Autor: Redação – Portal AM

  • Equipes amazonense disputam classificação na Copa do Brasil Feminina

    Equipes amazonense disputam classificação na Copa do Brasil Feminina

    Equipes amazonense disputam classificação na Copa do Brasil Feminina

    A Copa do Brasil Feminina segue com a disputa da segunda fase com três confrontos decisivos: Instituto 3B x Taubaté-SP, às 14h (horário de Manaus), no Estádio Joaquinzão, em Taubaté-SP; Itacoatiara-AM x Mauaense-SP, às 14h, no Estádio Pedro Benedetti, em Mauá-SP; e Penarol-AM x Doce Mel-BA, às 15h, no Estádio Floro de Mendonça, em Itacoatiara.

    Taubaté-SP x Instituto 3B

    Feras da Amazônia e Taubaté fazem jogo de duas equipes da segunda divisão nacional. Os times se enfrentaram pela 1ª rodada da edição de 2026, onde o clube amazonense levou a melhor pelo placar de 1 a 0.

    A equipe amazonense garantiu vaga direta na segunda fase da Copa do Brasil Feminino 2026 devido à sua posição e participação em competições organizadas pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol).

    Equipe de Arbitragem

    Árbitra: Elizabete Esmeralda Cordeiro dos Santos Gomes/CE
    Árbitra Assistente 1: Veridiana Contiliani Bisco/SP
    Árbitro Assistente 2: Welber Venancio da Silva/SP
    Quarto Árbitro: Gustavo Alencar Rodrigues/SP
    Analista de Campo: Eduardo Cesar Coronado Coelho/SP

    Mauaense – SP x Itacoatiara

    O Itacoatiara encara o Manauense-SP, às 14h, no Estádio Pedro Benedetti, em Mauá-SP, em confro inédito.

    As Tigresas também chegaram diretamente à segunda fase da competição e vão em busca da vitória fora de casa.

    Equipe de Arbitragem

    Árbitra: Vanessa de Souza guijansque/ES
    Árbitra Assistente 1: Flávia Sobrinho Nascimento/SP
    Árbitro Assistente 2: Gabriel Rodrigues Santos/SP
    Quarto Árbitro: Vinícius Deniz de Camargo/SP
    Analista de Campo: Márcio Verri Brandao/SP

    Penarol x Doce Mel-BA

    As Leoas da Velha Serpa enfrentam o Doce Mel-BA, às 15h, no Estádio Floro de Mendonça, em Itacoatiara.

    O Penarol tem um trunfo a seu favor no duelo. A equipe está com 100% de aproveitamento na temporada jogando no estádio Floro de Mendonça. O Leão da Velha Serpa tem o fator casa para buscar a classificação inédita para a terceira fase.

    O Penarol avançou da primeira fase após vencer o Atlético de Alagoinhas-BA por W.O.

    Equipe de Arbitragem

    Árbitra: Suanny Aires de Sousa/PA
    Árbitra Assistente 1: Aline Miranda Gil/AM
    Árbitra Assistente 2: Kailane Serrão Roseno/AM
    Quarto Árbitro: Raimundo José Azevedo de Medeiros/AM
    Analista Campo: Rodrigo Rebelo Novaes/AM

  • Trump visita Xi Jinping na China em meio ao atoleiro da guerra no Irã

    Trump visita Xi Jinping na China em meio ao atoleiro da guerra no Irã

    Trump visita Xi Jinping na China em meio ao atoleiro da guerra no Irã

    A visita do presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, à China, para encontro com o presidente Xi Jinping, na noite desta quarta-feira (13), no horário de Brasília, captura a atenção do planeta em meio a guerra no Irã que segue abalando as relações internacionais e a economia global.

    Vista por Washington como ameaça à liderança econômica e tecnológica que os EUA tentam preservar no mundo, a China foi alvo prioritário da guerra tarifária iniciada por Trump logo no início do 2ª mandato, em abril de 2025.

    A reação da China às tarifas, incluindo restrições à exportação de terras raras, minerais essenciais para setores da tecnologia e de defesa dos EUA, fez Trump recuar na imposição de altas tarifas aos produtos chinesas.

    Ao lançar a ofensiva contra o Irã, no final de fevereiro, Trump prejudicou também os interesses de Pequim, principal consumidora do petróleo de Teerã e que deseja ver reaberto o Estreito de Ormuz, por onde transitavam 20% do petróleo mundial antes da guerra.

    Para analistas consultados pela Agência Brasil, a disputa comercial e tecnológica entre Washington e Pequim pode ser aproveitada pelo Brasil para melhorar a posição do país no cenário global, em especial, devido ao fato de o país ter a segunda maior reserva de minerais críticos do mundo, com cerca de 22%, atrás apenas da China.

    Trump desmoralizado

    O encontro entre Trump e Xi Jinping estava marcado para o final de março, mas foi adiado devido à guerra no Oriente Médio, que teria, entre os objetivos, além de projetar Israel, barrar a expansão econômica da China na Ásia Ocidental.

    O analista geopolítico Marco Fernandes, membro do Conselho Popular do Brics, avaliou que Trump calculou errado que conseguiria derrubar o governo no Irã rapidamente, chegando em Pequim em condições de impor a Xi Jinping acordos mais favoráveis à Washington.

    “Ele achou que chegaria a Pequim com todas as cartas na mão para pressionar Xi, mas faltou combinar com os iranianos. Agora, Trump está chegando derrotado. Nunca um presidente dos EUA chegou em uma reunião com um presidente da China tão enfraquecido e desmoralizado como Trump agora”, disse.

    O também analista geopolítico da publicação Brasil de Fato destacou que, mesmo um dos principais ideólogos do imperialismo dos EUA, o neoconservador Robert Kagan, reconheceu, dias atrás, em artigo, que Trump saiu derrotado após tentar derrubar o regime político iraniano.

    Fernandes destaca, no entanto, que Xi Jinping conseguiu manter o crescimento das exportações chinesas mesmo após o tarifaço de Trump. Ainda assim, a China deve tentar pressionar Trump para pôr um fim definitivo à guerra no Oriente Médio.

    “Há, claramente, uma triangulação sendo feita, nesse momento, entre Pequim, Moscou e Teerã. Não foi à toa que Araghchi [ministro das Relações Exteriores do Irã] esteve em Pequim na semana passada, e já esteve em Moscou. Rússia e China estão intermediando, pelo Irã, para que haja uma solução pacífica e a guerra termine. Isso seria o principal ponto do encontro para Xi Jinping”, completou.

    Taiwan

    Em conversas com jornalistas no início da semana, Donald Trump informou que deve tratar com Xi Jinping sobre a venda de armas dos EUA para Taiwan, província autônoma da China com aspirações de independência política.

    Pequim não aceita o reconhecimento de Taiwan independente, o que costuma ser expressado na política de “uma só China”.

    “A firme oposição da China à venda de armas americanas para a região de Taiwan, território chinês, é consistente e clara”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, ao responder aos jornalistas nesta semana.

    O professor de Relações Internacionais do Ibmec José Luiz Niemeyer, avalia que a China vai cobrar os EUA para não incentivar, de qualquer forma, uma Taiwan independente.

    “Eles vão ficar discutindo o que cada um poderia fazer nos espaços considerados vitais de cada um. Vão discutir o limite até onde o outro pode ir. Essa vai ser a discussão principal. E os EUA definiram a América Latina como área de defesa de Washington”, explicou.

    A doutrina do governo Trump tem pregado a proeminência de Washington na América Latina, assim como o combate à influência da China no continente. Pequim é o principal parceiro comercial da maioria dos países na América do Sul, incluindo o Brasil. Até os anos 2000, eram os EUA o principal parceiro das economias sul-americanas.

    Para o especialista do Ibmec, a China está em uma posição mais confortável nas negociações, tanto que foi Trump que foi a Pequim, e não Xi Jinping que foi a Washington.

    “Tenho a impressão que essa visita mostra uma necessidade de aproximação dos EUA com a China. Me parece que o encontro tende a dar mais frutos para a agenda chinesa do que para a norte-americana”, completou José Luiz Niemeyer.

    Terras raras

    O tema das terras raras também deve estar no centro dos debates entre Trump e Xi Jinping, na avaliação do professor do Ibmec José Niemeyer. Esses minerais são essenciais para as indústrias militar, da tecnologia e da transição energética, com a China liderando a produção desses insumos.

    “Os EUA precisam muito de dois minerais de terras raras, que é o samário e o neodímio, fundamentais para indústria bélica, para construção de ímãs usados em mísseis. E os EUA não dispõem desses materiais, a China sim”, lembrou.

    O analista Marco Fernandes ressalta que a indústria dos EUA já tem acesso aos minerais críticos da China, mas pondera que Pequim pode impor novas restrições, como fez durante o tarifaço, que prejudicam os negócios norte-americanos.

    Na última semana, a China começou a aplicar a lei anti-sanções do país. Aprovada em 2021, ela proíbe que empresas no país reconheçam as sanções dos EUA. A medida foi uma reação a sanções recentes de Washington contra empresas na China que fazem negócios com os iranianos.

    “Isso é uma novidade na postura da China de ser assertiva em relação aos EUA. Cada vez que os EUA subirem o tom, apostando em sanções e outras medidas anti-chinesas, eles vão dar o troco. Isso é importante porque é um capítulo novo na relação sino-americana”, completou Marco.

    Brasil entre China e EUA

    As relações entre China e EUA são importantes para o Brasil porque, além de serem os dois principais parceiros comerciais do país, a disputa pelo controle das terras raras pode ser usada por Brasília para extrair ganhos políticos e econômicos das duas superpotências do planeta.

    O professor José Luiz Niemeyer avalia que o Brasil pode aproveitar as disputas entre Pequim e Washington por meio de uma posição “passiva estratégica”.

    “Cada vez que há mais crise do ponto de vista de fornecimento de produtos entre os EUA e China, o Brasil pode aproveitar para exportar os produtos que estão em litígio entre os dois países, como por exemplo, minerais de terras raras”, afirmou.

    Para o analista do Conselho Popular do Brics Marco Fernandes, o Brasil está no centro da disputa entre EUA e China por conta das terras raras.

    “O Brasil vai precisar saber se colocar no meio dessa disputa de uma maneira soberana e que acumule para nossos interesses”, defende.

  • Camarão gigante invasor avança sobre áreas protegidas no Brasil

    Camarão gigante invasor avança sobre áreas protegidas no Brasil

    Camarão gigante invasor avança sobre áreas protegidas no Brasil

    A presença sorrateira e cada vez mais persistente de uma espécie exótica nos ecossistemas costeiros do Brasil vem acendendo inúmeros alertas entre cientistas, pescadores e gestores ambientais: trata-se do camarão-gigante-da-malásia (Macrobrachium rosenbergii).

    Introduzido no país no final do século 20 para abastecer o crescente setor de aquicultura, o animal não se limita mais à criação em cativeiro. Com o tempo, a espécie se estabeleceu em ambientes naturais extremamente sensíveis, incluindo áreas protegidas.

    Um estudo realizado por pesquisadores do Brasil e do Uruguai, publicado em fevereiro, revelou a dimensão do problema e esmiuçou os riscos ecológicos e ambientais associados à “invasão” do camarão gigante — aspectos negativos que, segundo os especialistas, podem se intensificar nos próximos anos.

    Liderada pelo oceanógrafo Edison Barbieri, diretor do Núcleo Regional de Pesquisa do Litoral Sul, do Instituto de Pesca de São Paulo, a pesquisa foi motivada pela preocupação crescente da comunidade científica diante das invasões biológicas em ecossistemas estuarinos. Esses sistemas, que também incluem os manguezais, estão localizados em áreas de transição entre rios e o oceano e são amplamente reconhecidos por sua biodiversidade.

    As zonas estuarinas servem como berçários para inúmeras espécies aquáticas, incluindo peixes e crustáceos cuja importância ecológica se soma ao seu potencial econômico. Ao mesmo tempo, esses ambientes transicionais delicados são suscetíveis à introdução de espécies exóticas, que passam a competir com a fauna nativa por diferentes recursos vitais.

    Segundo Barbieri, o estudo — conduzido entre 2015 e 2025 — partiu de uma constatação: ainda que o camarão intruso tivesse sido registrado em diferentes regiões do Brasil, não havia monitoramento sistemático em áreas de conservação. “A introdução acidental ou intencional de espécies por meio da aquicultura já havia sido observada, mas não sabíamos até que ponto isso afetava as unidades de conservação costeiras.”

    Assim, o trabalho reuniu uma equipe multidisciplinar e combinou diferentes metodologias para mapear a ocorrência da espécie, avaliar sua distribuição e, principalmente, identificar seu potencial de impacto na fauna nativa. “Para isso, utilizamos quatro abordagens principais: amostragem de campo, monitoramento participativo com pescadores artesanais, consulta a bancos de dados e revisão da literatura científica”, disse Barbieri à Mongabay.

    Os esforços foram concentrados no Complexo Estuarino-Lagunar de Cananéia-Iguape-Ilha Comprida, no extremo sul do estado de São Paulo. A área litorânea é reconhecida pela Unesco como parte da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica e como Patrimônio Mundial Natural, abrangendo pontos importantes — como a Área de Proteção Ambiental (APA) Ilha Comprida, que abriga mata de restinga, dunas, praias e manguezais.

    A relevância do complexo ambiental também foi reconhecida pela Convenção de Ramsar, no Irã, em 1971. Segundo o governo brasileiro, esse tratado intergovernamental “estabelece marcos para ações nacionais e para a cooperação entre países com o objetivo de promover a conservação e o uso racional de áreas úmidas no mundo”.

    Conforme explicou Barbieri, a presença da espécie exótica no biodiverso litoral paulista é significativa e resultou em dados expressivos. “Entre 2015 e 2025, acompanhamos a presença do camarão invasor no local, contando com a colaboração ativa de pescadores da região. Ao todo, registramos 68 ocorrências únicas de M. rosenbergii em 10 áreas protegidas ao longo da costa brasileira.”

    A maioria desses registros (44) ocorreu em APAs, onde o uso sustentável dos recursos naturais é permitido. No entanto, alguns trechos dessas mesmas áreas são pontos ambientais que exigem proteção absoluta, o que aumenta os riscos associados à presença do longilíneo camarão forasteiro. “No estuário da Cananéia, por exemplo, foram capturados 90 indivíduos ao longo de uma década de monitoramento”, disse o pesquisador.

    Um invasor que se sente em casa

    A fácil reprodução da espécie em ambiente natural é, por si só, mais preocupante do que sua presença na costa brasileira. A pesquisa sustentou esse indicativo ao identificar fêmeas ovígeras — que carregam ovos fertilizados —, o que provou a ocorrência do ciclo reprodutivo no ecossistema. Segundo Barbieri, “isso indica que a espécie não apenas sobrevive, mas [que] está efetivamente estabelecida”.

    Outro dado considerado relevante é o padrão sazonal observado nas capturas. A maior incidência de camarões invasores ocorre nos meses mais quentes, especialmente entre a primavera e o verão do Brasil. Isso sugere uma relação direta entre a ocorrência dos crustáceos e a temperatura da água. Em um contexto de mudanças climáticas, que torna o aquecimento dos oceanos uma realidade global, as novas condições marinhas podem favorecer ainda mais a proliferação da espécie invasora.

    Ernesto Brugnoli Olivera, professor adjunto de Oceanografia e Ecologia Marinha da Universidad de la Republica (Uruguai) e um dos coautores do estudo, destaca outros atributos que facilitam uma jornada invasora “de sucesso” ao camarão: sua ampla tolerância térmica e sua plasticidade ecológica. “Trata-se de uma espécie altamente adaptável, capaz de sobreviver em diferentes condições de salinidade e temperatura, o que facilita sua dispersão em ambientes estuarinos e de água doce”, disse.

    A origem da invasão está diretamente ligada à atividade aquícola.

    Introduzido no Brasil na década de 1970 para o cultivo comercial, o camarão-da-malásia, como também é conhecido, passou a escapar dos viveiros e a colonizar ambientes naturais pouco a pouco. Hoje, sua distribuição já não encontra fronteiras: há registros da espécie tanto no Norte quanto no Sul do país.

    Os impactos são variados. Especialistas destacam a competição por alimento, abrigo e espaço entre o intruso e espécies nativas, como o camarão-da-amazônia (Macrobrachium amazonicum). A batalha travada por eles, segundo alerta a ciência, pode levar à redução das populações locais e à alteração estrutural das comunidades aquáticas.

    O mapa, disponível no estudo, mostra regiões de ocorrência do camarão invasor.

    Além disso, o camarão vindo de fora é considerado um vetor de patógenos, como a síndrome da mancha branca — um vírus perigoso que, em várias partes do mundo, já causou prejuízos significativos à carcinicultura, como é chamada a técnica de criação de camarões (marinhos ou de água doce) em viveiros.

    Caso esses animais se proliferem em ambientes naturais, doenças de difícil manejo podem provocar efeitos em cadeia na fauna de crustáceos.

    Os efeitos ecológicos também se estendem à cadeia alimentar: como predador oportunista, o M. rosenbergii pode alterar as relações tróficas nos ecossistemas estuarinos, afetando não apenas outros crustáceos, mas também peixes e organismos de menor tamanho. Futuramente, isso poderia resultar em um quadro de desequilíbrio ecossistêmico potencialmente irreversível.

    Impactos na atividade pesqueira

    Embora o estudo não tenha produzido informações consolidadas sobre os impactos socioeconômicos associados ao avanço do camarão, muitos pescadores já relatam uma série de mudanças em seu dia a dia de trabalho.

    É o caso de Nilson Monteiro do Nascimento, pescador há 40 anos no município de Curuçá, no litoral nordeste do Pará. Ele contou à Mongabay que tem observado uma transformação “preocupante”. Segundo Nilson, a presença de espécies invasoras, como o camarão-da-malásia e o camarão-tigre-gigante (Penaeus monodon), coincidiu com o desaparecimento de espécies regionais. “Hoje, para pegar 5 ou 10 quilos [de camarão nativo], é muito difícil. Antes, a gente trabalhava com toneladas por semana.”

    Nilson endossa a preocupação dos cientistas e destaca o comportamento predatório dessas espécies, que se alimentam não apenas de camarões comuns, mas também de outros organismos costeiros endêmicos. “A gente percebe que ele come os outros camarões, inclusive os das cabeceiras de água doce. Isso foi acabando com a nossa produção.”

    A escassez de camarões outrora abundantes na costa paraense afeta diretamente a renda das comunidades que dependem da pesca artesanal, levando muitos trabalhadores a buscar alternativas para se sustentar. “A gente está tendo que se reinventar”, lamentou Nilson.

    Na visão dos pesquisadores, o relato reforça a importância do monitoramento participativo adotado durante o estudo. Ao envolver pescadores no processo de coleta de dados, o trabalho ampliou sua base de informações e fortaleceu o diálogo entre a ciência e as comunidades locais.

    Segundo Barbieri, diante de queixas como essa, é necessário agir rápido: “É urgente a implementação de programas contínuos de monitoramento, a revisão dos critérios de licenciamento ambiental para empreendimentos aquícolas e a realização de estudos mais aprofundados sobre as interações entre espécies nativas e invasoras.”

    Os autores também pedem a criação de políticas públicas mais rigorosas, já que a presença do camarão invasor em áreas protegidas demonstra que as fronteiras legais não são suficientes para conter a ameaça. “Precisamos de vigilância reforçada e de medidas efetivas de controle. A invasão em Cananéia — um patrimônio natural — simboliza uma falha na prevenção e no controle de espécies exóticas associadas à aquicultura”, disseram.

    Ao trazer evidências concretas da presença e do estabelecimento da espécie nos biomas brasileiros, o estudo abre caminho para a tomada de decisões. Mas, como os próprios autores reforçaram em entrevista, o tempo é um fator crítico: quanto maior for o atraso na criação de medidas mitigadoras, maiores podem ser os custos ambientais, econômicos e sociais.

    Por Evanildo da Silveira via Mongabay

  • Prefeito Renato Junior e 99 alinham pontos de apoio para motoristas de aplicativo

    Prefeito Renato Junior e 99 alinham pontos de apoio para motoristas de aplicativo

    Prefeito Renato Junior e 99 alinham pontos de apoio para motoristas de aplicativo

    O prefeito Renato Junior reuniu-se, nesta terça-feira, 12/5, no mirante Lúcia Almeida, com representantes da plataforma 99. O encontro teve como objetivo central o seguimento da discussão de políticas públicas voltadas à mobilidade urbana e, principalmente, a implementação de estruturas físicas de acolhimento para os profissionais que atuam no setor de transporte e entregas por aplicativo na capital.

    Um dos principais temas da reunião foi o início da construção de pontos de apoio ou abrigos. Essas estruturas, financiadas pela 99 em áreas cedidas pelo município, visam oferecer condições dignas de trabalho, incluindo banheiros, água potável e áreas de descanso, espaço para refeições, sendo um abrigo inclusivo para trabalhadores do setor, oriundos da 99 ou de outras plataformas.

    “Tivemos um diálogo muito proveitoso com a 99, que nos trouxe inovações tecnológicas já executadas em outras capitais. Eles nos fizeram o convite para criar abrigos com banheiros e estrutura, custeados pela própria empresa, para atender quem está trabalhando, seja o motorista de moto ou de carro do aplicativo. Manaus está de portas abertas para novidades que melhorem a atenção a essas centenas de milhares de pessoas que fazem uso do serviço”, afirmou o prefeito.

    A gerente de relações governamentais da 99, Viviane Vinagre, destacou que a empresa vê Manaus com grande entusiasmo comercial e técnico. Além dos abrigos, a pauta do encontro incluiu compartilhamento de dados, colaboração para melhorar a gestão do tráfego e a segurança viária; ações conjuntas para a conscientização e redução de acidentes de trânsito; e discussões sobre como o transporte por aplicativo pode complementar de forma saudável o sistema de transporte coletivo da cidade.

    “A 99 vê Manaus com grande entusiasmo pelo mercado que oferece e acreditamos que não se constrói um relacionamento com a cidade sem ajudar o poder público a realizar políticas de qualidade. Viemos conversar sobre diversas pautas, como o compartilhamento de dados e a segurança viária. Além disso, avançamos na discussão para a construção dos ‘Pontos de Apoio’, para oferecer dignidade aos motoristas e motociclistas parceiros, inclusive para aqueles que não estejam logados na nossa plataforma no momento do uso”, acrescentou.

    Arrecadação

    Durante o encontro, o prefeito Renato Junior também levantou a necessidade de uma discussão mais profunda sobre a arrecadação tributária das empresas de tecnologia. O gestor pontuou que, embora o serviço seja prestado e usufrua da infraestrutura de Manaus, muitas vezes os impostos acabam retidos em outros estados ou países onde as empresas possuem sede.

    O prefeito solicitou o apoio da 99 para alinhar formas de garantir que os tributos gerados pela operação local sejam revertidos diretamente em benefícios para a cidade, como pavimentação e sinalização viária.

    “Fizemos algumas solicitações para que possamos ter acesso à questão tributária de como os impostos dessas empresas são arrecadados. Muitas vezes, elas são sediadas em outros estados, mas o serviço é feito em Manaus. Queremos que esses impostos fiquem na nossa cidade para contribuir com a pavimentação e com a sinalização horizontal e vertical, garantindo que o recurso gerado aqui retorne em benefícios para a nossa capital”, explicou o prefeito.

    Os representantes da 99 agora levam as demandas para o diretório nacional da empresa. A Prefeitura de Manaus, por meio do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) e do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU), seguirá em diálogo técnico para viabilizar as áreas e os projetos de engenharia dos novos pontos de apoio que serão construídos pela empresa.

  • Base Tiradentes vai reforçar patrulhamento na região do Médio Solimões, no Amazonas

    Base Tiradentes vai reforçar patrulhamento na região do Médio Solimões, no Amazonas

    Base Tiradentes vai reforçar patrulhamento na região do Médio Solimões, no Amazonas

    A Base Fluvial Tiradentes, da Polícia Militar do Amazonas (PMAM), coordenada pelo Gabinete de Gestão Integrada de Fronteiras e Divisas (GGI-F), da Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP-AM), está em deslocamento para a região do Médio Solimões. O objetivo é reforçar as fiscalizações e o patrulhamento na região, reforçando a segurança da população que mora nas localidades próximas.

    O secretário Executivo do GGI-F, capitão Diego Magalhães, informou que a Base estava operando próximo à cidade de Parintins (a 369 quilômetros de Manaus). Ele explicou que o deslocamento é uma determinação estratégica do governador Wilson Lima, dada ao secretário de Segurança, general Carlos Alberto Mansur, e ao Comandante-Geral da Polícia Militar, coronel Vinícius Almeida, para levar mais segurança às cidades localizadas às margens do Médio Solimões.

    “Com uma determinação do governador Wilson Lima, do nosso secretário de segurança, Carlos Alberto Mansur, iniciamos o deslocamento da base Tiradentes para o Médio Solimões para reforçar o combate ao narcotráfico, pirataria e levando maior sensação de segurança para as comunidades de povos tradicionais e cidades que ficam às margens dessa localidade”, enfatizou o secretário executivo.

    Base Tiradentes

    A Base Fluvial Tiradentes, é uma base móvel de policiamento que atua em uma parceria com a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), que realiza abordagens, patrulhamento fluvial e fiscalizações em grandes e pequenas embarcações, visando maior sensação de segurança as regiões mais remotas do Amazonas.

  • População de Parintins se prepara para audiência pública sobre modernização do Bumbódromo

    População de Parintins se prepara para audiência pública sobre modernização do Bumbódromo

    População de Parintins se prepara para audiência pública sobre modernização do Bumbódromo

    O Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Infraestrutura (Seinfra) e da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, realiza nesta quarta-feira (13/05), às 8h, a audiência pública para apresentação do projeto de “Ampliação e Modernização do Centro Cultural de Parintins – Bumbódromo”. O encontro ocorrerá em formato híbrido (presencial e virtual) e deve reunir moradores e representantes de diferentes segmentos em um momento de diálogo e participação popular sobre o futuro do maior palco da cultura popular amazonense, o Bumbódromo de Parintins (distante 369 quilômetros de Manaus).

    A realização da audiência pública é considerada fundamental para ouvir a sociedade sobre o projeto, coletar sugestões, esclarecer dúvidas e fortalecer a transparência das ações governamentais, garantindo legitimidade ao processo e contribuindo para o prosseguimento da iniciativa.

    Para o secretário da Seinfra, Carlos Henrique Lima, a apresentação do projeto é importante para garantir que a população compreenda a obra de forma ampla. “Essa é uma obra de extrema importância para o Amazonas como um todo, pois além de valorizar o palco dessa grande festa que é o Festival de Parintins, irá trazer melhorias significativas, agregando em um só projeto cultura, economia, turismo e desenvolvimento em prol do povo parintinense”, explicou.

    Morador de Parintins e frequentador do Bumbódromo há décadas, o eletricista Nildo Souza de 54 anos, destaca a oportunidade de contribuir com sugestões para garantir que a modernização do espaço atenda às necessidades da população.

    “Para nós que somos daqui, assistimos os festivais é muito importante porque quem está lá dentro sabe as necessidades não só do Bumbódromo em si, mas também do entorno. Tanto no entorno do Caprichoso, quanto do Garantido, a logística de quem está de moto e dos pedestres”, declarou.

    Para os comerciantes locais, a audiência pública também representa uma oportunidade de acompanhar um projeto que pode gerar impactos positivos na economia e no turismo do município. A comerciante Raimunda Barroso, de 62 anos, ressalta a importância da construção de um entendimento coletivo a partir do diálogo com a população.

    “Vai ser bom para todos, para os nossos trabalhos, nossas vendas, nós que vivemos disso. E eu acho que tem que sentar e conversar, porque conversando que vão se entender, tem que ser conversado para ver se todo mundo concorda. Tem que ter um bom senso e vamos esperar que aconteça”, afirmou.

    A participação de representantes da classe artística também deve marcar a audiência pública desta quarta-feira. O artista plástico Glaucivan Silva vê o encontro como um momento importante para traçar soluções que preservem as obras produzidas e mantenham viva a identidade cultural de Parintins.

    “Precisamos desse diálogo, as pessoas precisam ser ouvidas e é maravilhoso poder contribuir com a nossa cultura e todo mundo fazendo sua parte, é possível se entender. O objetivo maior é o melhor para Parintins, para a arte e para a cultura”, destacou.

    A audiência pública

    A audiência pública trata de um tema de interesse coletivo e seguirá os trâmites processuais determinados pela Lei 14.133/2021 e pelo Decreto Estadual nº 47.233/2023. O encontro também tem como objetivo promover o diálogo aberto entre o poder público e a sociedade civil, visando ao fortalecimento do Festival Folclórico de Parintins e da cultura regional como um todo.

    A audiência terá formato híbrido e será realizada no Centro Educacional de Tempo Integral (Ceti) Deputado Gláucio Gonçalves, localizado na rua Fausto Bulcão, nº 1.286, bairro São Vicente de Paula, em Parintins, além de participação pela plataforma Teams. Na oportunidade, serão respeitados os limites impostos tanto pela capacidade física do local quanto pelo quantitativo suportado pela plataforma, que é de até mil participantes interativos. Para os demais espectadores que tem interesse em acompanhar a audência online, também haverá transmissão online pelo canal do Governo do Amazonas no Youtube.

    O edital com as regras de participação, o Aviso de Audiência Pública, o Estudo Técnico Preliminar (ETP) e os demais projetos referentes ao novo Bumbódromo seguem disponíveis e podem ser acessados por meio do site da Seinfra (https://www.seinfra.am.gov.br/ampliacao-e-modernizacao-do-centro-cultural-de-parintins-bumbodromo/).

  • Custo da construção no Amazonas teve o menor aumento do país nos últimos 12 meses

    Custo da construção no Amazonas teve o menor aumento do país nos últimos 12 meses

    Custo da construção no Amazonas teve o menor aumento do país nos últimos 12 meses

    A variação do custo médio da construção civil no Amazonas em abril foi de 0,2%. No ano, a variação acumulada foi de 1,55%, e em 12 meses, a variação foi de 4,89%. No Brasil, a variação foi de 0,72% em abril, enquanto a variação acumulada no ano ficou em 2,89% e a variação em 12 meses ficou em 7,01%. Os dados são do Sistema Nacional de Preços e Índices da Construção Civil – SINAPI, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE nesta quarta-feira, 12 de maio.

    Custo médio do m² no mês

    Com variação de 0,2%, o Amazonas ficou na 21ª posição do ranking das maiores variações do custo médio da construção civil em abril, uma diferença de 0,52 ponto percentual (p. p.) em relação à variação média nacional. A variação coloca o estado entre as 7 Unidades da Federação em que o custo da construção civil menos sofreu elevação em abril. Os estados de Mato Grosso (0,07%), Roraima (0,1%) e Amapá (0,12%) apresentaram as menores variações no índice, enquanto Acre (3,89%), Maranhão (2,99%) e Rio de Janeiro (1,83%) tiveram as maiores variações no índice.

    Com a variação, o custo médio do metro quadrado (m²) da construção civil em abril no Amazonas foi a R$ 1.921,70, um aumento de R$ 3,82. O aumento ocorreu inteiramente no componente material: em março, o custo médio do m² era de R$ 1.104,90 no componente material, em abril o custo foi a R$ 1.108,72. O custo no componente mão-de-obra permaneceu estável em R$ 812,98.

    No ranking nacional dos maiores custos médios, o estado ficou na 14ª posição dentre as Unidades da Federação, abaixo da média nacional (R$ 1946,09). Os estados de Acre (R$ 2.278,52), Santa Catarina (R$ 2.192,82) e Rio de Janeiro (R$ 2.149,86) foram os que tiveram o maior custo médio em moeda corrente, enquanto os estados de Pernambuco (R$ 1.722,48), Sergipe (R$ 1.724,27) e Espírito Santo (R$ 1.761,23) tiveram os menores custos médios do país.

    Custo médio do m² no ano

    O variação acumulada no ano do custo médio do m² no Amazonas ficou em 1,55%, enquanto a variação nacional ficou em 2,89%. Com o resultado, o Amazonas ficou na 26ª posição do ranking nacional das maiores variações acumuladas no ano, colocando-o como a Unidade da Federação com a segunda menor variação acumulada do custo da construção em abril, atrás apenas de Roraima (1,46%). Os estados com as maiores variações acumuladas foram Acre (6,98%), Maranhão (5,78%) e Bahia (5,51%).

    Em moeda corrente, o custo médio da construção no estado saiu de R$ 1.916,68 em janeiro para R$ 1.921,70 em abril, um aumento de R$ 5,02 em 4 meses, sendo a elevação toda no componente material, enquanto o componente mão-de-obra permaneceu estável durante todo o período (R$ 812,98).

    Custo médio do m² em 12 meses

    A variação acumulada do custo médio do m² em 12 meses chegou a 4,89% no estado, a mais baixa do país no índice em abril, enquanto a variação nacional em 12 meses ficou em 7,01%, uma diferença de 2,12 pontos percentuais. Além do Amazonas, Roraima (4,90%) e Tocantins (5,43%) tiveram as menores variações acumuladas em 12 meses. Os estados do Maranhão (10,72%), Acre (10,08%) e Paraíba (9,61%) tiveram os maiores aumentos do custo médio em 12 meses.

    Em 12 meses, o aumento do custo médio em moeda corrente no estado chegou a R$ 89,55. Enquanto em abril de 2025 o custo médio chegava a R$ 1.832,15, em abril de 2026 o custo médio da construção no estado chegou a R$ 1.921,70.

    Custo de Projeto

    Em janeiro, o custo do m² de uma casa popular com um pavimento, dois quartos, sala, circulação, banheiro e cozinha com padrão de acabamento normal era de R$ 2.131,35. Em abril, o mesmo projeto chegou a R$ 2.215,04.

    Mais sobre o Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (SINAPI)

    Criado em 1969, o Índice Nacional da Construção Civil tem como objetivo a produção de informações de custos e índices de forma sistematizada e com abrangência nacional, visando a elaboração e avaliação de orçamentos, como também acompanhamento de custos.

  • Renegociação de dívidas do Fies começa nesta quarta-feira

    Renegociação de dívidas do Fies começa nesta quarta-feira

    Renegociação de dívidas do Fies começa nesta quarta-feira

    As pessoas com dívidas do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) podem renegociar seus débitos a partir desta quarta-feira (13), por meio do Desenrola Fies. As condições variam conforme o perfil do estudante e o tempo de atraso da dívida, com descontos para a quitação de até 99% sobre o valor da dívida.

    Pode participar quem tem contrato firmado até 2017 e que estava em fase de amortização – ou seja, em fase de pagamento – em 4 de maio de 2026, data de lançamento do novo Desenrola Brasil. No caso do Desenrola Fies a negociação pode ser feita até 31 de dezembro de 2026.

    As regras para a renegociação foram aprovadas pelo Comitê Gestor do Fundo de Financiamento Estudantil e a regulamentação publicada nesta terça-feira (12) no Diário Oficial da União.

    Confira as condições específicas conforme a situação da dívida:

    – Débitos vencidos há mais de 360 dias:

    estudantes fora do Cadastro Único para programas sociais do governo federal (CadÚnico) têm desconto de até 77% do valor total consolidado (incluindo o principal) para quitar a dívida;

    estudantes inscritos no CadÚnico, com informações atualizadas nos últimos 24 meses, podem quitar a dívida com desconto de 92% do valor consolidado;

    estudantes beneficiados pelo CadÚnico com atraso superior a cinco anos na última prestação o desconto é de 99% do valor consolidado.

    – Débitos vencidos há mais de 90 dias:

    pagamento à vista, com desconto total de juros e multas e redução de até 12% do valor principal;

    ou parcelamento em até 150 parcelas mensais, com redução de 100% dos juros e multas.

    – Adimplentes ou atraso de até 90 dias:

    desconto de 12% de desconto sobre o saldo devedor para quitar os débitos.

    O governo estima beneficiar mais de 1 milhão de estudantes com a renegociação.

    A adesão ao Desenrola Fies deve ser feita diretamente com a instituição bancária onde o contrato foi firmado, seja a Caixa Econômica Federal ou o Banco do Brasil.

    Os canais oficiais de atendimento são:

    – Caixa Econômica Federal – 4004 0104 | 0800 104 0104

    – Banco do Brasil – 4004 0001 | 0800 729 0001

    – Aplicativo BB e Aplicativo Caixa

    A orientação do governo é fazer o processo de renegociação de forma digital, “o caminho mais rápido e que evita deslocamentos”.

    Passo a passo para renegociar:

    – Acessar o canal digital (aplicativo ou portal) até 31 de dezembro de 2026.

    – Solicitar a adesão: pelo próprio aplicativo, selecione a opção de renegociação do Fies e verifique a modalidade disponível para o seu perfil de dívida.

    – Validar os termos: leia e aceite o termo aditivo eletronicamente. Caso haja necessidade de assinatura de fiadores, o sistema indicará como proceder.

    – Efetuar o pagamento da entrada: gere o boleto ou autorize o débito da parcela de entrada diretamente pelo aplicativo para validar sua adesão.

    – Acompanhar a regularização: após a confirmação do pagamento, a retirada do nome do estudante e dos fiadores dos cadastros de inadimplentes ocorre automaticamente, com a atualização do cronograma de pagamento.

    Criado em 2001, o Fies é uma das políticas públicas de acesso à educação superior no Brasil, com foco em oferecer financiamento a estudantes de cursos de graduação em instituições privadas avaliadas positivamente pelo Ministério da Educação (MEC).

    Desenrola Brasil

    O Desenrola Fies faz parte do novo Desenrola Brasil, programa lançado este mês pelo governo federal que busca ajudar famílias, estudantes e pequenos empreendedores e produtores rurais a renegociar dívidas bancárias, limpar o nome e recuperar o acesso ao crédito.

    O principal eixo do programa é voltado para pessoas com renda mensal de até cinco salários mínimos, o equivalente hoje a R$ 8.105, que possuem dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026 e atrasadas entre 90 dias e dois anos.

    A proposta do governo é que os bancos concedam um novo empréstimo para quitar a dívida antiga, com desconto, juros menores e a possibilidade de uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para abatimento. Podem ser renegociados débitos com o cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal.

    Até a última segunda-feira (11), cerca de R$ 1 bilhão em débitos bancários já estavam em renegociaçãoO prazo para renegociação previsto pelo programa é 90 dias.

  • Estratégias de consumo aumentam volume de endividamento

    Estratégias de consumo aumentam volume de endividamento

    Estratégias de consumo aumentam volume de endividamento

    Em uma compra habitual no supermercado, posto de gasolina ou na farmácia, o atendente oferece ao consumidor a possibilidade de parcelar a despesa em até três vezes sem juros. O comprador avalia como vantajosa a oferta e concorda em deixar a prazo aquilo que costumava a pagar de uma vez – à vista ou no cartão de crédito.

    A cena acima é cada vez mais comum, como observa a socióloga Adriana Marcolino, diretora técnica do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). “Estamos vendo muitas pessoas utilizando o crediário para pagar contas do orçamento mensal.”

    O risco de usar o crédito para despesas ordinárias é desorganizar as contas e fazer do crédito um complemento à renda, quando deveria ser um recurso para produtos de vida longa e grande utilidade.

    “O crédito é importante porque financia bens de consumo duráveis e bens de maior valor”, pondera Adriana Marcolino que tem por ofício defender políticas públicas e iniciativas financeiras que resultem em maior poder de compra do trabalhador.

    Ansiedade de consumo

    A oferta fácil de crédito pode agravar a “ansiedade de consumo”, alerta a economista Katherine Hennings, pesquisadora associada da Fundação Getulio Vargas (FGV) e analista da BRCG Consultoria. “Nós temos um comportamento que é de tentar antecipar ao máximo o que a gente consegue consumir”, diagnostica.

    Segundo ela, o modo de agir não é restrito a determinada faixa de renda nem está ligado ao consumo de produtos indispensáveis. A decisão de comprar acaba por responder aos “estímulos” da propaganda, seja nos anúncios dos meios tradicionais ou nas recomendações dos influencers na internet.

    “Há diversos apelos à compra, e as pessoas têm acesso ao crédito, o que viabiliza anteciparem o consumo”, descreve a economista. Diante da TV ou da tela do computador sobra oferta, mas falta explicação sobre os efeitos da ansiedade de comprar. “Essa parte, menos glamourosa, de fazer as contas não está sendo feita.”

    Parcelas cabem no orçamento?

    A consequência de não fazer as contas é se comprometer com mais do que pode e ter que utilizar formas de financiamento com os juros mais altos do mercado, como o cheque especial, o parcelamento direto na operadora de cartão de crédito ou o rotativo do cartão – quando o cliente paga apenas parte da fatura.

    De acordo com o economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Fabio Bentes, o consumidor precisa levar em consideração os custos de assumir essas dívidas antes da decisão de comprar. Precisa verificar quanto vai pagar de juros ao comprar parcelado.

    “O brasileiro sabe pesquisar o preço de um produto no comércio. Consegue comparar o preço de um item de vestuário, de um eletrodoméstico, ou de um produtor eletroeletrônico. Mas, na hora de tomar o financiamento, tem o hábito de simplesmente verificar se é possível acomodar a prestação dentro do orçamento.”

    Crédito não é renda

    Outro erro do consumidor brasileiro é raciocinar que o limite do cheque especial ou do cartão de crédito se soma a sua renda, acrescenta a economista Isabela Tavares, responsável pelo acompanhamento de crédito e endividamento da Consultoria Tendências.

    “Precisamos entender que o limite do cartão de crédito não é uma renda extra. Temos que conseguir pagar o cartão de crédito com o salário que recebemos no final do mês. Quem ganha R$ 5 mil e tem um limite também de R$ 5 mil não tem renda de R$ 10 mil”, lembra a economista.

    Educação financeira

    Isabela Tavares, assim como Fabio Bentes e Katherine Hennings, acha necessário que haja mais educação financeira da população para decidir sobre o que, quando e como gastar.

    Esse é o trabalho do planejador financeiro Carlos Castro, que criou uma plataforma na internet para fazer educação financeira (SuperRico) e atua em uma associação (Planejar) que forma profissionais para fazer o trabalho de orientação pessoalmente.

    Castro elaborou uma cartilha e criou uma calculadora para ajudar as pessoas decidirem como aderir ao Desenrola 2, e se devem usar o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para fazer o refinanciamento proposto no programa do governo federal (veja serviço abaixo).

    Para ele, o programa é de emergência, “uma medida de curto prazo”, mas a solução do problema é mais estrutural: “Evitar que o brasileiro volte a se endividar, e continue no mesmo nível de endividamento que temos hoje.”

    Inadimplência de 81,7 milhões

    De acordo com o Banco Central, a inadimplência das famílias em março no Sistema Financeiro Nacional chegava a R$ 238,5 bilhões – 5,3% do crédito total cedido a elas (R$ 4,5 trilhões). O dado não contempla todos os credores como o comércio e prestadores de serviço.

    Na proporção, o percentual do volume do pagamento de empréstimos em atraso pode parecer pequeno. Mas, quando são considerados indicadores sobre a quantidade de pessoas com dívidas não quitadas, os números se tornam mais superlativos.

    Conforme a Serasa Experian, 81,7 milhões de pessoas estão inadimplentes. Segundo a empresa, a maior parte da dívida em atraso (47,1%) é para bancos e financeiras. De cada 100 devedores, 78 recebem até dois salários mínimos como faixa de renda.

    As pessoas com salários mais baixos estão mais vulneráveis a tomar empréstimos ou a fazer dívidas mais caras.

    “São pessoas que têm notas de crédito de score mais baixo. Não conseguem, por exemplo, crédito consignado [de juros menores porque é descontado em folha] pois não têm um emprego formal. Assim acabam recorrendo a empréstimos não consignados, cheque especial, ou o rotativo do cartão”, explica Isabel Tavares, da Consultoria Tendências.

    Para Adriana Marcolino, diretora técnica do Dieese, o efeito dessas opções de crédito é “drenar uma parte da renda do trabalho para o sistema financeiro. Quanto maiores os juros, maior a parte que vai ficar para o banco.”

    Serviço:

    Acesse aqui cartilha e a calculadora para consulta sobre o Desenrola 2

  • Sancionada lei que endurece pena a condenados por morte de policiais

    Sancionada lei que endurece pena a condenados por morte de policiais

    Sancionada lei que endurece pena a condenados por morte de policiais

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, com vetos, a lei que prevê regime disciplinar mais rígido para condenados por assassinato de policiais no exercício da função ou em decorrência dela. 

    texto da Lei 15.407/26 foi publicado nesta terça-feira (12) no Diário Oficial da União.

    Pela nova legislação, presos por homicídio ou tentativa de homicídio de policiais, militares das Forças Armadas e outros integrantes da segurança pública, devem ser mantidos, preferencialmente, em estabelecimentos penais federais de segurança máxima. A regra vale para presos provisórios ou condenados.

    Eles também podem ser incluídos no regime disciplinar diferenciado, que se caracteriza por medidas mais rígidas de reclusão, como cela individual, visitas restritas, fiscalização de correspondência e menos saídas da cela.

    Esse regime tem duração máxima de até dois anos e é aplicado a presos que subvertem a ordem ou representam alto risco, incluindo líderes de organizações criminosas.

    A proposta foi aprovada em abril pelo Congresso Nacional.

    >> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp

    Vetos

    Lula vetou os dispositivos que obrigatoriamente incluíam no regime disciplinar diferenciado os presos por homicídio contra policiais ou que tenham reiterado na prática de crimes cometidos com violência à pessoa ou grave ameaça, hediondos ou equiparados.

    De acordo com os despachos do presidente, as medidas são inconstitucionais porque transformam em regra o regime disciplinar diferenciado, que deveria ser excepcional, e substituem a análise da periculosidade e do comportamento concreto do preso por critérios baseados apenas na tipificação do crime. Para a Presidência, isso afronta os princípios da proporcionalidade e da individualização da pena.

    O presidente ainda vetou o trecho que proíbe progressão de regime e a liberdade condicional para presos no regime disciplinar diferenciado pois compromete a estrutura constitucional da execução penal progressiva, também violando os princípios da proporcionalidade e da individualização da pena.

    Além disso, para a Presidência, a medida contraria regras internacionais de tratamento de presos e decisão do Supremo Tribunal Federal que estabelece que a pena deve ser individualizada também durante a fase de execução, mesmo para condenados por crimes hediondos.

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com