdem-se os freios dos poderes constituídos e os canais de acesso do setor privado continuam abertos”, diz o manifesto.

    Entre os autores, estão Luiz Carlos Bresser-Pereira, professor de economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e ex-ministro da Fazenda; e Luiz Gonzaga Belluzzo, professor de economia da Unicamp e ex-secretário de política econômica do Ministério da Fazenda. A lista completa dos signatários pode ser conferida no final desta reportagem.

    O manifesto sustenta que a PEC fragiliza a fiscalização, o controle social e a responsabilização do Banco Central; aumenta a dívida pública; e poderia criar um modelo único no mundo que reúne autonomia financeira e operacional da autoridade monetária.

    Manutenção dos Juros altos

    O manifesto destaca que o dinheiro que seria retiro pelo Banco Central por meio senhoriagem – receita oriunda da criação de moeda- – é fruto das condições macroeconômicas que o BC deve administrar. Isso criaria um possível conflito entre interesse público e o orçamento da instituição.

    “O BC passaria a se beneficiar institucionalmente de condições macroeconômicas que deveria administrar em nome do interesse público, e não de seu próprio orçamento. E como a senhoriagem depende dos juros, o BCB passaria a ter conflito de incentivos em relação à manutenção de juros elevados”, dizem os economistas.

    O Brasil tem hoje as segundas maiores taxas de juros reais do mundo, perdendo apenas para Rússia, país que está em guerra. Os juros altos são o principal motor do crescimento da dívida pública do país. 

    Receita da criação de moeda ficaria com BC

    Em 2021, foi aprovada e sancionada Lei que concedeu ao BC autonomia administrativa e operacional em relação ao governo, mas a instituição segue dependente do Orçamento da União para as atividades que desempenha.

    A PEC 65 ampliaria essa autonomia ao permitir que o BC retenha recursos que obtém por meio da senhoriagem. Essa receita foi de R$ 23,3 bilhões, ao ano, entre 2017 e 2025, enquanto o orçamento do BC foi de R$ 4,8 bilhões, ao ano, no mesmo período.

    “A senhoriagem equivale a cerca de cinco vezes o que o Banco gasta para funcionar. A PEC abre espaço legal para a apropriação patrimonialista da senhoriagem e confere imensa frouxidão fiscal ao BC, que contrasta com o corte dos gastos sociais que é exigido pelo mercado financeiro e pelo presidente do BC [Gabriel Galípolo]”, diz o documento.

    Galípolo e bancos defendem PEC

    A PEC 65 é defendida pela direção do Banco Central, liderada pelo presidente Gabriel Galípolo, que argumenta que a instituição está nos limites dos recursos para cumprir com a missão de fiscalizar e regular o sistema financeiro.

    A PEC também é defendida pelos bancos privados que o BC tem a obrigação de regular e fiscalizar. A Associação Brasileira de Bancos (ABBC) e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) têm se manifestado favoravelmente à proposta.

    Caso Master

    Os signatários do manifesto contrário à PEC 65 citam o caso da emenda do Banco Master, apresentado a essa proposta pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), investigado pela Polícia Federal (PF) sob a suspeita de ter sido redigida pela instituição de Daniel Vorcaro para ampliar a capacidade de fraude no sistema financeiro.

    “Um BC orçamentariamente autônomo e desvinculado da supervisão parlamentar torna-se, estruturalmente, um regulador mais vulnerável à pressão do setor que regula. Os parágrafos 8º e 9º do novo art. 164 do substitutivo ampliam os mecanismos de socorro financeiro de emergência”, afirmam os economistas.

    Para os especialistas, a PEC deixa o BC mais “vulnerável à interferência política, de lobistas e do setor financeiro sobre a nomeação de diretores e a composição de seu quadro funcional”.

    Fiscalização fragilizada

    Os signatários do manifesto apontam ainda que a proposta desmonta os mecanismos de fiscalização e responsabilização orçamentária, hoje previstos na Lei Orçamentária Anual.

    “A PEC desmonta esses mecanismos sistematicamente — retira o BC da LOA, enfraquece a jurisdição do TCU”, diz o manifesto.

    O texto lembra que o BC aprova, supervisiona e pode socorrer as mesmas instituições que, indiretamente, alimentam seu orçamento. “Essa é a definição clássica de um regulador capturado: um agente concebido para servir ao público, mas cujos incentivos o aproximam sistematicamente dos interesses dos regulados”, completa o documento.

    Para os economistas, a PEC fragiliza os mecanismos de controle social do Banco Central ao retirar o orçamento da instituição da LOA, reduzindo “a capacidade de supervisão efetiva do Congresso, do TCU e da sociedade sobre decisões com amplo impacto macroeconômico”.

    Dívida Pública

    Os economistas lembram que a medida aumenta a dívida pública do governo ao retirar receitas do Tesouro Nacional, que passariam a ser controlas pelo Banco Central.

    “Com a PEC, a senhoriagem [receita oriunda da emissão de moedas] deixaria de abater a dívida, porque seria entendida como ‘receita própria’ do BC sem obrigatoriedade de transferência para o Estado brasileiro.”

    Caso único

    Os economistas que subscrevem o manifesto refutam a justificativa apresentada pelo relator, senador Plínio Valério (PSDB-MA), de que a PEC se alinha as melhores práticas internacionais.

    “Nenhum dos principais bancos centrais do mundo possui a combinação de autonomia financeira, isenção orçamentária e blindagem parlamentar que a PEC pretende criar”, diz o documento, que descreve os casos dos BCs dos Estados Unidos (EUA), Reino Unido, Zona do Euro e Japão.

    Signatários

  • ⁠Luiz Carlos Bresser-Pereira – FGV, ex-Ministro da Fazenda
  • ⁠Luiz Gonzaga Belluzzo – Unicamp, ex-Secretário de política econômica do Ministério da Fazenda
  • ⁠Flavia Dantas – SUNY – Cortland
  • ⁠Pedro Paulo Zahluth Bastos  – Unicamp
  • ⁠Élida Graziane  – FGV e Procuradora do Ministério Público de Contas do Estado de São Paulo
  • ⁠Paulo Nogueira Batista Jr.  – Economista
  • ⁠Leda Paulani – USP
  • ⁠Ladislau Dowbor – PUC-SP
  • ⁠Maria de Lourdes Rollemberg Mollo – UNB
  • ⁠Haroldo Silva- Presidente do Corecon – SP
  • ⁠Isabel Busato – UFRJ
  • André Modenesi – UFRJ
  • ⁠Lena Lavinas – UFRJ
  • ⁠Luiz Fernando de Paula – UFRJ
  • ⁠Vanessa Petrelli Corrêa  – UFU
  • ⁠Carlos Aguiar de Medeiros – UFRJ
  • ⁠Rosa Maria Marques  – PUC-SP
  • Simone Deos – Unicamp
  • ⁠Antônio Prado – Vice-Presidente do Corecon – SP
  • ⁠Adriana Amado – UNB
  • ⁠Pedro Rossi – Unicamp
  •  ⁠Gilberto Bercovicci – USP
  •  ⁠Larissa Naves de Deus Dornelas – UFPR
  •  ⁠Marco Antônio Rocha – Unicamp
  •  ⁠Juliane Furno – UFF
  • CMM busca mais segurança a crianças e adolescentes no esporte

    CMM busca mais segurança a crianças e adolescentes no esporte

    CMM busca mais segurança a crianças e adolescentes no esporte

    A criação da Frente Parlamentar em Defesa do Esporte Seguro e a proposta de instituição do Selo Esporte Seguro, ambas de autoria do vereador Mitoso (MDB), ganharam destaque durante o Grande Expediente da Câmara Municipal de Manaus (CMM), nesta terça-feira (2 de junho). As iniciativas visam fortalecer a proteção de crianças e adolescentes no ambiente esportivo. Além do tema, os parlamentares também debateram o combate à violência sexual, a ampliação de mecanismos de proteção às vítimas e melhorias no atendimento à pessoa obesa.

    Na tribuna do Plenário Adriano Jorge, o parlamentar destacou denúncias envolvendo casos de violência contra crianças e jovens no ambiente esportivo. Durante o pronunciamento, Mitoso (MDB) apresentou um Projeto de Resolução para a criação da Frente Parlamentar em Defesa do Esporte Seguro, além da proposta de criação do Selo Esporte Seguro, e solicitou apoio dos demais vereadores para a iniciativa.

    Segundo o parlamentar, a proposta busca reunir esforços do Poder Legislativo para combater crimes praticados contra crianças e adolescentes em espaços esportivos e incentivar ambientes mais seguros para a prática esportiva.

    “Queremos criar uma Frente Parlamentar de combate a esse crime e também um selo que identifique espaços esportivos seguros. Assim, pais e responsáveis terão a certeza de que estão deixando seus filhos em ambientes com profissionais qualificados e comprometidos com a proteção das crianças”, destacou.

    Combate à violência sexual e apoio às vítimas

    O vereador Ivo Neto (Democrata) chamou a atenção para os casos de abuso sexual e para a necessidade de ampliar as ações de acolhimento e proteção às vítimas. Durante o discurso, o parlamentar defendeu a investigação rigorosa das denúncias e o combate à impunidade.

    “Espero que todas as denúncias possam ser apuradas e rigorosamente investigadas. Que a Justiça cumpra o seu papel e que as vítimas recebam todo o apoio necessário. Crime sexual não pode ter tolerância, não pode ter silêncio e não pode ter impunidade”, afirmou.

    Políticas públicas para a saúde da pessoa obesa

    O vereador Gilmar Nascimento (Avante) utilizou a tribuna para defender políticas públicas voltadas à saúde da pessoa obesa. O parlamentar destacou o Projeto de Lei nº 353/2022, de sua autoria, que institui políticas públicas de apoio às pessoas obesas no município de Manaus, além do Projeto de Lei nº 262/2024, que trata da adequação dos serviços públicos para atender esse público.

    Durante o pronunciamento, Gilmar Nascimento ressaltou as dificuldades enfrentadas por pessoas obesas no acesso ao tratamento adequado na rede pública de saúde.

    “Não há medicamentos para pessoas obesas. Não há medicamentos para o tratamento. É um medicamento caro. Os obesos não têm ambulância adequada, não têm leito adequado para receber um tratamento apropriado e não têm acesso a equipamentos compatíveis, como máquinas de ressonância magnética”, afirmou o vereador.

  • Prefeitura de Manaus abre 68º Festival Folclórico do Amazonas

    Prefeitura de Manaus abre 68º Festival Folclórico do Amazonas

    Prefeitura de Manaus abre 68º Festival Folclórico do Amazonas

    A Prefeitura de Manaus deu início à programação do 68º Festival Folclórico do Amazonas, na noite desta sexta-feira, 5/6, no Centro Cultural dos Povos da Amazônia (CCPA), na zona Sul. O evento, coordenado pela Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (ManausCult), abriu oficialmente o circuito de apresentações com as disputas da categoria Bronze. O festival reúne dezenas de grupos folclóricos e segue até o dia 20 de junho, celebrando a diversidade cultural e as tradições populares.

    A abertura do festival movimentou o CCPA com muito ritmo e tradição, integrando o calendário oficial da capital. O público que compareceu à primeira noite acompanhou apresentações de danças nordestinas, quadrilhas tradicionais, cômicas e alternativas, além de cirandas, danças nacionais e bois-bumbás.  Nem mesmo a chuva desta sexta-feira espantou o público e os visitantes, como o turista paulista Edson Cosmo, que fez questão de prestigiar o evento.

    “Mesmo com a chuva, trouxe a família para aproveitar o festival. A gente é de fora, veio de São Paulo para conhecer melhor a cultura do Amazonas, e achamos a apresentação muito bonita”, destacou Edson.

    A edição de 2026 acontece após um forte investimento da Prefeitura de Manaus, que totaliza R$ 2,4 milhões na cultura popular, somando o fomento para as categorias Bronze e Prata e o apoio financeiro voltado para os bois-bumbás de Manaus.

    O diretor de Cultura da ManausCult, Wallace Almeida, ressaltou que o apoio vai além do fomento financeiro, englobando uma robusta estrutura de logística para que o festival cresça a cada ano. “A prefeitura investe no fomento que gera toda essa cadeia criativa da cultura. Não é só o que o público vê no palco, mas também o que acontece nos bastidores, beneficiando costureiras, soldadores e músicos. O retorno desse investimento na economia da cidade é sete vezes maior para quem participa direta e indiretamente”, afirmou o diretor.

    Esse impacto na ponta é sentido por quem dedica a vida a manter viva a identidade local. É o caso de Nilson Ribeiro, presidente do grupo de dança “Cabras do Capitão Corisco”, tradicional reduto cultural do bairro Coroado, que abriu as disputas da categoria Bronze na primeira noite do evento.

    “O Corisco tem 47 anos de festival, viemos defendendo essa tradição desde os anos 80. Já dançamos em tudo quanto é lugar e descemos aqui quando isso ainda era um grande tablado. É uma dança cultural, diferente, e a gente batalhou muito durante meses para colocar o grupo com toda a dignidade na arena”, celebrou o folclorista.

    O 68º Festival Folclórico do Amazonas continuará com programações gratuitas todas as noites no Centro Cultural dos Povos da Amazônia, prometendo arrastar milhares de brincantes e torcedores com as apresentações das categorias Bronze e Prata até o dia 20 de junho. Só não haverá apresentações nos dias 11 e 19 por conta de jogos da Seleção Brasileira de Futebol na Copa do Mundo.

  • Renato Junior acompanha avanço da concretagem do tabuleiro da nova passarela da avenida Torquato Tapajós

    Renato Junior acompanha avanço da concretagem do tabuleiro da nova passarela da avenida Torquato Tapajós

    Renato Junior acompanha avanço da concretagem do tabuleiro da nova passarela da avenida Torquato Tapajós

    O prefeito de Manaus, Renato Junior, fiscalizou os trabalhos de concretagem do tabuleiro da nova passarela Santos Dumont, localizada na avenida Torquato Tapajós, na zona Centro-Oeste. A ação da Prefeitura de Manaus, coordenada pela Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf), representa uma etapa fundamental para garantir uma base resistente e segura para a travessia dos pedestres na parte superior da estrutura.

    Durante a vistoria, o chefe do Executivo municipal destacou o empenho das equipes de trabalho e relembrou o histórico do local, que precisou de uma reconstrução total após um grave acidente comprometer a antiga passarela. “Estamos aqui, em ritmo acelerado, na avenida Torquato Tapajós. Essa estrutura antiga foi derrubada após um sinistro em que um caminhão de uma empresa privada colidiu com a passarela. Após superarmos todos os trâmites jurídicos, entramos com tudo na reforma e reconstrução”, afirmou o prefeito Renato Junior.

    Para evitar que novos acidentes aconteçam no local, o prefeito fez questão de destacar uma importante mudança de engenharia implementada pela gestão municipal: o aumento do vão livre da estrutura, além de melhorias modernas de acessibilidade. “Só para que a população possa entender o que está acontecendo: antes, a passarela possuía 4,5 metros de vão livre (altura). Agora, ela tem um metro a mais, totalizando 5,5 metros de altura. Além disso, o guarda-corpo já está sendo feito e teremos um novo poço para a instalação de elevadores dos dois lados, garantindo acessibilidade total”, completou o prefeito.

    A operação acompanhada pelo prefeito Renato Junior foi planejada de forma estratégica para o período noturno, reduzindo o impacto no trânsito de uma das principais vias da capital, que possui movimentação intensa de veículos diuturnamente. Para viabilizar a aplicação segura de 18 metros cúbicos de concreto ao longo dos 40 metros de extensão do tabuleiro, equipes do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) deram suporte à Seminf, orientando e organizando o trânsito nos dois sentidos da via.

    Alinhado às diretrizes do prefeito, o secretário municipal de Infraestrutura, Madson Rodrigues, reforçou o compromisso da secretaria com a celeridade e a qualidade técnica da entrega.

    “Nosso compromisso, conforme a determinação do prefeito Renato Junior, é promover mais qualidade de vida à população de Manaus, dar celeridade aos trabalhos e acompanhar diretamente a qualidade dos serviços, para que essa obra melhore bastante a mobilidade, beneficiando o povo manauara”, ressaltou o secretário Madson.

    A presença do prefeito e o ritmo de trabalho foram elogiados por cidadãos que passavam pela área. O motorista Osmar Batista, de 43 anos, acompanhou a movimentação e demonstrou satisfação com o andamento do projeto. “Esta obra vai melhorar muito a mobilidade daqui. Agradeço aos servidores pelo trabalho duro, porque são pessoas determinadas a realizar essa obra, sem importar o horário, para ajudar a melhorar o tráfego”, disse.

    Com a conclusão da concretagem do tabuleiro, a gestão do prefeito Renato Junior entra nas fases finais da obra para, em breve, devolver à população manauara uma estrutura moderna, segura e com acessibilidade universal.

  • União Europeia oficializa veto à carne brasileira a partir de setembro

    União Europeia oficializa veto à carne brasileira a partir de setembro

    União Europeia oficializa veto à carne brasileira a partir de setembro

    A União Europeia (EU) oficializou sua decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. O veto deve entrar em vigor a partir do próximo dia 3 de setembro.

    Anunciada há quase um mês, poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, a decisão de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar esses produtos para os países do bloco europeu foi confirmada em um documento oficial  publicado no Diário Oficial da UE nesta sexta-feira (5).

    Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não conseguiu comprovar que seus produtores atendem às algumas das exigências sanitárias europeias, especialmente que não utilizam, ao longo de toda a cadeia produtiva, medicamentos antimicrobianos para tratar e prevenir infecções em animais.

    Em abril deste ano, o governo brasileiro proibiu parte dos antimicrobianos comprovadamente usados para estimular o crescimento e aumentar a produtividade animal, mas a União Europeia avaliou que ainda faltam garantias adicionais.

    As regras sobre o uso de antimicrobianos fazem parte da política europeia de segurança alimentar e saúde pública conhecida como One Health, criada para combater o uso excessivo de antibióticos no mundo. Entre os produtos restritos pelos europeus estão substâncias como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.

    A União Europeia é um dos principais mercados para as proteínas animais brasileiras. No caso da carne bovina, o bloco europeu aparece entre os maiores destinos das exportações brasileiras em valor.

    A cautela europeia não significa necessariamente que a carne brasileira esteja contaminada por medicamentos. O principal ponto da decisão europeia é regulatório e envolve rastreabilidade sanitária, certificação e comprovação documental sobre o uso dos medicamentos.

    Para voltar à lista dos países autorizados a vender os produtos vetados, o Brasil precisará comprovar que cumpre integralmente as regras europeias durante todo o ciclo de vida dos animais exportados. Para isso, o país pode ampliar ainda mais as restrições legais aos medicamentos ou criar mecanismos mais rígidos de rastreabilidade para provar que os produtos exportados não utilizam as substâncias proibidas na Europa.

    A segunda alternativa é considerada mais complexa porque exige monitoramento detalhado da cadeia produtiva, certificações sanitárias adicionais e custos maiores para produtores e frigoríficos.

    Abiec

    Consultada pela reportagem, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) manteve o posicionamento divulgado no mês passado, quando a Comissão Europeia anunciou a decisão de proibir a compra dos produtos brasileiros.

    Segundo a entidade, o Brasil conta com um “dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo” e a carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios de mais de 170 países, incluindo os principais mercados internacionais, cumprindo “rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente”.

    Ainda de acordo com a associação, o setor privado vem trabalhando em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na elaboração de protocolos voltados ao atendimento das novas exigências europeias, além de manter diálogo técnico e colaboração com as autoridades competentes sobre o tema.

    Qualidade

    A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que está acompanhando a formalização da decisão da União Europeia e confiante de que as autoridades brasileiras vão demonstrar, tecnicamente, que o país possui um dos mais robustos sistemas de controle sanitário mundial, capaz de garantir “elevados padrões de qualidade, rastreabilidade, biosseguridade e segurança dos alimentos”.

    Em nota, a ABPA enfatizou que o veto à importação dos produtos brasileiros “não decorre de qualquer questionamento sanitário, não conformidade ou problema identificado em relação ao uso de antimicrobianos na produção animal brasileira”, mas sim ao reconhecimento europeu dos “mecanismos oficiais de fiscalização e controle adotados pelo Brasil”.

    A entidade também reconheceu a legitimidade das iniciativas voltadas à proteção da saúde pública, da sanidade animal e da segurança dos alimentos, mas com ressalvas. Para a associação, é necessário que as normas sanitárias nacionais estejam “fundamentadas em critérios científicos, avaliações de risco reconhecidas internacionalmente, transparência regulatória e observância aos princípios estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal, pelo Codex Alimentarius e pelos acordos multilaterais de comércio”.

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